Category: Tecnologia da Informação


Oi, Claro que Vivo com muitas fronteiras na TIM

março 17th, 2010 — 1:30pm

Praticamente todo mundo no Brasil já teve algum problema com serviços de telefonia. É até clichê começar uma frase assim. Eu já sofri com vários e o mais grave que tive no passado serviu de inspiração para um microconto. Eu estava em Manaus e não conseguia de forma alguma completar ligações. As desculpas da operadora variavam desde as mais autênticas, como a tal “sombra” de prédios que bloqueiam o sinal em certos locais da cidade, até os mais comuns “problemas técnicos”. Eis o relato de 2006:

Enquanto abundam propagandas das operadoras de celular na TV, seus usuários parecem usufruir apenas de picolé de chuchu. Maledicência?

Talvez seja mesmo… Mas só para os poucos felizardos que moram rodeados por torres de transmissão e mão-de-obra barata capaz de quebrar galhos diários. Para o resto da população brasileira, sobra “estarei registrado para estar comunicando…”, “nosso sistema não está funcionando para estarmos registrando…”, “vamos estar providenciando…”, e demais gerúndios americanizados . Isto, claro, quando o paciente cliente consegue completar a ligação.

Condenado sem julgamento, tenta como penitência discar *144. E ao receber da operadora a explicação de que sua localização está com sombra precisa argumentar que o sol em Manaus está de doer – não há sombra aqui, meu amigo. Mas nosso querido usuário é persistente (não seria teimoso? ou inocente?) e continua se desvencilhando de todas as fronteiras. Quer viver sem elas como promete o comercial!

Tenta agora mudar a banda (e se tocar Ivete, funciona?); depois, troca o aparelho (serve aquele velhinho mesmo, bons tempos aqueles…); por último, numa atitude desesperada, muda o chip. Pega um nativo mesmo, com sotaque manauara, porque este chip turista deve estar meio perdido na cidade nova, no meio da floresta.

Não adiantou patavina. Frustrado, com o rabo entre as pernas, desiste. Não pôde nem processar a operadora porque seu celular está em nome da empresa. Restou-lhe o orelhão, amigo de todas as horas, infalível.

Disca então o número desejado, confiante:
- Alô.
- Alô, seu Manoel, tudo bem? João aqui em Manaus…
- Oi seu João, fala mais alto que este meu celular da TIM não fun…
- (…) Tu tu tu tu tu…
- Puta que pariu! – e foi-se embora tomar um picolé.

Mas, recentemente, a mesma TIM conseguiu se superar. Em menos de um mês como cliente ela conseguiu, sem aviso prévio, bloquear a minha linha para efetuar chamadas e cobrar indevidamente quase o dobro da futura. E, pior, para desbloquear a linha só pagando o valor indevido pois só poderei contestá-lo depois que a fatura for fechada. Até lá, ou eu pago ou continuo com a linha bloqueada.

Não adiantaram os 8 chamados abertos nem as 2 reclamações na Anatel. Minha linha continua bloqueada e em uma semana devo receber a famigerada fatura com a cobrança indevida. Só então poderei ir ao Procon. Porque eu insisto em utilizar a TIM talvez nem em terapia eu consiga descobrir. Ou talvez atualmente no Brasil não haja muita opção, infelizmente. Em qualquer uma das operadoras, Oi, Claro, Vivo, Tim, Embratel, Telefonica, etc. estamos igualmente sujeitos a sofrer com a péssima qualidade dos serviços prestados.

Atualmente então, resta-nos dizer uns aos outros, boa sorte, e continuar reclamando na esperança que algum dia a Anatel e, por trás dela, o governo federal resolvam punir de alguma forma estas empresas pelo conjunto de danos causados aos usuários e criar mecanismos para impedir que eles ocorram novamente.

3 comments » | Tecnologia da Informação

No Twitter, as melhores piadas sobre o apagão de ontem

novembro 11th, 2009 — 6:15am

Quem pôde ficar online durante o apagão deve ter se divertido um bocado também no Twitter. O serviço ficou repleto de boas piadas sobre a pane em Itaipu que provocou a queda de energia no Paraguai, em quase todo o Sudeste, e em partes da região Sul e Centro-Oeste. Abaixo uma seleção de pérolas que circulam o Twitter.

Do @pedrodoria:

“problemas de transmissao em Itaipu: aposto que é tudo culpa da Claro” (fonte)

Furnas terminou a migração para o windows 7 :) ” (fonte)

Do @almirante:

“A luz voltou no Paraguai. Mas deve ter vindo de contrabando.” (fonte)

A condução da política energética brasileira desperta nossos instintos mais primitivos. O tato, no caso de hoje.” (fonte)

Do @prenass:

“A Madonna mandou um #jesusapagaluz e resultado #apagao” (fonte)

“Segundo @fofuji, o #apagao é um viral do filme #2012″ (fonte)

“Meu nome é John Connor e se você está lendo isso, você é a resistência. #terminator” (fonte)

Do @mvsmotta:

“Bom,já sabemos + ou – como será o fim do mundo:um monte de gente falando bobagens no Twitter e…BUM!” (fonte)

Legal:vizinhos das ruas q já tem luz gritando “eu tenho,vc ñ tem”. (fonte)

Agora é oficial:piadas envolvendo apagão+Madonna+Jesus Luz demonstram q nem depois q a energia voltar,seus neurônios “ligarão” (fonte)

De @mcbpeder:

Neste natal vou pedir ao Papai Noel: 1 carro anfibio (p escapar dos alagamentos) e um gerador (para quando Itaipu tirar ferias)” (fonte)

Tem velas no meu banheiro. Acabei de dar uma cagada super romântica.” (fonte)

Para mais pérolas, confira claro a tag #apagao.

4 comments » | Tecnologia da Informação

Viajando com o Twitter

abril 22nd, 2009 — 5:23am

Eu ia escrever um texto longo aqui analisando o papel do Twitter [en], uma ferramenta classificada de micro-blogging [en] para envio imediato de pequenas atualizações de texto. No caso do Twitter, cada atualização é limitada por 140 caracteres e deve supostamente responder a uma simples pergunta: “O que você está fazendo?”.

Mas como este blog é dedicado a viagens e como até o Fantástico já falou da ferramenta, me limito a dizer que também a uso a algum tempo. Na minha conta pessoal, escrevo em inglês praticamente o tempo todo. Na maioria das vezes trato de assuntos ligado a minha área de interesse profissional – Tecnologia da Informação. Por isto, criei uma conta para este blog. Nela as atualizações são em português e voltadas para temas ligados ao turismo e às viagens que faço. Você, claro, é muito bem vindo a me acompanhar nas duas se assim desejar!

Se você ainda não criou a sua, recomendo que faça [en]. Tem muita coisa acontecendo no Twitter e muita gente bacana escrevendo por lá. O Ricardo Freire, um dos maiores especialistas em turismo no Brasil, escreveu especificamente sobre as vantagens da ferramenta para os interessados no prazer de viajar. A Paula Bicudo já havia feito o mesmo antes. E, se você tiver dúvidas sobre como usá-lo, o Interney explica. O Interney, aliás, é provavelmente o usuário mais popular do Twitter no Brasil. Tratando de assuntos diversos, seguí-lo é uma diversão.

Faça bom proveito mas cuidado que o passarinho vicia! Nos vemos também no Twitter.

PS: O meu irmão, coautor deste blog (mas que anda meio sumido por estas bandas), também criou a conta dele ontem.

2 comments » | Tecnologia da Informação

A produção de software no Brasil e o porquê da Índia ser melhor

abril 13th, 2009 — 5:08am

Ano passado um russo veio à Bangalore visitar o Instituto onde estudo, vindo de Vitória, ES, cidade onde morei praticamente toda minha infância. É isto mesmo. Fiquei tão impressionado com a coincidência que 3 horas em um restaurante próximo não foram suficientes para tanto assunto. O sujeito é pesquisador na Universidade de Berkeley (Califórnia) e conheceu a esposa lá. Ela é carioca, a propósito.

Obviamente a origem da esposa foi mais do que motivo suficiente para ele iniciar um trabalho de pesquisa no Rio. Não me recordo quanto tempo ele ficou na cidade, mas o foco do estudo era no entendimento da metodologia adotada pelos cariocas no processo de desenvolvimento de software. Por que o Rio? Bem, além do fato da esposa ser de lá, outro motivo, segundo ele, é que mais cidades no mundo podem ser comparadas ao Rio, ao contrário da grandiosa São Paulo, o que possibilita um uso mais diverso do resultado. Outro aspecto que ele considera curioso no Rio é a maneira como a cidade se coloca no mercado, à sombra de sua vizinha paulista.

Entre um arroz biryani e outro, ele me apresentou a sua visão do mercado brasileiro de software – bem interessante, por sinal. Por que, por exemplo, os brasileiros produzem software para o mercado interno enquanto a Índia fatura horrores com a exportação? Certamente a língua não é o principal fator. Segundo ele, o fato do software estar em português, o que implicaria em algum custo para tradução (principalmente se o software não foi originalmente projetado para várias línguas) não é (ou não deveria ser), de longe, o principal entrave à exportação. Vencido este primeiro obstáculo, são inúmeras as etapas a serem cumpridas para que o software possa ser comercializado internacionalmente. A língua é, literalmente, o de menos…

Mas então, por que não vendemos software lá fora?

A culpa é do nosso pequeno mercado e da maneira como as empresas brasileiras atuam nele. Ele é, na verdade, ao mesmo tempo uma benção e um calo no pé. É claro que o fato de possuirmos um mercado interno estimula a produção de software local e sem ele nossas atuais empresas provavelmente não existiriam. Entretanto, graças a ele também é que estas mesmas empresas acabam se acomodando: “O meu cliente está logo ali, para que ir mais longe?”.

Outra característica peculiar de nossas empresas de software está na relação com os clientes. Primeiro que elas nascem ou já com um cliente em mente ou pensando em arrumar um cliente. Raramente uma empresa de software no Brasil surge com um plano de negócios focado em um mercado para produzir software numa economia de escala. O foco da empresa no cliente está na natureza de nossas relações. Dificilmente negamos as solicitações dos clientes o que acaba resultando em versões customizadas de um mesmo produto para cada um deles. É mais ou menos como se a relação precisasse ser informal, em tom de amizade [en]. Parece familiar? Pois é, para mim também. Este comportamento acaba fazendo com que as empresas de software do Brasil aceitem praticamente todas as solicitações dos clientes, indo ao extremo de detalhar no software particularidades exclusivas de cada um se preciso.

Além disto, o nosso principal cliente, o governo, tem características muito distintas que exigem grande esforço e investimento na relação comercial. Este mesmo governo também dita o tipo de serviço prestado pelas empresas locais. Nas décadas de 80 e começo de 90, por exemplo, quando o governo impunha severas restrições à entrada de hardware no Brasil, houve uma demanda pela produção interna dele.

Este tipo incentivo tem grandes desvantagens. Primeiro que incentivar a produção de tecnologia em detrimento do uso, acaba favorecendo apenas um setor da indústria quando vários poderiam se beneficiar se o incentivo do governo estivesse no uso da tecnologia. Segundo que, no caso particular da produção de hardware, o mercado internacional é altamente competitivo e dominado por grandes empresas principalmente estabelecidas nos EUA.

Assim, quando se iniciou no Brasil um processo de abertura comercial, muitas das empresas de hardware brasileiras tiveram que encolher consideravelmente ou simplesmente fechar as portas. Com políticas mais recentes do governo, este quadro está se revertendo um pouco. De 2000 para cá é evidente o crescimento de nossa indústria de hardware e software.

No caso do mercado externo, entretanto, são duas razões principais para nossas pífias exportações: 1) lá fora as empresas de software brasileiras não conhecem ninguém, o que dificulta qualquer aproximação mais pessoal da maneira como fazemos no Brasil; e 2) elas muitas vezes não possuem o interesse pois o mercado brasileiro é aparentemente suficiente para elas….

Normalmente uma empresa brasileira inicia alguma operação no mercado internacional apenas quando a oportunidade bate a sua porta. Ou seja, se algum comprador internacional procurar a empresa brasileira, demonstrando bastante interesse, então a ela terá a motivação necessária para tal empreitada.

Como em toda regra, entretanto, esta também possui suas exceções. O melhor exemplo talvez seja a linguagem de programação Lua. Ela foi criada na PUC do Rio em 1993 e desde o seu nascimento foi projetada em inglês, para o mercado externo. Para se ter uma idéia, nem existe manual em português. Aliás, os melhores livros dela só são encontrados fora do Brasil e sem tradução para nossa língua. Segundo o site oficial, Lua é usada em várias aplicações de grande porte (por exemplo, o Adobe Photoshop Lightroom) e é a linguagem de script dominante na criação de jogos. Menos de 10% dos mais de 1300 assinantes da lista de discussão são do Brasil.

Para fechar, o meu amigo russo acha que os brasileiros das empresas de software são megalomaníacos (ele fala um bom português e literalmente usou esta palavra). São todos cheios de grandes planos, sonham em atingir o mercado internacional, mas pouco fazem na prática para tornar os sonhos concretos. É a perfeita justificativa, segundo ele, para que nosso país continue sendo o “país de futuro”, sem planos no presente.

***

O estudo do pesquisador ocorreu essencialmente no Rio de Janeiro. Embora alguma extrapolação seja possível, a generalização oculta outros padrões que se destacam principalmente em algumas regiões do Sul do Brasil, em São Paulo, e em Recife. Ainda assim, estamos muito atrás da Índia na indústria de software. Temos grandes empresas mas a maioria ainda é estrangeira (inclusive as Indianas Wipro e Satyam) e que só agora começam a se organizar para tornar o país competitivo. O resultado deste individualismo e falta de pró-atividade é um mercado menor que a metade do mercado Indiano (cerca de US$ 20 bilhões em comparação aos US$ 50 bi Indianos), com déficit na balança comercial, e  ainda bastante dependente do governo para se sustentar.

Para mais informações:

12 comments » | Tecnologia da Informação

Back to top