Archive for março 2010


Telefonia ruim no Brasil – O problema dos incentivos errados

março 31st, 2010 — 1:30pm

Fico me perguntando porque a telefonia no Brasil é tão ruim assim. E quando digo ruim, digo muito ruim mesmo. Não é por acaso que praticamente todas as empresas de telefonia celular e fixa no Brasil estão no topo de rankings de reclamação do Procon ou de sites como o Reclame Aqui. E como se não bastasse serem as piores prestadoras de serviço do  Brasil, estes serviços são também um dos mais caros do mundo!

Em um relatório [pdf em inglês] divulgado no dia 23 de fevereiro de 2010 pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), uma tabela lista o ranking de países de acordo com o custo da banda larga, e telefonia fixa e móvel em relação à paridade de poder de compra per capita da população. Nesta lista, o Brasil amarga a posição 87 de um total de 161 países avaliados. Temos serviços de telefonia e banda larga mais baratos apenas que os mais pobres países da África, da América do Sul e Central, e do leste europeu (Mais informações em português).

É caro e ruim, pois. Mas por que? Para mim tem a ver com os incentivos econômicos que definem, de fato, as atuais regras do jogo. Os incentivos das operadoras para os clientes moldam a maneira como estes últimos adquirem serviços de telefonia. E os incentivos (ou desincentivos) do governo definem como as operadoras se portam no mercado, e a maneira como elas oferecem os incentivos aos clientes.

Estou vendo o problema sob a ótica de um arcabouço institucional. Instituições, aqui, não são propriamente empresas ou o governo mas as “regras do jogo” [inglês] . Instituições formais são aquelas em forma de leis, por exemplo, e as informais são as regras implícitas de uma sociedade, como códigos de conduta. Sem perceber, somos o tempo todo movidos por estas instituições. No trânsito, por exemplo, há regras formais nos dizendo como conduzir o veículo (as leis de trânsito) mas também as informais como evitar a buzina, ter a cortesia de dar a passagem, etc.

Assim, através de instituições, é possível alterar a maneira como nos comportamos em sociedade. Por exemplo, aumentar os impostos para carros e baratear o transporte público pode fazer com que as pessoas deixem seus carros em casa com mais frequência, e campanhas de educação no trânsito podem torná-lo mais agradável. De maneira formal ou informal, o governo pode trabalhar para mudar as regras do jogo no trânsito.

Como no caso do trânsito, instituições definem a maneira como mercados funcionam. Mas não é tão simples quanto parece entendê-las ou modelá-las, seja qual for o objetivo. Primeiro que as instituições informais nem sempre são tão óbvias e variam de uma sociedade para outra. Assim uma mesma regra formalmente definida pode não funcionar em todas as sociedades por conta das regras informais. Segundo que não é possível criar regras infalíveis. Como já citei antes aqui no blog,

“(…) até nos casos onde o arcabouço institucional contribui para capturar mais ganhos com comércio em relação a frameworks passados, ainda assim vão existir incentivos para trapaças, passageiros clandestinos, etc. que contribuirão para as imperfeições do mercado. Dadas as características comportamentais dos seres humanos, simplesmente não há nenhuma forma de se elaborar instituições capazes de resolver os complexos problemas inerentes às transações e ao mesmo tempo se ver livre de incentivos incompatíveis.” Douglass North (1990, p. 108)

Por isto, os incentivos em prática no mercado de telefonia devem ser revistos com cuidado. Na próxima e última parte desta série trato de algumas possibilidades.

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Miscelânea de Domingo

março 28th, 2010 — 10:30am

Telefonia

Separação entre redes de telefonia e serviços é prevista em lei desde 1997 – O tão discutido “unbundling” deveria ter ocorrido desde àquela época. Porém, “a desagregação de redes não surtiu efeito porque as concessionárias acharam [os] preços muito baixos e uma das concessionárias reclamou das regras da cessão da estrutura de redes.” Só que há exemplos de sucesso contra esta defesa das concessionárias e já passou da hora do Brasil dar esta passo em favor do consumidor e do desenvolvimento tecnológico.

Entrevista – Telecom: por que é tão ruim? – Discutirei este artigo no post da próxima quarta-feira. Para o ex-diretor da Embratel, da Telebrás e da Telesp, dos sistemas de celulares da Nortel, e ex-presidente da Lucent e da Vésper, há vários problemas no setor, inclusive a falta do “unbundling”, que torna as telecomunicações no Brasil cara e ruim.

Desenvolvimento de Software

Why Can’t Programmers… Program? [en] – Por que programadores não conseguem… Programar? Jeff Atwood contribui para uma discussão recente sobre a falta de programadores aptos a escrever até os mais simples programas em entrevistas de emprego.

Toyota’s journey from Waterfall to Lean software development [en] – A Toyota, quem diria, não usava (e ainda não usa por completo) seus princípios de produção, conhecidos como Toyotismo, em seus processos de desenvolvimento de software. Ao contrário, durante várias décadas eles mantiveram (com sucesso, vale destacar) o uso do modelo em cascata, tão criticado por quem adota práticas mais modernas e estuda o assunto.

The socialist state of ThoughtWorks [en] – Um pouco sobre Roy Singham, fundador e atual presidente do conselho da ThoughtWorks, empresa na vanguarda do movimento de práticas ágeis para o desenvolvimento de software. Roy se diz socialista, gosta do Hugo Chavez e do modelo de governança da China, ao mesmo tempo em que gera lucros recordes todos os anos em sua empresa.

Outros

Rastreio de satélites em tempo real – Veja a posição dos satélites e da estação espacial em tempo real. Dá para se programar e ver a estação cruzar o céu em diversos pontos do Brasil.

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Paródias – Eu só quero é ser Jedi

março 26th, 2010 — 8:23am

Eu tenho um amigo que poderia escrever sobre quase tudo o que você puder imaginar. Pense em temas tão díspares quanto computação quântica, quadrinhos, política, línguas (das mais comuns às mais raras), e telenovelas. A riqueza de conteúdo na cabeça do sujeito é tremenda. Com tanto recurso em seu poder, creio que ele seria capaz de conquistar a paz mundial ou fazer a Globo parar de exibir o BBB.

Mas apesar de todo este potencial, ultimamente ele resolveu publicar coisas assim:

Eu só quero é ser Jedi
Andar tranquilamente no deserto em Tatooine
É!

E poder me orgulhar
Que eu não sou escravo
E que meu nome é Anakin

(Fé na Força, DJ!)

Mas eu só quero é ser Jedi
Jedi
Jedi
Em Tatooine
Éééé!

(repete um bocado)

E assim (em ritmo de Banda Eva):

Sou Han Solo e você seráaaaaaa
Minha princesa Léia!
(Léia!)
O nosso amor na última astronave
(Léia!)
Além de Dagobah eu vou voar
Sozinho com você

E ele promote mais em seu feed do Google Reader.

Embora devamos apreciar o alto valor poético e estilo único do autor, é impossível não nos perguntamos a origem meta-cognitiva destas pérolas. Coisa de gênio incompreendido.

PS: Nunca pensei que um dia iria colocar o conjunto de tags abaixo juntas em um mesmo post.

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Os problemas do software livre

março 24th, 2010 — 12:30pm

O software livre também tem a sua fatia de problemas exclusivos, que não são encontrados no software proprietário. Existem pelo menos quatro deles que precisam ser destacados para que produtores e consumidores possam se beneficiar mais e melhor dos softwares que, respectivamente, produzem e usam. Isto porque software livre, por si só, não é solução para nada. Para o desenvolvedor, ele precisa ser entendido como uma modalidade de desenvolvimento, e para o usuário como uma alternativa para aquisição.

Primeiro, software livre não te dá, necessariamente, livre acesso ao código fonte. Nem mesmo para vê-lo. Muitas vezes você precisa ser parte da comunidade de desenvolvedores de uma organização para poder ter acesso ao código. E mesmo que você seja um membro da equipe de desenvolvimento do, digamos, Firefox, isto não te dará o direito de mudar o código ao seu bel prazer. Software livre não significa desenvolvimento livre.

Muito pelo contrário, a maioria dos grandes e mais interessantes projetos possui toda uma hierarquia definida na equipe e modularização do código. Se por um lado esta divisão e controle garante maior eficiência ao desenvolvimento, por outro, torna o processo mais rígido e menos prazeroso, obrigando programadores a muitas vezes trabalhar em tarefas que não gostariam. Veja, por exemplo, a história de Con Kolivas, ex-desenvolver do núcleo do Linux e que parou de contribuir porque cansou de ter suas contribuições rejeitadas. Como consequência, todo software livre possui sempre o risco potencial de se dividir, o chamado ‘fork’. Em outras palavras, um mesmo projeto pode se transformar em dois ou três porque alguns programadores não estão satisfeitos e preferem criar uma nova continuação do projeto a suas maneiras.

Outro problema deste tipo de controle é a estratégia de algumas empresas em iniciar um projeto de software livre para atrair desenvolvedores e baratear seu custo de desenvolvimento. Depois, com um software um pouco mais robusto e bem acabado, esta mesma empresa fecha o projeto e torna-o proprietário. Nem sempre é possível reaver o código fonte depois que isto ocorre e os programadores que haviam contribuído para o código ficam a ver navios. Assim, seja  porque um grupo de programadores dividiu o projeto ou porque uma empresa fechou seu código, os usuários de software livre correm sempre o risco de ficarem desamparados da noite para o dia.

Segundo, software livre não é software gratuito. Este é um erro muito comum mas que pode ter graves consequências. O Google, por exemplo, tem um discurso muito bonito de uso de software livre. Mas a maioria de seus principais produtos e serviços não são livres, são gratuitos. O conceito de livre é uma questão de liberdade. Deve ser pensado como em “liberdade de expressão”, não em “cerveja grátis”.

Não é possível nem ao menos ver o código fonte do Gmail, do Google Reader, Google Docs, do mecanismo de busca, dentre tantos outros produtos da empresa. Não temos esta liberdade. Pior, os dados dos usuários ficam nos servidores do Google e não nos computadores dos usuários. Para Richard Stallman [en], fundador da Free Software Foundation (Fundação para o Software Livre), “a computação na nuvem é uma armadilha (…) O conceito de usar programas na web como o Gmail do Google é pior que a estupidez.” Isto porque, em tese, não dá para simplesmente copiar os seus e-mails do Gmail de uma pasta para outra como você faria se estivesse usando um programa instalado no seu computador. É preciso toda uma sequência de passos para que você possa mover os seus e-mails para outro provedor. E, pior, você não tem como saber de fato o que uma empresa como o Google está realmente fazendo com seus dados.

Ter a liberdade de fazer o que quiser com o código-fonte de um software não significa que será possível usufruí-la. A maioria dos usuários não o faz (nem se importa) e apenas usa o software livre que também é grátis. Para ter a liberdade de alterar o código é preciso entendê-lo e/ou custear uma equipe ou uma empresa terceira para mantê-lo atualizado e em sintonia com seus interesses (ou da sua empresa).

Terceiro, software livre não é necessariamente melhor para o usuário final. Michelle Levesque, por exemplo, discute em um artigo científico seu (publicado no periódico First Monday – de acesso gratuito ao conteúdo) cinco potenciais problemas do software livre neste sentido: 1) A frequente falta de investimentos no desenvolvimento da interface com o usuário, 2) a pouca documentação disponível, 3) a falta de foco em tornar o software mais robuto, 4) a falta de foco também no desenvolvimento de recursos para o usuário final e, finalmente, 5) muitas vezes por teimosia, a recusa de alguns programadores em aprender com o software proprietário e a usar inovações destes no software livre que desenvolvem.

A comparação entre a qualidade de software livre e proprietário é tema de muita discussão. Em geral, pode-se dizer que na média o software livre tem menos erros que os proprietários. Isto ocorre porque o software livre depende de sua qualidade para sobreviver já que não investe praticamente nada em marketing. Entretanto, um estudo publicado na Business Week em 2006 afirma que dentre os melhores softwares de cada um dos 15 mercados analisados, o software proprietário está na frente em 11. Em outras palavras, há muito mais software proprietário ruim que livre mas os melhores softwares proprietários são muito melhores que os melhores livres.

Quarto, software livre nem sempre é mais barato como a ilusão da palavra “livre” faz parecer.  Afinal, os produtores dele também precisam ganhar dinheiro de alguma forma. Mas é difícil medir os custos de software de maneira agregada. Cada implantação tem suas particularidades e custos específicos, o que prejudica a medição precisa. Assim, sites que defendem o software proprietário publicam estudos a seu favor, da mesma forma que sites a favor do software livre o fazem com estudos a favor do software livre. Sobra para o usuário negociar o seu caso com as opções disponíveis.

Por exemplo, por conta da competição com o software livre empresas de software proprietário estão cada vez mais dispostas a baixar seus preços tornando-as uma opção mais barata – se já não a são. Mais ainda se os usuários que usarão o sistema proprietário já estiverem familiarizado com ele e se ele for, de fato, melhor. Mudar de software (independente da licença) significa arcar com os custos da mudança (os chamados “switching costs”), o que pode significar altos custos na troca do servidor, no treinamento dos usuários, e na migração dos dados.

Em outro cenário, ao optar por desenvolver um software livre que não existe, com o objetivo de substituir um software proprietário, muito dinheiro vai para o ralo por um motivo muito simples: Para a maioria dos projetos, pode não haver adesão de desenvolvedores voluntários o suficiente. Aí, no meio do caminho o projeto corre o risco de ser interrompido. E, neste caso, todos os esforços e recursos usados até aquele momento irão para o ralo também. Veja, por exemplo, os relatos de quem trabalha em projetos de software livre do governo federal:

“(…) Realmente falta massa. É um tanto difícil criar uma comunidade, um ecossistema de colaboração, já observado em projetos como Drupal e WordPress. No desenvolvimento do i-Educar, no qual participo, basicamente essa tarefa tem sido feita por 2 pessoas, num universo de 5.500 pessoas cadastradas na comunidade do projeto.

A missão é difícil. Muitos prestadores de serviços nesses softwares são despreparados e não possuem ainda a consciência de que é necessário contribuir aos projetos, nem que sejam pequenas contribuições.”

Demais comentários na discussão em torno dos projetos do governo também contém reclamações da burocracia para participação e da baixa qualidade atual dos mesmos. A iniciativa do governo é louvável mas é preciso a ele perceber que não é qualquer projeto que dará certo no modelo de desenvolvimento do software livre.

Na próxima semana: porque estes problemas são inerentes ao atual paradigma de desenvolvimento de software livre.

PS: As imagens que ilustram este texto são de Phillip Torrone e fazem parte do guia de 2009 da revista Make para hardwares desenvolvidos de forma aberta e livre.

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Miscelânea de Domingo

março 21st, 2010 — 4:00pm

Programação

Mitos do Perl [en] – Apresentação quebrando três mitos da linguagem, o de que ela está morta, de que é difícil de ler, testar e manter, e de que o Perl 6 está matando o Perl 5.

Software Livre

Uma vitória histórica [en] – Detalhes do caso americano Jacobsen v. Katzer onde a empresa que tentava obter royalties de um desenvolvedor open source perdeu suas patentes e ainda foi condenada a pagar US$ 100 mil ao desenvolvedor. Uma vitória importante para a comunidade, sem dúvidas.

Entrevista com o desenvolvedor do kernel do Linux, Con Kolivas [en] – Um dos principais responsáveis por melhorar a performance do Linux em computadores pessoais, Con explica porque parou de trabalhar no código aberto do kernel do sistema e dá detalhes de como a comunidade trabalha no seu desenvolvimento.

Outros

Uma outra abordagem para a conversa fiada [en] – Ao invés de perguntar “como vai?” ou “de onde você é?” na próxima vez que for puxar conversa, por que não experimenta a pergunta “sobre o que você tem pensado ultimamente?”

Matrix 2 [en] – Ao invés de procurar passagens aéreas por dias específicos, este site permite a busca em um mês todo. Muito mais conveniente para comparar preços.

Jacobsen v. Katzer

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Oi, Claro que Vivo com muitas fronteiras na TIM

março 17th, 2010 — 1:30pm

Praticamente todo mundo no Brasil já teve algum problema com serviços de telefonia. É até clichê começar uma frase assim. Eu já sofri com vários e o mais grave que tive no passado serviu de inspiração para um microconto. Eu estava em Manaus e não conseguia de forma alguma completar ligações. As desculpas da operadora variavam desde as mais autênticas, como a tal “sombra” de prédios que bloqueiam o sinal em certos locais da cidade, até os mais comuns “problemas técnicos”. Eis o relato de 2006:

Enquanto abundam propagandas das operadoras de celular na TV, seus usuários parecem usufruir apenas de picolé de chuchu. Maledicência?

Talvez seja mesmo… Mas só para os poucos felizardos que moram rodeados por torres de transmissão e mão-de-obra barata capaz de quebrar galhos diários. Para o resto da população brasileira, sobra “estarei registrado para estar comunicando…”, “nosso sistema não está funcionando para estarmos registrando…”, “vamos estar providenciando…”, e demais gerúndios americanizados . Isto, claro, quando o paciente cliente consegue completar a ligação.

Condenado sem julgamento, tenta como penitência discar *144. E ao receber da operadora a explicação de que sua localização está com sombra precisa argumentar que o sol em Manaus está de doer – não há sombra aqui, meu amigo. Mas nosso querido usuário é persistente (não seria teimoso? ou inocente?) e continua se desvencilhando de todas as fronteiras. Quer viver sem elas como promete o comercial!

Tenta agora mudar a banda (e se tocar Ivete, funciona?); depois, troca o aparelho (serve aquele velhinho mesmo, bons tempos aqueles…); por último, numa atitude desesperada, muda o chip. Pega um nativo mesmo, com sotaque manauara, porque este chip turista deve estar meio perdido na cidade nova, no meio da floresta.

Não adiantou patavina. Frustrado, com o rabo entre as pernas, desiste. Não pôde nem processar a operadora porque seu celular está em nome da empresa. Restou-lhe o orelhão, amigo de todas as horas, infalível.

Disca então o número desejado, confiante:
- Alô.
- Alô, seu Manoel, tudo bem? João aqui em Manaus…
- Oi seu João, fala mais alto que este meu celular da TIM não fun…
- (…) Tu tu tu tu tu…
- Puta que pariu! – e foi-se embora tomar um picolé.

Mas, recentemente, a mesma TIM conseguiu se superar. Em menos de um mês como cliente ela conseguiu, sem aviso prévio, bloquear a minha linha para efetuar chamadas e cobrar indevidamente quase o dobro da futura. E, pior, para desbloquear a linha só pagando o valor indevido pois só poderei contestá-lo depois que a fatura for fechada. Até lá, ou eu pago ou continuo com a linha bloqueada.

Não adiantaram os 8 chamados abertos nem as 2 reclamações na Anatel. Minha linha continua bloqueada e em uma semana devo receber a famigerada fatura com a cobrança indevida. Só então poderei ir ao Procon. Porque eu insisto em utilizar a TIM talvez nem em terapia eu consiga descobrir. Ou talvez atualmente no Brasil não haja muita opção, infelizmente. Em qualquer uma das operadoras, Oi, Claro, Vivo, Tim, Embratel, Telefonica, etc. estamos igualmente sujeitos a sofrer com a péssima qualidade dos serviços prestados.

Atualmente então, resta-nos dizer uns aos outros, boa sorte, e continuar reclamando na esperança que algum dia a Anatel e, por trás dela, o governo federal resolvam punir de alguma forma estas empresas pelo conjunto de danos causados aos usuários e criar mecanismos para impedir que eles ocorram novamente.

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Dia do Pi

março 14th, 2010 — 8:15am

Fonte: Wikipedia

Hoje é um dos dias em que se celebra a constante matemática Pi (\pi ), definida como a relação entre a circumferência e o diâmetro de um círculo. A constante tem valor aproximado de 3,14, daí o uso da data de hoje: Mês 3, dia 14. Outro dia comum para celebrar a constante é 22/7, em referência a popular fração definida por Arquimedes.

Pi é talvez um dos números mais estudados do mundo. Seu fascínio cresceu junto com a história das civilizações. Começou com a tentativa de entender os círculos e esteve presente como símbolo nas construções babilônicas e egípcias, por exemplo. Depois, seu estudo passou a fazer parte da evolução da matemática, sendo hoje utilizado na geometria e trigonometria, cálculo, física, estatística, teoria do caos, dentre outras áreas.

Até hoje não existe uma fórmula capaz de definir os dígitos decimais do Pi. Não há padrões nas casas decimais deste número irracional. Aproximações, portanto, só podem ser calculadas nesta base. Uma opção mais utilizada é calcular o número em outras bases, hexadecimal ou binária por exemplo, e converter depois para decimal. A maior aproximação já computada ocorreu em dezembro do ano passado.

O número Pi com 2.699.999.990.000 casas decimais demorou 103 dias para ser calculado em binário, outros 13 dias para ter os dígitos verificados, mais 12 dias para converter o número para decimal, e finalmente 3 dias para verificar a conversão. Se alguém resolver imprimir este número no papel, deve dar para preencher uma biblioteca inteira de livros impressos com partes dele.

Hoje também seria o aniversário de Albert Einsten, nascido em 14 de março 1879. Não que ele tenha qualquer relação direta com o número Pi mas a ocasião não poderia ser mais apropriada. Portanto, prepare uma torta redonda ou faça uma pizza e comemore este dia tão especial para a matemática e a ciência!

PS: Aproveite para se divertir calculando o número pi com milhões de casas decimais neste site, utilizando diferentes bases e algoritmos. Meu computador demorou 31 segundos para calculá-lo com 1 milhão de casas decimais.

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Reflexão sobre o Dia Internacional da Mulher

março 8th, 2010 — 1:04pm

Hoje é dia das mulheres receberem “flores murchas” e ouvirem piadas sem graça e machistas: “Por que homem também não tem um dia especial?” É dia delas ouvirem também umas homenagens sem graça e infames. “Mulheres, vocês embelezam o mundo”. Mas poucos vão se dar ao trabalho de sequer procurar saber que as mulheres não têm direitos iguais aos homens. Por isto, o propósito deste dia deveria ser para todos o de reflexão.

Há muitas desigualdades entre os sexos aqui mesmo Brasil, para nem discutirmos a situação de países principalmente da Ásia, África e do Oriente Médio. Mulheres aqui ganham menos que homens ocupando os mesmos cargos.  E elas costumam ocupar cargos inferiores também, tanto nos negócios quanto na política. Mulheres sofrem mais com a violência e, pior, com a sua impunidade. Mulheres sofrem muito mais pressão sobre sua aparência e papel na sociedade: Devem ser submissas, cuidar da casa e dos filhos, trabalhar jornadas duplas e ainda seguirem padrões de beleza impostos.

anúncio criado pela Ag407

Este não é um dia para dar parabéns. Ontem, pela primeira vez, uma mulher ganhou o prêmio de Melhor Diretora na premiação do Oscar. Primeira vez em 82 edições! Com a vitória de ontem, os homens agora têm “apenas” 98,78% dos prêmios de melhor direção. Além disto, basta ver a lista dos demais ganhadores deste ano, praticamente todos homens, para constatar que esta ainda é uma indústria fortemente dominada por eles.

Mais, no Bom Dia Brasil de hoje, na Globo, uma notícia informa que caiu o número de gravidezes na adolescência e que esta é uma boa notícia. O número ainda alto existe, segundo a notícia, por falta de informação para os jovens. Logo em seguida o jornal ainda mostra casos de abandono de crianças por mulheres, como se a culpa fosse inteiramente dela.

Quer se tornar uma diretora? Você está no banheiro errado! (fonte)

Também não se discute o aborto, por exemplo, como forma de minimizar as consequências de uma gravidez indesejada. As mulheres no Brasil não tem o direito sobre o próprio corpo e, acreditando ou não, todas elas são obrigadas a seguir a doutrina da Igreja Católica que praticamente legisla sobre a questão. Mesmo sendo o Brasil um país laico.

É, portanto, um dia para se refletir. E para começar agir. Um mundo melhor para as mulheres começa pelo respeito. Para que tenham melhores salários, cargos e condições de trabalho, sem as imposições de beleza e de padrões de comportamento que não acomete os homens. Para que sejam amparadas contra a violência e sua impunidade. E para que não precisem mais ouvir piadas sem graça todo dia 8 de março, porque todo dia passará a ser dia de todos nós.

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Arrumando a casa

março 7th, 2010 — 9:54am

Mudar o visual e o conteúdo dá trabalho mas aos poucos vou ajeitando tudo. Por enquanto, já mexi um pouco nas categorias, reclassificando alguns textos antigos em temas que pretendo voltar a falar no futuro. Estas novas categorias já estão ali à direita.

Graças ao WordPress, plataforma de gerenciamento de blogs que utilizo e uma das melhores do mundo, este processo tem sido feito até aqui sem problemas. Nas próximas semanas espero terminar de ajustar a estrutura do blog e as categorias. A medida que novos posts forem inseridos poderei também definir melhor a maneira de organizá-los.

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Mudanças no blog: novo visual, novo conteúdo

março 6th, 2010 — 10:43pm

Quase 3 anos depois de sua criação, este blog está mudando. O visual mudou e o conteúdo está mudando. Escrevi mais sobre isto na nova página Sobre o Blog:

É uma mudança radical e que não deve corresponder mais tanto ao interesse do público anterior que buscava nossas experiências de viagens. Lamento mas perdeu um pouco do sentido para mim escrever especificamente sobre minhas idas e vindas. Curiosidades dos destinos que visito ainda poderão ser relatadas mas em intervalos bem mais esporádicos.

No resto do tempo, pretendo escrever sobre, mas sem me limitar a, tecnologia. Outros assuntos, que já até foram assunto antes e que devem voltar, incluem política e cinema. Mas não há foco. Não quero me preocupar com a ausência dele (ou talvez você possa argumentar que o foco agora está nesta ausência).

Agradeço a visita nestes anos e espero que continue comigo nos próximos.

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