Lá e de Volta Sobre tecnologia e sociedade

23abr/082

Rapidinhas do final do semestre letivo e a visita de um grupo gaúcho

No momento, estou estudando muito. Muito mesmo. São as semanas finais do semestre então além das habituais leituras para minha pesquisa, ainda estou encarando provas, trabalhos e apresentações.

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Por conta disto, volto daqui duas semanas (ou talvez semana que vem) com a programação normal. Ainda estou devendo falar da minha presença em um casamento em Cingapura.

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Ontem esteve aqui no instituto uma missão organizada pela VALETEC e FEEVALE, respectivamente a organização responsável pelo Parque Tecnológico do Vale dos Sinos e uma universidade da região, no estado do Rio Grande do Sul.

A comitiva era composta por prefeitos, o diretor da universidade, membros da VALETEC, empresários, e jornalistas. Todos bastante interessados em compreender melhor o sucesso indiano para tentar apropriá-lo na extensão possível para a região gaúcha do Vale dos Sinos.

Participei com eles de uma discussão onde também esteve presente o Professor Balaji Parthasarathy. Em seguida visitamos juntos o impressionante campus da sede da Infosys, uma das três maiores empresas de TI indiana e entre as dez maiores do mundo no setor. Conto mais desta e de outras gigantes indianas em outro post.

A comitiva organizada pela VALETEC e FEEVALE no hall do IIIT-B
Integrantes da comitiva gaúcha e eu, o segundo da esquerda para direita, no hall de entrada do IIIT-B

Para quem quiser saber mais da missão e da visita deles à Bangalore, recomendo uma reportagem que saiu na Rádio ABC 900 e dois artigos, um do portal Ziptop e outro do Baguete, um site especializado em TI.

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Dia 23 de maio do ano corrente chego ao Brasil para mais uma curta temporada. Fico por volta de três meses antes de mais uma vez retornar à Bangalore. Espero poder rever todos!

12abr/084

Dublin, Irlanda

(num tem bandeirinha da Irlanda porque o cara enrolado aí do lado não deu jeito... hahaha!)

Desde outubro do ano passado que vinha recebendo e-mails de uma amiga minha dos tempos de Administração na UFES, especialmente durante a minha fase na Empresa Júnior (EJCAAAAAAAAAAAAAAAAADDD! – pra você babé!) me convidando para ir a Dublin. A Íris, essa figura sensacional, me convidou pra ir assistir jogo do Brasil, St. Patrick’s Day, pra ir sem motivo algum e etc. E se Não fosse a insistência dela acho que eu não teria ido... Valeu, “baxinha”!

Pois bem, essa viagem teve de tudo um pouco e muita Guiness – cerveja tradicional da Irlanda e uma das mais famosas do mundo. Pra resumir a parte da viagem: saí de Aalborg por volta de 5:30 da manhã e cheguei em Dublin por volta de 21:00!!! Leitura, bater papo com estranhos no aeroporto, dormidinha de 1 hora e até que não foi tão ruim quanto eu imaginava. Mas também, eu estava indo para Dublin...

Chegando lá, a Íris foi me buscar no aeroporto com um outro capixaba morando por lá também, o Alexandre. Grande figura! Não lembrei de primeira mas depois de alguns nomes em comum da galera da comunicação da UFES, ficou fácil. Como eu aprendi e repito: Vitória tem 3 pessoas: eu, você e alguém que a gente conhece.

Mas como não podia deixar de ser, Brasileiro por todo canto desse mundo, bastou entrar no ônibus pra conhecer mais dois: Miguel e Rodrigo. Esses dois sem dúvida contribuíram com boa parte das risadas da viagem. Eles moram em Londres e trabalham numa instituição que estimula a independência de deficientes mentais. Pegar onibus sozinho, visitar a cidade, fazer compras, enfim, levar uma vida normal (pra quem quiser saber mais sobre essas comunidades: http://www.camphill.org.uk/~worldwide). Duas figuraças! Pra resumir a história.

A primeira impressão de Dublin foi meio estranha. Eu gostei da cidade de primeira. Não sei se pela felicidade de reencontrar uma amiga ou se pela cidade mesmo. Lembra bastante a periferia de Londres a princípio. Porém menor. Com o passar dos dias você percebe que é mais ou menos isso mesmo. A cidade lembra bastante Londres – com um rio cortando a cidade inclusive. Porém mais suja, menos turística, por assim dizer. Não que eles não estejam preparados. Pelo contrário! Posto de informações de fácil acesso, museus e patrimônio histórico preservados e tudo mais. Porém as margens do rio Liffey não são tão bem aproveitadas como o Tâmisa.

Sobre as pessoas, acredito que eu não tenha tido a impressão certa deles. St. Patricks’ day não é a melhor época para você ir a Dublin se quiser conhecer irlandeses. Acredito que ouvi mais português nas ruas que inglês. Mas a atmosfera da cidade durante esse período é fantástica! Vocês vão ver nas fotos no final desse texto: alegria e descontração tomam conta das ruas. Alguns dizem que é o “carnaval” deles. Tem até parada nas ruas com vários grupos passando – mas tenho que dizer que é bem chato pois você não consegue ver nada, não pode atravessar a rua quando quiser e a música é daquelas bandinhas de escola...

Mas o que mais impressiona é o orgulho que eles tem da história e da independência deles. Isso não é questionável. Alguns dizem que é inclusive preciso tomar cuidado com o que você fala para um irlandês, especialmente se for sobre a Inglaterra... Aliás, o sinal “V de vitória” que fazemos com os dedos da mão por lá é ofensa! Para eles representa os dedos com que os arqueiros ingleses seguravam as flechas, e esses eram os responsáveis por inúmeras mortes de irlandeses durante as guerras pela independência.

Como sempre, falei demais. Portanto vou encerrando por aqui. O que faltou dizer foi sobre o tour que fiz pelo interior da Irlanda no domingo que estive lá. Mas sobre isso, as fotos falam por si só. O país é simplesmente impressionante! Natureza belíssima mas bem diferente da exuberância brasileira.

Ah! A volta de Dublin para Aalborg foi tensa! Dormi no Aeroporto em Londres, cheguei tive que ir direto para uma reunião e cheguei em casa por volta de 15:00. Considerando que saí de Dublin às 21:45 do dia anterior, foram 17 horas de viagem...

Próximo post: Grundfos Challenge!

PS: Pra quem quiser saber de quem são as estátuas:

O’Connell (http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_O'Connell - em inglês)

Jim Larkin (http://pt.wikipedia.org/wiki/James_Larkinm - em português)

5abr/085

Cingapura, cidade do leão

Uma semana depois de ter chegado à Bangalore, parti para Cingapura. Fui convidado a participar de um casamento e não podia perder esta oportunidade única. Antes de falar da cerimônia (assunto para outro post), uma introdução se faz necessária: O país é composto de 63 pequenas ilhas ao sul da Malásia, entre este e a Indonésia, e praticamente não há distinção entre o país e a cidade (é uma coisa só, de tão pequeno). Devido a sua privilegiada posição geográfica, na rota entre o Oceano Índico e o Mar da China Meridional, a região se viu influenciada (e muitas vezes colônia) de portugueses, holandeses, malaios, ingleses, japoneses e chineses desde o século II d.C.

Independência e a formação do país como ele é hoje, só veio mesmo em agosto de 1965, após dois anos de uma tentativa frustrada de união com a Malásia. À época, o país era bastante pobre como muitos ainda o são no sudeste asiático. O domínio inglês entre 1819 e 1959 e a ocupação japonesa durante a Segunda Guerra deixaram bastantes cicatrizes. “Pertencer” à Malásia (a fusão foi uma tentativa voluntária) durante dois anos também não foi muito produtivo já que este último tem até hoje problemas graves a resolver.

Assim, foi através de políticas públicas corretas, conscientização da população através da educação, leis severas, além de outros fatores menos importantes como a língua (inglês é uma das oficiais, e falada fluentemente por muitos), posição geográfica, e o tamanho populacional e territorial que este país se transformou, em 40 anos, numa grande força econômica no mundo, oferecendo excelente infra-estrutura e condições sociais aos seus cidadãos. Não à toa, portanto, chegar ao suntuoso Aeroporto de Changi (um dos melhores do mundo), vindo da Índia, causa um impacto tão grande que é difícil explicar. O outro lado é que muitos turistas acham o país um tédio só: Não há poluição, pobreza, tráfego caótico, sujeira, falta de educação, grandes aglomerações, e problemas de infra-estrutura. Tudo funciona de maneira tão eficiente e organizada que para muitos não há “emoção” na visita.

Talvez por ter amigos por lá e ter tido o privilégio de ser apresentado à cidade por eles, achei tudo formidável. Isto foi reforçado também por outros três motivos além do vínculo de amizade: Primeiro, a presença de três grandes grupos étnicos (chineses, malaios e indianos) é evidente e contribui bastante para a diversidade cultural (embora eu não tenha notado tanta miscigenação). Além disto, o poder econômico do país garante a preservação do patrimônio histórico e faz questão de destacá-lo em excelentes museus e em áreas abertas muito bem cuidadas. Por último, a modernidade oferece ainda parques temáticos, shoppings, meios de transporte eficientes, e segurança para se andar sossegado pelas ruas a qualquer hora do dia ou da noite. Apesar do clima extremamente quente e úmido, e das doenças tropicais (dengue, malária, etc.) que parecem ser o único problema ainda grave, esta é para mim uma das cidades mais atraentes que já visitei.

No dia 25 de Janeiro, quando cheguei, fui recebido por dois amigos de Cingapura e um alemão (o mesmo que viajou comigo à República Tcheca e à Polônia) que também fora convidado para o casamento. Já anoitecia então fomos direto ao Parque da Costa Leste, uma área aberta e arborizada às margens do Estreito de Cingapura, dedicado à prática de esportes e ao lazer, com várias opções de bares e restaurantes. Enquanto botávamos o assunto em dia, caminhávamos pela praia observando o pôr-do-sol atrás do moderno centro financeiro que visitaria dois dias depois. Do outro lado, também à distância, o pouso de aviões (inclusive um gigantesco Airbus A380) podia ser apreciado a todo instante. Mais tarde, no caminho para o hotel, paramos num distrito árabe para tomarmos o melhor (segundo meu amigo) teh tarik (um tipo de chá com leite condensado) de Cingapura e conhecermos a Mesquita do Sultão, construída pelo Sultão Hussain em 1826 (em um post futuro explico a colonização inglesa e a relação com o sultão).

Fotos do dia 25

O dia seguinte, 26, foi todo dedicado ao casamento (sim, um dia inteiro de cerimônias). Certamente contarei os detalhes depois. No dia 27, então, tratei de conhecer o centro da cidade. Depois de almoçar num restaurante barato do lado do hotel, tratei de ir direto ao Museu Nacional conhecer um pouco mais da história do lugar. O prédio foi construído em 1887 e completamente renovado em 2006. O aparato tecnológico chama a atenção do visitante mais incauto: Comprei o ticket num terminal e um funcionário me entregou uma espécie de computador de mão que ia me informando dos fatos históricos enquanto caminhava pelas exibições. Um luxo que não vi em nenhum outro museu até hoje.

Em seguida, caminhei em direção centro comercial e financeiro. No caminho, paradas estratégicas para contemplar os preparativos para o então próximo ano novo chinês (o atual ano do rato), a moderna Esplanade (com salas de teatro e concerto), e os belos prédios do governo como o do parlamento e da prefeitura. Cruzei o Rio de Cingapura e finalmente cheguei ao distrito financeiro. Um das principais avenidas vai gradativamente se transformando numa Times Square, tal qual Nova Iorque. Não vi muita graça então segui em frente, rumo à Chinatown.

Lá, vi finalmente uma Chinatown rica culturalmente e vibrante. Uma enorme feira livre parecia abastecer a região de energia. O vai e vem de pessoas era incrível, a gritaria dos vendedores era típica, e os cheiros de frutas, legumes, carnes, incensos, e perfumes era uma mistura sem igual. Depois de ter caminhado uns 10km até ali, não tinha melhor local para sentar e comer o que quer que fosse. Acabei comendo um pastelão recheado de legumes e carne de galinha desfiada. Logo ali, no meio de uma das ruas do mercado, está também o Centro Cultural de Chinatown. O local é imperdível por proporcionar uma visita ao passado da região, mostrando como viviam os primeiros moradores.


360 graus em torno do mercado em Chinatown

Antes de pegar o metrô de volta ao hotel, ainda parei para visitar os templos Buddha Tooth Relic (algo como o Templo da Relíquia do Dente de Buda) e o Thian Hock Keng, mais antigo deste tipo em Cingapura. À noite, fomos a uma pequena ilha ao sul, para assistir a um show de luzes projetadas em jatos de água. A atração chamada de Songs of the Sea (Músicas do Mar) foi lançada em 2007, custou S$ 30 milhões, dura pouco tempo e só me interessou pelos efeitos especiais. Foi um troço bem bobo, devo dizer.

Fotos do dia 27

No dia seguinte voltamos à Sentosa para conhecer as outras atrações. Fomos ao oceanário (incrível passear por “dentro” dele através de tubos), ao forte, ao orquidário, e à torre Carlsberg (110 metros de altura). A ilha é basicamente um parque de diversões com atrações para vários gostos e idades. Saímos de lá direto para o aeroporto onde jantamos pela última vez com o casal recém-casado.


Passeio "dentro" do oceonário

Fotos do dia 28

Quatro dias não foram suficientes para conhecer tudo. Não fui ao bairro indiano (já que conheço a Índia original), nem ao zoológico (um dos maiores do mundo). Também não fiz nenhum dos passeios recomendados nas florestas e ilhas das redondezas. Por outro lado, tive o privilégio de participar de todos os momentos (até os restritos somente a familiares) de um autêntico casamento chinês. Foi de fato mais uma destas viagens inesquecíveis que guardamos no coração.