Comentando o ataque terrorista em Oslo
Meses atrás um dinamarquês bem humorado se aproximou de mim e um amigo no bar. Visivelmente embriagado (o que talvez explique sua súbita aproximação extrovertida), o sujeito soltava algumas piadas desconexas entre um gole e outro de cerveja. Mas em certo ponto da conversa começou a falar da Alemanha e, em seguida, de Hitler. Foi quando profeciou a frase: “O único problema de Hitler foi não ter terminado o serviço”.
Saímos da mesa na mesma hora. Foi um choque ter ouvido aquilo. É muito triste saber que existem pessoas que pensam desta forma.
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Para mim, a Escandinávia (principalmente Suécia, Noruega e Finlândia) tem sérios problemas em seus processos de integracão multi-cultural e étnico. Eles todos estavam acostumados a uma população uniforme. Praticamente todos compartilhavam a mesma origem, a mesma história. Foi só nas últimas décadas que a imigracão começou a aumentar – por necessidade deles, diga-se. Mas nem todos os escandinavos aceitam bem isso. Há muito racismo e muita xenofobia latente aqui mas poucos se dão conta. Não é a toa que um movimento de extrema direita discretamente começa a ganhar força.
Mas há muita intolerância religiosa de nossa parte também na interpretação dos fatos. É fácil ver a Noruega como um país perfeito onde tudo funciona e tratar os seus “problemas” como incidentes isolados. Mas esse atentado em Oslo não foi um fato isolado de um ser humano louco. Foi um ato extremo, claro, mas de uma pessoa entre várias que pensam da mesma forma aqui: Foi um ato planejado e executado com sucesso contra os muçulmanos. Fosse o contrário, não teria tanta gente assim tratando o terrorista cristão como louco. Já vimos este episódio antes.