Índia: Choque cultural
Chegar à Índia pela primeira vez sozinho e de madrugada pode não ser a melhor das experiências. Primeiro que o acesso aos aeroportos aqui é restrito às pessoas que possuem passagem aérea, assim, quem desembarca é obrigado primeiro a sair do aeroporto se quiser ou precisar entrar novamente.
Foi este o meu caso. Em Mumbai o aeroporto doméstico é separado do Internacional. Já sabia que teria que encarar um táxi na madrugada para trocar de aeroporto. O que eu não sabia é que seria abordado por um funcionário (pelo menos estava vestido como tal) com a informação de que havia uma ameaça de bomba no aeroporto doméstico e que o mesmo estava fechado.
É claro que desconfiei e perguntei a outras pessoas que também confirmaram a informação. Fui então para o hotel indicado pelo funcionário, paguei US$ 100 mas pude pelo menos tomar um bom banho e descansar um pouco. Não sei se fui vítima de um golpe pois li na internet que ele existe no aeroporto de Mumbai; se foi o caso, o golpe é muito bem aplicado.
3 horas depois já estava novamente no microônibus do hotel rumo ao aeroporto doméstico. No caminho, agora durante o dia, pude perceber a pobreza que já é nossa conhecida nas periferias das grandes cidades brasileiras. Nada a reclamar ou elogiar por enquanto, estou apenas registrando constatações.
Sem mais problemas, embarquei para Bangalore, minha cidade destino. Lá, a primeira surpresa foi agradável. A temperatura aqui é muito boa, fica sempre entre 20 e 30 graus, ao contrário de Mumbai onde o calor e a umidade na madrugada já eram insuportáveis (quem foi a Manaus conhece bem a sensação).
Fui bem recebido por um funcionário do Instituto que me transportou direto para meu apartamento. O local é distante do centro da cidade e do aeroporto. O trajeto, portanto, me permitiu conhecer um pouco da cidade. É visível que a mesma está vivendo um processo de modernização. O contraste da sujeira e do caos no trânsito com as avenidas largas em construção e prédios suntuosos é nítido e um pouco assustador. Parecem que aos poucos modernidade começa a brotar aqui e ali, diante de tamanha desorganização.
A outra agradável surpresa veio quando entrei no distrito onde fica o Instituto. Ele é chamado de Electronics City (Cidade Eletrônica) e é basicamente uma região de indústrias de software. Todo o local é arborizado, limpo e repleto de grandes empresas (no caminho vi prédios da HP, Siemes, Wipro e Infosys). O Instituto, claro, não podia ser diferente: excelente infra-estrutura e excelentes professores.
Passados dois dias aqui, o que ainda realmente me incomoda são a comida e o inglês de alguns indianos. A primeira, para mim, é muito (mas muito mesmo) apimentada e desprovida de qualquer outro sabor. É sempre uma variação de um caldo vegetariano com o mesmo tempero e alguns acompanhamentos, principalmente arroz e uma espécie de panqueca sem recheio.
Já o idioma muitas vezes é uma mistura de alguma das outras 16 línguas faladas na Índia (ou seus inúmeros dialetos) com um inglês quase impronunciável. É o caso, claro, principalmente daqueles que tiveram menos acesso a educação de qualidade como os seguranças e alguns funcionários.
Tirando estas primeiras impressões, ainda posso falar pouco. Tive apenas uma aula ontem e ainda estou conhecendo as pessoas. Já conheci um outro estudante estrangeiro (um sueco) que é bacana mas que também está se adaptando a todo este choque cultural que a Índia proporciona.

