De volta à programação normal, acho que vou ousar falar sobre o hinduísmo. Meu primeiro contato com esta religião foi em um livro um tanto quanto plano e simplista - infantil até - chamado A Viagem de Théo. O livro, nos mesmos moldes de O Mundo de Sofia, possui deficiências na construção da história e do personagem principal mas pelo menos provê o leitor com informações básicas de várias religiões mundo afora.

Sobre o hinduísmo, o livro expõe uma visão linear, como se existisse apenas uma única manifestação da religião. Por enquanto, vou também seguir esta linha para não nos complicarmos e chegarmos logo ao objetivo deste texto: O aniversário do deus Ganesha.

Com milhões de deuses e deusas, o hinduísmo tem sua origem no Brahmanismo, uma religião com práticas baseadas em rituais de sacrifício que surgiu pra lá de 1.500 AC! A religião ainda praticada por uma minoria, tem então mais de 3.500 anos! De maneira geral, no caso do hinduísmo, o seu foco está em três conceitos fundamentais: Respeito pela ordem cósmica; obediência ao destino de cada um; e o serviço à pureza, estabelecido pelos deuses quando do nascimento do indivíduo, de acordo com sua casta de origem.

Neste caldeirão borbulhante, Ganesha é um dos deuses (ou divindades). Ele é filho de Shiva (a divindade suprema ou o deus da destruição e rejuvenescimento) e Parvati (uma deusa que simboliza fertilidade, felicidade no casamento, devoção ao esposo(a), asceticismo, e poder). Seu aniversário é celebrado na Índia em alguma data entre os meses de agosto e setembro. A data específica varia porque é baseada no calendário lunar. Neste ano, a celebração ocorreu ontem, dia 15 de setembro.

A principal característica de Ganesha é sua cabeça de elefante (certamente ela não foi herdada dos pais). No mercado que visitei, o bicho é todo colorido, geralmente com tons amarelados. Ele é reverenciado como lorde dos começos e dos obstáculos. É também patrono das artes e ciências e deus do intelecto e da sabedoria. Agora entendo porque no meu quarto há uma gravura dele (Foto da extrema direita, no final do post).

O passeio pelo mercado, aliás, foi bem interessante. A organização das barracas e alguns produtos são os únicos elementos que se aproximam dos mercados de rua brasileiros. A grande maioria dos produtos (de figuras de deuses a alimentos de formatos, cores e cheiros que nunca vi ou senti), as pessoas (de turbantes ou sem, pintadas ou sujas, sérias ou sorridentes – embora faltassem dentes em algumas, vestidas em roupas de cores vibrantes, descalças no asfalto), e os arredores (repletos de templos, estátuas de divindades e luzes coloridas em homenagem ao Ganesha) tornavam tudo pitoresco.

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Em função das festividades religiosas, as pessoas procuravam no mercado principalmente flores e folhas de bananeira para ornamentar uma espécie de santuário onde a figura central de Ganesha é colocada. As estátuas em particular eram encontradas principalmente em barro, madeira, e cerâmica e em tamanhos que variam de poucos centímetros até mais ou menos 1 metro. O preço? Variava entre Rs. 50 e Rs. 1.500 (algo entre R$ 2,50 e R$ 75,00).

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Até na própria quinta-feira, dois dias antes da data oficial, presenciei a prática do ritual em um templo próximo ao mercado (embora na ocasião eu ainda não sabia do que se tratava). O mesmo se repetiu aqui no Instituto ontem, onde foi praticado por alguns estudantes.

Como não faço a mínima idéia da língua que eles estavam falando, pude entender pouco do que acontecia. Algumas perguntas que fiz depois aumentaram meu entendimento mas mesmo assim todo o processo ainda está um pouco embaçado em minha cabeça.

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Tudo se inicia com a preparação do santuário: em torno da imagem do Ganesha são colocadas frutas, folhas e flores como oferenda e decoração. Também são colocados livros, símbolos de conhecimento e sabedoria.

Em seguida, alguns ingredientes que não consegui distinguir são colocados num prato onde um foco é aceso. Paralelamente, uma espécie de candelabro também é aceso.

Cânticos dão o tom da cerimônia. O prato flamejante então percorre o local onde as pessoas parecem se abençoar dele: Percorrem a mão pelo fogo e fazem um movimento no sentido de direcionar sua energia para eles próprios.

Segundo me informaram, isto simboliza o contato com os quatro elementos que regem este mundo, obviamente, fogo, terra, ar, e água. Pelo que entendi, isto também representa parte da energia de Ganesha sendo “transferida” para cada um.

No final, todos se sentam e acompanham cânticos finais. Veja o vídeo:

Não é necessariamente coincidência que 15 de setembro foi escolhida a data de comemoração da fundação do IIIT-B. Como geralmente ela coincide com a época das celebrações ao Ganesha, a fundação acaba ganhando um significado simbólico maior.

A festa aconteceu no mesmo dia e em nada remete ao bizarro show de calouros da semana passada… Conto mais detalhes semana que vem!

Até lá.

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6 Responses to “Hinduísmo: O aniversário de Ganesha”

  1. Bom dia Ric,
    Também me lembro que eles se enfeitam, ornamentam as bicicletas e os hickhaws e até mesmo alguns carros, com flores amarelas. Em Poona, as lojas eram decoradas com estas flores na data do Ganesha; algumas ruas eles atravessavam guirlandas de flores amarelas como se fossem faixas.
    Fica tudo muito alegre e colorido!!
    Um belo final de domingo pra você; o nosso está começando e talvez, intuitivamente em homenagem ao Ganesha, vamos participar de um Campo de Meditação.
    Beijos, saudades,
    Mamãe

  2. Eita Lelê, hein mano? Que muito doido isso tudo aí. Por aqui é só igreja luterana e igreja internacional, que não é de nenhuma religião e aceita todo mundo. Mas é igreja cristã que nem no Brasil.

    Abraço, saudade!

  3. Acabo de descobrir o blog em conjunto dos irmãos nanicos.
    hehehe

    Brincadeiras à parte, muito bacana esse texto sobre o aniversário de Ganesh.
    E para um melhor entendimento do Hinduísmo, recomendo a leitura do Bhagavad Gita.

    Um grande abraço do seu primo mais rotundo.

  4. Astrid: Fica bonito mesmo. As festividades religiosas são geralmente muito bem enfeitadas. Conto mais com o tempo…

    Marcelo: Muito doido mesmo! Mais ainda aprendo não só a religião mas a língua deste povo também.

    Bernardo: Grande Bernardo! Valeu pela visita, volte sempre. Sobre a leitura recomendada, tem algum link recomendado também? Eu achei este link da Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bhagavad_Gita

  5. Ricardo,
    Mamãe e sua madrinha Iza estão ao meu lado e leram sobre o deus Ganesha e viram também o vídeo. Para nós é como se estivéssemos viajando até este local muito mistico.
    Surpreendenteeeeeeeeeeeee.Amamos. Um abração de todas nós.

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