“Causos” pelo mundo

Mais ou menos aos 11 anos fui assaltado pela primeira vez. Gananciosos, os dois ladrões estavam ávidos por levar tudo o que eu tinha de valioso: meu chinelo.

11 anos depois, em 2003, e na Rússia fui assaltado novamente. Passeava por um parque quando fui abordado por empurrões de dois truculentos vendedores de bugigangas. Os dois também levaram tudo o que eu tinha de valor: alguns trocados e um folheto da agência de viagens contendo precauções para turistas evitarem assaltos no país.

***

Em maio do ano passado eu estava perdido no Centro de Montreal e precisei pedir ajuda. Ciente de que a cidade tinha origem francesa, decidi arriscar uma abordagem na língua daquele país:

- Com licença senhor, você fala Inglês?

A resposta foi curta e grossa: – Muito melhor do que o seu francês!

Não precisei perguntar duas vezes…

***

Em abril deste ano decidi alugar um carro para desbravar terras uruguaias sozinho. Lá pela altura do povoado de Treinta y Tres (terra onde, diz a lenda, trinta e três valorosos combatentes uruguaios foram derrotados pelo covarde exército brasileiro enquanto dormiam) precisei abastecer.

No posto, li a palavra “gasoil” numa bomba e imediatamente, do alto de minha presunção, associei à gasolina. Acabei enchendo o tanque de um Fiat Uno com óleo diesel.

***

Ontem de madrugada eu dormia feliz. Sonhava com a culinária capixaba quando fui acordado por um grito de terror aqui no alojamento. O sujeito gritou tão alto que deve ter acordado o bairro inteiro.

Já estava acostumado a gritarias e maluquices do gênero entre os indianos e a princípio ignorei o evento. Minutos depois fui acordado novamente com gargalhadas coletivas: O sujeito escandaloso teve um pesadelo com cobras e acordou assustado acreditando que elas estavam no seu quarto.

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7 Responses to ““Causos” pelo mundo”

  1. osias

    O que fizestes tu com o diesel?

  2. Ricardo

    Passei horas num mecânico de beira de estrada para tirá-lo do tanque. O mesmo não tinha valor nenhum misturado com gasolina e se tornou útil apenas para o mecânico limpar peças da oficina.

  3. osias

    minha dúvida é se o carro ainda rodou alguns metros ou se afogou.

  4. Ricardo

    Ah tá. O carro andou alguns quilômetros com a gasolina que ainda estava no motor e proximidades…

    Fiquei parado na beira da estrada por uns 30 minutos até que um grupo de amigos de Porto Alegre, voltando de Buenos Aires, parou e me rebocou até o primeiro mecânico encontrado…

  5. Mirian

    Oi Ricardo,
    Estou aqui na casa da Vó Zuleika, aproveitando para te mandar um grande abraço. Estamos com muitas saudades….. e poxa, vida… quando a gente lê os causos elas só aumentam.
    beijos.

    Ah, já vi gente coruja de sobrinho, mas igual sua tia Inha….tá prá existir. Ela, sua vó, Tamiriz e tio Marcus, também mandam beijos.
    Dinda

  6. Astrid

    Pois num é Dinda,
    Mirinha está super assídua aqui neste blog.
    Eu adoro!!! Sempre que tenho tempo disponível apareço para conferir as aventuras.
    E você? Quando aparece no Majestic? Também estou com saudades suas. Dos meninos…nem se fala. Mas, mês que vem Ricardo aparece por aqui para nos contar tudo ao vivo e a cores.
    Beijos

  7. Lá e de Volta » Blog Archive » Lá ao Brasil e de Volta à Índia 2007-08 (1)

    [...] dinheiro para a empreitada. Assim, não vou me surpreender se tiver que incluir mais alguns “causos” no meu rol de trapalhadas [...]


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