Parada obrigatória na Índia é sem dúvida a capital do país. Principalmente se sua viagem tiver como foco a região norte e seu vôo desembarca por lá. Delhi é rica em história e cultura, e possui opções para literalmente todos os gostos. Aqui na Índia, esta é uma das poucas cidades que realmente gosto de visitar: Já estive por lá três vezes.
O problema é que Delhi pode se tornar bem cara para os turistas mais incautos ou mais afortunados. Além das táticas típicas dos indianos de tentarem cobrar dos turistas, principalmente os estrangeiros, o quádruplo do preço ou mais por qualquer produto ou serviço, Delhi é mesmo mais cara que a média do país. Na verdade, como os tipos de demanda por lá são maiores e mais diversos, a variedade de preços também aumenta. Os hotéis mais caros do mundo, por exemplo, estão lá. Só que muitas opções boas e baratas também. O segredo é saber procurar e negociar. E bem.
Em Paharganj, por exemplo, na região central de Delhi, os hotéis com quartos duplos e banheiros começam na faixa dos R$ 10,00/dia. R$ 10/dia o quarto duplo! R$ 5/dia por pessoa. Não espere muito, claro. E o café da manhã não está incluso. Por um pouco mais, na mesma região, algum conforto já é possível. No Vivek Hotel, onde costumo ficar, um quarto duplo por R$ 25,00/dia já garante mais limpeza e cuidado, chuveiro quente, ventilador de teto, TV a cabo e a certeza de silêncio. E pelo dobro da diária você consegue até ar condicionado e um padrão de acabamento similar a de bons hotéis três estrelas no Brasil.
A região ainda tem a vantagem de estar ao lado da estação de trem de Nova Delhi (perfeito para quem quiser, por exemplo, passar o dia em Agra para visitar o Taj Mahal) e de uma das estações do excelente sistema de metro da cidade. Com no máximo R$ 0,75 por trecho, você visita muitos dos principais pontos turísticos da cidade. E quase todos sem pagar nada ou muito pouco para entrar.
O museu de artesanato, por exemplo, possui entrada franca e é um encanto. Coleções de toda a Índia impressionam pela diversidade e criatividade. E ainda contam um pouco da história do país. Além disto, do lado de fora do museu, artesãos, músicos e demais artistas trabalham a todo vapor e fazem questão de exibir os seus trabalhos, feitos ali mesmo, aos visitantes. Do lado oposto ao museu, atravessando a rua e cortando um belo parque na Avenida Mathura, aproveite para visitar o Purana Qila ou velho forte. Considero-o mais interessante que o Red Fort de Delhi (ponto turístico badalado da Delhi Antiga) e mais barato. Para estrangeiros, o acesso ao forte custa R$ 5,00.
Ainda sem pagar nada, em outro ponto da cidade, passeie pela Delhi Antiga e se perca nas ruelas repletas de lojas e casebres com traços remanescentes de belas fachadas de mais de 350 anos. Verdadeiros tesouros arquitetônicos estão escondidos ali. Na mesma região, visite a impressionante Jama Masjid, a maior mesquita da Índia, e dali, pegue uma riquixá até o Raj Ghat, o memorial de Gandhi que marca o local onde ele foi cremado. O local fica num calmo e bem preservado parque. Local perfeito para relaxar após as caminhadas pela Delhi Antiga. E para mais de Gandhi, pertinho dali, apenas atravessando a rua, está o seu museu, também de entrada franca. O museu é simples como de fato sempre foi Gandhi mas reconta bem através de fotos, manuscritos, poemas e objetos pessoais a história de um homem iluminado.
Isto tudo é possível fazer com calma em dois dias. Em apenas um se você estiver com energia de sobra e tempo de menos. Mas ainda não acabou. Reserve ainda um terceiro dia para visitar outros pontos de Nova Delhi. A região, praticamente toda projetada pelos ingleses, possui belas construções e parques, avenidas largas e arborizadas, e boas opções de restaurantes e para suas compras. Lá, passeie pela cerimonial Avenida Rajpath e aprecie o icônico Portão da Índia, um memorial de guerra a la Arco do Triunfo. Veja também os diversos prédios administrativos, o parlamento, e a casa da Presidente do país. Ali perto, se você for estudante (de qualquer país), aproveite para visitar o excepcional Museu Nacional pagando apenas 1 rúpia (R$ 0,05) – O preço normal para estrangeiros é R$ 15,00. O acervo é imperdível e conta muito da história deste país povoado há mais de 5000 anos. Finalmente, encerre o dia apreciando o pôr-do-sol nos Jardins de Lodhi. O local além de ser um parque extremamente agradável ainda presenteia o visitante com magníficas construções dos séculos XV e XVI praticamente intactas.
Claro que ninguém fará tudo isto sem paradas estratégicas para boas refeições. E neste quesito Delhi também oferece opções das mais baratas às mais caras. Na região de Connaught Place por exemplo, os restaurantes da rotatória central projetada pelos ingleses entre 1929 e 1933 são excepcionais mas não espere pagar menos de R$ 20,00 por uma refeição completa. No belo restaurante nos Jardins de Lodhi o preço é ainda mais salgado mas a saborosa comida e a atmosfera do lugar são imperdíveis. Não muito longe de Connaught Place, entretanto, no Bengali Market você pode comer excelentes chaats, uma massa de batata e pão frita com recheios variados dentro, por algo entre R$ 1 e R$ 3. Algumas delas chegam a ser verdadeiras refeições, claro que nada saudáveis diante de tanta fritura. Estandes de chaats também estão espalhados por toda Delhi Antiga. Lá, entretanto, não deixe de comer também saborosas frutas para todos os gostos por menos de R$ 0,10 cada. De volta à Paharganj, para verdadeiras refeições Indianas, basta escolher um dos inúmeros restaurantes da região. Só na rua principal (a Main Bazaar Road) há dezenas deles com preços que variam entre R$ 2 e R$ 6 por pessoa. Os mais charmosos costumam ficar nos andares superiores dos prédios. Ande por lá olhando para cima, você terá uma idéia do que estou falando.
Resumindo, se você estiver sozinho e quiser realmente economizar, um quarto sai a R$ 10,00/dia, o transporte custará em média uns R$ 5,00/dia (entre metrô e riquixás) e as refeições diárias custarão outros R$ 5,00/dia. O total? Meros 20 reais!! Claro que você estará apertando bem o cinto mas a economia é possível. Para um pouco mais de conforto gasta-se perto do dobro mas aproveita-se melhor a cidade. E, claro, não estou considerando as compras nas lojas de artesanato, roupas e souvenirs da região que são sempre uma verdadeira tentação. Se estes gastos entrarem no bolo, aí desista de qualquer controle diário…