Category: Polônia


Últimos dias na Polônia

agosto 24th, 2008 — 6:08pm

Salve povo!

Pois bem, depois da Cracóvia, fui para Wroclaw (a pronúncia é algo como Vrótsuav), ainda na Polônia. Aqui decididamente minha parada foi motivada exclusivamente pela vontade de rever uma grande amiga, a Malgorzata Lesniowska, ou Gosia 68 para o pessoal do primeiro semestre aqui do Luna. Simplesmente não sabia nada da cidade, ninguém fora da Polônia sequer ouviu falar, e todo mundo só entende o que eu fui fazer lá quando digo que fui visitar uma grande amiga.

Pois bem, a parada foi meio relâmpago, a primeira delas nessa viagem. Cheguei por volta de 7 da manhã da quinta-feira dia 10 de julho e saí às 20:30 do dia seguinte. Mas valeu muito a pena.

A cidade mesmo é bem bonita. Ouvi dizer que é a “Veneza polonesa”, devido a cidade ter sido construída originalmente em diversas ilhas no rio Odra. Não tive a oportunidade de ver Veneza para dizer se faz jus ou não, mas achei Wroclaw uma cidade bonita, com muito verde.

Como toda a Polônia, a cidade foi bastante destruída durante a Segunda Guerra Mundial. A maior parte dos prédio históricos – como a catedral e o museu nacional que vocês podem ver nas fotos – é recuperada, o que não diminui em nada a imponência deles. Não visitei o museu mas a Catedral é belíssima. Do alto de uma de suas torres é possível ter uma visão incrível da cidade.

Destaque aqui foi para a Rotunda, que abriga uma obra artística que impressiona. É um quadro que representa A Batalha de Ratowice, pela independência polonesa no fim do século XVIII. Na verdade não é um quadro. O prédio inteiro, que é circular, abriga a obra que é uma panorâmica de 360º da batalha. O mais interessante é que a composição da sala que abriga a pintura é como uma extensão da cena, dando um aspecto tri-dimensional, como se parte da obra fosse real. Devido todo o cuidado com a posição dos galhos, rifles, areia e iluminação, muitas vezes é díficil dizer onde termina a pintura e onde começa a montagem. Infelizmente não era permitido tirar fotos lá dentro para eu mostrar pra vocês. Mas achei alguma coisa no Wikipedia se tiverem interesse (infelizmente não existe versão em português).

Aqui em Wraclow foi a primeira vez que eu parei um pouco pra descansar também. Dormi sem me preocupar com hora, sentamos de bobeira em um dos parques da cidade, ficamos batendo papo e tomando gelada na praça do mercado da cidade – que aliás é bem bonita apesar dos inúmeros pombos irritantes. Enfim, foi uma parada mais tranquila, pra relaxar e bater papo.

Aliás, o que mais ficou marcado mesmo foi o tanto que eu ri com essa figura ímpar que é a Gosia. Passamos o tempo todo conversando, lembrando dos momentos aqui no Luna e o quanto a amizade do nosso grupo ficou forte em tão pouco tempo. Falamos de nos reencontrar, ligamos para o Richard, o francês que eu visitei em Paris, e claro, jogamos um monte de conversa fora. Foi bem divertido mas foi muito rápido. Quando percebemos já estava na hora de partir e tive que correr pra não perder o trem.

Meu próximo destino era Milão onde eu iria finalmente rever meu grande amigo aí do Brasil Rafael (o famoso Gira, doido!!) e a namorada dele a Renata. Conto essa aventura pra vocês no próximo post. Valeu!

Beijos, abraços e saudade!

***

Hey there guys!

After Krakow that I told you about in my last post I went to Wroclaw, still in Poland. I know very few people outside Poland heard about it, but I went there for only one very good reason: Gosia 68! We had so much fun together during those two crazy days that it is all I can remember about that place.

Alright, not all. The city is quite beautiful, a lot of green areas but also because it was built originally on islands of the Odra River. I heard people calling Wroclaw the “Polish Venice” because of that. I haven’t seen Venice yet but it resembles a bit what I have seen in pictures and TV.

One of the things I liked the most was the Rotunda building with the painting about the Battle of Ratowice that took place in the late XVIII century for the independence of Poland. It is quite impressive not only because of its size but also because of the setup of the place that sometimes you can’t really tell where the painting ends and where starts the objects the use to complement it.

It was great to be there, so special to be with Gosia 68 again but also too fast! Two days went by without seeing it and in the end I had to run to catch the train. Otherwise I would never make to Milan in time to see my friend from Brazil. After all, there were 22 hours to get there. But I’ll tell you all about that next time.

Cheers!

2 comments » | Polônia

Segunda parada: Cracóvia

agosto 20th, 2008 — 11:22am

Salve, salve pessoas! Estou de volta com a miha segunda parada da minha viagem de Verão. Vou agilizar or posts porque senão eu volto pro Brasil antes de terminar de contar essa viagem!

Pois bem. A Cracóvia, ainda na Polônia, não será apresentada aqui no blog pela primeira vez. Meu irmão passou um dia por lá e vocês podem conferir a impressão dele aqui . Que é um pouco diferente da minha.

Aqui foi minha primeira parada sozinho. Cheguei no início da tarde, e depois de deixar a bagagem no hostel, parti para dar uma volta pela cidade. Fui direto ao centro histórico que é bem bacana. Rodeado por uma área verde, a região é o coração turístico da cidade, onde estão o mercado, museus, igrejas, e por fim o castelo de Wawel. Cheguei no castelo um pouco tarde e já estava fechado portanto pude só conferir a vista da cidade e o exterior do castelo e da igreja anexa. Dois dias depois visitei a área das armas e armaduras (já que tinha que pagar pra ir em cada seção, o orçamento só dava pra uma das seções). Pra mim que nem gosto da era medieval, escolhi a área certa.

De volta ao hostel para descansar e descobrir o que fazer a noite – afinal de contas museu e monumentos não são suficientes – conheci um casal bem gente boa. Tom, um americano e a Kasia, polonesa mas que mora nos Estados Unidos também. Daí pra frente não estive mais sozinho até meu último dia. O que ajudou bastante, afinal na Polônia nem todo mundo fala inglês. Saímos, mas era segunda-feira. Não se pode achar muita coisa numa segunda-feira.

Dia seguinte fomos a Auschwitz, nome alemão da cidade O?wi?cim onde se encontrava o maior campo de concentração dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Triste, assustador, repugnante, horror. Andar pelos corredores que abrigaram milhares de judeus, ciganos, poloneses, homossexuais e todas as outras pessoas categorizadas como animais pelos alemães sem dúvida mexe com as suas emoções e te faz repensar o futuro da humanidade. Quando algo desse tipo é possível, me assustar pensar que pode acontecer denovo, assim como dizia o Museu dos Judeus da Europa Assassinados que visitei em Berlim. Mas por isso mesmo é imperdível. É preciso ver, visitar, lembrar, e marcar esse tipo de atrocidade na memória para que jamais volte a acontecer.

No meu último dia por lá, ainda com o Tom e a Kasia, resolvemos ir visitar uma tal Mina de Sal nos arredores de Cracóvia. O nome da cidade é Wieliczka, e a tal da mina é uma das mais antigas do mundo e pelo que todos diziam muito bonita (vi até algumas fotos num livro que tinha no albergue). Já dizia o ditado, quando a esmola é demais… Mas não desconfiei de nada. O vídeo abaixo é só o começo da barca furada que é o lugar…

Na verdade o lugar é realmente bonito. O problema é que aempresa dona da mina (ainda ativa) tem um péssimo senso rídiculo. Tudo é exagerado, exacerbado, chega a ser até babaca em alguns momentos, como por exemplo a tentativa de representar a presença de um fantasma em uma das cavernas com luzes e sons. Várias estátuas sem muita relação com o lugar estão presentes e o guia vai contando umas histórias mirabolantes pra justificar as estátuas. Pra piorar a situação eles tentam te vender tudo dentro da mina, em determinado momento dizem que tem que pagar até pra tirar foto (descobri mais tarde que na entrada está avisado em letras miúdas). Eu sinceramente fingi que não tinha ninguém traduzindo pra mim o que o guia polonês falava.

O lugar na verdade nem é tão ruim. Fato é que com tanta papagaiada feita, eles conseguiram destruir a experiência de um lugar belíssimo, como vocês podem ver nas fotos.

Voltamos no final da tarde, o Tom e Kasia partiram para Varsóvia e eu fui encontrar outras pessoas que conheci no albergue. Fiquei na rua até as 4:30 da manhã já que eu não tinha lugar pra dormir nesse dia e parti para a estação de trem onde embarquei para Wroclaw, minha terceira parada, e última na Polônia. A essa altura, já estava achando muito bom viajar sozinho.

Até o fim de semana, galera!
Beijos, abraços e saudades!

PS: Me esperem no Natal que eu estou chegando! Vou ao Brasil passar Natal e Reveillon. Prepara a muqueca, o churrasco e as costelas que o abraço vai ser apertado! Lá vem eu!
***
Hey guys!

This post is about Krakow (Cracóvia, in Portuguese) and the places I’ve been while there. I explained a bit about the Old Town and the historical buildings, churches and the Wawel castle.

Also, I explain a bit how awful is Auschwitz, the biggest concentration camp of the Nazi during the Second World War; although it is necessary to go there and make sure everyone knows and remembers what kind of madness mankind is capable of.

On the last day, I went to Wieliczka, where the Salt Mine is and that couldn’t be more of a disappointment. The place is actually beautiful but the administration just ruins it with some crappy attempts of creating an atmosphere that definitively is not there.

The video is the line to get in the Salt Mine so you can see how many people are actually fooled by them. Just like I was…

Anyway, on the weekend I’ll talk about Wroclaw, my 3rd stop and the last one in Poland, where I could meet Gosia again, another great friend of mine (because good is just not enough for her).

See you then!
Cheers!

3 comments » | Polônia

Primeira parada: Varsóvia

agosto 9th, 2008 — 6:08pm

Salve salve galera! A partir de hoje começo a recontar a minha viagem de julho. Já disse pra vocês o quanto ela significou pra mim no meu último post e por isso vou focar nos acontecimentos lugares e pessoas.

Saí daqui no dia 4 de julho, com a cidade coberta de bandeirinhas da Dinamarca e dos Estados Unidos uma vez que era a comemoração da independência Americana (sim, eles comemoram devido ao grande número de dinamarqueses que emigraram durante a 2ª Guerra). Não que eu me importe muito com isso, citei mais como curiosidade.

Peguei o trem às 5 da manhã e pra resumir a conversa, cheguei em Varsóvia por volta das 22 horas. A Europa parece pequena mas tem lá suas distâncias. E de trem (especialmente Polônes) elas ficam um pouco maiores. Pois bem, cheguei em Varsóvia onde Krystyna (ou Krysia como a chamamos) e Michal, o namorado dela, já me esperavam na estação. E pra explicar essa minha parada em Varsóvia, tenho que explicar pra vocês quem são Krysia e Michal.

Ela é minha amiga desde o 1º semestre aqui em Aalborg. Uma figura fantástica, encantadora, dona de humor ímpar, e sem dúvida uma pessoa com quem tenho uma “conexão especial” como ela mesma batizou nossa amizade. Michal eu conheci mesmo este ano, durante o carnaval aqui em Aalborg. É um cara extremamente tranquilo, que escuta a toda essa história e fica numa boa. Acredito que os dois fizeram dessa minha estada em Varsóvia mais do que a cidade realmente é. Não que a cidade não seja bacana. Mas reecontrar esses dois, e em especial a Krysia com quem passei todo o tempo por lá, foi tão bom que minha impressão da cidade é completamente distorcida pela minha alegria de revê-los.

Varsóvia, e a Polônia em geral como vocês vão perceber, sofreu bastante durante toda a história. A cidade foi recontruída quase que completamente após a 2ª Guerra, em especial a cidade antiga, onde se encontra o castelo e toda a arquitetura tradicional do século 13 em diante. As ruas estreitas, lojas e restaurantes, museus tudo de muito bom gosto fazem do centro histórico um local vivo, vibrante e lucrativo – e precisei vir a Europa pra enteder a visão de centro histórico que minha mãe tem para Vitória.

A universidade possui parte do seu campus aqui e os prédios são belíssimos. Aqui minha guia (Krysia) me contou que logo no início da ocupação Soviética (após a 2ª Guerra), oficiais comunistas passaram a visitar reuniões de professores, políticos e líderes em geral nas quais estes eram “convidados” a seguirem os oficiais que os levavam para fora da cidade e então assassinados. O objetivo era eliminar a inteligência e liderança do país para evitar qualquer forma de revolta civil.

Visitamos também o museu da Revolta de Varsóvia (ou insurreição ou levantamento – tem os 3 nomes na Wikipedia). Só elogios para o museu. Logo na entrada o som de um coração pulsando dita o clima de tensão que foram os meses da revolta. Foi durante a 2ª Guerra, ocupação alemã, uma tentativa desesperada dos poloneses de libertar a cidade. Ainda que poloneses lutassem até mesmo na África apoiando os Aliados, pouquíssima ajuda foi enviada a Varsóvia. A resistência chegou a desenvolver e fabricar armas para lutar mas no final nada foi possível e as tropas de Hitler devastaram a cidade.

Apesar do caos que é a história recente da cidade, hoje é possível ver o desenvolvimento do país claramente em Varsóvia, especialmente devido a entrada recente na União Européia. A cidade é um grande canteiro de obras, com planos ainda maiores de reurbanização, criando grandes espaços públicos. Interessante notar que, não só na Polônia mas por toda minha viagem, percebi que os primeiros investimentos são na recuperação da memória, preservação da arquitetura e monumentos. Mas enfim, a cidade demonstra ter superado as dificuldades e a atmosfera em geral é bastante agradável – claro que graças a Krysia e Michal.

Passamos também por um mercado de produtos típicos – comi umas coisas muito boas! Um parque belíssimo criado por um rei polonês que era ligadão em artes e não muito chegado a reinar – tanto que ele trocou umas noites com a Catarina (imperadora russa) pela Polônia inteira (história um pouco mais antiga). Mas o parque é belíssimo! E por algum motivo que ninguém soube explicar o nome é Parque Banheiros (claro que traduzido do polonês).

No penúltimo dia fizemos um churrasco na casa do Michal. Clima meio ruim de despedida mas com promessas de nos revermos ainda este ano. E no dia seguinte, 2ª feira de manhã, parti para Cracóvia. Semana que vem, galera!

Beijos, abraços e saudade!

***

Hey guys!

This is just a short version of everything that’s written up there. Just to say that I had a great time in Warsaw with Krysia and Michal and that because of these guys Warsaw was even greater than the city itself. Of course its beautiful and just the contrast between the ancient, modern and communist architecture is a museum at open sky.

Explained a bit about the Uprising Warsaw, the Soviet occupation, the Bathroom Park (still don’t know the name in Polish) and the fact that the king traded Poland for a couple of nights with the Russian emperor. But most of all, said that was great to meet Krysia and Michal again and that I’m looking forward to meet you guys again!

I arrived in Warsaw by the 4th of July and left on the next Monday, the 7th. Next week I’ll talk about Krakow.

Cheers, dudes!
Skål!

7 comments » | Polônia

Em Cracóvia, lendas de dragão e trombeteiro

fevereiro 6th, 2008 — 3:40am

“Alô pessoal! Aqui é um brasileiro em Varsóvia rumo à Cracóvia, desejando a todos um belo dia e uma viagem segura!” Foi assim que anunciei minha presença (em inglês) num rádio de baixa freqüência no carro de meu amigo. Cracóvia, claro, foi muito mais divertida que Varsóvia.

No dia anterior, nosso amigo alemão retornou à Chemnitz, sua terra natal, por conta da pressão no trabalho. Tinha um projeto de pesquisa para terminar e atrasos não eram muito tolerados. Restou a mim e ao meu amigo polonês acordar bem cedo rumo ao sul do país. Na saída de Varsóvia um tráfego surpreendente foi classificado como rotineiro: Levamos os típicos 30 minutos numa das principais rodovias de acesso à capital. Em seguida, fomos “presenteados” com uma neblina muito espessa praticamente o tempo todo. Não deu para ver a paisagem ou desconcentrar do trânsito até chegarmos ao nosso destino.

Paramos o carro próximo da estação de trem em Cracóvia e seguimos a pé. No caminho, construções antigas (e preservadas!) caracterizavam uma cidade bem diferente da capital. Cracóvia não foi tão bombardeada nem teve uma revolta local tão intensa e duradoura como em Varsóvia durante a Segunda Guerra. Para explicar um pouco, a cidade tem suas origens lá no século VII e chegou a ser capital da Polônia durante 1038 e 1596. Também fez parte do Império Austríaco entre 1846 e 1918 e atualmente é a capital de uma das províncias polonesas no extremo sul do país. Turisticamente a cidade é atrativa pela incrível quantidade de monumentos históricos que preserva e pelas opções de vôos baratos (que só a Europa tem) principalmente oriundos de Londres. Não à toa, a cidade está entupida de britânicos da mesma forma e pelos dois mesmos motivos que Praga.

Praça Central
Praça Central. Do lado direito a Basílica de Santa Maria, no centro o Hall de Drapers, e do lado esquerdo a torre da prefeitura. Fonte da foto: Wikipédia

Tínhamos só um dia na cidade então tivemos que nos contentar apenas com as principais atrações do lugar. Fomos primeiro à Praça Central, local originalmente concebido para mercantes no século XIII. No entorno, não dá para não notar a Basílica de Santa Maria, e suas duas colunas, uma diferente da outra, em estilo gótico. Diz a lenda que, no século XIII, um trombeteiro foi flechado na garganta do alto de uma das torres enquanto soava um alarme para alertar a população da invasão mongol. Até hoje a mesma melodia é tocada de hora em hora e interrompida pela metade simbolizando a fatídica morte do pobre trombeteiro.

Retábulo de Veit StossDentro da Basílica, destaque para o Retábulo de Veit Stoss, o maior retábulo em estilo gótico da Europa, esculpido por Veit Stoss entre 1477 and 1489. O danado é gigante, tem mais de 12 metros de altura e 11 metros de largura quando os painéis estão abertos. Ou seja, 132m² de área é maior que muito apartamento no Brasil.

Já era pra lá de meio-dia quando saímos da Basílica e meu estômago roncava. Graças ao meu amigo, fomos a um restaurante típico, que nenhum turista vai. O local era simples mas bem cuidado, não tinha nenhuma decoração ou cardápio ou garçom. Aliás, nem banheiro tinha, era só cozinha e uma sala de uns 30m² onde os clientes se espremiam. E eu nem sei o que comi. Na hora ele me falou o nome mas o diacho do polonês é muito complicado e já absorvi a minha parcela de línguas complicadas com o finlandês. Anyway, saí de lá satisfeito e pronto para seguir em frente.
Retábulo de Veit Stoss. Fonte: Wikipédia

A parada seguinte foi o Castelo de Wawel, referência na Europa Oriental e curiosamente considerado um dos sete chakras do mundo pelos Hindus. Esta última informação eu li lá em Cracóvia e confirmei agora na Wikipédia. No local, tesouros guardados por séculos, e o pátio interno do palácio em estilo renascentista são os destaques. Como na Basílica, ali também há espaço para lendas e folclores. A mais difundida é a do Dragão de Wawel: Nela, um dragão vivia numa gruta no pé da colina onde se encontra o Castelo de Wawel. E ele aterroriza as cidades próximas e deixava rastros de destruição por onde passava. Para evitar mais ataques, uma jovem donzela era deixada todo mês na entrada da gruta para que o dragão a devorasse (sempre as pobres das donzelas são as que sofrem).

Vista externa do castelo
Vista externa do castelo

Detalhe do pátio interno do casteloQuando só sobrou a filha do rei, a sua mão foi prometida em casamento a quem matasse o dragão. Após inúmeras tentativas fracassadas, um aprendiz de sapateiro resolveu se arriscar. Mas ao invés do ataque direto, estufou enxofre em um carneiro abatido e ofereceu ao dragão. No dia seguinte, o monstro acordou com uma sede terrível e começou a beber incontrolavelmente a água do rio Vistula. A sede não passava e o dragão bebeu tanta água que explodiu. O aprendiz de sapateiro se tornou o herói da cidade, casou-se com a princesa, e os dois viveram felizes para sempre…

Já anoitecia quando deixamos as Colinas de Wawel. Antes de partimos, porém, ainda fizemos uma parada rápida para um belo chocolate quente. Já no trajeto de volta à Varsóvia, minha cabeça estava no destino seguinte: Finlândia. A possibilidade de rever o país que foi minha casa por um ano entre 2002 e 2003 me deixara ansioso desde quando deixei a Índia. E finalmente o momento chegara.

Detalhe do pátio interno do castelo

4 comments » | Polônia

Marcas do passado em Varsóvia

fevereiro 1st, 2008 — 10:14pm

Continuando a narrar a viagem que fiz em Dezembro, cheguei à Varsóvia bem cedo. O céu nublado e o vento forte tornavam o frio insuportável. Pior, entretanto, era ver que as marcas da Segunda Guerra Mundial ainda estavam (e provavelmente sempre permanecerão) bem fortes na cidade.

Varsóvia não é muito bonita ou moderna. Além da guerra, o regime comunista fez muito mal ao país e principalmente à sua capital. Logo ao sair da estação de trem, o Palácio da Cultura e Ciência, um prédio imponente de arquitetura soviética dado de “presente” por Stalin, é uma destas cicatrizes que ficaram. Outras incluem casas e prédios ainda destruídos, o Centro Histórico restaurado (praticamente nada é original), e o museu da Revolta de Varsóvia, espaço que relembra a tentativa polonesa fracassada (embora heróica) de libertar a capital do controle alemão.

A Revolta, aliás, é um dos muitos ápices trágicos da Segunda Guerra para o país: após a derrota, os alemães além de mandarem os civis para prisões e campos de concentrações, terminaram de destruir a cidade, prestando atenção especial aos monumentos históricos. Segundo o Museu que visitei, após 1945 mais de 85% da cidade estava destruída e 6 milhões de poloneses por todo país estavam mortos.

Apesar disto tudo, reconstruir a cidade é um mérito muito grande. Principalmente estando o povo sob regime comunista até 1989. O Centro Histórico é pequeno mas foi incrivelmente bem restaurado. Destaque para o Castelo Real, hoje um museu que abriga parte da história recuperada.

Palácio Real
Fachada central do Castelo Real, Centro Histórico da Polônia hoje reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO

Outro local que merece visitação é o Parque Lazienki. É o maior da cidade e abriga monumentos importantes como uma estátua de Chopin, o Palácio na Água, construído numa ilha artificial no século XVII, um teatro romano, e um jardim de esculturas.

Eu no Teatro Romano
Eu no Teatro Romano

Durante todo o dia percorremos a cidade com um outro amigo que não via desde 2003. O polonês nos recebeu muito bem e à noite nos apresentou a alguns de seus amigos em um bar típico da cidade. O local foi todo construído em madeira e era bem decorado com quadros de paisagens que suponho serem do próprio país. Garçons e garçonetes se vestiam com roupas tradicionais e serviam cerveja em copos de 1 litro!

O povo bebe muito lá. E ficam muito bêbados. Acho que inconscientemente se embriagam para esquecer do passado, dos familiares que nunca tiveram, das casas destruídas e reconstruídas, e da pobreza que só agora começa a dar sinais de fraqueza.

1 litro de cerveja!
1 litro de cerveja!

Apesar do reencontro com um grande amigo, visitar Varsóvia foi muito triste. Ainda bem que a visita à Cracóvia no dia seguinte foi muito mais agradável. No próximo post conto os detalhes.

2 comments » | Polônia

Um trem de Praga para Varsóvia

janeiro 26th, 2008 — 12:23am

Da Alemanha fomos e meu amigo para Praga e de lá iríamos para Varsóvia, capital da Polônia. O trem saía do centro de Praga às 22 horas mas estava atrasado. Trens invariavelmente atrasam na República Tcheca. Mais do que isto, na estação de trem mais assustadora e mal cuidada que já vi na Europa, a plataforma do trem só é divulgada quando o trem chega nela.

O resultado é uma correria sem precedentes para chegar ao vagão correto pois os mesmos ficam trancados entre si por questões de segurança. Já disse e volto a repetir, é uma Europa diferente a Oriental. Além da preocupação maior com a segurança, tudo é pelo menos mais simples, quando não é também mais mal cuidado e mais feio.

Dentro do vagão, procurávamos ansiosos por nossa cabine na esperança de encontrar as belas camas onde passaríamos a noite durante a viagem. Ao acharmos as camas, bem, achamos também outras 4 numa cabine de uns 3m²!! O banheiro da minha casa deve ter o mesmo tamanho, se não for um pouco maior. E as camas não eram duas beliches, eram duas “triliches”, ou seja, 3 camas uma em cima da outra em cada lado da cabine.

A cabine mais apertada de todos os tempos
A cabine mais apertada de todos os tempos

Também não tínhamos acesso ao restaurante e dois banheiros deveriam supostamente atender nossas necessidades mais fundamentais. Pelo menos o banheiro havia de seguir o padrão europeu, pensei… A experiência prática, entretanto, se provou bem inferior: Um banheiro não funcionava e outro ficou imundo umas duas horas depois da partida do trem. Gritarias anunciavam pelo corredor o ocorrido: Um sujeito bêbado havia vomitado todo o assoalho próximo ao banheiro e ria incontrolavelmente do funcionário responsável pelo vagão, um velhinho simpático mas que não falava um “a” em inglês. O velhinho, por sua vez, resmungava insultos em polonês e não sabia o que fazer. Acabou largando o sujeito lá.

Felizmente nossos companheiros de cabine pareciam agradáveis. Além de mim e do meu amigo, outros 3 estavam lá: um casal de estudantes (ele da Alemanha, ela da Bulgária) e uma outra alemã. Todos os 3 estavam no programa de intercâmbio que mais movimenta alunos pela Europa, o Erasmus. O programa, mais pelo aprendizado social do que científico que proporciona , é um sucesso tão grande foi até tema do filme Albergue Espanhol. O filme, aliás, se passa em Barcelona, cidade que será o próximo destino do meu irmão.

Pois bem, confinados dentro da cabine batíamos um papo agradável. Aquelas coisas básicas de estrangeiros que se encontram pela primeira vez: “De onde você é? Brasil, nossa!! Quero ir um dia lá!! Onde você mora? Perto do Rio, o Carnaval lá deve ser incrível né??” e bla bla bla…

Em seguida, sem mais assunto, fomos dormir. Eu na cama mais ao alto e meu amigo na cama do outro lado. Em baixo, o casal resolveu dormir junto. Bem, eles deitaram juntos. Aí começaram a fazer uns barulhinhos estranhos juntos. E acho que chegaram até a fazer sexo juntos, com outras 3 pessoas na cabine ouvindo aos gemidos que eles tentavam conter. Eu e meu amigo olhávamos um para o outro rindo daquela situação inesperada. Não havíamos pago por nada daquilo…

2 comments » | Polônia, República Tcheca

Back to top