Lá e de Volta Conteúdo desconexo e aleatório…

31mar/09Off

Uma visita rápida ao Museu do Louvre

No dia seguinte, após ter percorrido diferentes partes de Paris, e antes de partir no fim da tarde, decidi visitar o Museu do Louvre (site oficial [en]), nem que fosse por poucas horas. É possível, inclusive, deixar suas malas no museu sem pagar nada por isto, o que facilita muito a visita antes de um vôo. O Louvre acabou sendo para mim um dos mais impressionantes museus que já visitei; Comparado apenas ao Museu Hermitage em São Petesburgo, Rússia, e ao National Mall (em Português, "Passeio Nacional") em Washington DC, um parque nacional com vários museus de acesso gratuito ao redor. Obviamente, com o pouco tempo que tive, apenas percorri os imensos corredores e salões (eles próprios verdadeiras obras de arte), parando aqui e ali entre um item interessante e outro.

Vista lateral do LouvreA pirâmide metálica da entrada do museu

Dentre os grandes destaques do museu (Mona Lisa, Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, etc.) o que mais me impressionou naquele dia foi a estátua grega Vênus de Milo. Não sei exatamente o quê me atraiu nela. Há um certo misticismo em torno dos braços perdidos e do autor desconhecido. E chama a atenção também o sorriso apenas esboçado e o erotismo que alguns especialistas atribuem à representação de Afrodite, a deusa grega do amor e da beleza. Poucos ali no Louvre parecem se importar com tudo isto e apenas tiram inúmeras fotos para dizer que lá estiveram, correndo para encontrar o próximo o item no guia.

Vênus de MiloEsboço de sorriso?

Fotografando a Vênus de MiloFotografando a Vênus de Milo

Sobre a Mona Lisa, acho que a obra é muito sobrevalorizada. Ouvi uma história (que não pude comprovar) dizendo que Leonardo da Vinci, ao terminá-la, saiu às ruas dizendo que aquele era o seu melhor trabalho. Aquilo, supostamente, acabou por contribuir para que outros argumentos e o boca-a-boca a tornassem uma das obras mais conhecidas e referenciadas em todo mundo. Em todo caso, nem é possível admirá-la tanto devido à enorme quantidade de pessoas e à proteção que a coloca muito distante dos olhares curiosos. Gosto muito mais da pintura Ginevra de' Benci [en], único trabalho de da Vinci atualmente nas Américas.

Naquele enorme salão foi muito mais significante para mim a gigantesca pintura oposta à Mona Lisa: O Casamento em Caná [en], de Veronese, 1563.  A pintura mostra a cerimônia de casamento onde Jesus, segundo o Novo Testamento, realizou o milagre de transformar água em vinho. Muitas pessoas estão pintadas ali e aparecem por todos os lados bebendo e festejando; Jesus está no meio, sentado à mesa. O curioso é que dado o tamanho da pintura, as pessoas possuem quase tamanho real. A multidão no salão onde a pintura se encontra então parece ser saída do quadro, representando uma continuação em três dimensões do mesmo.

Pintura oposta à Mona Lisa no Louvre

Saí do Louvre e deixei Paris muito satisfeito e com o desejo enorme de voltar inúmeras outras vezes. Ainda na França, no dia anterior, havia visitado a bela Versalhes e, obviamente, seu palácio. Mas esta história fica para o próximo post.

26mar/09Off

Paris, um dos maiores centros culturais do mundo

Em dezembro último, ao reencontrar um amigo em Les Mureaux, um subúrbio parisiense, tirei um dia para visitar o centro da cidade com ele, claro. Não perderia a oportunidade de conhecer Paris. Passeamos pelos principais pontos turísticos, mas sem tempo de parar para apreciá-los: O passeio foi o suficiente para uma excelente primeira impressão.

Começamos pela Boulevard de Clichy [link em francês], rua onde fica o Moulin Rouge [en], no famoso bairro Montmartre. Ali do lado estava a rue Lepic, por onde subimos a colina Montmartre (que dá nome ao bairro) em direção ao Moulin de la Galette [en]. O local ainda preserva um moinho construído em 1622, depois transformado em “guinguette” [en] (uma mistura de bar, restaurante e espaço para apresentação de danças) em 1822, e que hoje abriga um belo restaurante [en], onde se come muito bem (entrada + prato principal + sobremesa) por EUR 50. Em toda sua história, o local deve ter sido muito bem frequentado já que foi referência para Renoir [en], Henri de Toulouse-Lautrec, van Gogh, Picasso, dentre outros pintores.

Moulin de la Galette

Moulin de la Galette por van GoghMoulin de la Galette por Renoir
Moulin de la Galette ao lado de um prédio recente e as pinturas, da esquerda para direita, de van Gogh e Renoir. Fonte das imagens das obras de arte: Wikipédia [1] [2]

De lá, passamos pela estátua do “Homem que Podia Atravessar Paredes”, uma homenagem ao autor francês Marcel Aymé e seu famoso conto “Le Passe-Muraille”. Não conhecia o trabalho do autor mas adorei o conto, disponível na Internet no original [fr] e traduzido para o inglês [en]. A história se passa em Montmartre, onde morava o personagem principal, numa rua bem próxima onde está localizada a estátua, aliás. Este personagem, um homem de 42 anos, por acaso descobre a habilidade inusitada de simplesmente atravessar paredes. Durante algum tempo a tal habilidade é ignorada até que uma sequência de eventos no seu trabalho força-o a utilizar a descoberta para fins um tanto sinistros... Recomendo a leitura!

A estátua foi uma descoberta acidental no nosso caminho para a Place Du Tertre [en] e para a Basílica do Sagrado Coração, no ponto mais alto da cidade. A Place Du Tertre é uma praça de artistas. Pequena mas vibrante, o local dá uma palhinha ao vivo do que representa aquela região em termos de produção artística. Artistas de todos os tipos, utilizando diferentes técnicas, expõem seus trabalhos e trabalham ali mesmo, num verdadeiro atelier público ao ar livre.

Le Passe-MurailleLe Passe-Muraille - Placa

Basílica do Sagrado Coração

Place Du TertreVista de Paris

Fotos da região de Montmartre

E no ponto mais alto de Paris fica a belíssima e imponente Basílica do Sagrado Coração. Apesar de sua história controversa, marcada por guerras, revoltas, e protestos ocorridos antes, durante, e depois de sua construção, a basílica além de bela, ainda permite uma vista única de toda cidade. Dá para ver quase tudo, basta direcionar o olhar.

Montmartre (veja também o site da associação de artistas da região [en]), pelo visto, foi um dos maiores centros culturais do século XIX e do começo do século XX: Um caldeirão envolto em liberdades (e libertinagens) que a Paris da época não permitia. Uma pena eu não ter tido tempo para visitar o Musée de Montmartre [en] (site oficial em francês), na casa onde em diferentes épocas moraram artistas proeminentes como van Gogh e Renoir, e que conta a história da região.

Com pouco tempo sobrando no dia, restou-nos percorrer ainda mais rapidamente outros pontos da cidade. Entre uma e outra estação de metrô, passamos primeiro pela Galeries Lafayette, uma loja de departamentos famosa em Paris, especialmente lotada e bem decorada poucos dias antes do Natal. Depois, entramos no Centro Georges Pompidou onde fica o Museu Nacional de Arte Moderna. Não deu para visitá-lo, claro, o que foi uma pena. Mas só a sua arquitetura moderna, a entrada e a excelente boutique do museu valeram a curta ida. Já era final de tarde quando saímos de lá e paramos para um café ali perto mesmo, com a vista contrastante daquele prédio em estruturas metálicas arrojadas em meio a uma Paris de construções um bocado mais antigas.

E antes do sol se pôr por completo ainda caminhamos um pouco pela região. Fomos até o Jardin du Forum de Halles onde fica a Igreja Saint-Eustache [en], construída entre 1532 e 1632. No local, um Louis XIV ainda jovem foi batizado no século XVII. Pelo caminho até lá, pequenos parques, jardins, e lojas de todos os tipos e com incrível criatividade na decoração e nos produtos deixavam Paris ainda mais bela e artística. Não há como não se encantar com a cidade.

Terminamos a noite numa Champs-Élysées também toda decorada para o Natal. Não deu para subir no Arco do Triunfo mas o apreciamos de longe, no meio da multidão e do congestionamento naquela hora da noite. Por volta das 20 horas tivemos que partir sem olhar para trás, correndo para pegar o último trem para Les Mureaux. Jantamos na casa do meu amigo uma bela salada acompanhada de fígado de pato.

PompidouPompidou

Igreja Saint-EustacheGaleries Lafayette

Champs-Élysées

Fotos do detalhe da escada externa do Pompidou, de sua vista central, da Igreja Saint-Eustache, da Galeries Lafayette, e da Champs-Élysées à noite com o Arco do Triunfo ao fundo. Fontes das fotos de outros autores nos links.

(Próximo post: Uma visita rápida ao Museu do Louvre)

23mar/09Off

Mais um pouco sobre o Tata Nano

Como fiquei bem curioso com este lançamento, procurei saber um pouco mais sobre o Nano e sua fabricante, a Tata Motors. Primeiro que o lançamento é apenas institucional. Os pedidos só poderão ser feitos a partir da segunda semana de abril e as entregas não serão imediatas. Pode ser que os carros só comecem a ser entregues mesmo em Julho [en].

Além disto, com a crise afetando toda a indústria automobilística, a Tata não se encontra exatamente em boas condições financeiras. Somado à crise, a compra de outras empresas ano passado como a Jaguar/Land Rover e a Daewoo, piora ainda mais a situação. Só da Jaguar, a montadora precisa pagar US$ 2 bilhões até Junho [en]. E como a margem de lucro do Nano é bem pequena, muitos analistas acreditam que as vendas não serão suficientes para tirar a empresa do prejuízo.

Desde o lançamento, a Tata percorreu um longo caminho. Lá se vão 15 meses de atraso por causa de problemas com a fábrica original [en], registros no governo, e crise financeira. E agora se vão mais alguns meses porque a empresa não será capaz de suprir a demanda. Este ano, devem ser produzidas apenas 50.000 unidades do modelo [en]. Pelo visto esta novela ainda não acabou.

Eu só torço para que tenha um final feliz e que num futuro bem próximo passemos a ter carros bem mais baratos e econômicos para todos.

23mar/09Off

Tata Nano, um carro por menos de R$ 5.000 e mais de 21Km/l de combustível

Finalmente, o carro da Tata Motors, o tão falado Nano, deve ser lançado hoje no mercado Indiano. O carro, além de barato, possui diversas inovações registradas em patentes, e promete revolucionar o mercado automobilístico.

Tata Nano. Fonte: Wikipédia

Tata Nano. Fonte: Wikipédia

Por Rs 100.000 (cem mil rúpias), o carro é seu. Na cotação de hoje, isto significa que se o carro fosse vendido no Brasil, o preço ficaria em torno de R$ 4.500. Claro, desconsiderando os impostos brasileiros o que provavelmente fariam o preço subir praticamente o dobro (mesmo assim, muito mais barato que qualquer outro carro novo).  Entretanto, com a crise e o consequente aumento do preço das matérias-primas, ainda é incerto se a empresa conseguirá manter este preço [en]. Existem alguns acordos em andamento mas muito do que se fala na Internet ainda é especulação. Como a data de lançamento é hoje, não será preciso esperar muito para saber qual será o verdadeiro preço do carro.

Como se não bastasse ser barato, a Tata ainda tratou de fazer um carro bonito e eficiente. O mais eficiente da Índia. Nos testes [en], ele fez uma média de 24km por litro de combustível. E o carro ainda vai além, oferencendo como alternativa um interessantíssimo motor à ar comprimido [en]. Nele, não há combustão: Ele é apenas aquecido e então submetido aos cilindros do motor. Neste modelo, estima-se que a um custo de US$3 (apenas 3 dólares), um tanque cheio seria capaz de fornecer uma autonomia de 200 km!!

Agora é esperar para ver como o carro será utilizado. Muitos acreditam que ele passará a ser um substituto para as riquixás, outros que ele tornará o tráfego Indiano ainda mais caótico, e ainda outros que ele fará uma revolução nos meios de transportes, facilitando a locomoção de cada vez mais pessoas.

22mar/09Off

Um pôr-do-sol aos domingos

Deserto nos arredores de Dubai

Deserto nos arredores de Dubai

20mar/09Off

Les Mureaux, uma cidade no subúrbio de Paris

Quando li o texto do meu irmão sobre Paris e o comentário do Fernando criticando a cidade, confesso que fiquei um pouco dividido quanto ao meu planejamento de visitá-la antes do meu retorno ao Brasil em dezembro de 2008. Acabei indo assim mesmo pois, mais do que Paris, estava indo reencontrar amigos. Além do mais, não iria ficar exatamente em Paris mas em uma cidade em seu subúrbio. E no fim das contas, a ida não podia ter sido mais acertada. O pouco que vi de Paris foi espetacular e a cidade de Les Mureaux, embora não tenha nada de turístico a oferecer, é bem cuidada e charmosa.

De fato, como praticamente toda grande cidade, Paris tem seus problemas: Alguma sujeira em excesso em alguns bairros, pedintes nos principais pontos turísticos, greves frequentes nos sistemas de transporte público, congestionamentos, certa escalada na violência, e por aí vai [en]. Mas a Paris de tantos versos está por todos os lados. O olhar precisa ser “generoso e cheio de curiosidade” e não há nada mais precioso que passear por uma cidade num estado de espírito deste. Adorei Paris e repito os adjetivos de meu irmão ao descrevê-la: “bela, envolvente, charmosa, encantadora, sedutora e saborosa”.

Ao desembarcar, fui recebido com um belo sorriso da atendente da imigração. Na saída, meu amigo já me esperava de braços abertos. Por onde passava, era cumprimentado com cortesia e atenção. Do alto do meu francês extremamente limitado, recebia do outro lado atenção e consideração pelo esforço de falar uma língua que está longe de estar “quase extinta” como afirmou Fernando nos comentários do texto do meu irmão. Onde estavam os tão mal falados parisienses naqueles dias em que estive na cidade eu não sei. Talvez sejam só um mito.

Sobre a língua, abro um parêntese: O francês é uma das línguas oficiais das Nações Unidas, está entre as 12 mais faladas do mundo e, se normalizarmos o número estimado de falantes pelo GDP dos países que a declaram como oficial, certamente ela estaria entre as cinco mais importantes. Das línguas mais faladas do mundo, estaria provavelmente atrás apenas do inglês, japonês, e alemão. Quase extinta uma pinóia! Fecha parêntese.

No trajeto do aeroporto a Les Mureaux fui brindado com um excelente sistema de metrô. Um dos melhores que já frequentei em todo mundo (embora não seja o mais limpo). É extremamente abrangente, rápido e interconectado. Através dele, facilmente se chega aos dois aeroportos da cidade, às seis estações de trem, e a todos os pontos turísticos. Todas as estações são extremamente bem sinalizadas e um web site informa todos os horários e rotas do sistema. Chegamos a Les Mureaux mais rápido e gastando menos do que se tivéssemos ido de carro.

Uma estação do metro de Paris
Uma estação do metro de Paris. Esta, aliás, bem longe de estar suja. Fonte: Wikipédia

Les Mureaux [link em francês] é uma região administrativa situada 39 km a oeste de Paris. Da estação Saint-Lazare [en] (que estava em reforma e não pôde ser devidamente apreciada por mim) são aproximadamente 40 minutos de trem. Boa parte do trajeto vai margeando o Rio Sena e diferentes zonas industriais. Les Mureaux é hoje essencialmente uma cidade industrial. Mas sua origem medieval à torna uma agradável cidade para se passear durante o dia. Casas antigas, ruas pequenas e alguns parques aqui e ali ditam o tom. Em várias esquinas, lojas de artesanato e produtos de decoração enfeitavam ainda mais o passeio. E as padarias faziam questão de nos deixar com fome o tempo todo. Tirando isto, entretanto, a cidade tem só uma velha igreja (a Saint-Pierre-Saint-Paul) construída em 1896. Claro, só acabei indo lá mesmo por conta do meu amigo. Sua casa fica bem próxima da estação de Les Mureaux e é um aconchegante e bem decorado quarto-e-sala.

A chegada à Les Mureaux com a igreja Saint-Pierre-Saint-Paul ao fundo
A chegada à Les Mureaux com a igreja Saint-Pierre-Saint-Paul ao fundo

E como comem bem os franceses! A casa dele também é repleta de temperos e ingredientes. Pães e queijos estavam disponíveis lá para todos os gostos. Sem falar em mostardas, geléias, patês, outros frios, carnes, dentre outros quitutes, um mais saboroso que o outro. Quando acordei no dia seguinte à minha chegada, me deparei com uma mesa de café da manhã onde mal cabiam os pratos e talheres, tamanha era a variedade. E além de farta e variada, a comida é apreciada. Não só pelos sabores mas pela presença das pessoas. O café da manhã naquele dia foi tão especial quanto qualquer dos outros eventos seguintes. Despreocupados do tempo, conversamos durante umas duas horas antes de sairmos para conhecer pelo menos um pouco do Centro.

Em tempo: Para saborear Paris nos mínimos detalhes, recomendo o excelente blog Conexão Paris.

(Próximo post: Minha visita à Paris)

10mar/09Off

Na Índia, as eleições nacionais se aproximam

Eu ia falar das eleições nacionais que ocorrem este ano aqui na Índia, agora dia 16 de abril até 13 maio. Pedro Doria, entretanto, fez um bom trabalho em resumir a coisa toda. Segue abaixo um trecho do texto dele:

A Índia é a única democracia do mundo com um bilhão de habitantes, dentre os quais 700 milhões são eleitores. Não é, do ponto de vista prático, simples conduzir uma eleição com este vulto. Por conta, não há um dia de eleição e sim um período eleitoral – os estados votarão entre os dias 16 de abril e 13 de maio em cinco eleições. Os resultados devem ser anunciados em 16 de maio, exatamente um mês após o início da votação.

Sempre foi difícil, num país tão grande, criar partidos nacionais. Nos últimos anos, os diferentes níveis de desenvolvimento de cada estado e as diferentes tensões étnicas e religiosas que cada região enfrenta contribuíram para fragmentar ainda mais a política nacional indiana. E os estados, afinal, têm todos tamanhos de nações.

7mar/09Off

Visitando Delhi por menos de R$ 20/dia

Parada obrigatória na Índia é sem dúvida a capital do país. Principalmente se sua viagem tiver como foco a região norte e seu vôo desembarca por lá. Delhi é rica em história e cultura, e possui opções para literalmente todos os gostos. Aqui na Índia, esta é uma das poucas cidades que realmente gosto de visitar: Já estive por lá três vezes.

O problema é que Delhi pode se tornar bem cara para os turistas mais incautos ou mais afortunados. Além das táticas típicas dos indianos de tentarem cobrar dos turistas, principalmente os estrangeiros, o quádruplo do preço ou mais por qualquer produto ou serviço, Delhi é mesmo mais cara que a média do país. Na verdade, como os tipos de demanda por lá são maiores e mais diversos, a variedade de preços também aumenta. Os hotéis mais caros do mundo, por exemplo, estão lá. Só que muitas opções boas e baratas também. O segredo é saber procurar e negociar. E bem.

Em Paharganj, por exemplo, na região central de Delhi, os hotéis com quartos duplos e banheiros começam na faixa dos R$ 10,00/dia. R$ 10/dia o quarto duplo! R$ 5/dia por pessoa. Não espere muito, claro. E o café da manhã não está incluso. Por um pouco mais, na mesma região, algum conforto já é possível. No Vivek Hotel, onde costumo ficar, um quarto duplo por R$ 25,00/dia já garante mais limpeza e cuidado, chuveiro quente, ventilador de teto, TV a cabo e a certeza de silêncio. E pelo dobro da diária você consegue até ar condicionado e um padrão de acabamento similar a de bons hotéis três estrelas no Brasil.

A região ainda tem a vantagem de estar ao lado da estação de trem de Nova Delhi (perfeito para quem quiser, por exemplo, passar o dia em Agra para visitar o Taj Mahal) e de uma das estações do excelente sistema de metro da cidade. Com no máximo R$ 0,75 por trecho, você visita muitos dos principais pontos turísticos da cidade. E quase todos sem pagar nada ou muito pouco para entrar.

O museu de artesanato, por exemplo, possui entrada franca e é um encanto. Coleções de toda a Índia impressionam pela diversidade e criatividade. E ainda contam um pouco da história do país. Além disto, do lado de fora do museu, artesãos, músicos e demais artistas trabalham a todo vapor e fazem questão de exibir os seus trabalhos, feitos ali mesmo, aos visitantes. Do lado oposto ao museu, atravessando a rua e cortando um belo parque na Avenida Mathura, aproveite para visitar o Purana Qila ou velho forte. Considero-o mais interessante que o Red Fort de Delhi (ponto turístico badalado da Delhi Antiga) e mais barato. Para estrangeiros, o acesso ao forte custa R$ 5,00.

Ainda sem pagar nada, em outro ponto da cidade, passeie pela Delhi Antiga e se perca nas ruelas repletas de lojas e casebres com traços remanescentes de belas fachadas de mais de 350 anos. Verdadeiros tesouros arquitetônicos estão escondidos ali. Na mesma região, visite a impressionante Jama Masjid, a maior mesquita da Índia, e dali, pegue uma riquixá até o Raj Ghat, o memorial de Gandhi que marca o local onde ele foi cremado. O local fica num calmo e bem preservado parque. Local perfeito para relaxar após as caminhadas pela Delhi Antiga. E para mais de Gandhi, pertinho dali, apenas atravessando a rua, está o seu museu, também de entrada franca. O museu é simples como de fato sempre foi Gandhi mas reconta bem através de fotos, manuscritos, poemas e objetos pessoais a história de um homem iluminado.

Isto tudo é possível fazer com calma em dois dias. Em apenas um se você estiver com energia de sobra e tempo de menos. Mas ainda não acabou. Reserve ainda um terceiro dia para visitar outros pontos de Nova Delhi. A região, praticamente toda projetada pelos ingleses, possui belas construções e parques, avenidas largas e arborizadas, e boas opções de restaurantes e para suas compras. Lá, passeie pela cerimonial Avenida Rajpath e aprecie o icônico Portão da Índia, um memorial de guerra a la Arco do Triunfo. Veja também os diversos prédios administrativos, o parlamento, e a casa da Presidente do país. Ali perto, se você for estudante (de qualquer país), aproveite para visitar o excepcional Museu Nacional pagando apenas 1 rúpia (R$ 0,05) - O preço normal para estrangeiros é R$ 15,00. O acervo é imperdível e conta muito da história deste país povoado há mais de 5000 anos. Finalmente, encerre o dia apreciando o pôr-do-sol nos Jardins de Lodhi. O local além de ser um parque extremamente agradável ainda presenteia o visitante com magníficas construções dos séculos XV e XVI praticamente intactas.

Claro que ninguém fará tudo isto sem paradas estratégicas para boas refeições. E neste quesito Delhi também oferece opções das mais baratas às mais caras. Na região de Connaught Place por exemplo, os restaurantes da rotatória central projetada pelos ingleses entre 1929 e 1933 são excepcionais mas não espere pagar menos de R$ 20,00 por uma refeição completa. No belo restaurante nos Jardins de Lodhi o preço é ainda mais salgado mas a saborosa comida e a atmosfera do lugar são imperdíveis. Não muito longe de Connaught Place, entretanto, no Bengali Market você pode comer excelentes chaats, uma massa de batata e pão frita com recheios variados dentro, por algo entre R$ 1 e R$ 3. Algumas delas chegam a ser verdadeiras refeições, claro que nada saudáveis diante de tanta fritura. Estandes de chaats também estão espalhados por toda Delhi Antiga. Lá, entretanto, não deixe de comer também saborosas frutas para todos os gostos por menos de R$ 0,10 cada. De volta à Paharganj, para verdadeiras refeições Indianas, basta escolher um dos inúmeros restaurantes da região. Só na rua principal (a Main Bazaar Road) há dezenas deles com preços que variam entre R$ 2 e R$ 6 por pessoa. Os mais charmosos costumam ficar nos andares superiores dos prédios. Ande por lá olhando para cima, você terá uma idéia do que estou falando.

Resumindo, se você estiver sozinho e quiser realmente economizar, um quarto sai a R$ 10,00/dia, o transporte custará em média uns R$ 5,00/dia (entre metrô e riquixás) e as refeições diárias custarão outros R$ 5,00/dia. O total? Meros 20 reais!! Claro que você estará apertando bem o cinto mas a economia é possível. Para um pouco mais de conforto gasta-se perto do dobro mas aproveita-se melhor a cidade. E, claro, não estou considerando as compras nas lojas de artesanato, roupas e souvenirs da região que são sempre uma verdadeira tentação. Se estes gastos entrarem no bolo, aí desista de qualquer controle diário...