Também peço licença; Desta vez para um protesto

Sobre o caso Renan especificamente nem sei o que dizer. Depois do resultado, do pedido de acato do resultado pelo nosso presidente, da pancadaria, das mentiras e do descanso do absolvido na casa de Roseana Sarney, só me resta repetir o que eu e tantos outros já disseram.

O texto a seguir é um grito de protesto escrito em fevereiro deste ano. Acho que foi motivado pelo caos aéreo, fantasma que acredito ainda rondar os ares brasileiros, mas se aplica perfeitamente à bola da vez. Espero que o mesmo faça alguma diferença e provoque gritos de protesto em mais pessoas…


Sempre me surpreendo com as infinitas possibilidades de um documento em branco a espera de dedos vibrantes no teclado do computador. Igualmente surpreendente é a criatividade explícita dos mais hábeis diante de tal oportunidade. Com um universo inteiro de palavras, peca quem nem sequer arrisca um rascunho.

Pífias não são as escusas linhas dos principiantes. Estes merecem todos os méritos pela ousadia de criar, de explorar o inusitado, de dar nó nas sinapses e aprender com tudo isto. Pífios são os covardes que não se arriscam e que acham que tudo sabem. Irrita-me a sábia ignorância daqueles mais incautos, pegos em vã sabedoria, do alto de um palanque frágil, profanando aos ventos que c’est la vie, things never change, e desista.

Há uma frustração no ar que, parece-me, contagia a todos e descarta a oportunidade de gritar de volta em protesto. Quem ousa fazer isto nos dias de hoje? É tudo muito educado, modesto, justo. E, enquanto os justos cruzam os braços em filas de delegacias não-sei-do-quê, os injustos criam mais delegacias para aumentar a espera. C’est la vie.

Qual é o conceito de justiça afinal? Justiça para quem? Se ninguém faz valer aquilo que de melhor pode ter e merece, quem o fará? Neste caso, Politics won’t change a damn thing. Acredite, o grito de protesto só chega aos ouvidos daqueles que querem ou precisam escutar. E aí? Vai fazer o político precisar te escutar ou não vai?

Quem não faz nem um, nem outro, reclama por hábito e torna-se mais um a olhar sempre para baixo, geralmente para o próprio umbigo, e se encaixa perfeitamente no sistema daqueles que dizem: desista.

PS: A propósito, recomendo o texto de Alexandre Inagaki sobre o assunto e os diversos links recomendados por ele para quem quiser uma leitura de opiniões diversas.

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One Response to “Também peço licença; Desta vez para um protesto”

  1. Astrid

    Filho querido,
    Indignação…mais esta indignação a superar. No dia seguinte fui assistir a palestra do Luciano Pires. E gostaria de recomendar a quem aqui visitar que compareçam ao http://www.lucianopires.com.br . Ele instiga o Brasil silencioso a acordar para que possamos, quem sabe a sua geração, ainda viver um Brasil ético, com melhor distribuição da riqueza, políticos que tenham vergonha na cara…
    Beijos, Mamãe


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