Na Índia, tudo é (supostamente) melhor

Sujeito tentando vender os melhores colares Indianos, num mercado em Mysore
- Senhor, que tal comprar este excelente frasco de fragrância de tâmaras? É o melhor da Índia.
(Perplexo com a ridícula oferta, respondo com meu silêncio. Na Índia, mesmo que esteja interessado em comprar algo, dissimule. Mostre-se desinteressado. Blasé, até.)
- Senhor, que tal comprar este excelente frasco de fragrância de tâmaras? É o melhor da Índia.
(O sujeito solícito repete a oferta fingindo achar que não a ouvi da primeira vez.)
- Senhor? Custa só 1000 rúpias o frasco. Esta é a melhor oferta que você irá encontrar.
(Qualquer oferta inicial será absurda e, claro, a melhor. Continuo ignorando o sujeito, até aqui sequer olhei para ele na esperança que me deixe em paz.)
- Senhor, apenas dê uma olhada. Sinta o aroma. Estas fragrâncias são as mesmas usadas pelas grandes marcas francesas… L’Oreal, Dior, Armani, Ralph Lauren… Senhor?
(Ralph Lauren não é uma marca americana? O discurso, claro, é decorado. E ô sujeitinho chato. E este é só um dos inconvenientes dos mercados Indianos.)
- Senhor, está bem, especialmente para você, faço um preço especial. 600 rúpias!
(Sem que eu dissesse uma única palavra, o indivíduo decide me dar 40% de desconto! Claro, este é o melhor perfume, todo mundo quer pagar menos por ele…)
- Senhor, pessoas do mundo todo compram comigo.
- Não, obrigado. (Decido apelar, começando a falar curto e a andar rápido.)
- Senhor, apenas sinta o aroma, sem compromisso.
- Não.
- 500 rúpias então.
- Não.
- Senhor, eu tenho outras fragrâncias também.
- Não.
- E o seu amigo, não estaria interessado?
- Não.
- Você é francês, certo? Tenho certeza que sua mãe, irmã, tia, etc. vão adorar este presente…
(Esta também é clássica. Os Indianos adoram tentar adivinhar o seu país e então utilizar alguma estratégia mais específica. Alguns decoram poucas palavras no idioma, outros guardam cadernos com fotos e textos de pessoas daquele país. Eu, claro, continuo tentando sair dali o mais rápido possível.)
- Não, obrigado.
- Espanhol? Italiano? Americano? Alemão?
- Não, não, não, e não! Meu caro, eu realmente não quero comprar nada de você!
- Mas senhor, este é o melhor perfume da Índia e estou fazendo um preço especial para você. Só 300 rúpias
(Agora já tenho 70% de desconto. Se eu quisesse realmente comprar o produto, certamente de qualidade duvidosa, este seria o momento de fazer uma oferta ainda um pouco mais barata e comprá-lo. Ainda assim provavelmente estaria pagando caro. Mas como não é este o caso…)
- Não, obrigado. Eu realmente não quero nada…
E enfim ele desiste. Ou mais ou menos. O vendedor ainda fica por perto alguns minutos na esperança que eu mude de idéia de uma hora para outra, depois de tanta insistência da parte dele. Parece abutre e sua ronda em torno de um animal prestes a sucumbir. Claro que eu deveria mudar de idéia, afinal aquele era o melhor perfume, vendido pelo melhor preço!
***
Vender/ser/ter/etc. supostamente o melhor não é privilégio Indiano (embora acredito que o infortúnio na Índia seja maior). Por todo mundo, pessoas insistem neste artifício barato de marketing e tratam logo de anunciarem-se pavões. Na Internet a história também é a mesma: Impressionante como existem pessoas que escrevem os melhores textos…
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Category: Índia | Tags: Compras, Idiomas, Marketing, Mercado, Mysore 7 comments »
abril 1st, 2009 at 10:44
Um texto mais literário, mais agradável de ler, engraçado e bastante informativo? Estou na dúvida se considero isso uma vitória, e te dou os parabéns ou se continuo a “disputinha” pra te incentivar a escrever mais nesse estilo!
abril 1st, 2009 at 18:44
That is indeed wonderful that u dn’t fall into there trap!But that’s the only way for them(subject) to earn
abril 2nd, 2009 at 01:27
@Osias, eu até gosto de escrever neste estilo também. Mas narro histórias mais descritivas porque gosto muito mais dos detalhes. Gosto de explorar os links de um assunto em particular e ir mas afundo nele. A narrativa deve ficar mais chata mesmo mas pelo menos fica um registro detalhado de viagem que para mim é importante.
@rek, it’s not necessarily true that this is their only way. They as individuals can start by changing their attitudes by more polite, and less invasive and unscrupulous. I agree must of what they do is rooted in the Indian society and that many foreigners encourage their behavior by buying from them. It has become an institutionalized self-reinforcing loop that is hard to change.
Besides individual changes (which you see in some sellers and stores and I typically buy from them), the only other way I see to change this is through government action such as in http://www.incredibleindia.org/newsite/atithidevobhava.htm or by investing in education.
abril 2nd, 2009 at 09:14
Sim você está certo! Realmente é uma individual.Its não depende de que estas “matérias” estão enraizadas no Índico society.You onde pode encontrá-los todos no mundo:)
abril 2nd, 2009 at 12:55
De fato, assim como no Brasil também se encontra:
http://claudinhaf.blogspot.com/2009/04/spam-de-rua.html
abril 2nd, 2009 at 17:50
Yeah thats everywhere!We cannot help them much except there willingness to change there attitude.And above everything education is must.Between thanks for understanding my typo mistakes in the previous comment
abril 18th, 2009 at 13:03
Ei…vou cobrar direito de uso de imagem, viu? hehehe
Bjs