Lá e de Volta Conteúdo desconexo e aleatório…

26fev/093

Taj Mahal em 50 fotos

Depois da primeira visita ao Taj, acabei falando pouco deste mausoléu. Naquela ocasião porém, além de ficar impressionado com o Taj em si, todo o resto também me chamava atenção - era minha primeira viagem ao norte da Índia. O texto então acabou ficando confuso, sem foco, e apesar do título, pouco teve a ver com o Taj. Para piorar, as únicas duas fotos que coloquei não estavam a altura da beleza do monumento.

Por isto, o que segue são 50 fotos somente do Taj Mahal, seus jardins e arredores. Trata-se de uma compilação de fotos minhas tiradas na primeira e nas outras duas visitas que fiz ao local. Não vou entrar em detalhes sobre o monumento pois informação é o que não falta sobre ele na Internet. Além disto, como uma imagem vale mais que mil palavras, coloco aqui logo cinquenta para valeram mais que cinquenta mil delas.

A galeria completa está disponível no álbum de fotos e também no final deste post. Destaco a seguir as minhas cinco fotos favoritas:

A foto clássica num dia de céu azul!!
A foto clássica num dia de céu azul!!

Esta foto todo turista tira. Ao entrar no jardim principal, você dá logo de cara com a suntuosidade do Taj. É impossível não parar para contemplá-lo e tirar inúmeras fotos.

Na última vez que estive lá agora em fevereiro, o Taj estava em manutenção. Nesta foto, a visão distante de um operário trabalhando na cúpula dá uma idéia do tamanho do monumento.

A placa no meio diz: “Por favor, mantenha distância da mureta
A placa no meio diz: “Por favor, mantenha distância da mureta

Uma de minhas favoritas pois mostra como os indianos, em geral, não tem nenhuma noção de educação. Leis, regras de convívio social, placas, bom senso... Tudo é ignorado por este povo que só parece respeitar aqueles que fazem parte dos seus respectivos círculos sociais.

Taj refletido no rio
Taj refletido no rio

Do outro lado do rio Yamuna, agora praticamente todo assoreado, ainda é possível registrar belas fotos como esta, capturando o reflexo do Taj na água.

Este aí não gostou e ameaçou sacar a espingarda
Este aí não gostou e ameaçou sacar a espingarda

Este policial fazia parte de um grupo fazendo a escolta de um fotógrafo (este aí na foto de perninhas abertas). Depois que comecei a tirar fotos deles, este aí fez cara de mal e ameaçou sacar sua arma. Tá bom, tá bom, eu paro Sr. Policial!

Veja a galeria completa:

Taj Mahal em 50 fotos / Taj Mahal in 50 photos
Vista do Taj a partir do Red Fort num dia com muita névoa
Vista do Taj a partir do Red Fort num dia com muita névoa
Multidão de turistas
Multidão de turistas
Foto clássica que todo turista tira
Foto clássica que todo turista tira
Mais uma clássica, mais distante
Mais uma clássica, mais distante
Outra, só do Taj
Outra, só do Taj
Detalhes
Detalhes
Sorte pura: ninguém atravessando no momento da foto
Sorte pura: ninguém atravessando no momento da foto
Admirando...
Admirando...
Do jardim: Vista lateral do Taj
Do jardim: Vista lateral do Taj
A placa no meio diz: “Por favor, mantenha distância da mureta
A placa no meio diz: “Por favor, mantenha distância da mureta
A foto clássica num dia de céu azul!!
A foto clássica num dia de céu azul!!
Posa romântica dos amigos ali no meio.
Posa romântica dos amigos ali no meio.
Do outro lado do rio
Do outro lado do rio
Policiais contemplando o Taj
Policiais contemplando o Taj
Este aí não gostou e ameaçou sacar a espingarda
Este aí não gostou e ameaçou sacar a espingarda
Pôr-do-sol
Pôr-do-sol
Taj refletido no rio
Taj refletido no rio

23fev/092

E Slumdog Millionaire levou o Oscar

Então Slumdog Millionaire ganhou 8 das 10 estatuetas do Oscar para as quais foi indicado. Nenhuma surpresa até aqui. O filme de fato é bom, possuindo principalmente boa edição e direção. Se você ainda não assistiu, recomendo que o faça. Só tenha em mente que o filme é uma ficção!

Exarcebando a pobreza, o filme faz parecer que esta é a realidade de toda a Índia. Não é o caso.  Cerca de 26% da população vive abaixo da linha da pobreza. É um número muito alto, é verdade. Mas há outros 74% que contribuem para a formação de um país com bastante força econômica.  Em outro exemplo mais pontual: A população de Delhi está estimada em 12 milhões. Estima-se que 2 milhões vivem em favelas. Ou seja, pouco mais de 16%. Os outros 10 milhões fazem de Delhi uma cidade rica, com muitas regiões bem cuidadas, e opções de trabalho e lazer para todos os gostos. O mesmo vale para Mumbai, longe de ser uma favela gigante que só agora começa a se modernizar como o filme faz parecer.

Um vídeo muito bem feito mostra uma outra realidade da Índia. Seu poderio em diversas indústrias chama a atenção do mundo e coloca o país em posição muito privilegiada política e economicamente. Isto sem contar as imensas variações sociais e econômicas de um estado para outro. Assim, recomendo o filme apesar de achar o final clichê e óbvio demais. Mas sugiro não fazer uso dele para formar opinião sobre o país

8fev/090

Um pôr-do-sol aos domingos

Cingapura
Parque da Costa Leste, Cingapura. Com vista do centro comercial ao fundo.

6fev/090

Finalmente: Nada de buzinas pelo menos em Mumbai…

E por apenas 10 dias. Mas já é um começo. O inferno da cacofonia no trânsito Indiano é um dos maiores problemas das grandes cidades Indianas. A poluição sonora é insuportável.

Mas em Mumbai pelo menos isto começa a mudar. A polícia de lá começou a promover ontem a campanha "No Honking Drive" (Direção Sem Buzina) e vai realizar campanhas nas principais avenidas e também nas escolas. Se necessário, os motoristas serão multados.

Falta agora só tornar esta campanha algo permanente e ampliá-la para o resto do país. Os ouvidos de todo mundo agradecem!

5fev/091

Riquixás: diversidade nas cores, apetrechos e modelos

As riquixás surgiram na Ásia como meio de transporte das elites. Originalmente eram uma espécie de carroça puxadas por pessoas. Gradativamente, no entanto, este tipo foi sendo substituído pelas bicicletas e pelas riquixás motorizadas, as famosas autoriquixás ou, no termo mais carinhoso, tuk tuk.

Na Índia estes veículos são encapetados. Além de pequenos, o que lhes proporciona uma agilidade impressionante, seus motoristas não são exatamente um exemplo de cautela no trânsito. Muito pelo contrário, eles fazem questão de se enfiarem nos menores espaços, fazendo movimentos bruscos e ousados, buzinando aos ventos por qualquer motivo, e esbravejando palavras de ordem aos outros motoristas enquanto eles mesmos não respeitam nada!

Já tratei das riquixás em outras oportunidades aqui no blog, por exemplo, ao falar do trânsito de Bangalore. O que faltou destacar aqui é a diversidade com que elas se apresentam em diferentes cidades Indianas. Cada uma tem um modelo de riquixá diferente, como se fosse uma marca registrada. Confira abaixo nas fotos:

Riquixás
Riquixá em Goa: Cortina e portas para os passageiros - Fonte: http://flickr.com/photos/carlmonus/83549482/
Riquixá em Goa: Cortina e portas para os passageiros - Fonte: http://flickr.com/photos/carlmonus/83549482/
Contraste: Riquixás em Bangalore, paradas em frente a um dos shoppings mais luxuosos da cidade.
Contraste: Riquixás em Bangalore, paradas em frente a um dos shoppings mais luxuosos da cidade.
Eu, dirigindo uma riquixá
Eu, dirigindo uma riquixá
Riquixás puxadas por bicicletas próximas ao palácio de Jaipur
Riquixás puxadas por bicicletas próximas ao palácio de Jaipur
Bicicleta, ônibus, riquixá, elefante, carro e pedestre. Mais diversidade de transporte impossível.
Bicicleta, ônibus, riquixá, elefante, carro e pedestre. Mais diversidade de transporte impossível.
Riquixás em Jodhpur: Detalhes internos em metal cromado
Riquixás em Jodhpur: Detalhes internos em metal cromado
Em Delhi, no Indian Gate, riquixá verdinha na parte inferior.
Em Delhi, no Indian Gate, riquixá verdinha na parte inferior.
Vista do trânsito caótico, dentro de uma riquixá
Vista do trânsito caótico, dentro de uma riquixá
Riquixás todas de preto no Templo Budista em Coorg, sul do estado de Karnataka
Riquixás todas de preto no Templo Budista em Coorg, sul do estado de Karnataka
Riquixá em Mysore: Repare a busina externa para proporcionar mais barulho no trânsito
Riquixá em Mysore: Repare a busina externa para proporcionar mais barulho no trânsito

2fev/090

Em Kerala, conhecendo Alappuzha

Esta é a parte 2 de 2 da série Estado de Kerala, Índia

Alleppey ou em seu nome indiano, Alappuzha, fica no litoral sul do estado de Kerala, o que significa estar localizada no extremo sudoeste do país. A viagem até lá passa por Kochi, a maior cidade do estado, e segue margeando o litoral. De Kochi são aproximadamente 2 horas de viagem carro e belas vistas do mar e de águas represadas características da região. Alleppey é famosa por elas.

A chegada, entretanto, não impressiona muito. Principalmente se você ouvir antes de algum indiano orgulhoso que Alleppey é a Veneza do Oriente, título atribuído pelo lorde Inglês George Curzon. Nunca fui a Veneza mas sei o suficiente para afirmar aqui que, excetuando-se os canais que cortam a cidade, as duas cidades não parecem possuir nenhuma outra similaridade. Alleppey em muitos aspectos se parece na verdade com qualquer outra cidade indiana pequena: casas simples e com aparência de pouco cuidado, ruas de terra batida, muitos carros e riquixás, muita gente nas ruas, e muita sujeira. Os canais dentro da cidade, aliás, mais parecem esgotos correndo a céu aberto.

Só que não íamos exatamente ficar em Allepey. E na medida em que íamos nos afastando da cidade, mais a paisagem mudava; e para melhor. Ainda nos arredores da cidade, íamos nos enfiando em ruas cada vez menores. As casas, um misto de arquitetura hindu e ocidental, ficavam cada vez mais charmosas, e a vegetação nos avisava que a Índia urbana e caótica estava ficando para trás. Finalmente, entramos numa rua onde apenas o nosso carro, com os retrovisores dobrados, passava. Dois muros altos impossibilitavam até que saíssemos dali. Não tínhamos alternativa senão seguirmos em frente, cercados pelos paredões intermináveis, na rua agora de lama e esburacada.

Até que finalmente chegamos ao nosso destino! Um imenso rio se mostrava imponente a nossa frente; Do outro lado, uma típica vegetação tropical encerrava por completo qualquer traço de civilização; E no rio, um barco-casa tipicamente denominado de Kettuvallam nos recebia de portas abertas. O danado era muito grande, com um quarto com ar condicionado, um banheiro completo, cozinha, sala e varanda! Tudo feito de cascos de madeira trançados, num trabalho artesanal muito bem feito e bonito, repetido ao longo de centenas de anos. Não faltou nada e o final de semana a bordo do barco prometia ser muito bom.

Como dito no começo, a região de Alleppey é famosa por estas suas águas represadas. Os canais cortam não só a cidade mas diversas partes do estado de Kerala, conectando outras cidades, se misturando a lagos e rios, e servindo como um importante recurso econômico da região como meio de transporte e para a agricultura. A região alagada é tão grande que se perde no horizonte em alguns momentos. Em outros, os canais são artificialmente cercados, protegendo áreas secas de plantação ou onde pequenas vilas são estabelecidas. O único acesso a estes locais é feito através de barcos de todos os tipos.

Toda uma cultura típica se desenvolveu em torno desta formação hidrográfica.  Há barcos que funcionam como ônibus (inclusive escolares), a maioria das casas, escolas, igrejas, templos, etc. costeiam as margens de algum canal, a comida da região é praticamente toda baseada nos peixes e crustáceos locais, diversos festivais ocorrem nos barcos, e uma centenária corrida de barcos ainda ocorre todo ano. Estes últimos, chamados de cobras devido ao seu formato fino e alongado, abrigam até 150 pessoas, e se multiplicam às centenas durante os campeonatos. Até Nehru, o primeiro Primeiro Ministro (sic) da Índia atendeu a um destes eventos em 1957.

Já passava do meio-dia quando partimos. Na cozinha, os dois Indianos responsáveis pela viagem terminavam de preparar o nosso almoço. Que bela surpresa descobrir a culinária de Kerala! Rica em peixes e em pratos à base de leite de coco, seus pratos são bem menos apimentados e mais saborosos que pratos de outras regiões da Índia. Almoçamos, jantamos e tomamos café da manhã no dia seguinte em pleno barco.  Por todos os lados víamos pássaros de todos os tipos, florestas, e pequenas vilas isoladas. Passamos a noite em algum canal da região e fomos presenteados por uma bela tempestade de relâmpagos e trovões. Ali, o espetáculo da natureza estava completo.

Voltamos no dia seguinte recarregados para a próxima parada: a cidade histórica de Kochi.