Em Dubai, por um Oriente Médio sem depender (tanto) do petróleo
Cheguei à Dubai depois de intermináveis 14 horas cruzando o Atlântico e o continente Africano. Já era quase meia-noite quando fui recebido pelo calor de 37 graus e o bafo quente do deserto que circunda a região. O desembarque correu sem maiores problemas e logo cheguei ao hotel, mais um Ibis dos tantos espalhados pelo mundo.
No dia seguinte acordei bem cedo por causa do fuso trocado. Infelizmente acabei assistindo a derrota do vôlei masculino na final das Olimpíadas mas logo em seguida fui passear pela cidade. Tinha apenas aquele dia então tentava aproveitá-lo ao máximo.
Dubai é um dos sete emirados que formam os Emirados Árabes Unidos, uma monarquia estabelecida em 1971. O fato de ser um emirado significa mais ou menos ser o mesmo que uma cidade-estado: Ou seja, cada um funciona de maneira autônoma embora exista uma constituição federal mínima. O mais significante disto em termos econômicos é que cada emirado controla e detém os direitos sobre seus recursos minerais. Cada um faz quase o que dá na telha. E em Dubai ultimamente a telha tem sido bem farta.
A cidade está se transformando numa suntuosidade moderna. O local é o maior playground de engenheiros e arquitetos que já vi. A começar pelos seus atual e futuro aeroporto que juntos formarão o maior complexo mundial da aviação civil. O projeto, aliás, faz parte do Dubai World Central, a se tornar a maior região planejada do mundo, incluindo uma zona residencial, campo de golfe, shoppings, e parques tecnológicos, comerciais e de logística. O total previsto de investimentos é de US$ 33 bilhões, 5 destes só para o novo aeroporto (para comparar, o Brasil vem planejando investir R$ 3 bilhões em TODA sua infraestrutura aeroportuária).
Mais três projetos em andamento merecem destaque. Primeiro, é impossível não avistar de qualquer ponto da cidade o que já é o maior falo do mundo, superando o exibicionismo americano. O arranha-céu Burj Dubai embora ainda esteja em construção já é a mais alta estrutura construída pelo homem. Atualmente com 688m ela deixa no chinelo uma torre de TV nos Estados Unidos e seus 628m. Quando estiver pronta (previsão para setembro de 2009) é provável que ultrapasse os 700m. E com arquiteto e construtores americanos, belgas, sul coreanos e dos próprios Emirados parece que esta não vai ser uma Torre de Babel – a linguagem do lucro todos eles falam muito bem.
O arranha-céu Burj Dubai em construção
Outra obra gigante (e certamente também a maior do mundo em alguma categoria) é a Palm Jumeirah, uma ilha artificial que abriga um bairro residencial de luxo. A ilha tem o formato de uma palmeira e é, na verdade, a menor de um projeto para a construção de outras duas. A Palm Jumeirah já está quase pronta e já possui residentes (inclusive corre o boato que Tom Cruise comprou casa lá). Na ponta, no final da ilha, um gigante hotel de luxo está sendo inaugurado este mês. Toda a obra foi um tanto controversa e diversos problemas ambientais foram devidamente abafados. Outro problema não só nesta mas em obras de maneira geral em Dubai é no tratamento dado aos funcionários, geralmente oriundos da Índia e de países do sudeste asiático. São notórios os casos de abusos a estes trabalhadores e vivem em condições degradantes já que não conseguem se sustentar na região onde o custo de vida é relativamente alto (se comparado ao de outras cidades ou em relação ao salário que recebem). Mas esta é uma outra história que você pode ler com mais detalhes aqui, aqui e aqui.
Finalmente, o último dos três impressionantes projetos chama-se The World e é um arquipélago com 300 ilhas que dão forma ao mapa-múndi. O preço de cada uma varia entre módicos US$ 5 e US$ 50 milhões. The World ficou famoso após Michael Schumacher ter recebido uma ilha de presente e após artistas ficarem envolvidos em especulações de compra, entre eles Angelina Jolie e Brad Pitt. Empresas também compraram algumas ilhas e pretendem transformá-las em parques temáticos, shoppings e resorts. Como se Dubai já não tivesse estabelecimentos de luxo o suficiente, The World promete ser o supra-sumo deles.
Eu e a imensidão do deserto nos arredores de Dubai
Tanto investimento não é à toa. Bom, talvez seja um pouco. Mas o fato é que os Emirados possuem reservas de petróleo e gás com os dias contados – especula-se por lá que elas se esgotarão em 2014. Sem contar que Dubai possui uma das menores parcelas destas reservas no país. Assim, este emirado se tornou um pioneiro na região a estimular a redução da dependência do petróleo. Atualmente, 30% de seu PIB está relacionado ao turismo. A região quer se tornar um hub financeiro, comercial e turístico de alto padrão, reconhecido no mundo inteiro, mais ou menos como fez Cingapura.
Além das obras megalomaníacas, já existem opções que tornam Dubai atraente, sem contar os aspectos econômicos como baixo custo de vida (se comparado com Europa e EUA) e pouquíssimos impostos. Para o turismo há shoppings de todos os tipos, estação de ski (isto mesmo, estação de ski em pleno deserto, indoor claro), safáris no deserto, passeios de barco (é possível visitar o Irã assim), parques de diversões e aquáticos, e opções de visita a museus e ao centro histórico. Para empresários, não falta centro de convenções, hotéis de alto padrão (inclusive o Burj Al Arab, o mais alto hotel do mundo, e um dos cartões postais da cidade), salas de conferências, excelentes opções de restaurantes, e boa infraestrutura de transporte (incluindo um moderno metrô previsto para 2009).
Ao fundo, um dos cartões postais da cidade, o hotel Burj Al Arab
Sem dúvida, Dubai é uma cidade rica, moderna e bem cuidada como poucas outras no mundo. O passeio é imperdível para aqueles que fazem escala lá, em direção a algum outro destino asiático numa das melhores companhias aéreas do mundo (olha aí mais um “melhor”), a Emirates. Vale a pena planejar a visita como parte de uma viagem mais longa também. Do Brasil, não recomendo a visita exclusiva à Dubai: Além do preço bem salgado da passagem, 14 horas dentro de um avião na classe econômica ainda é um bocado desconfortável.
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Category: Emirados Árabes | Tags: cidade-moderna, deserto, Dubai, emirates, escala, safari, turismo 7 comments »
setembro 21st, 2008 at 21:13
Este post está quase como um documentário sobre Dubai que assisti na TVE. Muito bom!!!
Gostei de ver as fotinhas. É realmente incrível!!
Beijos!!!
setembro 22nd, 2008 at 06:50
Bombou! Parece ser bem irado o lugar. Mas com esse monte de “luxo” que você escreveu ao longo do texto fiquei com bastante medo do valor que devem ser as coisas por aí… hehe!
outubro 16th, 2008 at 10:34
[...] Dubai, dois meses atrás, esperando organização por toda cidade, tive uma desagradável surpresa logo [...]
março 22nd, 2009 at 10:42
[...] Deserto nos arredores de Dubai [...]
abril 15th, 2009 at 01:26
[...] em Dubai ano passado e relatei aqui o esplendor que a cidade tenta mostrar ao mundo. A cidade é um verdadeiro playground de arquitetos [...]
abril 30th, 2009 at 17:50
Olá Pessoal!
Como o assunto é Dubai, Gostaria de convidar a todos para participar da comunidade no Orkut.
Sou a moderadora e somos um grupo de brasileiros moradores de Dubai.
Se quiserem alguma informação sobre o país. Todos serão bem vindos!
BRASILEIROS EM DUBAI_OFICIAL (aquela com a foto da bandeira dos 2 países,Brasil-Dubai)
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=40338867
Abraço a todos!
dezembro 11th, 2010 at 15:26
As fotos ficaram bonitas,parabens por ter tido a oportunidade de visitar esse lugar lindo…amo dubai.obs>q tom de laranja feio o da sua camisa hein…