Category: Mundo


“Causos” pelo mundo (2)

outubro 16th, 2008 — 10:30am

Em Dubai, dois meses atrás, esperando organização por toda cidade, tive uma desagradável surpresa logo ao desembarcar. Os policiais de trânsito resolveram “organizar” o acesso aos taxis, criando uma fila interminável de espera. Resultado: fiquei uma hora e meia esperando, em plena madrugada, num calor de 37 graus, até chegar a minha vez.

***

Horas antes, no mesmo aeroporto, sabia que precisaria pagar pouco mais de US$ 100 pelo visto de trânsito no país. Em espécie, tinha comigo exatos US$ 100. Fui então a um caixa rápido sacar o restante do valor. Nada! O maldito não funcionava mesmo sendo do mesmo banco que minha conta corrente. Atravessei então praticamente todo aeroporto até chegar ao saguão de conexões. Tentei todos os caixas e nada…

Já me imaginava passando dois dias no próprio aeroporto, tal qual Tom Hanks no filme O Terminal, quando decidi apelar: Abordei o primeiro sujeito que aparentasse ser amigável o suficiente para simpatizar com minha história. Batata! Consegui o dinheiro restante de primeira, apesar do constrangimento.

Depois, pedi ao taxista que parasse num caixa rápido no caminho para o hotel. Consegui sacar dinheiro na primeira tentativa. Maldita Lei de Murphy.

***

Antes, já havia sido pedinte em situação similar. Meu cartão se recusou a funcionar no antigo e agora aposentado aeroporto de Bangalore. Naquela vez, entretanto, foi mais fácil: Como passei uma boa parte da viagem conversando com um britânico que veio sentado ao meu lado, consegui com ele o dinheiro necessário para o táxi.

***

Mas não foram estas as duas únicas vezes que fiquei sem dinheiro no exterior por problemas no cartão. Em Toronto, no Canadá, em 2006, meu cartão também parou de funcionar. Lá, entretanto, fui socorrido por meu primo que, coincidentemente, estava na cidade a trabalho.

Horas mais tarde, rimos um bocado do fato num bom restaurante no centro. Ele, claro, pagou a conta. Aliás, relembrando o fato, acho que ainda devo este dinheiro a ele. Pode deixar que um dia te pago, primo! Quem sabe na próxima vez que nos encontrarmos em algum canto do mundo?

2 comments » | Mundo

Lá ao Brasil e de Volta à Índia 2007-08 (2)

março 29th, 2008 — 12:05am

Após 45 dias, cheguei à Índia para encontrar os mesmos problemas de sempre. Caos no trânsito, falta de educação no comportamento dos indianos no dia-a-dia, poluição, pobreza. Tudo isto se manifesta o tempo todo e de diversas formas no imenso contraste que é a Índia. E não é preciso nem sair do aeroporto para acordar para a realidade do país.

Já escrevi especificamente sobre o trânsito daqui no passado. Recentemente, a realidade indiana também foi tema de um texto de um amigo (brasileiro) que conheci aqui em Bangalore. Ele resume os problemas indianos em categorias: sujeira, má qualidade dos serviços prestados, abuso dos motoristas de riquixás, exploração econômica dos estrangeiros, trânsito insuportável, festas sem graça (e que acabam antes da meia-noite), e a falta de respeito com a mulher. Eu ainda incluiria neste bolo a corrupção que permeia todos os níveis da sociedade indiana, a língua inglesa quase indecifrável de muitos indianos, e a pobreza explícita que denuncia a precariedade dos serviços públicos básicos e o descaso tanto das autoridades quanto de parte da população.

No trajeto de volta ao Instituto (o IIIT-B), tentei adiar tanto quanto possível esta realidade revendo mentalmente todos os incríveis destinos que visitei na viagem que terminara. Foi um passeio inesquecível, em vários atos. Começou na Índia, passou pela Europa e pelo Brasil, terminou na Índia. Lá e de Volta, literalmente.

1. Agra (Taj Mahal)
Por mais que falem do clichê que é visitar este mausoléu, considero a visita à Índia incompleta sem conhecer esta que, para mim, é uma das construções humanas mais bonitas ainda de pé.

2. Delhi
Delhi é uma capital com muita história para contar. Rota de muitos povos entre diferentes regiões por milhares de anos, a cidade se tornou um caldeirão de diferentes culturas e religiões. Visita também imperdível a quem visitar a Índia.

3. Munique, Regensburgo, e Chemnitz
Revisitei a Alemanha em dezembro, após ter passado por lá antes de chegar à Índia pela primeira vez. Adorei o país e todas as cidades que visitei. Foi muito bom também ter reencontrado velhos amigos que não via desde 2003.

4. Praga
Apesar da péssima impressão causada pela estação de trem, Praga – capital da República Tcheca – me surpreendeu positivamente. A cidade preserva mais de 1000 anos de história e exibe orgulhosa todos os principais estilos arquitetônicos que marcaram a Europa desde então.

5. Varsóvia
A capital polonesa foi a que teve menos valor turístico para mim. A cidade mais destruída pelos alemães na Segunda Guerra tem pouco a oferecer. Nem por isto, entretanto, foi menos importante: Com um amigo, revisitei a história de uma das maiores atrocidades da humanidade. Sob este ponto de vista, Varsóvia tem muito a mostrar; as cicatrizes ainda não se fecharam.

6. Cracóvia
Em clima bem mais leve, me diverti bastante com as lendas que recheiam a cultura desta cidade, no sul da Polônia. Até dragões fazem parte do mito popular.

7. Helsinque
A Finlândia (e obviamente sua capital) tem valor especial para mim. Foi minha primeira morada no exterior e onde ganhei amigos para toda a vida. E queria muito visitá-los. O reencontro foi memorável e não podia ter sido melhor.

8. Tallinn
A capital da Estônia é o ponto alto deste país que começa a se destacar na Europa, após décadas sob domínio russo. Fiquei encantado com local e seus atrativos, tanto da velha Tallinn medieval quanto da nova e moderna capital.

9. Vitória
Minha terra natal! Local onde estão as pessoas que mais amo neste mundo! Precisa falar mais?

10. Londres
Com apenas um dia disponível na cidade, tive que me contentar apenas com as principais atrações. Foi uma boa primeira impressão da cidade mas certamente não o suficiente.

De Londres, após uma escala no Bahrein (Oriente Médio), voei direto para Bangalore. O dia amanhecia quando finalmente consegui me desvencilhar do controle alfandegário e da fila para conseguir um táxi. Bangalore não é uma cidade bonita mas não era mesmo por isto que estava ali. Apesar dos seus problemas, a cidade e o país têm também muitas qualidades. Talvez “incrível”, como quer descrever o governo (http://www.incredibleindia.org/), seja mesmo o melhor adjetivo para resumir ambos, qualquer que seja a conotação empregada.

Voltemos agora à programação normal, diretamente da Índia…

2 comments » | Índia, Mundo

Um mundo para esquecer

fevereiro 29th, 2008 — 1:03pm

Esqueçam a TV e a revista fajutas, parciais e maniqueístas. Esqueçam a corrupção do governo e o suposto ex-governo espião (para não dizer mais). Se todos neste mundo menos o povo se beneficiam, está instituído um estado novo, que de novo nem o nome tem mais. Alegria! Alegria!

Aliás, esqueçam logo todo o Brasil e suas milícias que se espalham e seus desmatamentos e suas violações dos direitos humanos. Esqueçam a pobre coitada da África e todas as suas formas de miséria na Nigéria que mata, no Egito que prende e tortura, no genocídio de Uganda, na Guinéa Equatorial corrupta e patrocinada pelos EUA, no Zimbabwe de inflação superior a 100.000% ao ano e taxa de desemprego de 80%, na PQP. Aproveitem o ensejo e esqueçam a China, que também ajuda a patrocinar tudo isto enquanto ouve hipocrisia do ocidente que fez o mesmo no século passado.

Na Ásia, além da China, esqueçam também da Índia que estupra, rouba órgãos, e esquece do seu povo. Esqueçam de Myanmar e o massacre que lá ocorreu e provavelmente ainda ocorre, da Indonésia do recém falecido ditador honrado como herói, e da Coréia do Norte tirana.

Na Europa, esqueçam da guerra que acabou 63 anos atrás e ainda gera polêmicas e rancor. Esqueçam da pseudo-independência de Kosovo, dos cartuns do profeta Maomé e dos protestos na Dinamarca, e da possível e controversa entrada da Turquia na União Européia. Ah! Quase me esqueço da Rússia que cerceia a liberdade de expressão e é inclusive capa da The Economist desta semana, por conta de sua economia indigesta.

Esqueçam o Oriente Médio e a guerra no Iraque. Esqueçam Israel e Palestina num imbróglio literalmente bíblico. Esqueçam todos os países que ali vivem do Petróleo e que morrerão dele. Esqueçam novamente da Líbia.

Nos EUA, bem, é melhor nem começar. Esqueçam logo tudo o que acontece e aconteceu ali e estendam o esquecimento aos vizinhos, inclusive o Caribe dos paraísos fiscais coniventes, inclusive Cuba com novo governo e a incrível promessa de (advinha?) manter o mesmo regime. Mais ao sul, esqueçam obviamente a Venezuela mas também todo o resto. Há muito que esquecer ali entre seqüestros e outros atos de terrorismo, corrupção, e descaso.

Esqueçam a Antártida e a Antártica que de tanto abuso e exploração do mundo, derretem de tanto chorar e ameaçam desaparecer: Não querem mais morar neste planeta.

***

Diz a revista The Economist que o mundo está melhorando (acesso restrito), que os pobres já não são mais tão pobres assim e que os estados totalitários estão acabando. Se for mesmo o caso, tentem esquecer tudo o que falei aqui.

***

PS1: A maioria dos links é de notícias ou opiniões publicadas em fevereiro em blogs ou sites de revistas e jornais brasileiros e internacionais que acompanho com mais frequência. Não há, claro, verdades absolutas, mas são todos assuntos recorrentes e atuais.

***

PS2: Desculpem o texto um tanto fora de contexto aqui no Lá e de Volta. No próximo post falo de Tallinn, meu último destino na viagem que fiz à Europa em dezembro.

4 comments » | Mundo

Back to top