Category: Brasil


A importância da eleição de Dilma

agosto 18th, 2010 — 6:56am

Eu escrevi este texto originalmente para um amigo mas quero compartilhá-lo com todo mundo que venha eventualmente ler este blog. Porque o primeiro programa de Dilma na TV ontem me emocionou e acho que tem importância histórica. Porque penso que muitas pessoas mais ricas no Brasil não têm a real noção do significado do governo Lula e da importância de eleger Dilma. Estas pessoas, felizmente para elas, não sabem o que é pobreza. Mas pelo menos deveriam ser capaz de imaginar o que é viver com menos de US$ 1/dia.

Eu só fui ver este tipo de pobreza na Índia e chorei na primeira vez que vi uma cidade inteira de pessoas cagando na rua, vivendo em barracos de chão de terra batida e telhado e paredes de plástico, e comendo restos ao lado de ratos e outros bichos. Sei que ainda existe isto em várias partes do Brasil. Mas no Brasil de Lula, mais de 30 milhões de pessoas  passaram a viver com mais dignidade! É meia França ou quase uma Argentina inteira. Neste Brasil, educação deixou de ser sucateada, e crédito passou a ser acessível a todos. É um Brasil que desafiou preconceitos, quebrando forças conservadoras elitistas. Eu posso continuar listando fatos mas acho que todos os conhecem ou deveriam.

O Serra, ao contrário, não fez quase nada por São Paulo. É um estado infinitamente mais rico que qualquer outro mas suas políticas ficaram meramente no âmbito das obras públicas e dos investimentos no básico de educação e saúde. Este é o básico que todo governo deveria fazer. Mas São Paulo pode muito mais (aliás, não é este o slogan do candidato?) e ninguém
ainda fez isto pelo estado, na minha opinião.

E por que não? Eu tenho uma teoria. São Paulo é o estado mais rico e também um dos mais conservadores. É onde está a maior concentração de classe média que mais me envergonha no país. Esta que quer tirar vantagem em tudo, que acha que carro é o melhor meio de transporte, que não quer um metrô na porta de sua casa, que tem vergonha de pobre, etc. Esta classe média vota em Serra (e agora em Alckmin) porque não quer perder seus privilégios. Quer manter as coisas como estão. É de um egoísmo e uma mesquinhez que só vejo precedente na história de nossas altas classes de origem portuguesa (leia Ubaldo Ribeiro, por exemplo).

Então eu me emociono mesmo quando vejo que o povo está se beneficiando tanto de um governo e percebe isto, e não se deixa enganar. Vocês viram o jingle de Serra tentando se mostrar como continuidade de Lula, e se associando indevidamente ao atual presidente? Viram ele usando uma favela de mentira em seu programa? Que vergonha alheia do Serra que eu tenho. É um candidato que não tem projeto, nem identidade. E felizmente isto está ficando claro para cada vez mais gente. Eu fico feliz de ver o Real se valorizando, os números em geral infinitamente melhores que do governo anterior, e mais pessoas se beneficiando disto.

E por tudo isto, este governo do Lula não pode ser só um espirro. Sabe, não pode ser só um governo de esquerda, exceção na nossa recente história democrática. Tem que haver continuidade para deixá-lo marcado! Para que ninguém se esqueça, para que estes ricos egoístas e preconceituosos tomem mais um tapa de luva. E para que estes mesmos ricos tenham que engolir cada vez mais pessoas humildes em aeroportos, comprando carro, viajando e fazendo parte cada vez maior das riquezas do nosso Brasil. Os mais humildes merecem muito isto e finalmente estão tendo! Tem que continuar assim.

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Rio 2016, uma reflexão sobre os jogos olímpicos no Brasil

outubro 3rd, 2009 — 7:04am

Eu fui contra a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, fiz questão de falar no Twitter antes do anúncio do resultado. Os argumentos, ou melhor, a retórica é velha: falta de infraestrutura, violência e corrupção, para ficarmos no básico. Mas não foi por apresentar uma proposta capaz de resolver bem estes problemas que o Brasil ganhou. Tampouco porque os investimentos deixarão um legado para o povo.

Pode ser que isto ocorra, e quero acreditar que sim, mas o Brasil ganhou porque quer uma olimpíada por paixão ao esporte. Não é pela questão turística como pensam os europeus, nem pela arrogância de ganhar medalhas como americanos, chineses e russos. Ganhar medalhas é bom e melhorar a tão carente infraestrutura do Rio também. Mas fosse por isto, as Olimpíadas deveriam ser então numa ditatura comunista ou num país muito mais carente, talvez na África subsaariana.

Lula se emociona
(fonte: cidadeverde.com)

Também não é por ter uma melhor proposta que se ganha o direito de sediar uma olimpíada, senhor José Maria Odriozola. “Mesmo com 80% da estrutura prontos para receber uma Olimpíada.” Por estes parâmetros, continuo contra a candidatura carioca. Acho que o dinheiro gasto num evento deste porte pode ser muito melhor aplicado de outras formas. Por outro lado, também acho que não se deve menosprezar nosso país, como fez Daniel Piza, do Estadão, e atribuir a vitória ao ineditismo de uma olimpíada na América do Sul e às belezas naturais da cidade.

Mas o próprio Daniel, no mesmo artigo, dá uma pista do motivo da vitória. Fala do carisma de Lula. Demorei a perceber isto mas este foi um carisma que, para mim, representou uma emoção muito forte de paixão pelo esporte. Paixão que foi sentida pelo COI e que transbordou em choros, sorrisos e samba entre os brasileiros lá presentes após o anúncio da cidade vencedora. Paixão vista no belo filme de Fernando Meirelles. Paixão daqueles que acreditam e lutam para que através do esporte também mudemos para melhor nosso país.

O site oficial das Olimpíadas destaca três valores olímpicos: excelência, respeito e amizade [en]. A proposta brasileira ganhou de goleada em dois deles. Falta agora apenas construirmos a excelência. É um trabalho de todos nós. Se manifesta no voto destas eleições e das próximas, na cobrança de ações de nossos governantes, e na fiscalização dos trabalhos. A Organização Transparência Brasil é uma das que partem na frente neste sentido.

Festa da comitiva brasileira
(fonte: cidadeverde.com)

E com estes valores em mente, temos tudo para realizar um grande evento. Com o perdão do trocadilho, o Brasil vive mesmo um momento de ouro. Resta agora sabermos aproveitá-lo.

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Eu voltei! (Ou quase…)

maio 18th, 2009 — 10:06am

Olá pessoal!

Sei que estou há quase 1 ano sumido aqui do blog e, ainda que eu não esteja pronto para voltar, pelo menos venho lhes dar uma satisfação e dizer o que vem por aí – mas repito, ainda que não saiba quando “aí” se traduzirá.

Fato é que, desde a minha ultima postagem sobre Paris, minhas viagens tem sido muito mais internas. E não digo dentro da Dinamarca, pois estou no Brasil desde o natal de 2008, mas me conhecendo melhor. Soma-se a isso o fim do meu 3º semestre, o início da minha tese de mestrado, e algumas aulas de inglês. Atividades que tomaram e estão tomando bastante tempo. Por fim, estou escrevendo um blog em inglês (Innovation Tool) para tentar agregar discussões sobre a minha tese. Ainda bem no início no entanto.

Ainda na Europa, depois de Paris, tive a oportunidade de visitar Amsterdã, Ultrecht (uma cidadezinha holandesa onde mora um grande amigo), Copenhaguem (onde finalmente fui depois de 1 ano morando na Dinamarca), Praga, e uma rápida passagem por Hamburgo. Locais incríveis sem dúvida, que pretendo ainda contar para vocês. Depois de minha chegada ao Brasil estive no Rio de Janeiro depois de 5 anos para reencontrar pessoas que gosto tanto – e que me cobraram bastante essa volta aqui.

Devagar eu vou aparecendo.

Beijos e abraços!

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Exemplo Indiano

dezembro 23rd, 2008 — 8:28am

A Newsweek da semana que passou traz dois exemplos contundentes de um assunto que venho falando aqui recentemente: o contraste da violência na Índia e no Brasil. Em uma das reportagens, ela analisa os protestos pacíficos do povo Indiano após o ataque terrorista à Mumbai, direcionados principalmente ao governo. Até o momento não há sentimento de vingança ou de retaliação ao vizinho paquistão, e não houve escalada de violência. Pelo contrário, o povo clama pela cooperação de ambos os países e cobra do governo mais rigor na prevenção e no combate ao terrorismo.

Em contraste, uma notinha na seção “Periscope” da mesma revista mostra a realidade brasileira: O país possui uma das 5 maiores taxas de assassinato do mundo, atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Venezuela, e Guatemala. O número médio da América Latina (37 assassinatos para 100.000 pessoas) é 17 vezes maior que a média asiática. Segundo a revista, o número assustador de nossa região é devido à formação de gangues e ao crescimento acelerado do tráfico de drogas.

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Um pôr-do-sol aos domingos

novembro 9th, 2008 — 12:03pm

Lençóis Maranhenses

Lençóis Maranhenses, Brasil.

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Rapidinhas direto de Vitória, ES e um problema no Cinemark

junho 1st, 2008 — 8:08pm

Conforme divulgado, já estou de volta ao Brasil desde a semana passada. Adiantei meu vôo em dois dias para fugir da inauguração do novo aeroporto de Bangalore. Novidades governamentais na Índia são sinônimo de muita confusão e problemas.

Em Vitória, já revi meus familiares e alguns amigos. Ainda não deu tempo de “chegar” por completo. Uma boa notícia foi a excelente temperatura média do inverno daqui da capital, quase o oposto do verão indiano insuportavelmente quente e seco.

***

 

Quarta-feira passada estive na Aracruz Celulose com um grupo de alunos do mestrado e da graduação em Ciências Econômicas da UFES. A visita foi extremamente elucidativa na abordagem dos processos inovativos que ocorrem na empresa. Conto mais detalhes depois.

Agradeço ao Prof. Arlindo Villaschi pelo convite.

***

 

Escrevo este post após chegar de uma sessão inusitada de cinema. Ou melhor, uma pseudo-sessão. Tentei pela segunda vez assistir ao novo Indiana Jones sem sucesso. Na primeira cheguei atrasado, mas desta vez, no Cinemark (faço questão de destacar o nome), estou isento de qualquer responsabilidade pelo fracasso.

A projeção do filme começou atrasada, cheia de falhas e distorções, e sem as legendas, gerando gritarias de protestos nos primeiros 10 minutos. Depois, quando acertaram os problemas, a gerência se recusou a recomeçar o filme, provocando uma debandada geral da sessão.

Após muita reclamação, conseguimos o reembolso dos ingressos, da pipoca e do refrigerante, o mínimo aceitável pois não considera o estacionamento, a gasolina gasta, o tempo despendido, e a frustração e o aborrecimento de não conseguir ver o filme.

Era visível também o despreparo de toda a equipe em lidar com a situação. Não havia nenhum tipo de controle para o reembolso e a funcionária responsável não sabia como lidar com os clientes mais exaltados. Inacreditável também a demora em acertar o filme e a recusa em começá-lo novamente.

Já tive problemas antes no Cinemark com o excesso de iluminação durante a sessão, com falhas no som, com filas demoradas para compra de ingresso e pipoca, e com atrasos no início da projeção. Obviamente, pelo menos em Vitória, a empresa ainda precisa melhorar muito.

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Quando voltei da Europa em dezembro

março 15th, 2008 — 9:36am

Quando voltei da Europa em dezembro, fiquei 30 dias no Brasil antes de retornar à Índia e não saí da região frequentemente intitulada “Grande Vitória e Guarapari”. Vitória, a capital do Espírito Santo, é minha terra natal. Nasci na vizinha Vila Velha mas lá praticamente só vi a maternidade. Meus primeiros 13 anos de vida aconteceram em Vitória, com exceções apenas em viagens esporádicas aqui e ali, durante as férias escolares.

Para uma introdução rápida desta ilha fundada em 1551, recomendo a Wikipédia e o site de turismo da Prefeitura. Para se aprofundar, o acervo da Biblioteca da Universidade Federal do Espírito Santo é um prato cheio e permite pesquisa online. Recomendo temas relacionados aos diversos colégios centenários estabelecidos por lá e, vinculado a isto, à formação do Centro da cidade e sua classe alta; às histórias por trás da estrada de ferro Vitória-Minas; à tradição das paneleiras; à culinária famosa pela moqueca e pela torta capixaba; e à economia da região, fortalecida pelo setor metal-mecânico e recentemente pela descoberta de petróleo em sua costa.

Como não só de livros vive o ser humano, há diversas opções de lazer e conhecimento acontecendo na cidade. Novamente, o site da Prefeitura é um bom ponto partida. Imperdível também são os eventos realizados pelo Centro Cultural Majestic. O local atualmente recebe o Café Literário, evento nacional do SESC com o objetivo de “oferecer um ambiente de diálogo entre o público e aqueles que produzem literatura, ou que possuam atividades diretamente ligadas a ela, como estudantes, professores, jornalistas, críticos ou editores”.

Antes, o Majestic organizou a série “História Viva” com a proposta de resgatar a história do Centro de Vitória sob diversas óticas. O projeto foi composto por mesas redondas formadas por especialistas no tema em pauta, incluindo economia e cultura; música e poesia; manifestações políticas; e educação. Todas as quatro mesas redondas foram gravadas e chegaram a ser transmitidas pela TV Educativa do Espírito Santo. Torço agora para que virem DVD e sejam colocadas à venda para o público em geral.

Há ainda que mencionar o passeio de caravela pela Baía de Vitória. Uma réplica de uma típica embarcação portuguesa do período colonial revisita a história da colonização na região enquanto percorre importantes pontos turísticos da cidade.

Outro aspecto positivo da cidade são as mais variadas opções de restaurantes de qualidade espalhados por quase todos os bairros, para todos os gostos e bolsos. O estado (e consequentemente Vitória) também faz parte do evento Brasil Sabor que este ano acontece entre 9 de abril e 11 de maio. E há ainda o evento Sabor ES que ano passado ocorreu no final de novembro e reuniu os principais chefs do estado sem contar convidados de todo país.

Finalmente, os turistas (moradores ou não) não podem deixar de visitar as principais atrações da cidade, dentre as quais recomendo: A Catedral Metropolitana e demais prédios históricos do Centro (afinal, Vitória é a terceira capital mais antiga do país), a Ilha das Caieiras, o recém-inaugurado Hortomercado, o Parque da Fonte Grande, o Museu Solar Monjardim e o Museu de Artes do Espírito Santo.

Não vou falar dos municípios vizinhos que compõem a região metropolitana e do famoso balneário de Guarapari. Estas regiões sozinhas mereceriam posts como este exclusivo para elas. Limito-me a destacar, em Vila Velha, o Convento da Penha (construído sobre um rochedo a 154 metros de altitude em 1558), o Museu Ferroviário, a Igreja Nossa Senhora do Rosário (quarta mais antiga do país), e o Museu Homero Massena; a bucólica região de Manguinhos na Serra; e todas as belas praias de Guarapari e de seu município vizinho, Anchieta.

Falar de terras capixabas dois meses depois de deixá-la faz aumentar bastante a saudade. Foi muito bom ter descansado por lá ao lado das pessoas mais queridas para mim e que amo tanto, e ter também revisitado muitos destes lugares que fazem parte da minha história.

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De volta ao Brasil

março 7th, 2008 — 1:51am

Quando planejei esta viagem que fiz à Europa em Dezembro, um dos maiores problemas foi acomodar a agenda apertada às opções em conta de passagens de trem e avião. Em Helsinque, por exemplo, quando vi que a passagem de volta para Frankfurt um dia antes do previsto era cem vezes mais barata (!!!), nem pestanejei: Dormir uma noite no aeroporto seria moleza diante da economia.

E eu já conhecia bem o aeroporto de Frankfurt. Sabia que lá havia duchas disponíveis ao público, Internet sem fio, e sofás confortáveis. Seria mesmo uma barbada e eu não seria o primeiro a realizar tal empreitada: O site Sleeping in Airports coleciona relatos de diversos viajantes avarentos que chegam a passar dias dormindo no mesmo aeroporto enquanto conhecem a sua cidade. Lá há até dicas de como usufruir melhor da experiência e um ranking dos melhores aeroportos.

Pois bem, cheguei cedo ao aeroporto de Helsinque, cedo até demais. Foi só pisar no saguão principal que recebo uma mensagem no meu celular informando que meu vôo estava atrasado em 1 hora. Vejam, entretanto, a diferença entre as empresas aéreas finlandesas e brasileiras: Além do aviso antecipado do atraso, ainda recebi um voucher de EUR 10 para realizar compras no aeroporto. E o atraso durou mesmo só 1 hora!

Cheguei a Frankfurt por volta das 23 horas e meu vôo era às 21 do dia seguinte. Seria bem mais cedo, às 11, se a Varig não tivesse feito o favor de cancelar o meu vôo original, com a promessa de transferir-me para esta opção noturna. Após pegar as malas e guardá-las num depósito monitorado, perambulei um pouco pelos enormes corredores do aeroporto, comi um sanduíche e logo me acomodei em um dos belos sofás no salão principal. De cara notei o primeiro problema: Não há tomadas no aeroporto para que pudesse usar meu laptop! Simplesmente não há. As que existem são de uso administrativo e fui severamente advertido quando tentei usar uma responsável por recarregar as baterias dos carros elétricos da manutenção.

Tentei então comprar um livro, mas de madrugada a única livraria aberta possuía apenas livros chinfrins ou em alemão. Restou-me tentar dormir. Em vão. Durante toda madrugada as luzes permanecem acesas e pessoas não param de circular. Fiquei neste estado letárgico até umas 5 da manhã quando resolvi tomar um banho. Quanta ilusão! A ducha não estava operando desde a semana anterior por conta de um problema qualquer que não me importei. Àquela altura, nada mais importava. Passei a ler o manual de instrução do aeroporto e catálogos de loja, a contar a quantidade de vôos por hora (uns 20 nas primeiras horas daquela manhã), e a me preocupar com a confirmação da transferência do meu vôo. Cheguei a ligar para o Brasil, onde minha sempre eficiente mãe tentou um contato com o escritório brasileiro da Varig, já que na Alemanha ninguém atendia. Infelizmente no Brasil, tal qual a retórica de Lula, ninguém sabia de nada.

O balcão finalmente abriu por volta das 13 horas. Quando chegou minha vez, me senti como na música interpretada por Jimmy Cliff (“I can see clearly now the rain is gone”): A atendente não só se desculpou pelo atraso como também me encaminhou para um excelente hotel com almoço incluso. Eu tinha todo um discurso preparado e nem precisei usar o parágrafo introdutório do mesmo; Será que estamos finalmente melhorando nossos serviços e nos equiparando aos finlandeses?

Depois de comer, tomar um banho excepcional e dormir, não tinha mais como nada dar errado. No dia 18 de dezembro de 2007 cheguei de volta ao Brasil para 30 dias de férias.

***

Um detalhe curioso: Depois de tantas idas e vindas via aeroporto de Frankfurt, esta foi a primeira vez que de fato saí de seus saguões. Não vi muito pois o trajeto até o hotel foi curto. Da janela do quarto onde me hospedei, arranha-céus e muitas árvores decoravam a bela vista.

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Do Brasil para o mundo

janeiro 15th, 2008 — 5:54pm

Estou em Sampa. Praticamente só venho aqui de passagem, quando há alguma conexão entre vôos para outros destinos. Desta vez, retorno à Índia, parando antes em Londres para uma visita rápida. Quando o destino final é São Paulo, entretanto, aproveito demais a cidade. Adoro este lugar e tenho bastantes histórias para contar aqui. Sei que um dia ainda acabo morando nela.

Voltando à visita aos ingleses, ela faz parte de um planejamento que começou a ser contado aqui no final de Novembro. Dos 9 destinos previstos, faltam agora só 2 a serem visitados: Londres e Bahrain. Entretanto, ainda preciso contar como foi a minha jornada por outros 4 por onde passei ano passado: República Tcheca, Polônia, Finlândia, e Estônia. Isto sem contar o Brasil que certamente merecerá um post a parte.

Tudo isto, claro, acontecerá com o tempo. Primeiro, já que o blog completou 6 meses no último dia 1 de janeiro, vou me concentrar numa retrospectiva. Até para pôr a casa em ordem depois de uns 20 dias sem dar as caras.

O blog começou por conta de programas de mestrados meu e de meu irmão no exterior. Eu fui para Índia e meu irmão para Dinamarca. De lá para cá, obviamente tivemos muitas histórias para contar. Do meu lado, lá da Índia, as histórias mais lidas foram uma sobre o hinduísmo, e outra onde resumo alguns episódios que aconteciam comigo à época, entre eles minhas fatídica ida a um hospital.

Do lado do meu irmão, a visita dele à Legoland foi disparada a história mais visitada não só dele mas de todo o blog. O parque de diversões que fica em Billund foi motivo de muitos comentários de pessoas querendo fazer a mesma visita. Quem sabe um dia? Além disto, vale destacar também o texto mais recente dele sobre a sua estada na Alemanha durante o Natal. Falta agora só um com a extensão que ele fez à Londres.

Da viagem que comecei em dezembro, já falei aqui da experiência incrível que foi visitar Delhi e o Taj Mahal em Agra. Daquele período na Índia, ainda preciso dar mais detalhes de como foi meu comparecimento a um casamento típico. Em seguida, também já contei como foi meu retorno à Alemanha depois de 4 meses.

A segunda metade de 2007 foi assim: Um período repleto de novas experiências tanto pra mim quanto para meu irmão, tenho certeza. 2008 também já começou no mesmo ritmo e ao que tudo indica permanecerá assim até o final… Haja história para registrar.

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Até 2008…

dezembro 23rd, 2007 — 8:48pm

Finalmente cheguei à Vitória, Espírito Santo, meu lar doce lar. Aqui, o clima natalino é talvez a diferença mais aparente à primeira vista. Na Índia há poucos sinais do Natal: A data não é comemorada e os dias desta época acabam passando como qualquer outro.

Na Europa, por outro lado, os mercadinhos de natal montados nos centros históricos de todas as cidades por onde passei aumentavam ainda mais a beleza dos lugares. Incrivelmente bem decoradas, as tendas proporcionavam um espetáculo gastronômico e artístico ao oferecerem comidas típicas e artesanato original.

Tanto no Velho Mundo como aqui no Brasil o que o povo faz mesmo é ir às compras. O significado da data parece ter perdido um tanto do sentido. Ou, por outro lado, para alguns, parece que é a única data em que sentimentos como solidariedade e amor fazem parte do vocabulário.

Diante de tanta hipocrisia, americanos já até pararam de celebrar o Natal. Dizem eles, uns aos outros, “Boas Festas” com medo de ofender grupos de outras religiões. Assim, numa sacada mais realista, o professor Richard Dawkins sugere a celebração do aniversário de Isaac Newton, como opção.

Para mim, a importância não só do dia 25 mas de todo o fim de ano é a oportunidade que o período oferece para revermos nossas atitudes nos meses anteriores. Dentre erros e acertos, um balanço é fundamental para que o ano seguinte seja realizado, claro, com mais acertos e menos erros. Estando em casa, o sabor do período é ainda mais especial próximo de amigos e familiares.

De minha parte, portanto, este blog está fechado para balanço. As minhas peripécias pela Europa, aqui no Brasil, e no Oriente Médio continuarão a ser contadas aqui depois do dia 15 de Janeiro.

Agradeço a todos pelas visitas e pelos comentários. Sinto-me muito privilegiado com a presença de tanta gente e tenho certeza que este é o mesmo sentimento do meu irmão, co-autor do blog.

Seja Natal, Chanucá judaico, Newton, Festa, qualquer outra celebração, ou nenhuma, que sentimentos positivos fiquem no seu coração não só em dezembro mas no ano todo. É de graça e você certamente ganhará muito mais que presentes no final do próximo ano.

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