Category: Cidades


Prefeito de Copenhague pedala em São Paulo

junho 2nd, 2011 — 5:07pm

Segue um trecho da reportagem, com destaques meus:

O prefeito [de Copenhague] é adepto da bicicleta. Ele vai para a prefeitura da cidade de terno, gravata e bicicleta. Jensen conheceu a ciclofaixa da Avenida Jornalista Roberto Marinho, na Zona Sul de São Paulo. Entretanto, ela só é exclusiva para os ciclistas aos domingos. Segundo ele, em Copenhague, são 350 km de vias exclusivas para as bicicletas – mais da metade dos moradores usam o meio de transporte todos os dias.

Foram quase 2 km de pedaladas pela capital paulista. No final, o prefeito confessou que não gostou da experiência. “Eu sentiria medo de andar de bicicleta todos os dias em São Paulo. Não me sinto seguro dividindo espaço com os carros. É muito difícil andar de bicicleta aqui”, diz ele. Ele também deu a solução: construção de ciclovias. “Copenhague era assim 30 anos atrás e nós investimos muito para tornar a bicicleta um meio de transporte fácil e seguro.”

Se alguém com experiência no assunto, vindo de uma cidade onde as condições climáticas são muito piores, diz que é possível, por que mesmo tem gente que acha que não dá?

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Os mitos contra as bicicletas nas cidades brasileiras: Ninguém usa bicicleta como transporte

abril 5th, 2011 — 5:18pm

O argumento de que bicicleta não é vista como meio de transporte no Brasil pode ser facilmente contestado. O povo Brasileiro já usa bicicleta com freqüência, muito obrigado. O país é o terceiro maior fabricante de bicicletas do mundo e o quinto maior mercado consumidor. Metade deste consumo tem por objetivo o transporte e apenas 17% é para lazer. Os dados são da Abraciclo.

A classe média, a que entulha o trânsito de carros por qualquer motivo, não se dá conta que as bicicletas estão nas ruas e tem muita gente em pequenas e grandes cidades utilizando-as como meio de transporte há muito tempo. Aliás, elas chegaram lá primeiro. Mas dentro do carro ninguém consegue reparar muito bem o mundo lá fora. Dentro deles estão todos preocupados em chegar o mais rápido possível ao destino.  Não dá tempo de reparar, por exemplo, as mais de mil bicicletas que passam todos os dias só na Av. Paulista, em São Paulo.

Temos quase tantas bicicletas quanto carros no Brasil no trânsito mas enquanto esses últimos desfrutam de mais de 1,7 milhão de quilômetros só de estradas federais, as bicicletas têm pouco mais de 600km de vias para uso exclusivo em todo Brasil. Mesmo já com tanto uso no dia-a-dia, a bicicleta é praticamente ignorada em obras de expansão e melhoria de infraestrutura viária. Aliás, sequer nos damos conta que existem tantas bicicletas assim no trânsito.

E é um mito afirmar que cidades carecem de infraestrutura específica para bicicletas porque ninguém as usa. No Brasil, o uso já existe.  Falta agora a melhoria no trânsito e a conscientização de motoristas para ampliar este uso, e aumentar a segurança e o conforto de quem já pedala. E para você que só anda de carro, experimente reparar a sua volta o tanto de gente que já usa a bicicleta todos os dias na sua cidade.

Atualição (07/04/2011): Disse anteriormente que havia quase tantas bicicletas quanto carros no Brasil. Esta informação está errada. Temos quase tantas bicicletas quanto carros no trânsito, cerca de 33 milhões! No total de bicicletas (considerando outros usos além do transporte), temos quase o dobro de bicicletas (65 milhões) no país em relação a carros. Motos não chegam nem perto, são apenas 14 milhões. Os dados são do Denatran.

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Verão, sol, calor e… bicicleta! Na Dinamarca tem

julho 15th, 2010 — 3:14pm

Um dos argumentos que mais escuto no Brasil para as pessoas não usarem bicicleta é que faz muito calor e ninguém quer suar antes de chegar no trabalho, supermercado, shopping, etc. Mas eis que me deparo com o verão Dinamarquês. Faz calor também, tem dia que bate 35 graus. O sol é forte e nem sempre o tão incômodo vento gélido do norte resolve colaborar justamente nestes poucos momentos que precisamos dele. Mesmo assim, ao invés de diminuir o número de ciclistas na rua, eles aumentam! Incrível, não!?

aaÉ verão, faz calor? Então use menos roupas! (fonte)

Em outras palavras, para mim, no Brasil, quem goza de saúde plena, mora a menos de 5km do trabalho e não usa bicicleta para se deslocar é muito provavelmente acomodado. Preguiçoso mesmo! Porque não há nada mais que explique o sujeito pegar um carro para percorrer míseros 5km. É preguiça de mexer as pernas um pouco por no máximo 30 minutos. É muito mais conveniente (e ao mesmo tempo egoísta, claro) sentar a bunda no carro, ligar o ar condicionado e ignorar os problemas do mundo na sua bolha particular. Se não por isto, então há outra razão. E talvez as duas andem bem juntas neste caso. Status! O sujeito quer se exibir, aí bota o terno para ir ao trabalho e diz que se não fosse de carro, suaria muito.

aaComo assim ir para a praia de carro? A galera aqui na Dinamarca vai de bicicleta em massa. (fonte)

No Brasil, distinção de classe está justamente no suor. O pensamento desta elite preconceituosa segue a seguinte linha: Quem sua é pobre que faz trabalho braçal e não pode bancar ar condicionado. Rico trabalha menos e não pode se sujeitar as mesmas condições de transporte e que geram suor. Imagina suar no terno Armani novo! Aqui em Aalborg, ao contrário, vi ontem o chefe do departamento de Ciência da Computação da Universidade indo trabalhar de bermuda e camiseta. Foi de bicicleta, claro. Imagina uma coisa dessas no Brasil?! Quem é que admitiria um empregado indo trabalhar de bermuda e camiseta? Não pode, tá errado. Não pode ir de bicicleta também porque tem que mostrar que é bem de vida. Vejam neste exemplo uma explicação histórica (daqui):

“No século XIX, entre o meio industrial inglês, surgiu o colarinho branco como marca da estratificação social. Apenas os que ocupavam altos cargos nas empresas poderiam ostentar o colarinho alvejado, pois nos postos mais baixos o contato com a fuligem fazia qualquer peça de roupa branca enegrecer em poucos minutos. A essa mesma época, as próprias necessidades do trabalho impuseram o abandono do uso da casaca em prol de uma vestimenta que era um aperfeiçoamento das roupas dos trabalhadores rurais: o terno.

Se antes as calças vinham apenas até o joelho, Lord Brummel lançou a moda das calças compridas, como aquelas usadas pelos limpadores de chaminé. Mas claro, estas calças de limpador de cahminé combinavam-se com botas polidas com champagne, com paletós negros e camisas brancas com elaborados nós de gravata. Brummel, o pai do dandismo, morre em 1840, mas deixa fincadas as raízes do uso do terno como distinção de classe, como foram as unhas compridas na antiga China: o trabalhador braçal, de baixa renda, de classe baixa, não pode usar colarinhos brancos, nem manter as unhas compridas, senão não trabalha, não come, não sobrevive.

No Brasil, a distinção se faz pelo suor. Somos a última nação ocidental pretensamente civilizada a abolir o trabalho escravo. Isso há pouco mais de 100 anos. O escravo era os pés e as mãos do seu senhor. Seus braços e pernas. São conhecidas as gravuras do período colonial em que vemos escravos carregando o senhor em sua liteira, vestido como se europeu fosse, abanando-se ou sendo abanado. Acaso estivesse esse senhor andando pelas próprias pernas, suportaria o calor em sua casaca de veludo?

[Atualmente, ]Vai embora a casaca mas em seu lugar fica o terno (…)”

Mas não adianta argumentar que pedalando devagar você sua muito pouco ou que podemos (devemos) usar roupas mais leves no dia-a-dia. Não adianta um texto longo como este e provas de que o uso de bicicletas funciona em outros lugares. Sabe o que adianta? Mexer no bolso destas pessoas. Quando usar carro passar a se tornar algo extremamente caro, aí elas passarão a procurar alternativas. E também cobrar por infraestrutura para as bicicletas. Alguém aí acha que é possível de outra forma?

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Amanhã tem bicicletada em todo país

janeiro 28th, 2010 — 7:15am

Amanhã, como em toda última sexta-feira do mês, acontece a bicicletada. Um passeio de bicicleta pela cidade com o objetivo de conscientizar motoristas, e divulgar a bicicleta como solução para o trânsito e para o aumento da qualidade de vida nas grandes cidades.

Em São Paulo, o encontro começa às 18h e os ciclistas saem às 20h da Praça do Ciclista, no cruzamento da Av. Paulista com a Rua da Consolação. No Rio há dois locais de encontro: um às 19h na Cinelândia (em frente ao ODEON) e outro na esquina da Praia de Botafogo com São Clemente a partir das 18h. No Rio, em particular, haverá outro encontro neste domingo. Trata-se da pedalada suburbana, com horário de saída às 9h, do portão principal da Quinta da Boa Vista. Em Vitória,  a concentração desta sexta-feira começa às 19h na antiga ponte da passagem em Jardim da Penha.

Há muitas outras cidades pelo Brasil onde o movimento ocorre. Procure na sua. Se ainda está na dúvida se deve ir ou não, conheça melhor os benefícios de sair por aí pedalando.

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São Paulo faz hoje 456 anos com pouco a comemorar

janeiro 25th, 2010 — 8:51pm

Visitei São Paulo algumas vezes, o suficiente apenas para conhecer seus principais atrativos e ter uma primeira impressão formada. Gosto da cidade mas vejo-a cada vez mais como peças de Lego desencaixadas: bairros inteiros se voltam para eles próprios e ficam cada vez mais distantes uns dos outros graças aos engarrafamentos que interligam a cidade. Aos poucos, a cidade vai exarcebando suas desigualdades.

“O distrito de Moema, que abriga a Vila Nova Conceição, bairro com o metro quadrado mais caro de São Paulo, possui uma renda per capita média de 5,5 mil reais e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,961, superior ao de países como Suíça, Dinamarca e Estados Unidos. (…) Com uma população de 124,9 mil habitantes, o distrito [de Jardim Helena] possui uma renda média de 584 reais e um IDH inferior ao de países como Gabão e Sri Lanka.” (Carta Capital, 580, p. 21)

Seria fácil culpar os governantes só pelos problemas que a cidade vem apresentando. No caso das chuvas que castigam a cidade recentemente, há vários indícios de problemas no desassoreamento do rio Tietê, dentre outros que estão longe de ter causa natural ou divina. No trânsito, a cidade teima em priorizar o alargamento e a expansão das ruas e avenidas enquanto a expansão do metrô caminha a passos lentos.  E na periferia há ocupações irregulares por quem não teve outra opção e pouco investimento. O resultado é que 57% dos entrevistados numa pesquisa do IBOPE [pdf] disseram que sairiam da cidade se pudessem e caiu de 46% para 28% os que consideram o governo atual da prefeitura bom/ótimo.

Mas, embora o povo tenha sua parcela de culpa no voto, as eleições possuem uma lógica cruel. Procure no Google por informações sobre como se eleger vereador em São Paulo. A estratégia de quem ganha não passa por planos de melhorar a cidade. Ganha quem gasta mais na campanha e mobiliza (paga) mais cabos eleitorais em diferentes bairros e comunidades. O custo médio para se eleger vereador na capital chega a 1 milhão de reais.

Os governantes são, portanto, no mínimo duas vezes culpados: uma vez pela forma irresponsável com que se elegem e apóiam tal sistema (ao invés da trabalharem para adotar o financiamento público de campanha, por exemplo). Outra pela incompetência de suas gestões públicas. Para Rodrigo Martins, da Carta Capital (Edição número 580), os governos acabam por satisfazer primeiro os interesses de quem os financia. Para o cientista político Leonardo Sakamoto, “se houve melhora na maneira como a administração municipal trata os mais humildes em São Paulo, isso se deve à sua mobilização, pressão e luta e não a bondades de supostos iluminados ou da esmola das classes mais abastadas. Até porque nossos “grandes líderes” naufragam em tempos de chuva.”

São Paulo faz hoje 456 anos com pouco a comemorar.

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A bicicleta como solução para o trânsito das grandes cidades

novembro 29th, 2009 — 3:10pm

Aprendi a andar de bicicleta quando pequeno mas raramente a utilizava como meio transporte. Aos poucos, enquanto crescia, ia deixando de lado as pedaladas, ao ponto de parar por completo. Redescobri a prática em 2003, quando morei na Finlândia.  Passei a ir à universidade, a bares e restaurantes, ao supermercado, e às casas de amigos com minha bicicleta – mesmo quando o frio era de -25ºC. De lá pra cá, aos poucos, fui percebendo e entendendo a importância da bicicleta com parte da solução para o trânsito das grandes cidades.

Recentemente, comecei a pesquisar o assunto mais a fundo. Descobri que existem muitos mitos infundados em torno do uso da bicicleta no trânsito, e que para melhorarmos-o não é preciso grandes reformas de infraestrutura. O mais importante que falta é conscientização de motoristas e ciclistas. Motoristas precisam respeitar os ciclistas e dar a prioridade prevista no Código Trânsito a eles. E ciclistas precisam respeitar o Código de Trânsito.

Por este motivo, criei a seção Pedalando aqui no blog que reúne informações sobre os benefícios da bicicleta e a importância de respeitá-las no trânsito. Após lê-la, espero que comece a deixar seu carro mais em casa.

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Não há ciclovias em Vitória

novembro 15th, 2009 — 10:33am

Hoje, de bicicleta, dei a volta na parte continental de Vitória. Do Carrefour, na Reta da Penha, vou até a Praia do Canto e cruzo a ponte Ayrton Senna. De lá, sigo até o final de Camburi pela praia e, em seguida, entro em Jardim Camburi pela Avenida Gelo Vervloet Santos, contornando o Aeroporto Eurico Salles.  Vou até o Hospital Vitória-Apart, já na Serra, e desço até chegar na Avenida Fernando Ferrari retornando assim à Vitória. Finalmente, percorro toda esta Avenida, passando pela Universidade Federal e cruzando a ponte da passagem, até chegar novamente ao Carrefour.

Ao todo são pouco mais de 18 Km em praticamente uma hora. É um trajeto bonito com vistas para a praia de Camburi, o Convento da Penha, o monte Mestre Álvaro, e a nova Ponte da Passagem. Teria sido perfeito se não fosse pela qualidade das ciclovias – quando elas existem. As únicas exceções estão na ciclovia da praia de Camburi e em um pequeno pedaço da ciclovia da Avenida Fernando Ferrari. Na primeira, o trajeto de pouco mais de 4 km é bem sinalizado e adequado para a mão dupla de bicicletas. Na segunda, num trecho de pouco mais de 1 km ao passar pela Universidade, não há sinalização mas o asfalto é bom e a ciclovia bem protegida de pedestres e carros.

Volta na parte continental de Vitória
(Mapa aproximado do percurso. As partes em azul são as que possuem boas ciclovias. Em vermelho as partes com ciclovias ruins e em preto onde não há ciclovia.)

Mas estes dois trechos são exceções. Nas outras partes onde existem ciclovias, não há sinalização ou conservação. Existem também vários desníveis e o percurso muitas vezes se confunde com o espaço para pedestres. Além disto, quase metade dos 18 km não possui nenhuma ciclovia e o ciclista é obrigado a disputar espaço com os carros nas ruas ou com pedestres nas calçadas. Muito pior é constatar que praticamente toda a cidade de Vitória encontra-se sem ciclovias e a prefeitura não parece demonstrar interesse nelas.

Dois exemplos recentes reforçam esta impressão. O primeiro é o da nova Ponte da Passagem. Não há ciclovia nela. O improviso dado pela prefeitura obriga o ciclista a passar por baixo do viaduto em frente à Universidade, em uma curva muito perigosa, para cruzar o canal pela ponte antiga. Depois, é obrigado a cruzar a avenida novamente, agora já na própria via porque não existe ciclovia na Reta da Penha, para respeitar a lei de trânsito e se manter no sentido dos carros. O segundo exemplo é ainda mais recente. A XX Feira do Verde, que começou no dia 10 e termina hoje, não reservou espaço para ciclistas. Parece que nem pensou neles. Não é permitida a entrada de bicicletas e não há bicicletários com segurança do lado de fora para deixá-las. Quer saber mais sobre o meio-ambiente e aprender a respeitá-lo? Vá de carro, claro.

Ponte nova, sem espaço para bicicletas
(Projeto da nova Ponte da Passagem. Alguém vê alguma bicicleta?)

Há relatos similares de problemas não apenas na Capital mas em toda Grande Vitória por pessoas participantes do movimento Bicicletada. Parece-me que existe um ciclo vicioso em curso que ainda não foi quebrado: As pessoas não tem consciência da importância da utilização da bicicleta como meio de transporte e as prefeituras corroboram esta visão ao priorizar carros nos investimentos no trânsito.

Já passou da hora de mudarmos isto!

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