Conversa no Táxi

Se num táxi/riquixá o motorista possuir um mínimo de conhecimento de Inglês, uma típica conversa durante o trajeto acontece assim quando você é ou aparenta ser um turista estrangeiro:

- Olá senhor, tudo bem? Vai para onde?
- Tudo! Vou para XYZ, por favor.

(Alguns minutos de silêncio depois)

- Senhor, você é de que país?
- Brasil.
- “Brésiu”? Onde fica este “Brésiu”?
- Fica na América do Sul. Brasil! Futebol, Ronaldinho, Samba…
- América! Ah! Já tive muitos passageiros dos EUA. De que estad…
- Não, Brasil é o país, fica na América do Sul!
- Ah! Muito bom! Muito bom! – Responde fingindo entender. Em geral, você pode falar que é de praticamente qualquer país que eles vão pretender conhecê-lo sorrindo, tentando serem simpáticos. Certa vez respondi que era da África do Sul e que o país ficava ao sul da Alemanha. O sujeito achou que eu era europeu, claro. – E o que você faz aqui na Índia?
- Faço um mestrado aqui.
- O que? – Ele não entende a palavra mestrado. Não dá para ser nem um pouco específico nestas conversas e as frases precisam ser lacônicas:
- Estudo! Estudo!
- Ah! Entendi. Estudo. Aonde?
- No IIIT-B. Electronic City.
- E você ganha alguma coisa? – É incrível a necessidade deles de saber quanto você ganha. Esta é sempre uma das primeiras perguntas num encontro como este. Normalmente eu desvio do assunto e pergunto a ele algo:
- E você é de onde?
- Sou de Umlugaraípuram (ou Seilápur). – Responde fazendo questão de ser bem específico quanto a sua cidade de origem.
- Bacana! – Finjo saber de onde ele é.

(Mais alguns minutos de silêncio, agora quase chegando ao destino)

- Senhor, seu nome é? – Curiosamente, o nome só costuma ser perguntado depois.
- Ri-car-do. – Digo pausadamente.
- “Richardo”?
- Isso, “Richardo” (outra variação comum é “Ricado” sem o erre).
- “Richardo”, aqui o meu cartão – Recebo seu cartão de visitas com um sorriso largo, como se nos conhecêssemos há vários dias. – Me liga da próxima vez que for sair, ok?
- Pode deixar! – Respondo colocando o cartão no bolso, ao lado de vários outros colecionados ao longo do tempo aqui. – Até logo.
- Obrigado senhor

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4 Responses to “Conversa no Táxi”

  1. Astrid

    Bom dia Richardo!!! hehehehe
    Gostei dimais!!! E este bolso cheinho de cartões? Vc vai trazer a coleção?
    Mas, acho interessante como é necessário manter contato. Me vi, nas minhas corridas de táxi aqui no Brasil, no Rio onde tenho ido com frequencia e é assim também. Não se chega a pormenor de se perguntar o nome mas de onde se vem ou para onde se vai é obrigatório…e o cartão no final. Um detalhe aqui…é sobre o tempo: choveu muito esta semana? E o calor que não acaba….
    Beijos, bela quinta…aqui começando…

  2. Marcelo

    Conversa típica no Taxi dinamarquês:

    Marcelo: quanto é até XYY?
    Taxista: $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ DKK
    Marcelo: Não obrigado. (e vou andando mesmo).

  3. Astrid

    hahahahahha….bjs

  4. Osias

    Enfim um post decente! (risos)

    Ok, exageros a parte, espero que você escreva mais nesse estilo no futuro. :)


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