Uma parada rápida na Alemanha
Estava devendo a mim mesmo um relato sobre a minha estada na Alemanha no final de julho. Chegar à Índia requereu um tempo considerável para acalmar os ânimos e vencer a burocracia do país, o que acabou deixando meus relatos sobre a Alemanha em segundo plano.
Em termos práticos, esta não é a primeira vez que vou a terras germânicas. Estive no monstruoso aeroporto de Frankfurt em 2002, antes de embarcar para Helsinki. Desta vez, entretanto, a Alemanha foi muito mais que um olhar pelas lojas de grife e estruturas em granito, vidro e metal, típicas de qualquer aeroporto.
Logo após o desembarque eu já estava na estação de trem. Duas das maravilhas do sistema de transporte alemão são a sua pontualidade e suas interconexões. Do próprio aeroporto embarquei num trem para Munique, na região da Bavária, e da própria estação de trem peguei um metrô para a casa do meu bom e velho amigo Florian, um alemão que conheci durante minha estada na Finlândia 4 anos antes.
A vantagem de estar numa cidade com um morador dela é que suas opções de turismo acabam indo muito além dos típicos pacotes de agências de turismo. Além das principais atrações de Munique (o estádio olímpico, o centro histórico, igrejas, museus, parques, e praças) pude conhecer a cidade sob a ótica de um de seus cidadãos.
Assim, acabei indo a uma cervejaria local, comi weißwürste (salsichas brancas) acompanhadas de uma mostarda caseira e pretzels, andei de bicicleta pela cidade e fui a um bar local, cheio de alemães viciados por futebol onde assisti a Bayern vs. Stuttgart. Felizmente o Bayern ganhou então pude participar de um amistoso encontro de amigos… Não quero nem imaginar o que seria do bar se o time da casa tivesse perdido.
Claro que um dia é pouquíssimo tempo para conhecer esta fantástica cidade e matar a saudade do amigo. Infelizmente minha jornada tinha que continuar rumo a Berlin na mesma madrugada. Dormi míseras 2 horas e acordei no susto para pegar o metrô e embarcar no trem rumo à capital alemã. Umas 7 horas depois cheguei à mais impressionante de todas as estações de trem pelas quais já passei.
A moderna estação central de Berlin foi inaugurada ano passado, no dia 26 de maio. De lá, se tem uma vista incrível do Reichstag, o prédio do parlamento construído em 1894. A fusão do moderno com a história da cidade foi perfeita e esta relação da estação central com o prédio do parlamento, para mim, é um exemplo disto. Aliás, o próprio parlamento ousa se exibir moderno ostentando uma cúpula toda em vidro que custou mais de EUR 300 milhões e ficou pronta em 1999.
Em Berlin, é impossível deixar de notar as marcas da antiga Alemanha Oriental. Os restos do muro que dividia a cidade talvez sejam a cicatriz mais forte do pós-segunda guerra. Estive no trecho do muro mais extenso ainda em pé e lá, por trás de pichações recentes praticadas por vândalos, estão obras de arte de artistas do mundo inteiro, pintadas no próprio muro, retratando os sentimentos da época de sua queda, em 1989.
E onde antes só havia o vazio que separava as duas Alemanhas (eram dois muros e um limbo minado entre eles para aumentar a “segurança”) hoje prédios comerciais ultra-modernos ditam o rumo da nova cidade. Eu me senti na própria Times Square, em Nova York, ao visitar o Sony Center, um tecnológico complexo de entretenimento.
Fiquei só 2 dias em Berlin mas praticamente não parei ou dormi. A cidade é tão incrível que suas atrações, por si só, recarregavam minhas baterias. O próprio hotel onde fiquei era uma atração a parte pois foi todo inspirado na arquitetura e na decoração das antigas casas da Alemanha Oriental. Incrível viver um pouco da simplicidade daquela época e perceber quão limitados recursos eles possuíam. Para quem quiser, recomendo o Ostel. O próprio site já dá uma boa noção do que se trata o lugar.
Finalmente, depois de me despedir de outro grande amigo que pôde me encontrar por um dia, ainda arrumei tempo para visitar os principais museus da cidade. E eles foram um deleite para os meus sentidos; uma experiência certamente inesquecível.
Fui a 3 museus, no total, todos parte do complexo da Ilha do Museu (Museum Island) e com belos acervos, sem contar a arquitetura dos prédios. Entretanto, o que realmente merece destaque é o Pergamon Museum (Link para a Wikipédia em Português), nome em referência ao Altar de Pergamon, uma construção monumental do ano 200 AC, feita pelos gregos na cidade de mesmo nome (o nome atual é Bergama, na Turquia). O altar impressiona ainda mais pela quantidade de elementos originais e pela magnificência de sua restauração. A sensação é de voltarmos no tempo, literalmente.
Como se não bastasse, outra gigantesca estrutura encontra-se no mesmo museu. Trata-se do Portão Ishtar (Ishtar Gate), o oitavo portão para o interior da cidade da Babilônia, construído aproximadamente no ano 525 AC. Eu não faço idéia da altura do portão e é claro que apenas alguns fragmentos são originais. Mesmo assim, só a visão imponente desta estrutura já me impressionou.
Por fim, ainda sem dormir, tive que embarcar no meu último trem na Alemanha, desta vez de volta para Frankfurt, onde meu vôo para Bangalore me aguardava. O resto da história vocês já sabem, já foi contada aqui no blog…
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Category: Alemanha | Tags: Berlim, Frankfurt, Munique 2 comments »
agosto 12th, 2007 at 12:54
E ai Ric,
Estou com saudades e um pouco de inveja de vc por estar vendo estas maravilhas, mas ao mesmo tempo orgulhoso.Obrigado.
“Filho meu, eis aqui o pai seu.”
agosto 12th, 2007 at 14:24
“Papai meu”! Que tal uma tentativa de se planejar para nos encontrar em dezembro na Europa? Tirando a passagem aérea, o resto não é tão caro…
Um grande abraço e feliz dia dos pais mais uma vez!