Category: França


Dicas para conhecer o sudoeste da França

fevereiro 8th, 2010 — 5:12pm

Continuando o passeio pelo sudoeste da França, ainda na região metropolitana de Toulouse (tema do post anterior), principalmente se você é um aficionado por aviões, é imperdível fazer um tour pelas fábricas da Airbus, inclusive a que fabrica o gigante A380. Dá para visitar e conhecer também um pouco mais do antigo Concorde. A visita é guiada (francês ou inglês) e, atenção, deve ser agendada com no mínimo 2 dias de antecedência. Você pode escolher dentre algumas opções de visita e pagar de acordo com sua escolha. O site específico para as visitas dá mais detalhes.

Depois é partir para um dos destinos nas redondezas. O mais perto e um dos mais interessantes é talvez a cidade medieval de Carcassone que, aliás, dá nome ao jogo de tabuleiro. O centro da cidade ainda preserva as fortificações construídas ao longo dos séculos XI e XIII. Carcassone tem aeroporto e vôos da Ryan Air mas não recomendo ficar na cidade. De Toulouse é fácil e barato ir de trem ou agendar passeios de um dia. Em Toulouse também é possível agendar passeios pelo Canal do Meio-Dia. Ele é o canal mais antigo em funcionamento na Europa e permite a navegação entre o Mediterrâneo e o Atlântico.

Dentre os destinos um pouco mais distantes, nos Pirineus ao sul há estações de ski, parques naturais, e cidadelas medievais. Ao norte de Toulouse, no Vale do Lot há vinícolas, mais parques naturais e cidades medievais. À oeste há a cidade de Bordeaux, praias, dunas, turismo de aventura, tantos outros parques naturais e outras e numerosas vinícolas na região de St. Emilion. Para todas estas regiões, no entanto, é preciso um pouco mais de tempo. Vale a pena reservar pelo menos 2 ou 3 noites em cada uma delas.

Cada um destes destinos serão destrinchados em próximos posts.

Dicas para toda a viagem

  • Com exceção de Bordeaux cuja ida de trem é apropriada e de regiões bem próximas de Toulouse onde é possível agendar passeios diários, é recomendável que você alugue um carro para conhecer o interior do Sudoeste da França. As pequenas cidadelas medievais, as vinícolas e as belas paisagens naturais nos trajetos entre uma cidade e outra não estão nos pacotes de agências e não têm estação de trem. Mas você vai querer parar para conhecê-las.
  • Reserve tempo na sua viagem para surpreender-se. É comum descobrir pequenas vilas, marcos históricos, belas paisagens, restaurantes, vinícolas, dentre outras atrações pouco conhecidas e que não estavam no seu roteiro. Não ter tempo para apreciar estas descobertas é arrependimento garantido.
  • Considere a visita na baixa estação. As cidades pequenas do interior costumam ficar entupidas de turistas e os hotéis ficam caros e lotados. Na baixa estação é possível reservar quartos em simpáticos hotéis 2 estrelas por cerca de EUR 40 e visitar tudo com calma.
  • Coma os queijos e tome os vinhos da região. Procure se informar com moradores e lojistas a especialidade de cada cidade.
  • Se você gosta de Jazz, fique ligado nas datas do Festival Internacional de Jazz que ocorre todo verão em Marciac, uma minúscula cidade com pouco mais de 1.100 habitantes distante 130km de Toulouse.

Comment » | França

O Sudoeste da França, começando por Toulouse

fevereiro 1st, 2010 — 4:27pm

Toulouse fica no sudoeste da França. É sede da Airbus e portão de entrada para visitar os Pireneus. Está também à meia distância entre o Mediterrâneo e o Oceano Atlântico. Por seu tamanho, atrativos e localização, Toulouse é uma base excelente para quem planeja conhecer diferentes regiões do sudoeste da França. De lá, chega-se em aproximadamente 2 horas à Bordeaux, do lado atlântico, à Narbonne, do lado mediterrâneo, ou em diferentes cidades nas cordilheiras dos Pireneus ao sul ou do vale do Lot ao Norte. Sem contar que a cidade rosa de Toulouse, em si, é charmosa, diversa e com muita história para contar.

Mapa do Sudoeste da FrançaAlgumas das regiões de destaque no sudoeste da França. Toulouse está marcada com a letra M, ao centro.

Com traços de presença humana desde o século VIII a.C., a cidade viveu intensamente o período romano, e passou por diferentes reinados até o século XI d.C., pela influência Católica na idade média, pela monarquia francesa, até chegar à república. Após a revolução francesa, entretanto, a cidade perdeu sua força de influência na região, sendo “rebaixada” a capital do departamento de Haute-Garrone. Só no século XX ela começou a recuperar seu prestígio e riqueza, primeiro se tornando a capital da região de Midi-Pyrénées (da qual o departamento de Haute-Garrone é hoje uma das subdivisões) e, mais tarde, vencendo a disputa com Bordeaux para receber a sede da Airbus.

Após os massivos investimentos da indústria aeroespacial, a cidade enriqueceu. E suas universidades cresceram junto, fazendo de Toulouse uma das cidades mais jovens da França. A tradução da riqueza e juventude se vê no centro histórico impecavelmente bem conservado, na variedade de entretenimento disponível, e em sua infra-estrutura, um exemplo para outras cidades na França. Exemplos como o sistema de bicicletas públicas Vélo Toulouse são de dar inveja (mas podemos adotar a bicicleta no Brasil também). São 242 estações e milhares de bicicletas espalhadas pela cidade disponíveis para utilização gratuita por 30 min. É tempo mais do que suficiente para ir de uma estação a praticamente qualquer outra na cidade, utilizando bicicletas muito bem equipadas.

Um dos pontos para aluguel de bicicletaO Capitole

À esquerda, um dos pontos para retirada de bicicletas. Basta colocar seu cartão de crédito e escolher o número da magrela desejada. À direita, a fachada frontal do Capitole.

Passear por Toulouse de bicicleta é ótimo. Vale a pena conhecer a cidade assim se estiver com pouco tempo. Em apenas um dia dá para visitar os principais pontos e ainda curtir a noite em agitados bares. A primeira parada na cidade deve ser na praça do Capitole. O Capitole é a sede do governo municipal desde o século XVI e destaca na fachada o rosado característico de toda cidade. O prédio hoje ainda abriga uma Cia. de Ópera e a Orquestra Sinfônica de Toulouse.

De lá, qualquer ruela escolhida será um agradável passeio pela história da cidade. No caminho, placas descrevem o significado e contam a história de casas, fontes, estátuas e igrejas. Recomendo o trajeto do Capitole até a bela Basílica de St. Sernin. Em épocas mais quentes também vale o passeio pelas margens do rio Garonne. No inverno, opte por um dos bons museus da cidade. Eu gostei muito do museu da Fundação Bemberg, na mansão de Assézat. Já vale pela visita à mansão em si, mas ainda fui surpreendido pelo acervo renascentista em exibição.

No próximo post falo dos arredores da cidade e de algumas dicas para conhecer o restante da região. Enquanto isto, veja mais fotos de Toulouse no Álbum de Fotos:

Toulouse
Capitole
Capitole
Capitole
View of the Garonne River - Source: http://www.isae.fr/
View of the Garonne River – Source: http://www.isae.fr/
View of the Garonne River – Source: http://www.isae.fr/
Tram in the new line of Toulouse - Source: http://www.trams-in-france.net/
Tram in the new line of Toulouse – Source: http://www.trams-in-france.net/
Tram in the new line of Toulouse – Source: http://www.trams-in-france.net/
 


1 comment » | França

Álbum de Fotos de Paris

abril 3rd, 2009 — 2:40am

Acabei de criar um álbum de fotos de Paris. Os meus relatos sobre a cidade estão divididos em 3 partes: Les Mureaux, Paris, e Museu do Louvre.

Comment » | França

Uma visita rápida ao Museu do Louvre

março 31st, 2009 — 10:56am

No dia seguinte, após ter percorrido diferentes partes de Paris, e antes de partir no fim da tarde, decidi visitar o Museu do Louvre (site oficial [en]), nem que fosse por poucas horas. É possível, inclusive, deixar suas malas no museu sem pagar nada por isto, o que facilita muito a visita antes de um vôo. O Louvre acabou sendo para mim um dos mais impressionantes museus que já visitei; Comparado apenas ao Museu Hermitage em São Petesburgo, Rússia, e ao National Mall (em Português, “Passeio Nacional”) em Washington DC, um parque nacional com vários museus de acesso gratuito ao redor. Obviamente, com o pouco tempo que tive, apenas percorri os imensos corredores e salões (eles próprios verdadeiras obras de arte), parando aqui e ali entre um item interessante e outro.

Vista lateral do LouvreA pirâmide metálica da entrada do museu

Dentre os grandes destaques do museu (Mona Lisa, Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, etc.) o que mais me impressionou naquele dia foi a estátua grega Vênus de Milo. Não sei exatamente o quê me atraiu nela. Há um certo misticismo em torno dos braços perdidos e do autor desconhecido. E chama a atenção também o sorriso apenas esboçado e o erotismo que alguns especialistas atribuem à representação de Afrodite, a deusa grega do amor e da beleza. Poucos ali no Louvre parecem se importar com tudo isto e apenas tiram inúmeras fotos para dizer que lá estiveram, correndo para encontrar o próximo o item no guia.

Vênus de MiloEsboço de sorriso?

Fotografando a Vênus de MiloFotografando a Vênus de Milo

Sobre a Mona Lisa, acho que a obra é muito sobrevalorizada. Ouvi uma história (que não pude comprovar) dizendo que Leonardo da Vinci, ao terminá-la, saiu às ruas dizendo que aquele era o seu melhor trabalho. Aquilo, supostamente, acabou por contribuir para que outros argumentos e o boca-a-boca a tornassem uma das obras mais conhecidas e referenciadas em todo mundo. Em todo caso, nem é possível admirá-la tanto devido à enorme quantidade de pessoas e à proteção que a coloca muito distante dos olhares curiosos. Gosto muito mais da pintura Ginevra de’ Benci [en], único trabalho de da Vinci atualmente nas Américas.

Naquele enorme salão foi muito mais significante para mim a gigantesca pintura oposta à Mona Lisa: O Casamento em Caná [en], de Veronese, 1563.  A pintura mostra a cerimônia de casamento onde Jesus, segundo o Novo Testamento, realizou o milagre de transformar água em vinho. Muitas pessoas estão pintadas ali e aparecem por todos os lados bebendo e festejando; Jesus está no meio, sentado à mesa. O curioso é que dado o tamanho da pintura, as pessoas possuem quase tamanho real. A multidão no salão onde a pintura se encontra então parece ser saída do quadro, representando uma continuação em três dimensões do mesmo.

Pintura oposta à Mona Lisa no Louvre

Saí do Louvre e deixei Paris muito satisfeito e com o desejo enorme de voltar inúmeras outras vezes. Ainda na França, no dia anterior, havia visitado a bela Versalhes e, obviamente, seu palácio. Mas esta história fica para o próximo post.

Comment » | França

Paris, um dos maiores centros culturais do mundo

março 26th, 2009 — 9:45am

Em dezembro último, ao reencontrar um amigo em Les Mureaux, um subúrbio parisiense, tirei um dia para visitar o centro da cidade com ele, claro. Não perderia a oportunidade de conhecer Paris. Passeamos pelos principais pontos turísticos, mas sem tempo de parar para apreciá-los: O passeio foi o suficiente para uma excelente primeira impressão.

Começamos pela Boulevard de Clichy [link em francês], rua onde fica o Moulin Rouge [en], no famoso bairro Montmartre. Ali do lado estava a rue Lepic, por onde subimos a colina Montmartre (que dá nome ao bairro) em direção ao Moulin de la Galette [en]. O local ainda preserva um moinho construído em 1622, depois transformado em “guinguette” [en] (uma mistura de bar, restaurante e espaço para apresentação de danças) em 1822, e que hoje abriga um belo restaurante [en], onde se come muito bem (entrada + prato principal + sobremesa) por EUR 50. Em toda sua história, o local deve ter sido muito bem frequentado já que foi referência para Renoir [en], Henri de Toulouse-Lautrec, van Gogh, Picasso, dentre outros pintores.

Moulin de la Galette

Moulin de la Galette por van GoghMoulin de la Galette por Renoir
Moulin de la Galette ao lado de um prédio recente e as pinturas, da esquerda para direita, de van Gogh e Renoir. Fonte das imagens das obras de arte: Wikipédia [1] [2]

De lá, passamos pela estátua do “Homem que Podia Atravessar Paredes”, uma homenagem ao autor francês Marcel Aymé e seu famoso conto “Le Passe-Muraille”. Não conhecia o trabalho do autor mas adorei o conto, disponível na Internet no original [fr] e traduzido para o inglês [en]. A história se passa em Montmartre, onde morava o personagem principal, numa rua bem próxima onde está localizada a estátua, aliás. Este personagem, um homem de 42 anos, por acaso descobre a habilidade inusitada de simplesmente atravessar paredes. Durante algum tempo a tal habilidade é ignorada até que uma sequência de eventos no seu trabalho força-o a utilizar a descoberta para fins um tanto sinistros… Recomendo a leitura!

A estátua foi uma descoberta acidental no nosso caminho para a Place Du Tertre [en] e para a Basílica do Sagrado Coração, no ponto mais alto da cidade. A Place Du Tertre é uma praça de artistas. Pequena mas vibrante, o local dá uma palhinha ao vivo do que representa aquela região em termos de produção artística. Artistas de todos os tipos, utilizando diferentes técnicas, expõem seus trabalhos e trabalham ali mesmo, num verdadeiro atelier público ao ar livre.

Le Passe-MurailleLe Passe-Muraille - Placa

Basílica do Sagrado Coração

Place Du TertreVista de Paris

Fotos da região de Montmartre

E no ponto mais alto de Paris fica a belíssima e imponente Basílica do Sagrado Coração. Apesar de sua história controversa, marcada por guerras, revoltas, e protestos ocorridos antes, durante, e depois de sua construção, a basílica além de bela, ainda permite uma vista única de toda cidade. Dá para ver quase tudo, basta direcionar o olhar.

Montmartre (veja também o site da associação de artistas da região [en]), pelo visto, foi um dos maiores centros culturais do século XIX e do começo do século XX: Um caldeirão envolto em liberdades (e libertinagens) que a Paris da época não permitia. Uma pena eu não ter tido tempo para visitar o Musée de Montmartre [en] (site oficial em francês), na casa onde em diferentes épocas moraram artistas proeminentes como van Gogh e Renoir, e que conta a história da região.

Com pouco tempo sobrando no dia, restou-nos percorrer ainda mais rapidamente outros pontos da cidade. Entre uma e outra estação de metrô, passamos primeiro pela Galeries Lafayette, uma loja de departamentos famosa em Paris, especialmente lotada e bem decorada poucos dias antes do Natal. Depois, entramos no Centro Georges Pompidou onde fica o Museu Nacional de Arte Moderna. Não deu para visitá-lo, claro, o que foi uma pena. Mas só a sua arquitetura moderna, a entrada e a excelente boutique do museu valeram a curta ida. Já era final de tarde quando saímos de lá e paramos para um café ali perto mesmo, com a vista contrastante daquele prédio em estruturas metálicas arrojadas em meio a uma Paris de construções um bocado mais antigas.

E antes do sol se pôr por completo ainda caminhamos um pouco pela região. Fomos até o Jardin du Forum de Halles onde fica a Igreja Saint-Eustache [en], construída entre 1532 e 1632. No local, um Louis XIV ainda jovem foi batizado no século XVII. Pelo caminho até lá, pequenos parques, jardins, e lojas de todos os tipos e com incrível criatividade na decoração e nos produtos deixavam Paris ainda mais bela e artística. Não há como não se encantar com a cidade.

Terminamos a noite numa Champs-Élysées também toda decorada para o Natal. Não deu para subir no Arco do Triunfo mas o apreciamos de longe, no meio da multidão e do congestionamento naquela hora da noite. Por volta das 20 horas tivemos que partir sem olhar para trás, correndo para pegar o último trem para Les Mureaux. Jantamos na casa do meu amigo uma bela salada acompanhada de fígado de pato.

PompidouPompidou

Igreja Saint-EustacheGaleries Lafayette

Champs-Élysées

Fotos do detalhe da escada externa do Pompidou, de sua vista central, da Igreja Saint-Eustache, da Galeries Lafayette, e da Champs-Élysées à noite com o Arco do Triunfo ao fundo. Fontes das fotos de outros autores nos links.

(Próximo post: Uma visita rápida ao Museu do Louvre)

4 comments » | França

Les Mureaux, uma cidade no subúrbio de Paris

março 20th, 2009 — 1:06pm

Quando li o texto do meu irmão sobre Paris e o comentário do Fernando criticando a cidade, confesso que fiquei um pouco dividido quanto ao meu planejamento de visitá-la antes do meu retorno ao Brasil em dezembro de 2008. Acabei indo assim mesmo pois, mais do que Paris, estava indo reencontrar amigos. Além do mais, não iria ficar exatamente em Paris mas em uma cidade em seu subúrbio. E no fim das contas, a ida não podia ter sido mais acertada. O pouco que vi de Paris foi espetacular e a cidade de Les Mureaux, embora não tenha nada de turístico a oferecer, é bem cuidada e charmosa.

De fato, como praticamente toda grande cidade, Paris tem seus problemas: Alguma sujeira em excesso em alguns bairros, pedintes nos principais pontos turísticos, greves frequentes nos sistemas de transporte público, congestionamentos, certa escalada na violência, e por aí vai [en]. Mas a Paris de tantos versos está por todos os lados. O olhar precisa ser “generoso e cheio de curiosidade” e não há nada mais precioso que passear por uma cidade num estado de espírito deste. Adorei Paris e repito os adjetivos de meu irmão ao descrevê-la: “bela, envolvente, charmosa, encantadora, sedutora e saborosa”.

Ao desembarcar, fui recebido com um belo sorriso da atendente da imigração. Na saída, meu amigo já me esperava de braços abertos. Por onde passava, era cumprimentado com cortesia e atenção. Do alto do meu francês extremamente limitado, recebia do outro lado atenção e consideração pelo esforço de falar uma língua que está longe de estar “quase extinta” como afirmou Fernando nos comentários do texto do meu irmão. Onde estavam os tão mal falados parisienses naqueles dias em que estive na cidade eu não sei. Talvez sejam só um mito.

Sobre a língua, abro um parêntese: O francês é uma das línguas oficiais das Nações Unidas, está entre as 12 mais faladas do mundo e, se normalizarmos o número estimado de falantes pelo GDP dos países que a declaram como oficial, certamente ela estaria entre as cinco mais importantes. Das línguas mais faladas do mundo, estaria provavelmente atrás apenas do inglês, japonês, e alemão. Quase extinta uma pinóia! Fecha parêntese.

No trajeto do aeroporto a Les Mureaux fui brindado com um excelente sistema de metrô. Um dos melhores que já frequentei em todo mundo (embora não seja o mais limpo). É extremamente abrangente, rápido e interconectado. Através dele, facilmente se chega aos dois aeroportos da cidade, às seis estações de trem, e a todos os pontos turísticos. Todas as estações são extremamente bem sinalizadas e um web site informa todos os horários e rotas do sistema. Chegamos a Les Mureaux mais rápido e gastando menos do que se tivéssemos ido de carro.

Uma estação do metro de Paris
Uma estação do metro de Paris. Esta, aliás, bem longe de estar suja. Fonte: Wikipédia

Les Mureaux [link em francês] é uma região administrativa situada 39 km a oeste de Paris. Da estação Saint-Lazare [en] (que estava em reforma e não pôde ser devidamente apreciada por mim) são aproximadamente 40 minutos de trem. Boa parte do trajeto vai margeando o Rio Sena e diferentes zonas industriais. Les Mureaux é hoje essencialmente uma cidade industrial. Mas sua origem medieval à torna uma agradável cidade para se passear durante o dia. Casas antigas, ruas pequenas e alguns parques aqui e ali ditam o tom. Em várias esquinas, lojas de artesanato e produtos de decoração enfeitavam ainda mais o passeio. E as padarias faziam questão de nos deixar com fome o tempo todo. Tirando isto, entretanto, a cidade tem só uma velha igreja (a Saint-Pierre-Saint-Paul) construída em 1896. Claro, só acabei indo lá mesmo por conta do meu amigo. Sua casa fica bem próxima da estação de Les Mureaux e é um aconchegante e bem decorado quarto-e-sala.

A chegada à Les Mureaux com a igreja Saint-Pierre-Saint-Paul ao fundo
A chegada à Les Mureaux com a igreja Saint-Pierre-Saint-Paul ao fundo

E como comem bem os franceses! A casa dele também é repleta de temperos e ingredientes. Pães e queijos estavam disponíveis lá para todos os gostos. Sem falar em mostardas, geléias, patês, outros frios, carnes, dentre outros quitutes, um mais saboroso que o outro. Quando acordei no dia seguinte à minha chegada, me deparei com uma mesa de café da manhã onde mal cabiam os pratos e talheres, tamanha era a variedade. E além de farta e variada, a comida é apreciada. Não só pelos sabores mas pela presença das pessoas. O café da manhã naquele dia foi tão especial quanto qualquer dos outros eventos seguintes. Despreocupados do tempo, conversamos durante umas duas horas antes de sairmos para conhecer pelo menos um pouco do Centro.

Em tempo: Para saborear Paris nos mínimos detalhes, recomendo o excelente blog Conexão Paris.

(Próximo post: Minha visita à Paris)

2 comments » | França

Paris merece 2

outubro 29th, 2008 — 2:54pm

Pois é pessoal, minha passagem por Paris foi fantástica. Tanto que precisei primeiro contar pra vocês o que é aquele lugar pra agora poder falar um pouco mais do que eu fiz por lá.

Primeiramente devo dizer que além de Paris ser Paris, existe por lá uma pessoa simplesmente incrível que é o Richard. Vocês já ouviram falar dele na minha viagem que fiz a Barcelona no início deste ano. Ele é francês, de mãe polonesa e pai congolês. Eu o conheci aqui mesmo no Luna onde ele ficou também durante um ano. Encontrei-o na 2ª feira, 21 de julho, a noite depois de descansar um pouco no albergue da viagem de Stetten até Paris.

Sempre ouvia falar da namorada dele e foi um prazer finalmente poder conhecê-la. A Laurie é um anjo! Simpática, amigável, descendente de espanhóis (é, eu sei, viva a União Européia!) e além de tudo uma cozinheira de mão cheia! Por 2 dias jantei na casa deles, outras vezes jantamos juntos em algum restaurante.

No primeiro dia fomos ao bendito restaurante japonês que adicionou um toque parisiense em alguns pratos. Fantástico! E o chef, um japonês que não consegui parar de rir, cozinhava em uma chapa rodeada por bancos onde sentamos para sermos torturados por perfumes inusitados enquanto ele preparava os pratos.

Museus fui ao Louvre, ao D’Orsay e Pompidou e ainda assim ouvi gente me dizendo que eu perdi coisas incríveis por lá. Vi obras de grandes artistas como Rafael, Da Vinci, Picasso, Pissarro, Rodin, Basquiat, Van Gogh, Monet, dentre outros. Confesso que o Louvre é grande até demais. Foi difícil achar uma mera pilha pra comprar lá dentro. O D’Orsay é simplesmente fenomenal. E o Pompidou… O Pompidou é um museu de arte moderna e contemporânea e foi o que eu mais estranhei. Por mais que existam coisas geniais, um acervo de fotografias, pinturas, composições, estruturas, esculturas e filmes, algumas dessas coisas são extremament bizarras e em alguns casos dificil até considerar arte. Pelo simples fato de você não querer párar.

Dificil dizer alguma coisa dos Parisienses. Conheci apenas dois dos amigos do Richard que foram bem gente boas. Mas os que conheci aqui em Aalborg, bem… Melhor não falar nada.

Não preciso dizer que sai de Paris feliz por finalmente estar em Paris, por rever um grande amigo, e por ter vivido tanta coisa boa por lá. Parti em direção a Amsterdã, que seria minha última parada, na 6ª feira a tarde.

Confiram as fotos!

***

You guys!

Here I am to finally tell you about my week in Paris with Richou and Laurie. Actually I had to post twice about Paris. The first one was with no pictures and mainly saying great things about the city. How great, beautiful, and tasty it is. I actually suggested that the word “Paris” should be used as an adjective for great things.

This time I’m just saying a bit about what I did and my impressions of everything I saw there. How happy I was to finally be able to see Paris and especially to visit the museums and find out that I actually like art.

And of course I wrote about how wonderful was to see Richard again and to finally meet Laurie. Thanks again guys, for everything! The guides, the tours, the dinners, the great wine, the laughs, everything was great! I’m really looking forward to meet you again at Asbjorn’s birthday in December. I wish you all the best!

From Paris I went finally to Amsterdam to meet the great Mr. Floor Van der Wind. This was supposed to be the last stop but…

2 comments » | França

Ah, Paris!

outubro 28th, 2008 — 7:49am

Paris é Paris. É impossível definir a cidade de uma forma diferente. Depois de finalmente visitar Paris você vai perceber que o nome da cidade é na verdade um adjetivo. Adjetivo para o que é belo, envolvente, charmoso, encantador, sedutor e saboroso.

Você vai entender porque sinônimo de belo ao caminhar por parques verdes, bem cuidados, decorados com esculturas, árvores, juventude, esportes e alegria. Ao caminhar ao longo do Sena e se admirar com a arquitetura riquíssima e preservada impecavelmente, e integrada com o moderno, com o ousado. E esses contrastes vão te envolvendo a cada esquina em que você vira e percebe mais um charme, mais um encanto, mais um mimo que a cidade te oferece.

Torre Eiffel

Sentar nos jardins sob a Torre Eifell para tomar um sorvete, papear, observar as crianças correndo, casais de mãos dadas, cães correndo alegres, amigos tomando sol, tomando vinho ou cerveja, sob um sol agradável de verão, céu azul, e levantar-se preguiçosamente para um almoço regado a um bom vinho.

Paris não é só Paris pelas ruas e monumentos. Paris é também Paris por seus museus. Sair de Paris sem visitar seus museus é covardia. Medo de perceber que realmente admira aquela baboseira toda de “arte” que a gente escuta tanto falar no Brasil. Medo de perceber que gosta dessa coisa careta, enfadonha que é arte. Passar horas dentro de um museu, olhando por minutos em alguns casos para o mesmo quadro e se interessar no que o artista sentia no momento pois de alguma forma a obra também mexe com você. Medo de finalmente entender que, como ouvi bem depois, arte precisa ser considerada, mais do que bela.

Perceber que Paris corresponde à fama da sua culinária e saborear uma mistura de cozinha oriental com francesa e se surpreender com seu próprio paladar. Inusitadas misturas seduzem sua boca e te fazem querer mais da experiência fantástica que é Paris.

Depois de visitar Paris você vai entender porque pais colocam o nome das filhas de Paris, porque a cidade é tão, famosa, tão requisitada, tão… tão…

…tão Paris!

6 comments » | França

Back to top