Lá e de Volta Conteúdo desconexo e aleatório…

18mai/090

Eu voltei! (Ou quase…)

Olá pessoal!

Sei que estou há quase 1 ano sumido aqui do blog e, ainda que eu não esteja pronto para voltar, pelo menos venho lhes dar uma satisfação e dizer o que vem por aí – mas repito, ainda que não saiba quando “aí” se traduzirá.

Fato é que, desde a minha ultima postagem sobre Paris, minhas viagens tem sido muito mais internas. E não digo dentro da Dinamarca, pois estou no Brasil desde o natal de 2008, mas me conhecendo melhor. Soma-se a isso o fim do meu 3º semestre, o início da minha tese de mestrado, e algumas aulas de inglês. Atividades que tomaram e estão tomando bastante tempo. Por fim, estou escrevendo um blog em inglês (Innovation Tool) para tentar agregar discussões sobre a minha tese. Ainda bem no início no entanto.

Ainda na Europa, depois de Paris, tive a oportunidade de visitar Amsterdã, Ultrecht (uma cidadezinha holandesa onde mora um grande amigo), Copenhaguem (onde finalmente fui depois de 1 ano morando na Dinamarca), Praga, e uma rápida passagem por Hamburgo. Locais incríveis sem dúvida, que pretendo ainda contar para vocês. Depois de minha chegada ao Brasil estive no Rio de Janeiro depois de 5 anos para reencontrar pessoas que gosto tanto – e que me cobraram bastante essa volta aqui.

Devagar eu vou aparecendo.

Beijos e abraços!

11mai/092

Entrevistando Candidatos ao Mestrado do IIIT-B

Na semana que passou, entrevistei quase 30 candidatos ao mestrado do IIIT-B. As entrevistas fazem parte do processo de coleta de dados da minha tese. O objetivo é entender como a tecnologia da informação (TI) faz parte da educação destes candidatos e de que maneira ela contribui (ou atrapalha).

Sem entrar em detalhes do que trata minha pesquisa, foi interessante entrevistar estes jovens com idade entre 18 e 22 anos. Eles estiveram no IIIT-B para as entrevistas de admissão (de 600, apenas 150 serão selecionados) e aproveitei para abordá-los logo que saíam das mesmas. Praticamente todos tinham o olhar assustado e perdido num futuro ainda incerto que tentavam projetar. Estavam bem arrumados dentro do que permitia a concepção de cada um e foram bem receptivos quando eu pedia 10 minutos para mais algumas perguntas de minha parte.

Praticamente todos buscavam o programa de mestrado para conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho. Os que tinham alguma experiência profissional, ganhavam em torno de R$ 1.000/mês. E todos esperavam ganhar pelo menos o dobro depois que concluíssem o mestrado. Sobre este assunto, aliás, alguns me entrevistavam mais do que eu a eles. Queriam saber como era o programa de colocação em empresas (assunto que já foi tema aqui no blog), quais eram as empresas participantes, o percentual de alunos que entrava, e como estava o processo diante da crise.

A crise é assunto recorrente aqui também. A preocupação é que efeitos de crises passadas se repitam nesta, contribuindo para salários reduzidos por décadas. Segundo alguns estudos, alunos que entram no mercado de trabalho em tempos de crise tendem a ganhar 8% menos no primeiro ano em comparação a alunos formados em anos de fartura. Os efeitos permanecem por décadas e podem chegar a uma diferença de até US$ 100.000 em um período de 18 anos.

Isto explica em parte a tensão no semblante dos candidatos. A outra parte é que muitos têm em mãos não só a possibilidade de estudar no IIIT-B mas também em outros institutos ou de optar por uma oferta de emprego. Pesa muito na decisão de cada um a opinião do pai (a mãe conta pouco nesta sociedade ainda muito machista), e a possibilidade de ganhos no curto prazo. Poucos realmente se importam em fazer o que gostam e estudar por desejar. E não é necessariamente por uma visão míope deles próprios que fazem isto. É porque não há outra opção mesmo.

Tornar-se um profissional de TI reconhecido é provavelmente uma das poucas chances que estes jovens tem de melhorar de vida. E o mestrado em um instituto de prestígio é considerado o único caminho para a maioria deles.