Archive for outubro 2011


Pink Martini e o Spotify na Dinamarca

outubro 19th, 2011 — 2:54pm

Eu nunca falei da banda Pink Martini aqui no blog. A “pequena orquestra” fundada em Portland, EUA, em 1994 é minha banda favorita desde 2002 quando descobri “Sympathique” a música que dá título ao primeiro álbum. A música de cabaré dos anos 20 cantada em francês é uma provocação: Uma melodia alegre conta a história triste do dia-a-dia de uma prostituta.

Mas este não é o tom do álbum ou da banda em geral. É praticamente impossível classificar o Pink Martini em um único gênero musical. Variando entre jazz, pop, samba, bolero, salsa, clássico, dentro outros, cada álbum é uma surpresa música a música. Surpresa também na língua cantada. De origem escocesa, francesa e afro-americana, a vocalista China Forbes já gravou em pelos menos 6 línguas: inglês, francês, espanhol, português, árabe, e japonês.

E quando eles colocam toda essa mistura numa única música, o resultado é este:

Famosa no ano novo de países anglófonos, a música de origem escocesa ganha uma versão do Pink Martini ao ritmo de batucada e cuíca, e cantada em inglês, francês e árabe. Como não admirar? Este ano a ousadia foi ainda mais longe com o lançamento do álbum 1969. Praticamente todas as músicas são cantadas em Japonês por Saori Yuki. Recomendo muito “Mas que nada”, disponível para download no site da banda.

Outro álbum lançado este ano é um bom ponto de partida para quem quer conhecer mais. O álbum “A Retrospective” reúne os melhores momentos da banda e mais 7 inéditas. Dentre essas últimas, destaco a improvisada “The Man With The Big Sombrero”.

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Enquanto curtia os dois novos álbuns do Pink Martini, recebo a notícia que o Spotify estava disponível na Dinamarca. O serviço surgido na Suécia em 2008 é mais um a oferecer streaming de música mas com diferenças importantes nos recursos. Enquanto a maioria oferece o serviço na web, o Spotify precisa ser instalado. Isto torna a navegação mais rápida e, mais importante, permite integrar as músicas do catálogo da empresa disponíveis online com suas próprias músicas locais.

O catálogo é vasto e permite a navegação de maneira similar ao popular Last.fm. Uma vez localizado um artista ou banda, é possível ver todos os seus álbuns, músicas mais populares e artistas relacionados. O programa se integra com o Facebook e permite que você veja as ‘playlists’ públicas de seus amigos. E tudo isto é gratuito, desde que você não se incomode com os anúncios. Caso contrário, o preço do pacote básico é R$ 16,00/mês. Nada mal para poder escutar milhões de músicas a qualquer momento, inclusive no seu celular.

Infelizmente o serviço ainda não está disponível no Brasil e não tem previsão de lançamento. Mas você pode cadastrar seu e-mail no site para ser notificado assim que o lançamento ocorrer.

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Viajando pelo interior da Dinamarca

outubro 12th, 2011 — 2:44pm

Eduardo Maia, do jornal O Globo, viajou a convite do Visit Denmark pelo interior da Dinamarca:

Num reino muito distante, crianças passeiam como gigantes por uma cidade em miniatura, onde palácios e até animais são feitos de blocos coloridos; “homens do passado” encenam guerras e danças observados por “homens do futuro”, e uma ilha ainda festeja, em placas e praças, o nome de seu filho mais ilustre, um menino desengonçado, filho de um humilde sapateiro, que venceu a pobreza e a feiúra para conquistar a simpatia do rei e se tornar o mais famoso entre seus compatriotas. No interior da Dinamarca, de onde Hans Christian Andersen tirou a inspiração para tantas histórias infantis, como “A pequena sereia” e “O patinho feio”, cenários dignos de contos de fadas convidam o turista a deixar um pouco de lado a cosmopolita Copenhague. E virar criança na Legoland. E voltar ao passado em Odense, onde nasceu Andersen, e Ribe, a mais antiga cidade dinamarquesa.

Texto completo no site do jornal.

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Steve Jobs, Apple, e a transformação do mundo – Parte 1

outubro 9th, 2011 — 4:33am

Semana passada com o falecimento de Steve Jobs variações dessa frase percorreram os meios de comunicação: “Três maçãs que mudaram o mundo; A de Adão, A de Newton e A de Steve Jobs.”

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Falar de Steve Jobs requer falar da história das tecnologias que compõem seus produtos, começando pelo computador pessoal. A Apple lançou o seu primeiro em 1976. Era isso aqui:

Este pedaço de madeira com botões custava US$666,66. Número suspeito.

A década de 70 viu uma proliferação de “kits” de computadores que, em geral, deveriam ser montados por quem os adquiria. Era um mercado para quem gostava do “hobby”. Antes, computadores eram limitados a máquinas de grande porte, ocupavam uma sala inteira, e que custavam milhares de dólares. Estes computadores também eram limitados a funções específicas que eram acopladas ao hardware (a parte física de um computador). Mesmo uma calculadora daquela época, por exemplo, era limitada às funções de seu hardware. Para modificar o seu software (a parte lógica), por exemplo adicionando uma nova função, era necessário mudá-lo no hardware.

Foi a Intel quem deu um dos primeiros importantes passos em direção ao computador pessoal ao inventar o microprocessador em 1971. Graças a ele, se tornou possível desacoplar o “software” do “hardware” onde o primeiro era executado.Foi também graças a esta separação que o custo para produção do hardware começou a cair drasticamente, permitindo o lançamento de computadores menores e de menor custo. Um dos primeiros foi o francês Micral N, considerado o primeiro computador pessoal a não ser vendido como “kit”.

O Micral N. Sim, isto é um computador.

Dois anos depois, em 1973, o primeiro computador pessoal como o conhecemos hoje foi lançado pela Xerox em um protótipo. Tinha mouse, interface gráfica com usuário, e a metáfora do desktop. Mas o protótipo ficou limitado aos laboratórios da empresa. Enquanto isto, computadores pessoais continuavam a ser lançados por várias empresas. A IBM lançou o seu em 1975 como um computador desktop (o famoso PC seria lançado em 1981) e logo em seguida veio o Altair 8800. Este último é considerado a faísca para a rápida expansão dos computadores pessoais que se seguiu nos anos 80 até hoje.

Mas o primeiro sucesso de vendas foi o do Commodore PET, lançado em 1977, vendendo cerca de 1 milhão de unidades. Um ano antes o primeiro computador da Apple havia sido lançado com o objetivo de obter dinheiro suficiente para a fundação da empresa. O produto vendeu apenas cerca de 200 cópias e foi logo substituído pelo Apple II, este sim um modelo de sucesso. O Apple II foi lançado pouco depois do Commodore PET mas era um produto superior e mais caro. Quem o desenvolveu foi um outro Steve, o Wozniak, outro fundador da Apple. Dentre as inovações do produto estavam o uso de uma interface gráfica com o usuário primitiva (ainda não era o modelo inventado pela Xerox) e a possibilidade de uso de disquetes. Nada do que foi incluído no computador era novidade do ponto de vista tecnológico, já que outros computadores permitiam a aquisição destes itens como expansão. Mas o Apple II foi o primeiro a colocar estes itens juntos e vendê-los como um produto para o consumidor final. Outro recurso que vale destacar no Apple II era a possibilidade de expansão da memória. Esta possibilidade continuou a existir em modelos subseqüentes da Apple apesar da intenção contrária de Steve Jobs.

O Apple II foi considerado pela revista Byte como parte da “Trindade de 1977”, o grupo de três modelos de computadores pessoais a obter o maior sucesso na época. Além dele e do Commodore PET, faz parte do grupo o TRS-80, lançado 2 meses depois do Apple II. O TRS-80 também tinha uma interface gráfica primitiva e a possibilidade de adição de disquetes veio um ano depois. Mas problemas de interferência levaram a sua substituição em 1981. Até então o produto havia vendido 1,5 milhões de unidades, muito mais que o Apple II até então. Este último só foi obter sucesso comercial no começo da década de 80: Até 1985, 2,5 milhões de cópias haviam sido vendidas.

Interface Gráfica da Xerox

 

Foi também no começo de 80 que as invenções da Xerox começaram a ser incorporadas a produtos e copiadas por outras empresas. O primeiro foi um computador da própria Xerox, o Xerox 8010 Information System, lançado em 1981 e sem muito sucesso comercial. Só dois anos depois a Apple lançou o Apple Lisa, batizado com o nome da filha de Jobs e que por dois anos antes ele se recusou a reconhecer a paternidade. Lisa, o primeiro computador a copiar a Xerox, foi um fracasso comercial e um sucesso tecnológico. Mas Steve Jobs não pode ser responsabilizado por nenhum dos dois feitos já que foi forçado a se retirar do projeto um ano antes do lançamento.

Dentre as inovações tecnológicas estavam a proteção de memória, a multi-tarefa, o melhor gerenciamento do sistema operacional no disco rígido, a inclusão do protetor de tela, espaço para expansão do hardware, e uma maior resolução de imagem. Várias destas inovações só seriam incluídas anos mais tarde (em alguns casos, quase dez anos depois) em outros produtos da Apple. Talvez o único trunfo de Jobs no projeto do Lisa foi convencer a Xerox de demonstrar os recursos de sua interface gráfica para a equipe da Apple ainda em 1979. Mas a revista Byte considerou Wayne Rosing como a pessoa mais importante no desenvolvimento do computador.

Embora um sucesso tecnológico, o produto fracassava comercialmente devido ao seu alto custo, cerca de 10 mil dólares. Enquanto isto, Steve Jobs passou a trabalhar no projeto do primeiro Macintosh. Lançado em 1984, ele foi o primeiro produto de sucesso a conter a famosa interface gráfica com a metáfora do desktop que conhecemos hoje e mouse. O idealizador do projeto, ainda no final da década de 70, foi Jef Raskin. Foi ele quem vislumbrou a possibilidade de um computador de baixo custo e fácil de usar pela população em geral. O responsável pelo hardware foi Burrell Smith. Veio dele boa parte das adaptações de design do hardware do Lisa para o Macintosh, mantendo o preço baixo do segundo. Ao longo de todo o projeto, vários conflitos entre Steve Jobs e Jef Raskin (que se retirou do projeto) e, depois, com o então CEO da Apple John Sculley, fizeram com que Steve fosse demitido da empresa em 1985 para só retornar em 1997.

Ao mesmo tempo, o começo da década de 80 viu um número grande de empresas lançando seus próprios designs de hardware para os computadores que lançavam e com sistema operacional incluso. Em 1981 a IBM era uma destas empresas mas com uma diferença: O seu IBM PC vendia o sistema operacional MS-DOS do então desconhecido Bill Gates em separado. O design do hardware do IBM PC também era relativamente padronizado e não patenteado. Isto permitiu que várias outras empresas começassem a copiar os designs da IBM e a vender computadores compatíveis, onde o sistema operacional DOS da Microsoft podia ser instalado sem problemas. A IBM, sem querer, e sem lucrar, estabelecia ali o padrão de mercado para os computadores pessoais que persiste até hoje. E que quase levou a Apple a falência.

(clique aqui para ver a Parte 2)

Referências:

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