Archive for junho 2011


Construa ciclovias e os ciclistas virão

junho 21st, 2011 — 5:22pm

Nota rápida para registrar aqui um artigo em inglês que repete o que já falei antes. A melhor solução para as bicicletas no trânsito das grandes cidades é construir ciclovias. Os ciclistas virão naturalmente. Segue um trecho:

“Because if a regular Joe like me, who is not nor will ever be a lycra warrior, can be persuaded to use cycleways, so will others. As mentioned at the top, ordinary people will start using these things in ever-increasing numbers. It really is a classic case of “build it and they will come”.

If you doubt this, look to Europe. Stats from the Danish city of Copenhagen, which is famous for its cycleways, show that up to 20 per cent more people rode to work once the cycleway network was complete. Better still, the number of car commuters dropped by up to 10 per cent. So much for traffic chaos.”

 

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A solução mais rápida, barata e eficiente para aumentar o número de ciclistas nas ruas

junho 14th, 2011 — 3:45pm

É a primeira vez que vejo tanta discussão em torno do uso da bicicleta no trânsito. Isto é muito bom e importante para avançarmos o assunto. Mas é muito triste que uma pessoa da classe média-alta paulistana precisasse morrer para que isso acontecesse. Para quem ainda não sabe, o empresário Antonio Bertolucci morreu na última segunda-feira após ser atropelado por um ônibus quando andava de bicicleta em São Paulo.

Sem especular os motivos, o fato é que o caso ganhou (e ainda está ganhando) repercussão nacional. São várias matérias de jornal, rádio e TV que divulgam o fato e discutem a situação das bicicletas no trânsito. Mas quando propõem soluções, quase sempre terminam falando que a principal é educar motoristas e ciclistas para se respeitarem e respeitarem as leis de trânsito para compartilharem a rua com harmonia. Para mim, demonstram com isto que não sabem 1) o que é respeito, 2)  o que é educação, e 3) como devem ser nossas cidades para que possamos utilizar nossas bicicletas com segurança.

Argumentar que ciclistas precisam respeitar os motoristas é uma tolice no contexto atual do trânsito brasileiro. Não, ciclistas não têm que respeitar aqueles que não os respeitam. E, historicamente, no Brasil, são os carros que não respeitam ninguém. Ao invés de zelar pelos mais fracos no trânsito, como prevê o código de trânsito (e o bom-senso, é bom dizer), motoristas dirigem como se tivessem o rei na barriga. Estes não respeitam nem os outros carros, como esperar deles respeito às bicicletas? E como exigir que ciclistas respeitem quem age como assassino em potencial o tempo todo? São os motoristas que tem que dar o primeiro passo! Nós, ciclistas, temos é que reinvidicar o nosso espaço e cobrar de todos que a lei seja respeitada. Só então é que aceito que cobrem respeito de nós. Até lá, cobrem isto dos motoristas e das autoridades!

E não adianta falar que educação irá resolver. Não irá, não no curto prazo. Mudar padrões de comportamento em larga escala requer gerações. Não é possível mudar todo um universo de padrões de conduta no trânsito em poucos anos apenas com campanhas de educação. Isto porque nosso cérebro se desenvolve solidificando modelos mentais que se reforçam a medida em que são testados em sociedade. Alterar um modelo mental solidificado requer décadas. Requer o estabelecimento de novos modelos, além das leis. Se fosse simples, as leis atuais já teriam sido suficientes há muito tempo.

A solução mais rápida e eficiente, pois, é implantar uma infraestrutura específica que force a mudança de padrão de comportamento. Fazer campanhas semestrais ou ensinar numa auto-escola como respeitar o ciclista não tem o mesmo efeito de forçar o motorista a fazê-lo todos os dias, porque há uma via segregada em seu caminho e dezenas de ciclistas utilizando-a. Uma via segregada, a famosa ciclovia, aumenta a segurança para ciclistas por dois motivos principais. Primeiro, ela separa o tráfego de ciclistas, evitando um contato direto com carros e aumentando a sensação de segurança. Segundo, ao aumentar a sensação de segurança, ela encoraja mais ciclistas a utilizar a ciclovia e a se deslocarem de bicicleta. E, quanto mais bicicletas nas ruas, maior a segurança para todas elas porque mais motoristas passam a notá-las e são forçados a respeitá-las com mais frequência.

Em todas as cidades onde a bicicleta é utilizada por uma grande parcela da população, há ciclovias como parte integrante e importante do sistema cicloviário. É uma outra tolice afirmar que elas são caras. 1 km de ciclovias custa pelo menos  22 vezes menos que a implantação de 1 km de um sistema de ônibus convencional e é capaz de transportar 60% mais pessoas. É mais barato, mais eficiente e mais rápido implantar ciclovias do que reeducar todos os motoristas.

O exemplo histórico de Curitiba nesse sentido é simbólico: A primeira rua para pedestres do Brasil foi feita de um dia para o outro. Numa noite a rua foi simplesmente fechada para os carros. Motoristas foram então forçados a aprender outros caminhos. A reeducação aconteceu com o processo. Barato, eficiente e rápido.

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Os mitos contra as bicicletas nas cidades brasileiras: Chove muito

junho 9th, 2011 — 6:37pm

O mito de que chove muito nas cidades brasileiras provavelmente é o primeiro a ser desmistificado. Chove muito em Bergen, na Noruega, onde a média anual de chuva é de 2.250mm. Isto é 64% mais chuva que São Paulo, por exemplo.

Mas mesmo que chova apenas um dia por ano, isto não é motivo para deixar a bicicleta em casa. Quando chove, uma boa capa de chuva, uma calça e um calçado impermeáveis geralmente resolvem. Para complementar, basta levar uma muda extra de roupa e uma toalha pequena para enxugar o pouco de suor, dependendo da distância percorrida.

No caso de quem quer mais conforto, há sempre alternativas:

Ainda assim, entendo que algumas pessoas preferem evitar a chuva a qualquer custo. Mas não dá para extrapolar uma preferência pessoal para o restante da população. Há um contra-exemplo muito mais forte todos os dias nas ruas para todo mundo ver: motos. Milhares delas trafegam diariamente no trânsito de nossas cidades, faça sol ou faça chuva. Qual é a diferença em relação a ir de bicicleta? No trato com a chuva, nenhuma. Até porque, em geral, os tempos gastos numa moto ou numa bicicleta não devem ser muito diferentes (as distâncias são obviamente outras).

O problema não é a chuva. Em Bergen, aliás, todo mundo usa bicicleta sem se importar muito com isso.

 

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Prefeito de Copenhague pedala em São Paulo

junho 2nd, 2011 — 5:07pm

Segue um trecho da reportagem, com destaques meus:

O prefeito [de Copenhague] é adepto da bicicleta. Ele vai para a prefeitura da cidade de terno, gravata e bicicleta. Jensen conheceu a ciclofaixa da Avenida Jornalista Roberto Marinho, na Zona Sul de São Paulo. Entretanto, ela só é exclusiva para os ciclistas aos domingos. Segundo ele, em Copenhague, são 350 km de vias exclusivas para as bicicletas – mais da metade dos moradores usam o meio de transporte todos os dias.

Foram quase 2 km de pedaladas pela capital paulista. No final, o prefeito confessou que não gostou da experiência. “Eu sentiria medo de andar de bicicleta todos os dias em São Paulo. Não me sinto seguro dividindo espaço com os carros. É muito difícil andar de bicicleta aqui”, diz ele. Ele também deu a solução: construção de ciclovias. “Copenhague era assim 30 anos atrás e nós investimos muito para tornar a bicicleta um meio de transporte fácil e seguro.”

Se alguém com experiência no assunto, vindo de uma cidade onde as condições climáticas são muito piores, diz que é possível, por que mesmo tem gente que acha que não dá?

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