Category: Educação


A excelente educação finlandesa; E o Brasil?

abril 14th, 2010 — 8:00am

O Luiz Nassif publicou em seu blog semana passada um link para uma matéria da BBC sobre o sucesso do sistema de educação finlandês [en]. Muita gente nos comentários do blog do Nassif parece que não entendeu a matéria, atribuindo o sucesso deles (e o nosso fracasso) aos altos salários dos professores e os altos investimentos em educação.

Sala de aula na Finlândia (fonte)

Mas não é por isso que a Finlândia obtém os melhores resultados em exames internacionais de avaliação de sua educação. Para começar, a Finlândia nem tem os maiores investimentos nem os maiores salários. Este posto fica com Dinamarca, Islândia, Córeia do Sul, Estados Unidos e Israel, todos gastando mais de 7% do seu PIB com educação; A Finlândia gasta 6,4% [en]; O Brasil 4,5% [pdf - en]. Segundo, os salários em torno de EUR 3000,00 (três mil euros ou R$ 7161,00) não são tão altos assim como o valor absoluto faz parecer. A Finlândia tem um alto custo de vida e uma alta carga tributária. Além disto, os salários lá estão abaixo do valor do PIB per capita do país.

A Finlândia não está tão a frente do Brasil porque investe mais. Está porque investe melhor, o que se traduz numa pedagogia melhor. No vídeo no site da BBC, mesmo que você não entenda inglês, repare na pequena quantidade de alunos em uma sala de aula, na disposição das mesas e cadeiras, nas expressões dos alunos e professores, e nos materiais disponíveis, espalhados pela sala. Dá prazer estudar num ambiente assim.

Estudar, lá, é um conceito mais amplo. Os estudantes finlandeses são os que têm o menor número de horas em sala de aula entre os países desenvolvidos. E eles só começam a estudar a partir dos 7 anos. Mas a educação não pára quando a aula acaba. Ela continua com a comunidade, família, amigos e até mesmo com a escola em atividades extra-curriculares. Este envolvimento das pessoas faz toda a diferença.

Enquanto isto, no Brasil, temos a maior média de alunos por sala de aula, professores mal-qualificados, metodologias de ensino do século XIX, e alunos que saem da escola e vão para frente da TV, para a igreja, ou trabalhar. É como se Paulo Freire nunca tivesse existido (ou como se fosse finlandês). Quase nada do que ele defendeu desde a década de 60 é usado aqui no Brasil. A Finlândia, ao contrário, mudou os seus valores sobre o que significa educação; mudou de paradigma de ensino. É aí que está a grande diferença.

Luiz Flávio

4 comments » | Educação

Entrevistando Candidatos ao Mestrado do IIIT-B

maio 11th, 2009 — 7:48am

Na semana que passou, entrevistei quase 30 candidatos ao mestrado do IIIT-B. As entrevistas fazem parte do processo de coleta de dados da minha tese. O objetivo é entender como a tecnologia da informação (TI) faz parte da educação destes candidatos e de que maneira ela contribui (ou atrapalha).

Sem entrar em detalhes do que trata minha pesquisa, foi interessante entrevistar estes jovens com idade entre 18 e 22 anos. Eles estiveram no IIIT-B para as entrevistas de admissão (de 600, apenas 150 serão selecionados) e aproveitei para abordá-los logo que saíam das mesmas. Praticamente todos tinham o olhar assustado e perdido num futuro ainda incerto que tentavam projetar. Estavam bem arrumados dentro do que permitia a concepção de cada um e foram bem receptivos quando eu pedia 10 minutos para mais algumas perguntas de minha parte.

Praticamente todos buscavam o programa de mestrado para conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho. Os que tinham alguma experiência profissional, ganhavam em torno de R$ 1.000/mês. E todos esperavam ganhar pelo menos o dobro depois que concluíssem o mestrado. Sobre este assunto, aliás, alguns me entrevistavam mais do que eu a eles. Queriam saber como era o programa de colocação em empresas (assunto que já foi tema aqui no blog), quais eram as empresas participantes, o percentual de alunos que entrava, e como estava o processo diante da crise.

A crise é assunto recorrente aqui também. A preocupação é que efeitos de crises passadas se repitam nesta, contribuindo para salários reduzidos por décadas. Segundo alguns estudos, alunos que entram no mercado de trabalho em tempos de crise tendem a ganhar 8% menos no primeiro ano em comparação a alunos formados em anos de fartura. Os efeitos permanecem por décadas e podem chegar a uma diferença de até US$ 100.000 em um período de 18 anos.

Isto explica em parte a tensão no semblante dos candidatos. A outra parte é que muitos têm em mãos não só a possibilidade de estudar no IIIT-B mas também em outros institutos ou de optar por uma oferta de emprego. Pesa muito na decisão de cada um a opinião do pai (a mãe conta pouco nesta sociedade ainda muito machista), e a possibilidade de ganhos no curto prazo. Poucos realmente se importam em fazer o que gostam e estudar por desejar. E não é necessariamente por uma visão míope deles próprios que fazem isto. É porque não há outra opção mesmo.

Tornar-se um profissional de TI reconhecido é provavelmente uma das poucas chances que estes jovens tem de melhorar de vida. E o mestrado em um instituto de prestígio é considerado o único caminho para a maioria deles.

2 comments » | Educação

Back to top