Lá e de Volta Conteúdo desconexo e aleatório…

27abr/091

Este blog está hibernando

Pelos próximos dois meses, atualizações por aqui serão muito remotas, talvez uma ou outra apenas e alguma exceção urgente. Tenho um mestrado a terminar e muita coisa por fazer ainda até chegar lá.

Voltamos às atividades normais no final de junho.

Obrigado pela compreensão,
Ricardo

22abr/092

Viajando com o Twitter

Eu ia escrever um texto longo aqui analisando o papel do Twitter [en], uma ferramenta classificada de micro-blogging [en] para envio imediato de pequenas atualizações de texto. No caso do Twitter, cada atualização é limitada por 140 caracteres e deve supostamente responder a uma simples pergunta: "O que você está fazendo?".

Mas como este blog é dedicado a viagens e como até o Fantástico já falou da ferramenta, me limito a dizer que também a uso a algum tempo. Na minha conta pessoal, escrevo em inglês praticamente o tempo todo. Na maioria das vezes trato de assuntos ligado a minha área de interesse profissional - Tecnologia da Informação. Por isto, criei uma conta para este blog. Nela as atualizações são em português e voltadas para temas ligados ao turismo e às viagens que faço. Você, claro, é muito bem vindo a me acompanhar nas duas se assim desejar!

Se você ainda não criou a sua, recomendo que faça [en]. Tem muita coisa acontecendo no Twitter e muita gente bacana escrevendo por lá. O Ricardo Freire, um dos maiores especialistas em turismo no Brasil, escreveu especificamente sobre as vantagens da ferramenta para os interessados no prazer de viajar. A Paula Bicudo já havia feito o mesmo antes. E, se você tiver dúvidas sobre como usá-lo, o Interney explica. O Interney, aliás, é provavelmente o usuário mais popular do Twitter no Brasil. Tratando de assuntos diversos, seguí-lo é uma diversão.

Faça bom proveito mas cuidado que o passarinho vicia! Nos vemos também no Twitter.

PS: O meu irmão, coautor deste blog (mas que anda meio sumido por estas bandas), também criou a conta dele ontem.

16abr/093

Fotos do Tata Nano

Vi ontem um Tata Nano pela primeira vez aqui na Índia. Não, eles ainda não estão circulando pelas ruas, mas aos poucos começam a ser exibidos nas concessionárias e em alguns shoppings como parte de promoções. Este que vi estava numa loja de departamentos do shopping mais luxuoso de Bangalore, o Forum Mall.

O bichinho estava lá, em uma tonalidade meio sem graça de branco, cercado de Indianos curiosos. Olhando assim, de perto, ele não é tão bonito. E parece frágil demais. É um carro bonitinho no melhor estilo feio arrumadinho.

Tata Nano de FrenteInterior do Tata NanoDetalhes da traseiraA minúscula roda

Perguntei a alguns dos Indianos o que eles achavam do carro e eles também não estavam muito convencidos do seu potencial. "Parece de brinquedo", respondia um. "Eu acho que este carro não dura dois dias nas ruas caóticas daqui", confirmava o outro.

Ainda assim, com preço tão convidativo, é possível que o carro se torne um sucesso. Como os primeiros só devem chegar às ruas em julho, é esperar para ver se a Índia terá uma invasão Nano ou não.

Confira mais fotos do carrinho no álbum de fotos.

15abr/090

A Decadência de Dubai (talvez tenha sempre existido)

Estive em Dubai ano passado e relatei aqui o esplendor que a cidade tenta mostrar ao mundo. A cidade é um verdadeiro playground de arquitetos e engenheiros. Naquela ocasião, apenas fiz um pequeno comentário sobre o péssimo tratamento dado aos funcionários das obras e incluí links para matérias com mais detalhes.

Recentemente, entretanto, uma matéria do The Independent foi muito mais além, e relata em detalhes a situação atual do emirado. Segundo o autor, Dubai está muito mais degradada e enfraquecida econômica e politicamente do que sua aparência nos saguões dos shoppings e aeroportos faz parecer.

Sheikh Mohammed transformou Dubai em uma Créditopolis, uma cidade inteira construída em dívidas. Dubai deve 107% de todo o seu PIB. A bolha já teria explodido se o emirado vizinho de Abu Dhabi, rico em óleo, não tivesse sacado seu cheque para ajudar. Mohammed diz que isto irá restringir a liberdade ainda mais. "Agora que Abu Dhabi dá as cartas - e eles são muito mais conservadores e restritivos que Dubai. Liberdade aqui irá diminuir todo dia." De fato, novas leis de mídia já foram rascunhadas proibindo que a imprensa reporte qualquer assunto que possa "prejudicar" Dubai ou "sua economia". Será que é por isto que os jornais estão distribuindo suplementos purpurinados falando dos "indicadores econômicos encorajadores"?

A reportagem é grande mas muito bem feita e detalhada. Revela absurdos que vem sendo praticados por lá e o tamanho imenso do problema que Dubai se tornou atualmente.

13abr/0912

A produção de software no Brasil e o porquê da Índia ser melhor

Ano passado um russo veio à Bangalore visitar o Instituto onde estudo, vindo de Vitória, ES, cidade onde morei praticamente toda minha infância. É isto mesmo. Fiquei tão impressionado com a coincidência que 3 horas em um restaurante próximo não foram suficientes para tanto assunto. O sujeito é pesquisador na Universidade de Berkeley (Califórnia) e conheceu a esposa lá. Ela é carioca, a propósito.

Obviamente a origem da esposa foi mais do que motivo suficiente para ele iniciar um trabalho de pesquisa no Rio. Não me recordo quanto tempo ele ficou na cidade, mas o foco do estudo era no entendimento da metodologia adotada pelos cariocas no processo de desenvolvimento de software. Por que o Rio? Bem, além do fato da esposa ser de lá, outro motivo, segundo ele, é que mais cidades no mundo podem ser comparadas ao Rio, ao contrário da grandiosa São Paulo, o que possibilita um uso mais diverso do resultado. Outro aspecto que ele considera curioso no Rio é a maneira como a cidade se coloca no mercado, à sombra de sua vizinha paulista.

Entre um arroz biryani e outro, ele me apresentou a sua visão do mercado brasileiro de software – bem interessante, por sinal. Por que, por exemplo, os brasileiros produzem software para o mercado interno enquanto a Índia fatura horrores com a exportação? Certamente a língua não é o principal fator. Segundo ele, o fato do software estar em português, o que implicaria em algum custo para tradução (principalmente se o software não foi originalmente projetado para várias línguas) não é (ou não deveria ser), de longe, o principal entrave à exportação. Vencido este primeiro obstáculo, são inúmeras as etapas a serem cumpridas para que o software possa ser comercializado internacionalmente. A língua é, literalmente, o de menos...

Mas então, por que não vendemos software lá fora?

A culpa é do nosso pequeno mercado e da maneira como as empresas brasileiras atuam nele. Ele é, na verdade, ao mesmo tempo uma benção e um calo no pé. É claro que o fato de possuirmos um mercado interno estimula a produção de software local e sem ele nossas atuais empresas provavelmente não existiriam. Entretanto, graças a ele também é que estas mesmas empresas acabam se acomodando: “O meu cliente está logo ali, para que ir mais longe?”.

Outra característica peculiar de nossas empresas de software está na relação com os clientes. Primeiro que elas nascem ou já com um cliente em mente ou pensando em arrumar um cliente. Raramente uma empresa de software no Brasil surge com um plano de negócios focado em um mercado para produzir software numa economia de escala. O foco da empresa no cliente está na natureza de nossas relações. Dificilmente negamos as solicitações dos clientes o que acaba resultando em versões customizadas de um mesmo produto para cada um deles. É mais ou menos como se a relação precisasse ser informal, em tom de amizade [en]. Parece familiar? Pois é, para mim também. Este comportamento acaba fazendo com que as empresas de software do Brasil aceitem praticamente todas as solicitações dos clientes, indo ao extremo de detalhar no software particularidades exclusivas de cada um se preciso.

Além disto, o nosso principal cliente, o governo, tem características muito distintas que exigem grande esforço e investimento na relação comercial. Este mesmo governo também dita o tipo de serviço prestado pelas empresas locais. Nas décadas de 80 e começo de 90, por exemplo, quando o governo impunha severas restrições à entrada de hardware no Brasil, houve uma demanda pela produção interna dele.

Este tipo incentivo tem grandes desvantagens. Primeiro que incentivar a produção de tecnologia em detrimento do uso, acaba favorecendo apenas um setor da indústria quando vários poderiam se beneficiar se o incentivo do governo estivesse no uso da tecnologia. Segundo que, no caso particular da produção de hardware, o mercado internacional é altamente competitivo e dominado por grandes empresas principalmente estabelecidas nos EUA.

Assim, quando se iniciou no Brasil um processo de abertura comercial, muitas das empresas de hardware brasileiras tiveram que encolher consideravelmente ou simplesmente fechar as portas. Com políticas mais recentes do governo, este quadro está se revertendo um pouco. De 2000 para cá é evidente o crescimento de nossa indústria de hardware e software.

No caso do mercado externo, entretanto, são duas razões principais para nossas pífias exportações: 1) lá fora as empresas de software brasileiras não conhecem ninguém, o que dificulta qualquer aproximação mais pessoal da maneira como fazemos no Brasil; e 2) elas muitas vezes não possuem o interesse pois o mercado brasileiro é aparentemente suficiente para elas....

Normalmente uma empresa brasileira inicia alguma operação no mercado internacional apenas quando a oportunidade bate a sua porta. Ou seja, se algum comprador internacional procurar a empresa brasileira, demonstrando bastante interesse, então a ela terá a motivação necessária para tal empreitada.

Como em toda regra, entretanto, esta também possui suas exceções. O melhor exemplo talvez seja a linguagem de programação Lua. Ela foi criada na PUC do Rio em 1993 e desde o seu nascimento foi projetada em inglês, para o mercado externo. Para se ter uma idéia, nem existe manual em português. Aliás, os melhores livros dela só são encontrados fora do Brasil e sem tradução para nossa língua. Segundo o site oficial, Lua é usada em várias aplicações de grande porte (por exemplo, o Adobe Photoshop Lightroom) e é a linguagem de script dominante na criação de jogos. Menos de 10% dos mais de 1300 assinantes da lista de discussão são do Brasil.

Para fechar, o meu amigo russo acha que os brasileiros das empresas de software são megalomaníacos (ele fala um bom português e literalmente usou esta palavra). São todos cheios de grandes planos, sonham em atingir o mercado internacional, mas pouco fazem na prática para tornar os sonhos concretos. É a perfeita justificativa, segundo ele, para que nosso país continue sendo o “país de futuro”, sem planos no presente.

***

O estudo do pesquisador ocorreu essencialmente no Rio de Janeiro. Embora alguma extrapolação seja possível, a generalização oculta outros padrões que se destacam principalmente em algumas regiões do Sul do Brasil, em São Paulo, e em Recife. Ainda assim, estamos muito atrás da Índia na indústria de software. Temos grandes empresas mas a maioria ainda é estrangeira (inclusive as Indianas Wipro e Satyam) e que só agora começam a se organizar para tornar o país competitivo. O resultado deste individualismo e falta de pró-atividade é um mercado menor que a metade do mercado Indiano (cerca de US$ 20 bilhões em comparação aos US$ 50 bi Indianos), com déficit na balança comercial, e  ainda bastante dependente do governo para se sustentar.

Para mais informações:

8abr/099

O hinduísmo e o tratamento dado a clientes e turistas na Índia

Muito da cultura e da conduta dos Indianos é fundamentada nos ensinamentos do Hinduísmo, passados de geração em geração, e que deram origem aos Vedas [en]. Os Vedas são uma das primeiras formas de literatura em sânscrito, estão entre os textos sagrados mais antigos (algo entre 1500 AC e 500 AC), e certamente são os mais antigos do Hinduísmo. Os textos formam volumes extensos de livros e tratam das divindades e seus diversos aspectos, práticas religiosas, lendas, e tradições da época. Muitos defendem que o hinduísmo não é uma religião na definição atribuída ao Catolicismo, Islamismo, e Judaísmo, as três maiores e mais influentes religiões monoteístas. E de fato, o hinduísmo é muito mais governado por códigos de conduta (tendo as divindades como exemplos) do que pela adoração a um deus onipotente e onipresente.

Neste sentido, faz parte desta tradição o respeito aos hóspedes ou clientes. No Taittiriya Upanishad, um dos mais antigos Upanishad (escrituras Hindus do Vedanta [en], uma reinterpretação dos Vedas), um verso [en] em particular trata do respeito à família e aos hóspedes: "Matru devo bhava, Pitru devo bhava, Acharya devo bhava, Atithi devo bhava" (tradução literal minha, do Inglês: Uma pessoa deve respeitar Mãe, Pai, Professor, e Hóspedes como respeitam Deus).  “Atithi” significa literalmente hóspede (“um visitante que não possui data fixa de chegada ou partida” já que o termo “hóspede” não existia) e “devo” significa deus em sânscrito.

De fato, nos círculos familiares é impressionante o respeito e o cuidado com que os Indianos tratam uns aos outros. Fora destes, entretanto, a falta de educação impera: Não há respeito à propriedade pública nem às pessoas desconhecidas, principalmente estrangeiras. Ao contrário, o que mais se vê são abusos de todos os tipos contra os turistas. Ciente deste problema, o governo Indiano lançou uma campanha em 2005, intitulada “Atithi Devo Bhavah” [en], para incrementar o turismo no país e melhorar a sua imagem com os visitantes (ou “hóspedes” e "clientes" de seu país).

Segundo a campanha, a Índia recebeu 3,3 milhões de turistas estrangeiros em 2004 enquanto Singapura, Tailândia e Malásia receberam respectivamente 6,6, 9,6 e 11,5 milhões de turistas no mesmo ano. Para o governo, a Índia perdeu o senso de hospitalidade pelo qual sempre foi famosa e a campanha tenta reverter este quadro, alertando a sociedade para que sejam mais respeitosos, íntegros, amigáveis e honestos com os turistas. E para mostrar que não está brincando, recentemente o governo convocou um dos atores mais famosos e carismáticos da Índia, Aamir Khan, para ser embaixador da campanha [en].

Entretanto, se os números de 2006 [pdf en] e a minha experiência aqui na Índia até o momento servem de indicativo, os resultados não têm sido tão expressivos assim como o governo gostaria.  Naquele ano a Índia recebeu 4,4 milhões de turistas, um aumento de 33% em relação a 2004. Em comparação, Singapura, Tailândia e Malásia receberam em 2006 respectivamente 7,6, 13,9, e 17,5 milhões de turistas. Um aumento de 15%, 44% e 52% respectivamente. Apenas Singapura teve um crescimento menor. A distância entre as intenções do governo e a atitude do povo Indiano ainda continua muito grande.

Até mesmo Gandhi falava disto desde o século XIX e hoje uma de suas frases estampa quadros em agências bancárias [en], hotéis, e outros tipos de estabelecimentos, quase como um objeto de arte ficcional já que a realidade ainda é bem diferente. Dizia ele num discurso em 1890 (embora muitos sites, inclusive do governo Indiano, atribuam este texto à Gandhi, a fonte não pôde ser comprovada):

“A customer is the most important visitor on our premises. He is not dependent on us. We are dependent on him. He is not an interruption of our work. He is the purpose of it. He is not an outsider to our business. He is part of it. We are not doing him a favour by serving him. He is doing us a favour by giving us the opportunity to do so.”

Tradução livre minha:

“Um cliente é o mais importante visitante em nossas premissas. Ele não é dependente de nós. Nós somos dependentes dele. Ele não é uma interrupção de nosso trabalho. Ele é o propósito dele. Ele não é um intruso nos nossos negócios. Ele é parte dele. Nós não estamos fazendo um favor ao servi-lo. Ele está nos fazendo um favor ao nos dar a oportunidade para tal.”

É uma pena pois o potencial turístico da Índia é enorme [en] mas muitos ainda não se dão conta disto. Eles continuam tentando explorar os turistas (e clientes de todas as formas e de maneira geral) como se todas as pessoas de fora de seus respectivos círculos familiares fossem enormes carteiras de dinheiro ambulantes.

3abr/090

Álbum de Fotos de Paris

Acabei de criar um álbum de fotos de Paris. Os meus relatos sobre a cidade estão divididos em 3 partes: Les Mureaux, Paris, e Museu do Louvre.

1abr/097

Na Índia, tudo é (supostamente) melhor

Vendedor Indiano

Sujeito tentando vender os melhores colares Indianos, num mercado em Mysore

- Senhor, que tal comprar este excelente frasco de fragrância de tâmaras? É o melhor da Índia.

(Perplexo com a ridícula oferta, respondo com meu silêncio. Na Índia, mesmo que esteja interessado em comprar algo, dissimule. Mostre-se desinteressado. Blasé, até.)

- Senhor, que tal comprar este excelente frasco de fragrância de tâmaras? É o melhor da Índia.

(O sujeito solícito repete a oferta fingindo achar que não a ouvi da primeira vez.)

- Senhor? Custa só 1000 rúpias o frasco. Esta é a melhor oferta que você irá encontrar.

(Qualquer oferta inicial será absurda e, claro, a melhor. Continuo ignorando o sujeito, até aqui sequer olhei para ele na esperança que me deixe em paz.)

- Senhor, apenas dê uma olhada. Sinta o aroma. Estas fragrâncias são as mesmas usadas pelas grandes marcas francesas... L'Oreal, Dior, Armani, Ralph Lauren... Senhor?

(Ralph Lauren não é uma marca americana? O discurso, claro, é decorado. E ô sujeitinho chato. E este é só um dos inconvenientes dos mercados Indianos.)

- Senhor, está bem, especialmente para você, faço um preço especial. 600 rúpias!

(Sem que eu dissesse uma única palavra, o indivíduo decide me dar 40% de desconto! Claro, este é o melhor perfume, todo mundo quer pagar menos por ele...)

- Senhor, pessoas do mundo todo compram comigo.
- Não, obrigado. (Decido apelar, começando a falar curto e a andar rápido.)
- Senhor, apenas sinta o aroma, sem compromisso.
- Não.
- 500 rúpias então.
- Não.
- Senhor, eu tenho outras fragrâncias também.
- Não.
- E o seu amigo, não estaria interessado?
- Não.
- Você é francês, certo? Tenho certeza que sua mãe, irmã, tia, etc. vão adorar este presente...

(Esta também é clássica. Os Indianos adoram tentar adivinhar o seu país e então utilizar alguma estratégia mais específica. Alguns decoram poucas palavras no idioma, outros guardam cadernos com fotos e textos de pessoas daquele país. Eu, claro, continuo tentando sair dali o mais rápido possível.)

- Não, obrigado.
- Espanhol? Italiano? Americano? Alemão?
- Não, não, não, e não! Meu caro, eu realmente não quero comprar nada de você!
- Mas senhor, este é o melhor perfume da Índia e estou fazendo um preço especial para você. Só 300 rúpias

(Agora já tenho 70% de desconto. Se eu quisesse realmente comprar o produto, certamente de qualidade duvidosa, este seria o momento de fazer uma oferta ainda um pouco mais barata e comprá-lo. Ainda assim provavelmente estaria pagando caro. Mas como não é este o caso...)

- Não, obrigado. Eu realmente não quero nada...

E enfim ele desiste. Ou mais ou menos. O vendedor ainda fica por perto alguns minutos na esperança que eu mude de idéia de uma hora para outra, depois de tanta insistência da parte dele. Parece abutre e sua ronda em torno de um animal prestes a sucumbir. Claro que eu deveria mudar de idéia, afinal aquele era o melhor perfume, vendido pelo melhor preço!

***

Vender/ser/ter/etc. supostamente o melhor não é privilégio Indiano (embora acredito que o infortúnio na Índia seja maior). Por todo mundo, pessoas insistem neste artifício barato de marketing e tratam logo de anunciarem-se pavões. Na Internet a história também é a mesma: Impressionante como existem pessoas que escrevem os melhores textos...