1 semana depois
Disseram-me alguns indianos que 1 semana é o tempo necessário para se adaptar ao país. Ao que tudo indica, a sabedoria popular deles parece fazer sentido. Após 1 semana de comida apimentada, trânsito caótico, burocracia, poluição e pobreza estou começando a gostar daqui.
É que a Índia é muito mais do que todos estes problemas que à primeira vista parecem ser o seu cartão-postal. É preciso um olhar desarmado de preconceitos para entender o que está acontecendo aqui e perceber outros ângulos, bem menos obtusos do que os mais pragmáticos insistem em divulgar.
A receptividade indiana talvez seja o melhor exemplo. Desconfiado que estava quando cheguei, achava que esta amabilidade não passava de puro interesse em tirar vantagem de um estrangeiro novo no pedaço. Embora devam existir estes tipos, os que encontrei foram atenciosos e generosos; Estavam dispostos a ajudar além de minhas expectivas.
Além disto, confirmo o que já havia dito sobre a região onde me encontro: O local é formidável e o instituto (o IIIT-B) é um exemplo de escola de tecnologia da informação. Excelentes professores, inclusive com experiência profissional como diretores da HP e Adobe, infra-estrutura, organização e limpeza. Um luxo que só vi nas universidades canadenses, americanas e finlandesas quando visitei estes países.
Divirto-me ainda com as rickshaws: Estes veículos capazes de infernizar qualquer trânsito são um prazer inexplicável para mim no momento. Acho que é porque sendo pequenos e velozes, eles são capazes de proporcionar uma aventura no trânsito, cortando carros, motos, bicicletas, pessoas e vacas…
Ainda vale destacar os contrastes do centro da cidade. Entre grandes condomínios e shoppings luxuosos com letreiros luminosos em inglês, estão casas simples, templos hindus e pequenas lojas com textos escritos à mão em kannada, a língua mais falada em Bangalore.
Do governo, de bom mesmo parecem ser os palácios e prédios administrativos. Com belos parques ao redor, eles realmente se impõem na cidade. O Vidhana Soudha, por exemplo, é a sede da assembléia do estado, foi construído em 1951 e é o maior prédio legislativo da Índia. Interessante notar o que está escrito no topo deste prédio: “Government Work is God’s Work” (O trabalho do governo é o trabalho de Deus).
Fora isto, o que experimentei do governo daqui até agora é pura burocracia. É que precisei me registrar como estrangeiro que mora na Índia e, para tal, precisei ir 3 vezes a um escritório de polícia específico para isto.
Acompanhe comigo: uma vez para saber o que precisava ser feito (não, isto não está no site), outra vez para entregar a documentação (um monte de documentos e várias cópias), e uma última vez para pegar o registro (porque ele não fica pronto no mesmo dia). Tudo à mão e sendo analisado e assinado por um monte de pessoas. Não vi sequer um computador. Nem uma máquina de escrever…
Tudo isto, claro, é parte de um processo que está acontecendo no país. Não se transforma uma nação de mais de 1 bilhão de habitantes da noite para o dia mas pelo que vejo a transformação está ocorrendo, devagar, mas bem diante dos olhos de quem quer ver.
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Category: Índia | Tags: Bangalore 5 comments »
agosto 7th, 2007 at 19:10
Babe, a questão é: já que ninguém tem computador, ninguém tem software… Lembre-se do vendedor de camisas/sapatos (como preferir) na África…
Beijos e abraços!
agosto 7th, 2007 at 23:36
Exatamente! Muito bem lembrado. É este mesmo olhar que traz tantas empresas de software para cá…
agosto 8th, 2007 at 14:03
Filho querido, estou me divertindo com suas aventuras nessas terras. Por aqui ontem, foi bem interessante uma exposicao a respeito da navegacao portuguesa e tinha uma inscricao sobre Vasco da gama: o descobridor da India. havia um indiano no tour que se manifestou e foi tema de registro o topete portugues a respeito do tema. Beijos.
agosto 13th, 2007 at 21:07
Oi Ric, que bom saber que já está se acostumando e até gostando… Estamos aqui só acompanhando as suas aventuras, viu? Continue mandando notícias.
Beijo grande.
agosto 14th, 2007 at 01:52
Ei Nanda, muito obrigado. Pode ter certeza que ainda terei muita história para contar daqui.