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15nov/098

Não há ciclovias em Vitória

Hoje, de bicicleta, dei a volta na parte continental de Vitória. Do Carrefour, na Reta da Penha, vou até a Praia do Canto e cruzo a ponte Ayrton Senna. De lá, sigo até o final de Camburi pela praia e, em seguida, entro em Jardim Camburi pela Avenida Gelo Vervloet Santos, contornando o Aeroporto Eurico Salles.  Vou até o Hospital Vitória-Apart, já na Serra, e desço até chegar na Avenida Fernando Ferrari retornando assim à Vitória. Finalmente, percorro toda esta Avenida, passando pela Universidade Federal e cruzando a ponte da passagem, até chegar novamente ao Carrefour.

Ao todo são pouco mais de 18 Km em praticamente uma hora. É um trajeto bonito com vistas para a praia de Camburi, o Convento da Penha, o monte Mestre Álvaro, e a nova Ponte da Passagem. Teria sido perfeito se não fosse pela qualidade das ciclovias – quando elas existem. As únicas exceções estão na ciclovia da praia de Camburi e em um pequeno pedaço da ciclovia da Avenida Fernando Ferrari. Na primeira, o trajeto de pouco mais de 4 km é bem sinalizado e adequado para a mão dupla de bicicletas. Na segunda, num trecho de pouco mais de 1 km ao passar pela Universidade, não há sinalização mas o asfalto é bom e a ciclovia bem protegida de pedestres e carros.

Volta na parte continental de Vitória
(Mapa aproximado do percurso. As partes em azul são as que possuem boas ciclovias. Em vermelho as partes com ciclovias ruins e em preto onde não há ciclovia.)

Mas estes dois trechos são exceções. Nas outras partes onde existem ciclovias, não há sinalização ou conservação. Existem também vários desníveis e o percurso muitas vezes se confunde com o espaço para pedestres. Além disto, quase metade dos 18 km não possui nenhuma ciclovia e o ciclista é obrigado a disputar espaço com os carros nas ruas ou com pedestres nas calçadas. Muito pior é constatar que praticamente toda a cidade de Vitória encontra-se sem ciclovias e a prefeitura não parece demonstrar interesse nelas.

Dois exemplos recentes reforçam esta impressão. O primeiro é o da nova Ponte da Passagem. Não há ciclovia nela. O improviso dado pela prefeitura obriga o ciclista a passar por baixo do viaduto em frente à Universidade, em uma curva muito perigosa, para cruzar o canal pela ponte antiga. Depois, é obrigado a cruzar a avenida novamente, agora já na própria via porque não existe ciclovia na Reta da Penha, para respeitar a lei de trânsito e se manter no sentido dos carros. O segundo exemplo é ainda mais recente. A XX Feira do Verde, que começou no dia 10 e termina hoje, não reservou espaço para ciclistas. Parece que nem pensou neles. Não é permitida a entrada de bicicletas e não há bicicletários com segurança do lado de fora para deixá-las. Quer saber mais sobre o meio-ambiente e aprender a respeitá-lo? Vá de carro, claro.

Ponte nova, sem espaço para bicicletas
(Projeto da nova Ponte da Passagem. Alguém vê alguma bicicleta?)

Há relatos similares de problemas não apenas na Capital mas em toda Grande Vitória por pessoas participantes do movimento Bicicletada. Parece-me que existe um ciclo vicioso em curso que ainda não foi quebrado: As pessoas não tem consciência da importância da utilização da bicicleta como meio de transporte e as prefeituras corroboram esta visão ao priorizar carros nos investimentos no trânsito.

Já passou da hora de mudarmos isto!

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Comentários (8) Trackbacks (0)
  1. É Ricardo… é complicado.
    Não bastasse as vias já executadas não terem espaço reservado para bicicletas, as que estão em planejamento continuam com a mesma mentalidade atrasada.
    Essa demagogia incrível às vezes faz a gente perder um pouco da esperança no nosso Brasilzão, apesar de amá-lo tanto.

  2. Marcelo
    Novembro 16th, 2009 at 06:05

    E o pior (ou o melhor, vcs decidam) é que existem alternativas rápidas, fáceis e baratas para se reservar espaços para bicicletas nas vias públicas. Basta redistribuir as faixas dos carros para incluir uma faixa em torno de 1 metro na margem direita da via. Aqui na Dinamarca, ninguém estranha que por vezes as bicicletas trafegam entre os carros para fazerem curvas à esquerda por exemplo.

    No entanto, um dos problemas, é que no Brasil as faixas exclusivas para se virar à esquerda ou à direita também não são respeitadas. Usa-se carro, e usa-se carro de maneira egoísta, desrespeitando os demais usuários da via pública (outros motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres).

    Enfim, acho que o problema não é só “falta de ciclovia”. O exemplo da feira do verde é claro: o problema é falta de consciência. E falta entender que “público” não significa “meu”, e sim “nosso”.

  3. @Tiago: Esperança eu não perco. Acho que o primeiro passo é a mobilização em torno de uma causa. No caso das bicicletas, o movimento Bicicletada é um ótimo começo que me faz ter mais esperanças no país.

    @Marcelo: Concordo contigo. Mas comparar com a Europa (principalmente os nórdicos) é covardia. Ontem, lendo mais sobre o assunto, encontrei um texto relatando a situação das bicicletas em cidades pelo mundo, e como São Paulo poderia se beneficiar destas experiências. Ele mesmo fala dos muitos e impecáveis exemplos europeus e acaba citando Bogotá como um bom exemplo a ser perseguido, estando mais próximo de nossa realidade: http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/cidade/as-cidades-e-as-bicicletas/.

  4. Infelizmente essa é uma realidade não só de Vitória, mas de boa parte do nosso país, mas não podemos perder a esperança e nem a motivação de manifestar!

  5. Bela aventura, Ricardo.
    Acho que diante de cada situação como esta, de descaso dos poderes públicos ao que a população quer em tempos de mudanças climáticas e deterioração do ambiente social, a melhor metodologia é o da juventude da zona sul do Rio com relação à Lapa.
    Essa, de uma das mais inseguras regiões do Rio, hj é cartão postal da alegria e de muita festa. Como? Foi sendo gradativamente invadida por quem se cansou de ser prisioneira da insensibilidade de personalidades públicas.
    Façamos algo semelhante: invadamos as ruas de Vitória com nossas bicicletas, caminhemos pelas calçadas, peguemos mais onibus. Além da insensbilidade de muitss de nossas ‘autoridades’ vamos ter que enfrentar os risinhos cínicos de coleguingas da classe média, apaixonados pelo objeto de desejo automóvel…
    Mas devagarinho a gente vai conquistando mais e mais adeptos.
    Belo final de domingo,
    Arlindo

  6. Olá ricardo,
    Achei interessante a sua experiência e o relato.
    Acho que isso me remete à uma questão antiga: como eu me relaciono e interajo com a minha cidade? Qual o meu grau de intimidade com ela?
    Espero poder participar da pedalada dia 18
    Abração

  7. Obrigado a todos pelas mensagens. De fato, invadir a cidade com nossas bicicletas parece ser a melhor maneira de chamarmos a atenção necessária para soluções.

    É aos poucos, num trabalho de formiguinha, principalmente dando o exemplo.

  8. Realmente é triste essa situação moro em Vitória e realmente é bem complicado.


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