Nova Delhi: Literalmente nova
Mantenho mentalmente uma lista das minhas cidades preferidas. Minha terra natal, Vitória (Espírito Santo), Montreal, Washington DC, e Helsinki (capital finlandesa) são alguns exemplos. Ao visitar Delhi, passei a considerar seriamente a inclusão da capital indiana neste rol – claro que aqui não estou contando ainda com o calor insuportável que me dizem fazer no verão por lá.
Depois da péssima experiência na minha chegada em Mumbai e Bangalore em Julho, esperava algo ainda pior em Delhi devido ao maior tamanho da cidade e ao fato dela ser a capital do país. Acabei queimando a língua durante todos os meus 4 dias na cidade.
A Delhi atual, pelo que entendi, é a 7ª reconstrução de uma cidade que tem pelo menos 5000 anos. No museu nacional, há objetos e até esqueletos da Harappan, uma civilização que cresceu nos arredores de Delhi e data de 3000 AC.
O mais interessante da experiência em Delhi, apesar dos vários monumentos históricos, museus, praças, parques e templos religiosos, foi dormir na casa de um amigo indiano e conhecer a cidade com ele. Na casa, banheiro sem papel higiênico e banho só com balde. A comida caseira era excelente e, felizmente, não vegetariana. Os indianos, de maneira geral, parecem viver com simplicidade e são muito receptivos. Mesmo protestando, não pude pagar por nada enquanto fui a visita da casa e fui tratado como rei.
Em termos de transporte público, Delhi dá um show. O metrô é um brinco de novo e impressiona até seus cidadãos ainda um tanto desacostumados com a novidade. A exigência do governo para que táxis, rickshaws e ônibus trocassem a gasolina pelo gás também acabou com outro grave problema: a poluição. Passear por Delhi, portanto, é agradável. Há vários parques, praticamente todas as ruas são limpas e arborizadas, e não há muito trânsito.
Um dos parques da cidade, próximo ao “Old Fort”
Na Delhi antiga, onde ainda há construções com mais de 400 anos abrigando residências e comércio, comi com segurança quitutes típicos da junk food do norte da Índia. Também passeamos pelos becos mais estreitos onde vendedores se espremem e empilham produtos até onde uma grande vara de metal alcança.
Junk food indiana
Becos aliás revelam por toda Delhi esconderijos surpreendentes. Por vezes, em pleno bairro luxuoso das embaixadas, encontramos verdadeiras favelas apertadas num cantinho que descobrimos apenas porque o taxista errou o caminho. Em ruas comerciais, becos revelam gigantescas feiras ao ar livre, vendendo de tudo um pouco. É quase uma passagem mágica para o mundo dos preços abaixo de R$ 20,00, independente do produto vendido ali.
Uma agradável coincidência foi a realização do casamento de um casal conhecido dos pais deste meu amigo. Extremamente luxuoso, o casamento seguiu à risca as práticas de um casamento hindu do norte da Índia. Primeiro o noivo chega a cavalo, acompanhado de uma banda e de seus parentes e amigos que dançam num estilo próprio da cerimônia. Ao chegar à tenda onde o casamento é realizado, os parentes (do sexo masculino) do noivo e da noiva realizam várias pujas para celebrar o laço entre as famílias.
Em seguida, o noivo é desmontado do cavalo sem tocar o chão e é carregado pelos amigos até um trono que fica numa parte central da tenda. A tenda é montada especificamente para o casamento e não tem vínculo com nenhuma igreja ou templo – pode ser montada em qualquer lugar.
Mais pujas são realizados e neste ínterim os convidados jantam. Só mais ou menos 1 hora depois que o noivo entra é que a noiva aparece. As mesma veste uma bela sári, própria do casamento e se senta ao lado do noivo. Neste momento, meu amigo não quis mais esperar e tivemos que ir embora. Ele me explicou depois que o que se segue é uma cerimônia repetida 7 vezes para selar 7 diferentes votos (fidelidade, cumplicidade, amor, etc.) do casamento. Tudo isto pode demorar mais de 8 horas e só os pais e parentes mais próximos permanecem até o final.
Noiva vestida de sári vermelha
No aeroporto, como em todos pelos quais passei aqui até agora, um bocado de caos e obras de ampliação por todos os lados. A preocupação com a segurança (por conta de ameaças terroristas do Paquistão) também chama a atenção e chega quase aos níveis de paranóia dos americanos.
Pelo menos desta vez, embarquei sem atrasos para Mumbai de onde peguei meu vôo para Frankfurt. Índia agora só em 2008.
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Category: Índia | Tags: casamento, Índia Brasil 2007, museus 5 comments »
dezembro 9th, 2007 at 06:01
Bom dia Filho.
dezembro 10th, 2007 at 12:13
Oi Ric,
muitas saudades
Estamos felizes com sua chegada.
Sr Abilio já está preocupado com o Menu.
Grande abraço e BOA VIAGEM.
dezembro 12th, 2007 at 13:00
Ei
Tudo bem, aqui é a Andrea de Coqueiral, lembra???
Achei seu blog pois a Táta colocou a dica no dela, que eu sempre acesso. O que vc tá fazendo tão longe menino???
Muitas saudades
beijos
Deia
janeiro 15th, 2008 at 17:56
[...] viagem que comecei em dezembro, já falei aqui da experiência incrível que foi visitar Delhi e o Taj Mahal em Agra. Daquele período na Índia, ainda preciso dar mais detalhes de como foi meu [...]
março 29th, 2008 at 00:13
[...] Delhi Delhi é uma capital com muita história para contar. Rota de muitos povos entre diferentes [...]