Archive for janeiro 2008


Um trem de Praga para Varsóvia

janeiro 26th, 2008 — 12:23am

Da Alemanha fomos e meu amigo para Praga e de lá iríamos para Varsóvia, capital da Polônia. O trem saía do centro de Praga às 22 horas mas estava atrasado. Trens invariavelmente atrasam na República Tcheca. Mais do que isto, na estação de trem mais assustadora e mal cuidada que já vi na Europa, a plataforma do trem só é divulgada quando o trem chega nela.

O resultado é uma correria sem precedentes para chegar ao vagão correto pois os mesmos ficam trancados entre si por questões de segurança. Já disse e volto a repetir, é uma Europa diferente a Oriental. Além da preocupação maior com a segurança, tudo é pelo menos mais simples, quando não é também mais mal cuidado e mais feio.

Dentro do vagão, procurávamos ansiosos por nossa cabine na esperança de encontrar as belas camas onde passaríamos a noite durante a viagem. Ao acharmos as camas, bem, achamos também outras 4 numa cabine de uns 3m²!! O banheiro da minha casa deve ter o mesmo tamanho, se não for um pouco maior. E as camas não eram duas beliches, eram duas “triliches”, ou seja, 3 camas uma em cima da outra em cada lado da cabine.

A cabine mais apertada de todos os tempos
A cabine mais apertada de todos os tempos

Também não tínhamos acesso ao restaurante e dois banheiros deveriam supostamente atender nossas necessidades mais fundamentais. Pelo menos o banheiro havia de seguir o padrão europeu, pensei… A experiência prática, entretanto, se provou bem inferior: Um banheiro não funcionava e outro ficou imundo umas duas horas depois da partida do trem. Gritarias anunciavam pelo corredor o ocorrido: Um sujeito bêbado havia vomitado todo o assoalho próximo ao banheiro e ria incontrolavelmente do funcionário responsável pelo vagão, um velhinho simpático mas que não falava um “a” em inglês. O velhinho, por sua vez, resmungava insultos em polonês e não sabia o que fazer. Acabou largando o sujeito lá.

Felizmente nossos companheiros de cabine pareciam agradáveis. Além de mim e do meu amigo, outros 3 estavam lá: um casal de estudantes (ele da Alemanha, ela da Bulgária) e uma outra alemã. Todos os 3 estavam no programa de intercâmbio que mais movimenta alunos pela Europa, o Erasmus. O programa, mais pelo aprendizado social do que científico que proporciona , é um sucesso tão grande foi até tema do filme Albergue Espanhol. O filme, aliás, se passa em Barcelona, cidade que será o próximo destino do meu irmão.

Pois bem, confinados dentro da cabine batíamos um papo agradável. Aquelas coisas básicas de estrangeiros que se encontram pela primeira vez: “De onde você é? Brasil, nossa!! Quero ir um dia lá!! Onde você mora? Perto do Rio, o Carnaval lá deve ser incrível né??” e bla bla bla…

Em seguida, sem mais assunto, fomos dormir. Eu na cama mais ao alto e meu amigo na cama do outro lado. Em baixo, o casal resolveu dormir junto. Bem, eles deitaram juntos. Aí começaram a fazer uns barulhinhos estranhos juntos. E acho que chegaram até a fazer sexo juntos, com outras 3 pessoas na cabine ouvindo aos gemidos que eles tentavam conter. Eu e meu amigo olhávamos um para o outro rindo daquela situação inesperada. Não havíamos pago por nada daquilo…

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Olá 2008!

janeiro 25th, 2008 — 5:17pm

Salve salve, povo!

Alegria alegria. Antes de partir para mais uma viagem venho em tempo contar da última. A segunda parte da viagem que fiz no fim de 2007, quando passei o natal em Berlim e o ano novo em Londres. Conto agora sobre a fase britânica.

Saí de Berlim dia 28.12. Cheguei em Londres algumas horas depois onde, depois de um passo além do portão de desembarque, um voz chamava “Mr. Marcelo Gomes Lage, please atend to an information desk”. Não demorei muito pra achar uma mãe muito surpresa agarrada ao telefone, surpresa tentando explicar pra alguém do outro lado da linha que eu tinha aparecido. Muitos beijos e abraços depois, muita saudade acumulada, tomamos nosso rumo ao albergue que nos abrigaria por 2 noites.

Sem muitas primeiras impressões senão pelo metrô integrado ao aeroporto de Heatrow que é sem dúvida uma mão na roda. Diferentemente de São Paulo por exemplo que você tem que andar um bom pedaço – ou pagar um taxi – até a estação mais próxima.

Mais ou menos 1 hora depois chegamos a nossa estação: Picaddily Circus. O coração de Londres pulsa um absurdo. Dificilmente tivemos um dia em que passamos por ali e não estivesse completamente tomado de gente caminhando em todas as direções – e carros nas direções erradas.

Os dias seguintes foram de muita caminhada. Visitamos praticamente tudo que tem pra se ver em Londres. Não se enganem: tudo que tem pra ver que eu e você já vimos daí do Brasil. London Eye, British Museum, Natural History Museum, Science Museum, Big Ben, Palácio de Buckingham, Tower Bridge, Tate Gallery, St. Paul’s Cathedral, Covent Garden, London Tower e National Gallery (por fora) e mais umas pernadas perdidas tentando achar o prédio da prefeitura. Sei que se perguntar qualquer coisa ao longo do Rio Tâmisa é bem capaz de eu saber responder onde fica.

A lista é pequena. Sem dúvida Londres oferece muito mais. Teatros infinitos com espetáculos muito bem produzidos. Falo porque assistimos a um deles. Qual? Lembra o nome desse site e você vai ter uma resposta: O Senhor dos Anéis, claro! (Até porque era um dos pouquíssimos que era possível achar ingresso). Sem dúvida abre um leque de possibilidades incríveis sobre o que é possível de se fazer num teatro.

No dia do reveillon fomos mais vez ao Tâmisa pois a promessa era de um show pirotécnico belíssimo. Uma multidão que não acabava mais e o cachorro-quente mais caro da história. Basicamente esse foi o reveillon porque o show prometido durou 5 segundos – tempo pra estourar o primeiro foguete. O céu foi completamente tomado por uma fumaça onde os fogos todos estouraram dentro e nós não conseguimos ver nada. Camburi ganhou de muito nesse quesito. Pelo menos 2008 começou com umas boas risadas.

No fim, depois de mais ou menos 5 dias agarrado com minha mãe, parti de volta para Aalborg. Muitos beijos, mais abraços, e já muita saudade (né, mãe?). Valeu muito a pena conhecer Londres, especialmente por causa da minha guia.

Seguem as fotos! E pra quem resolver falar do meu cabelo: já cortei. Já fiz a barba também. Próximo post vocês vão ver. E será sobre Barcelona! Parto amanhã.

Beijos, abraços e saudade!

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Bela Praga

janeiro 20th, 2008 — 12:12pm

Atenção: Este texto continua a narrar a viagem que fiz em Dezembro, saindo da Índia em direção ao Brasil e de volta à Índia. Já estou de volta à Bangalore mas continuo a narrar a viagem preservando sua cronologia.

***

Chegar à Praga de trem não é a melhor das opções. A estação é sombria e parece ter se esquecido que a República Tcheca não está mais trancada atrás da Cortina de Ferro imposta pela União Soviética durante a Guerra Fria.

É uma Europa diferente a Oriental. Ao cruzar a fronteira da Alemanha, a única semelhança que persistia era a natural, serpenteando as margens do rio Elba. Foi como entrar num túnel do tempo rumo ao passado. No começo as diferenças eram sutis: Notava-se nas roupas, no olhar cansado e no jeito curvado de andar da maioria das pessoas. Aos poucos casas e prédios também iam revelando as marcas de um passado tenebroso: De parte do império Austro-Húngaro se tornou Tchecoslováquia após a Primeira Guerra e logo em seguida foi forçada ao regime comunista. Só em 1992 Eslovacos e Tchecos se separaram após várias tensões entre ambos. A história completa passa pela Segunda Guerra, envolve vários conflitos armados e a dizimação de uma das regiões mais industrializadas e ricas da Alemanha oriental.

Mas há algo no ar que torna Praga, em particular, especial. Os mercados de Natal ao ar livre, característica marcante que presenciei em todas as cidades alemãs por onde havia passado, ajudavam mas não era só isto. A cidade preserva mais de 1000 anos de história e exibe orgulhosa todos os principais estilos arquitetônicos que marcaram a Europa desde então.

Vista de Praga
Vista de Praga

Um passeio pelo Castelo de Praga é maior comprovação do que estou falando. Lá de cima, a vista é magnífica e mostra que a beleza desta capital é também natural, cortada por canais e pelo rio Vltava. E o castelo em si é um dos maiores e mais antigos do mundo; tem suas origens no século IX com a construção da igreja de Nossa Senhora.

Lá dentro, além dos palácios, das casas onde moravam os principais comerciantes e soldados do exército, e de outras igrejas, destaca-se a Catedral de São Vitus. Em estilo Gótico, a catedral foi construída em 1344 sob as ordens do Rei da Bohemia, Charles IV. Linda, linda, linda! Tirei inúmeras fotos de diversos aspectos da catedral: as gárgulas do lado de fora, os inúmeros e gigantescos vitrais (alguns com mais de 100m2), das obras de arte em ouro e prata, e do enorme salão sem pilares, um dos maiores que já vi.

Vista da frente da Catedral de São Vitus
Vista da frente da Catedral de São Vitus

Saí de lá embriagado, sem me tocar que passei o dia e praticamente não havia visto o resto da cidade. Nem ao Museu Nacional, na praça do Santo Wenceslau (considerada o centro Cultural da cidade) eu fui. Na noite anterior, um city tour e um passeio de barco pelo rio foi uma bela introdução mas muito insuficiente. Fui obrigado a deixar a cidade ainda com água na boca, com uma imensa vontade de voltar.

Museu Nacional
Museu Nacional

Felizmente, a estação de trem de Praga não é representativa da cidade. Nem sei o que faz ali, deslocada de todo o resto. Ao sair do castelo fui forçado a encará-la mais uma vez. O trem rumo a Varsóvia, capital da Polônia, me aguardava. Já era quase meia-noite quando embarquei. A neve ainda não havia dado nem sinal mas o frio era quase abaixo de zero. Na escuridão, adormeci rapidamente, sequer tive tempo de me preparar para o que me aguardava em terras polonesas…

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Do Brasil para o mundo

janeiro 15th, 2008 — 5:54pm

Estou em Sampa. Praticamente só venho aqui de passagem, quando há alguma conexão entre vôos para outros destinos. Desta vez, retorno à Índia, parando antes em Londres para uma visita rápida. Quando o destino final é São Paulo, entretanto, aproveito demais a cidade. Adoro este lugar e tenho bastantes histórias para contar aqui. Sei que um dia ainda acabo morando nela.

Voltando à visita aos ingleses, ela faz parte de um planejamento que começou a ser contado aqui no final de Novembro. Dos 9 destinos previstos, faltam agora só 2 a serem visitados: Londres e Bahrain. Entretanto, ainda preciso contar como foi a minha jornada por outros 4 por onde passei ano passado: República Tcheca, Polônia, Finlândia, e Estônia. Isto sem contar o Brasil que certamente merecerá um post a parte.

Tudo isto, claro, acontecerá com o tempo. Primeiro, já que o blog completou 6 meses no último dia 1 de janeiro, vou me concentrar numa retrospectiva. Até para pôr a casa em ordem depois de uns 20 dias sem dar as caras.

O blog começou por conta de programas de mestrados meu e de meu irmão no exterior. Eu fui para Índia e meu irmão para Dinamarca. De lá para cá, obviamente tivemos muitas histórias para contar. Do meu lado, lá da Índia, as histórias mais lidas foram uma sobre o hinduísmo, e outra onde resumo alguns episódios que aconteciam comigo à época, entre eles minhas fatídica ida a um hospital.

Do lado do meu irmão, a visita dele à Legoland foi disparada a história mais visitada não só dele mas de todo o blog. O parque de diversões que fica em Billund foi motivo de muitos comentários de pessoas querendo fazer a mesma visita. Quem sabe um dia? Além disto, vale destacar também o texto mais recente dele sobre a sua estada na Alemanha durante o Natal. Falta agora só um com a extensão que ele fez à Londres.

Da viagem que comecei em dezembro, já falei aqui da experiência incrível que foi visitar Delhi e o Taj Mahal em Agra. Daquele período na Índia, ainda preciso dar mais detalhes de como foi meu comparecimento a um casamento típico. Em seguida, também já contei como foi meu retorno à Alemanha depois de 4 meses.

A segunda metade de 2007 foi assim: Um período repleto de novas experiências tanto pra mim quanto para meu irmão, tenho certeza. 2008 também já começou no mesmo ritmo e ao que tudo indica permanecerá assim até o final… Haja história para registrar.

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Adeus 2007…

janeiro 8th, 2008 — 1:22pm

Ei meu povo!!!

“Eh saudade que bate no meu coração!” Já diria Jammil e uma Noites. Fim de ano foi tempo de refletir bastante sobre 2007 e perceber o quanto aprendi nesse ano. Muitas dificuldades, bons momentos e especialmente aprender a valorizar ainda mais as pequenas coisas.

Natal em Berlin na casa do Fabian, amigo meu aqui do Luna. Cheguei lá dia 21.12 e saí dia 28.12 quando fui pra Londres. Berlim é uma cidade interessante. Uma cidade grande sem dúvida mas bem diferente das cidades brasileiras assim como todas as cidades em que estive aqui na Europa. Os prédios não são tão altos e a cidade de uma forma geral não parece ser tão fechada e escura – se bem que o inverno europeu não é a tradução de dias belos e céu azul.

Sem dúvida a 2ª Guerra transformou a cidade que foi bastante destruída e o fato de a Alemanha ter sido berço do Nazismo deixou marcas profundas. Berlim faz questão de lembrar o fato pelo simples de fato de que “Aconteceu. E portanto pode acontecer denovo” (Primo Levi).

Lá visitei o Museu dos Judeus Assassinados na Europa onde eles mantém a lembrança sobre o horror do holocausto. Salas com histórias e depoimentos de pessoas assinadas nos campos de concentração impressionam e te fazem refletir bastante. Outro lugar que visitei foi o Muro de Berlim que ainda está parcialmente de pé e a cidade faz questão de mostrar onde o resto dele esteve, marcando no chão o seu trajeto. Nas fotos vocês vão ver um pouco disso.

Mas nem só de guerra e lembrança vive Berlim. A cidade restaurou todos os seus monumentos e oferece muitas opções de teatro, shows, museus e, claro, rock. Infelizmente não tive oportunidade de ir pro rock lá pq a garganta num colaborou muito com minha intenção e acho que o Fabian também não estava muito afim. Então essa parte fico devendo para a próxima visita.

Estive no Brandenburg Tor, o Portão de Brandenburgo, que era um dos 12 portões onde era controlada a entrada e a cobrança de impostos em Berlim no passado. O monumento é bonito demais e era um dos lugares na Alemanha que eu queria muito visitar desde que comecei a estudar alemão em 2003. Não me perguntei porquê, mas foi muito bom finalmente estar lá de verdade. E fui premiado com um belo dia de sol azul – e frio até dizer chega!

Dia 26 fomos a Dresden, uma cidade há 2 horas de Berlim que tem um centro histórico belíssimo. Castelos, óperas, áreas públicas construídas pelos saxões que impressionam. Aqui as fotos (e o vídeo abaixo) dizem muito mais do que minhas palavras.

No último dia fomos ao estádio Olímpico de Berlim, onde foi a final da Copa do Mundo de 2006 (cheguei atrasado para a fatídica cena do Zidane se aposentando) e na Fernseher Turm (Torre de Televisão), onde tem um restaurante no topo que roda. Confesso que se eu me concentrasse um poquinho acho que eu ficava tonto. Mas ainda bem que a companhia era boa.

Conto sobre Londres depois. No mais, projeto entregue, só preparar a para a apresentação dia 22.01. Até a próxima!

Beijos, abraços e saudade!

PS: Alguém tem o telefone de Durvalino meu Rei? Ôh saudade de Micareta!!!

7 comments » | Alemanha

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