Lá ao Brasil e de Volta à Índia 2007-08 (2)
Após 45 dias, cheguei à Índia para encontrar os mesmos problemas de sempre. Caos no trânsito, falta de educação no comportamento dos indianos no dia-a-dia, poluição, pobreza. Tudo isto se manifesta o tempo todo e de diversas formas no imenso contraste que é a Índia. E não é preciso nem sair do aeroporto para acordar para a realidade do país.
Já escrevi especificamente sobre o trânsito daqui no passado. Recentemente, a realidade indiana também foi tema de um texto de um amigo (brasileiro) que conheci aqui em Bangalore. Ele resume os problemas indianos em categorias: sujeira, má qualidade dos serviços prestados, abuso dos motoristas de riquixás, exploração econômica dos estrangeiros, trânsito insuportável, festas sem graça (e que acabam antes da meia-noite), e a falta de respeito com a mulher. Eu ainda incluiria neste bolo a corrupção que permeia todos os níveis da sociedade indiana, a língua inglesa quase indecifrável de muitos indianos, e a pobreza explícita que denuncia a precariedade dos serviços públicos básicos e o descaso tanto das autoridades quanto de parte da população.
No trajeto de volta ao Instituto (o IIIT-B), tentei adiar tanto quanto possível esta realidade revendo mentalmente todos os incríveis destinos que visitei na viagem que terminara. Foi um passeio inesquecível, em vários atos. Começou na Índia, passou pela Europa e pelo Brasil, terminou na Índia. Lá e de Volta, literalmente.
1. Agra (Taj Mahal)
Por mais que falem do clichê que é visitar este mausoléu, considero a visita à Índia incompleta sem conhecer esta que, para mim, é uma das construções humanas mais bonitas ainda de pé.
2. Delhi
Delhi é uma capital com muita história para contar. Rota de muitos povos entre diferentes regiões por milhares de anos, a cidade se tornou um caldeirão de diferentes culturas e religiões. Visita também imperdível a quem visitar a Índia.
3. Munique, Regensburgo, e Chemnitz
Revisitei a Alemanha em dezembro, após ter passado por lá antes de chegar à Índia pela primeira vez. Adorei o país e todas as cidades que visitei. Foi muito bom também ter reencontrado velhos amigos que não via desde 2003.
4. Praga
Apesar da péssima impressão causada pela estação de trem, Praga – capital da República Tcheca – me surpreendeu positivamente. A cidade preserva mais de 1000 anos de história e exibe orgulhosa todos os principais estilos arquitetônicos que marcaram a Europa desde então.
5. Varsóvia
A capital polonesa foi a que teve menos valor turístico para mim. A cidade mais destruída pelos alemães na Segunda Guerra tem pouco a oferecer. Nem por isto, entretanto, foi menos importante: Com um amigo, revisitei a história de uma das maiores atrocidades da humanidade. Sob este ponto de vista, Varsóvia tem muito a mostrar; as cicatrizes ainda não se fecharam.
6. Cracóvia
Em clima bem mais leve, me diverti bastante com as lendas que recheiam a cultura desta cidade, no sul da Polônia. Até dragões fazem parte do mito popular.
7. Helsinque
A Finlândia (e obviamente sua capital) tem valor especial para mim. Foi minha primeira morada no exterior e onde ganhei amigos para toda a vida. E queria muito visitá-los. O reencontro foi memorável e não podia ter sido melhor.
8. Tallinn
A capital da Estônia é o ponto alto deste país que começa a se destacar na Europa, após décadas sob domínio russo. Fiquei encantado com local e seus atrativos, tanto da velha Tallinn medieval quanto da nova e moderna capital.
9. Vitória
Minha terra natal! Local onde estão as pessoas que mais amo neste mundo! Precisa falar mais?
10. Londres
Com apenas um dia disponível na cidade, tive que me contentar apenas com as principais atrações. Foi uma boa primeira impressão da cidade mas certamente não o suficiente.
De Londres, após uma escala no Bahrein (Oriente Médio), voei direto para Bangalore. O dia amanhecia quando finalmente consegui me desvencilhar do controle alfandegário e da fila para conseguir um táxi. Bangalore não é uma cidade bonita mas não era mesmo por isto que estava ali. Apesar dos seus problemas, a cidade e o país têm também muitas qualidades. Talvez “incrível”, como quer descrever o governo (http://www.incredibleindia.org/), seja mesmo o melhor adjetivo para resumir ambos, qualquer que seja a conotação empregada.
Voltemos agora à programação normal, diretamente da Índia...
Londres em um dia
Saí do Brasil no dia 15 de Janeiro de 2008 rumo a Bangalore, onde estou no momento. Antes, porém, fiquei dois dias em Londres para conhecê-la...
Chovia muito lá fora. O avião sacudia com a turbulência e parecia cansado após 11 horas de vôo. Eu pelo menos estava. E ainda tinha pela frente as imensas filas do Aeroporto de Heathrow, o controle de imigração, a espera pela bagagem, e a viagem de metrô até o albergue onde me hospedaria.
Assim que o avião tocou o solo eu já estava com a cabeça no dia seguinte quando partiria para conhecer a cidade. A torcida era por um dia ensolarado que não veio. Assim mesmo, entre ventos e uma garoa fina, caminhei como costumo. Perambulo pelas cidades para observar seu povo tanto quanto possível. Impressionante como há Indianos por lá.
No Hyde Park, primeira parada, parecia eu ser um dos únicos dispostos a estar ali. O parque fica triste no inverno e pouco tem a oferecer. Somente as pombas se arriscavam por lá na esperança de obter algum agrado de turistas desavisados. De lá, segui via o Arco de Wellington para o parque seguinte em direção ao Palácio de Buckingham.
Na rotatória em frente ao palácio, uma estátua da rainha e portões dourados (devem ser banhados a ouro mesmo) reforçavam a opulência com a qual se exibe a família real. Um desperdício cujo benefício solene é contribuir para a miséria dos países que um dia foram honrados com a condição de colônia inglesa.
Segui em frente. Perto dali está o Big Ben e sua orgulhosa precisão britânica: 11 horas em ponto anunciava às badaladas. Segui em frente. Rumei norte em direção à Praça Trafalgar mas fui surpreendido por uma troca de guardas no caminho: eram 11 e meia e os cavalos (inclusive os animais) precisavam descansar após horas ali parados queimando fosfato com a morte da bezerra.
Não me surpreendi tanto com a National Gallery, num dos cantos da bela Praça Trafalgar. Uma coleção típica propunha-se referência mundial. Vale a visita, claro, mas esperava um algo mais que só fui encontrar três estações de metrô depois, no Museu Britânico. Ali mantinham-se preservados todos os objetos roubados de outros povos ao longo de centenas de anos. Tesouros raros que os britânicos, hipócritas, dizem ter obtido através de meios legais da época: Acho que deve haver mais do Egito em Londres do que no próprio Egito, por exemplo.
No fim do dia ainda sobrou tempo para reencontrar um amigo que conheci no Canadá. Mora agora no Sul de Londres e odeia o caos do trânsito, e a imensa quantidade de pessoas na rua. Eu não odiei nada disto e devia ter falado para ele como são estas coisas na Índia. Comemos tapas num restaurante espanhol enquanto bebíamos sangria e riamos de histórias do passado e desventuras nossas e de outros amigos em comum.
Chovia muito lá fora. Um outro avião chegou até a cair na cabeceira de um das pistas de Heathrow mas ninguém se feriu. No albergue eu me preparava para uma viagem ainda mais longa que a primeira. Era hora de voltar à Bangalore.
PS: Meu irmão esteve em Londres duas semanas antes, na virada do ano, e também narrou sua viagem por lá.
PS2: Para os interessados, fiquei num albergue muito bom, chamado Ace Hotel. Seu único porém é a localização um pouco distante das atrações que citei neste post. Nada que uma viagem de metrô não resolva.
Quando voltei da Europa em dezembro
Quando voltei da Europa em dezembro, fiquei 30 dias no Brasil antes de retornar à Índia e não saí da região frequentemente intitulada “Grande Vitória e Guarapari”. Vitória, a capital do Espírito Santo, é minha terra natal. Nasci na vizinha Vila Velha mas lá praticamente só vi a maternidade. Meus primeiros 13 anos de vida aconteceram em Vitória, com exceções apenas em viagens esporádicas aqui e ali, durante as férias escolares.
Para uma introdução rápida desta ilha fundada em 1551, recomendo a Wikipédia e o site de turismo da Prefeitura. Para se aprofundar, o acervo da Biblioteca da Universidade Federal do Espírito Santo é um prato cheio e permite pesquisa online. Recomendo temas relacionados aos diversos colégios centenários estabelecidos por lá e, vinculado a isto, à formação do Centro da cidade e sua classe alta; às histórias por trás da estrada de ferro Vitória-Minas; à tradição das paneleiras; à culinária famosa pela moqueca e pela torta capixaba; e à economia da região, fortalecida pelo setor metal-mecânico e recentemente pela descoberta de petróleo em sua costa.
Como não só de livros vive o ser humano, há diversas opções de lazer e conhecimento acontecendo na cidade. Novamente, o site da Prefeitura é um bom ponto partida. Imperdível também são os eventos realizados pelo Centro Cultural Majestic. O local atualmente recebe o Café Literário, evento nacional do SESC com o objetivo de “oferecer um ambiente de diálogo entre o público e aqueles que produzem literatura, ou que possuam atividades diretamente ligadas a ela, como estudantes, professores, jornalistas, críticos ou editores”.
Antes, o Majestic organizou a série “História Viva” com a proposta de resgatar a história do Centro de Vitória sob diversas óticas. O projeto foi composto por mesas redondas formadas por especialistas no tema em pauta, incluindo economia e cultura; música e poesia; manifestações políticas; e educação. Todas as quatro mesas redondas foram gravadas e chegaram a ser transmitidas pela TV Educativa do Espírito Santo. Torço agora para que virem DVD e sejam colocadas à venda para o público em geral.
Há ainda que mencionar o passeio de caravela pela Baía de Vitória. Uma réplica de uma típica embarcação portuguesa do período colonial revisita a história da colonização na região enquanto percorre importantes pontos turísticos da cidade.
Outro aspecto positivo da cidade são as mais variadas opções de restaurantes de qualidade espalhados por quase todos os bairros, para todos os gostos e bolsos. O estado (e consequentemente Vitória) também faz parte do evento Brasil Sabor que este ano acontece entre 9 de abril e 11 de maio. E há ainda o evento Sabor ES que ano passado ocorreu no final de novembro e reuniu os principais chefs do estado sem contar convidados de todo país.
Finalmente, os turistas (moradores ou não) não podem deixar de visitar as principais atrações da cidade, dentre as quais recomendo: A Catedral Metropolitana e demais prédios históricos do Centro (afinal, Vitória é a terceira capital mais antiga do país), a Ilha das Caieiras, o recém-inaugurado Hortomercado, o Parque da Fonte Grande, o Museu Solar Monjardim e o Museu de Artes do Espírito Santo.
Não vou falar dos municípios vizinhos que compõem a região metropolitana e do famoso balneário de Guarapari. Estas regiões sozinhas mereceriam posts como este exclusivo para elas. Limito-me a destacar, em Vila Velha, o Convento da Penha (construído sobre um rochedo a 154 metros de altitude em 1558), o Museu Ferroviário, a Igreja Nossa Senhora do Rosário (quarta mais antiga do país), e o Museu Homero Massena; a bucólica região de Manguinhos na Serra; e todas as belas praias de Guarapari e de seu município vizinho, Anchieta.
Falar de terras capixabas dois meses depois de deixá-la faz aumentar bastante a saudade. Foi muito bom ter descansado por lá ao lado das pessoas mais queridas para mim e que amo tanto, e ter também revisitado muitos destes lugares que fazem parte da minha história.
3 links em homenagem ao Dia Internacional da Mulher
O mundo está cheio de exemplos para nos alertar que mais que comemorar, é preciso um olhar mais apurado para reconhecer que ainda há muitas desigualdades entre os sexos. A Índia talvez seja um dos exemplos mais contundentes da exploração do trabalho da mulher. Mas há também que se reconhecer as vitórias: Por exemplo, a mesma Índia que castiga também mostra seu lado mais humano. Nas Filipinas, mulheres que criavam produtos a partir do lixo que elas mesmo catavam passaram a ganhar 50 vezes mais ao eliminar atravessadores e a focar no design de seus produtos. No Brasil, mulheres mesmo que ainda em minoria, se destacam cada vez mais nos mercados ligados a tecnologia.
Parabéns a todas as mulheres!
De volta ao Brasil
Quando planejei esta viagem que fiz à Europa em Dezembro, um dos maiores problemas foi acomodar a agenda apertada às opções em conta de passagens de trem e avião. Em Helsinque, por exemplo, quando vi que a passagem de volta para Frankfurt um dia antes do previsto era cem vezes mais barata (!!!), nem pestanejei: Dormir uma noite no aeroporto seria moleza diante da economia.
E eu já conhecia bem o aeroporto de Frankfurt. Sabia que lá havia duchas disponíveis ao público, Internet sem fio, e sofás confortáveis. Seria mesmo uma barbada e eu não seria o primeiro a realizar tal empreitada: O site Sleeping in Airports coleciona relatos de diversos viajantes avarentos que chegam a passar dias dormindo no mesmo aeroporto enquanto conhecem a sua cidade. Lá há até dicas de como usufruir melhor da experiência e um ranking dos melhores aeroportos.
Pois bem, cheguei cedo ao aeroporto de Helsinque, cedo até demais. Foi só pisar no saguão principal que recebo uma mensagem no meu celular informando que meu vôo estava atrasado em 1 hora. Vejam, entretanto, a diferença entre as empresas aéreas finlandesas e brasileiras: Além do aviso antecipado do atraso, ainda recebi um voucher de EUR 10 para realizar compras no aeroporto. E o atraso durou mesmo só 1 hora!
Cheguei a Frankfurt por volta das 23 horas e meu vôo era às 21 do dia seguinte. Seria bem mais cedo, às 11, se a Varig não tivesse feito o favor de cancelar o meu vôo original, com a promessa de transferir-me para esta opção noturna. Após pegar as malas e guardá-las num depósito monitorado, perambulei um pouco pelos enormes corredores do aeroporto, comi um sanduíche e logo me acomodei em um dos belos sofás no salão principal. De cara notei o primeiro problema: Não há tomadas no aeroporto para que pudesse usar meu laptop! Simplesmente não há. As que existem são de uso administrativo e fui severamente advertido quando tentei usar uma responsável por recarregar as baterias dos carros elétricos da manutenção.
Tentei então comprar um livro, mas de madrugada a única livraria aberta possuía apenas livros chinfrins ou em alemão. Restou-me tentar dormir. Em vão. Durante toda madrugada as luzes permanecem acesas e pessoas não param de circular. Fiquei neste estado letárgico até umas 5 da manhã quando resolvi tomar um banho. Quanta ilusão! A ducha não estava operando desde a semana anterior por conta de um problema qualquer que não me importei. Àquela altura, nada mais importava. Passei a ler o manual de instrução do aeroporto e catálogos de loja, a contar a quantidade de vôos por hora (uns 20 nas primeiras horas daquela manhã), e a me preocupar com a confirmação da transferência do meu vôo. Cheguei a ligar para o Brasil, onde minha sempre eficiente mãe tentou um contato com o escritório brasileiro da Varig, já que na Alemanha ninguém atendia. Infelizmente no Brasil, tal qual a retórica de Lula, ninguém sabia de nada.
O balcão finalmente abriu por volta das 13 horas. Quando chegou minha vez, me senti como na música interpretada por Jimmy Cliff (“I can see clearly now the rain is gone”): A atendente não só se desculpou pelo atraso como também me encaminhou para um excelente hotel com almoço incluso. Eu tinha todo um discurso preparado e nem precisei usar o parágrafo introdutório do mesmo; Será que estamos finalmente melhorando nossos serviços e nos equiparando aos finlandeses?
Depois de comer, tomar um banho excepcional e dormir, não tinha mais como nada dar errado. No dia 18 de dezembro de 2007 cheguei de volta ao Brasil para 30 dias de férias.
***
Um detalhe curioso: Depois de tantas idas e vindas via aeroporto de Frankfurt, esta foi a primeira vez que de fato saí de seus saguões. Não vi muito pois o trajeto até o hotel foi curto. Da janela do quarto onde me hospedei, arranha-céus e muitas árvores decoravam a bela vista.
Um olhar de quem foi à Puna
“Isso eh sinal de duas coisas: a primeira eh o crescimento economico – as pessoas tao comprando coisas inutilmente, tipo fogos de artificio; a segunda eh a democracia indiana – todo mundo faz o que quer e quando quer, inclusive soltar fogos a meia noite”
Via o blog Indi(a)gestão
Alguém aí já ouviu falar de Tallinn?
Tallinn é a capital da Estônia, localizada no sul do Golfo da Finlândia. De Helsinque, onde eu estava, o trajeto de barco durou apenas 2 horas. Para quem nunca ouviu falar do país e sua capital, eu explico um pouco. Mais detalhes, claro, na sempre prestativa Wikipédia que inclusive tem um artigo em português que está em destaque.
A Estônia faz parte dos países bálticos que incluem também a Letônia e a Lituânia. Os três recebem esta denominação por compartilharem uma geografia similar, banhados pelo Mar Báltico, mas também pelo contexto histórico recente: Todos se tornaram independentes da União Soviética em 1920, foram anexados a ela novamente após a Segunda Guerra Mundial (inclusive com aprovação do Reino Unido e dos Estados Unidos) e só se tornaram independentes novamente em 1991, após a queda do regime comunista. Talvez pelo fato de terem uma economia tão fechada durante décadas, a Estônia só passou a fazer parte da União Européia em 2004 e até Dezembro do ano passado ainda fazia o controle alfandegário em suas fronteiras. Eu devo ter recebido um dos últimos carimbos aplicados em passaportes na entrada e saída do país.
Naquele dia 15 de Dezembro de 2007, chegamos cedo eu e mais dois amigos finlandeses. O local, a primeira vista, parece que está chegando do passado agora com construções modernas de grandes multinacionais brotando aqui e ali em meio a uma cidade que certamente ficou parada no tempo por pelo menos 50 anos. Em conversas com meus amigos, também percebo que existe certo preconceito dos finlandeses com os estonianos apesar das semelhanças entre os povos. Estonianos e Finlandeses compartilham o mesmo grupo lingüístico e o primeiro ainda foi fortemente influenciado pelo segundo durante todo o regime comunista. Tallinn, devido a sua proximidade à Helsinque, recebia até os sinais de TV e rádio do país vizinho (ilegalmente, claro), o que garantia um dos poucos contatos com o ocidente na região. Além disto, o país tem atualmente a Finlândia como principal parceiro econômico. Mesmo assim, os gracejos com o “sotaque” estoniano e com os sinais de pobreza que ainda aparecem aqui e ali são comuns.
A Estônia também está se tornando uma potência no setor de Tecnologia da Informação. O país realiza inclusive eleições pela Internet e é considerado o mais conectado à Internet da Europa. Este resultado faz parte de um projeto político com foco em investimentos em educação que começou logo após a independência do país e não parou mais. Para os interessados, recomendo o site oficial do Projeto Tiigrihüpe.
Logo após nossa chegada, fomos direto ao Centro Histórico, construído entre os séculos XV e XVII. Portões e muros, casas, igrejas, bares, lojas, e praças preservam todo o estilo da época. É como andar numa Ouro Preto medieval e bem mais fria. A influência russa também está lá em condomínios sem graça e colados uns aos outros, e na Catedral Alexander Nevsky.
Em seguida fomos ao KUMU, o Museu Nacional de Arte da Estônia. O prédio, moderno e belíssimo, foi projetado pelo arquiteto finlandês Pekka Vapaavuori (eu estava com amigos finlandeses, o que esperava que eu fosse ouvir?) e inaugurado em 2006. Lá dentro, mais inovação e modernidade no leiaute das galerias, na interação com TVs de plasma, e na impecável manutenção dos espaços. Tudo à altura de obras que me surpreenderam por se tratarem principalmente de artistas estonianos que nunca ouvi falar (tá vendo o preconceito?). As que mais me impressionaram mostravam a dura realidade da guerra e do regime comunista. Sobre isto, uma curiosidade triste é que a grande maioria dos artistas morreu durante ou na pós-Segunda Guerra; Certamente eram mais visados que os demais cidadãos por conta dos protestos contundentes em suas obras.
Para terminar o dia, voltamos ao Centro Histórico para jantarmos num restaurante de tema medieval. O Olde Hansa é fantástico em todos os detalhes. Toda a decoração remete a uma taverna na penumbra da luz de velas, com mesas e cadeiras de madeira, jarros e copos em cerâmica, e garçons vestidos a caráter. E, claro, as comidas e bebidas também eram de outrora: uma cerveja de mel acompanhava nossas carnes de urso e javali (que caçamos poucas horas antes com nossos arcos e flechas), patês diversos, salmão defumado e pães variados. Eu comi tanto que chego a ficar sem fome só de pensar.
Voltei à Helsinque mais do que satisfeito com a visita que queria fazer desde 2002. E finalmente a viagem parecia ter chegado ao fim. Mal eu sabia que o retorno ao Brasil seria uma aventura e tanto no aeroporto de Frankfurt...
Fotos: