Dia do Pi
Fonte: Wikipedia
Hoje é um dos dias em que se celebra a constante matemática Pi (), definida como a relação entre a circumferência e o diâmetro de um círculo. A constante tem valor aproximado de 3,14, daí o uso da data de hoje: Mês 3, dia 14. Outro dia comum para celebrar a constante é 22/7, em referência a popular fração definida por Arquimedes.
Pi é talvez um dos números mais estudados do mundo. Seu fascínio cresceu junto com a história das civilizações. Começou com a tentativa de entender os círculos e esteve presente como símbolo nas construções babilônicas e egípcias, por exemplo. Depois, seu estudo passou a fazer parte da evolução da matemática, sendo hoje utilizado na geometria e trigonometria, cálculo, física, estatística, teoria do caos, dentre outras áreas.
Até hoje não existe uma fórmula capaz de definir os dígitos decimais do Pi. Não há padrões nas casas decimais deste número irracional. Aproximações, portanto, só podem ser calculadas nesta base. Uma opção mais utilizada é calcular o número em outras bases, hexadecimal ou binária por exemplo, e converter depois para decimal. A maior aproximação já computada ocorreu em dezembro do ano passado.
O número Pi com 2.699.999.990.000 casas decimais demorou 103 dias para ser calculado em binário, outros 13 dias para ter os dígitos verificados, mais 12 dias para converter o número para decimal, e finalmente 3 dias para verificar a conversão. Se alguém resolver imprimir este número no papel, deve dar para preencher uma biblioteca inteira de livros impressos com partes dele.
Hoje também seria o aniversário de Albert Einsten, nascido em 14 de março 1879. Não que ele tenha qualquer relação direta com o número Pi mas a ocasião não poderia ser mais apropriada. Portanto, prepare uma torta redonda ou faça uma pizza e comemore este dia tão especial para a matemática e a ciência!
PS: Aproveite para se divertir calculando o número pi com milhões de casas decimais neste site, utilizando diferentes bases e algoritmos. Meu computador demorou 31 segundos para calculá-lo com 1 milhão de casas decimais.
Aniversário de Gandhi e um esclarecimento sobre a independência da Índia
Na próxima quinta-feira, dia 2 de Outubro, Mahatma Gandhi estaria completando 139 anos. Aproveitando a data, quero esclarecer um momento delicado da história Indiana e que contou com a participação direta deste ser humano iluminado. Trata-se do período de transição do governo, durante a independência do país, nas décadas de 30 e 40.
Ao contrário do que li em um dos blogs em português mais antigos sobre a Índia, Gandhi não foi o “o culpado pela divisão da Índia em Hindustão e Paquistão.” Tão pouco foi ele “quem aceitou dividir o território Indiano e assim acabou por causar uma guerra civil entre hindus e muçulmanos onde centenas morreram.” Ao contrário, é graças ao trabalho de Gandhi e daqueles que acreditavam em seu ideal que o país não se fragmentou por completo, fazendo com que países surgissem onde antes já existiam principados relativamente autônomos mas que se sujeitavam ao domínio inglês.
Gandhi era a favor da união de toda Índia, e era abertamente a favor do entendimento entre hindus e mulçumanos. Em uma de suas frases mais citadas, ele afirmava que “liberdade é para toda Índia e não para o congresso”, clamando para que diferenças fossem postas de lado na formação do congresso. Em toda sua vida, Gandhi foi defensor voraz da paz através dos princípios da não-violência e da não-cooperação. Era com eles que Gandhi lutava para que todos os povos da Índia vivessem em harmonia, cooperando uns com os outros para uma Índia forte e unida.
Por que então tantos conflitos surgiram, resultando na divisão do país e conseqüente formação do Paquistão? São três causas que se inter-relacionam: Primeiro, as lideranças do congresso subestimaram a importância de Muhammad Ali Jinnah, líder da Liga Mulçumana (um partido Indiano) e primeiro Governador-General do Paquistão, e dos mulçumanos no país, relevando para o segundo plano seus interesses. Isto obviamente reforçou a impressão de que o país seria governado para os hindus apenas. Segundo, Jinnah também tem uma grande parcela de culpa ao liderar o movimento separatista a qualquer preço, independente das perdas humanas. Jinnah tinha uma ambição pessoal que se sobrepunha a qualquer outro interesse. Por último, como não podia deixar de ser, os Ingleses também contribuíram muito para a separação e, pior, fizeram questão disto. Para os Ingleses as animosidades entre hindus e mulçumanos era bem vinda já que enfraquecia o movimento de independência e a soberania da região.
Gandhi, uma das figuras mais emblemáticas no governo, infelizmente também tem sua parcela de culpa. Embora não tenha sido O culpado e tão pouco tenha agido intencionalmente em prol da separação, suas ações para que todos os povos da Índia vivessem em harmonia subestimaram os interesses mulçumanos e, paradoxalmente, geraram divergências. É que Gandhi trouxe à tona sentimentos de ódio e vingança que antes eram suprimidos pelo convívio de gerações. Ele sonhava que a paz seria absoluta se estes mesmos sentimentos se extinguissem: Ao trazê-los à tona, ele esperava que o outro lado os compreendesse e os respeitasse por completo. A realidade se mostrou muito mais bruta.
Gandhi foi assassinado no dia 30 de Janeiro de 1948 por um Indiano hindu. Pior, o assassino, Nathuram Godse, era um Brahmin, classe de educadores e sacerdotes do hinduísmo. Sentenciado à morte, seu discurso foi assustador: “As atitudes de Gandhi em favor dos mulçumanos eram constantes e consistentes, culminando em seu último jejum pró-mulçumano, o que me incitou a concluir que Gandhi deveria deixar de existir imediatamente.” Tal motivação existe até hoje e é principalmente por estas pessoas que Gandhi é odiado. São os mesmos hindus fundamentalistas que massacram ou apóiam massacres não só a mulçumanos mas também a demais minorias religiosas que tentam viver em paz neste país tão intricado e diverso.
O legado de Gandhi é referência até hoje no mundo todo. Capa de muitas revistas, objeto de estudos, livros e filmes, referência certa em muitos discursos políticos, nome de rua em muitas cidades (as famosas M.G. Road aqui na Índia em referência as suas iniciais), homenagem em estátuas, nas cédulas Indianas, e em museus e memoriais, e notável ausência dentre os vencedores do Nobel da Paz, Gandhi merece mesmo ser celebrado e lembrado! Não é por acaso, portanto, que um dos três únicos feriados nacionais da Índia é em homenagem a ele.
Para os interessados, recomendo o artigo e as referências disponíveis na Enciclopédia Britannica, além da leitura dos livros:
Fecho este post com um poema raro, que não encontrei na íntegra em nenhum site da Internet. Seu autor é Venibhai Purohit (1918-1981), poeta de Gujarat, estado no oeste Indiano onde Gandhi nasceu. Este poema é exibido em seu memorial em Delhi e é citado como um de seus favoritos: Era declamado por ele toda manhã antes de iniciar suas atividades quase como um mantra.
Whether weary or unweary, O Man, do not rest
Do not cease your single-handed struggle.
Go on, and do not rest,
You will follow confused and tangled pathways,
And you will save only a few, sorrowful lives.
O Man, do not lose faith, do not rest.
Your own life will be exhausting and crippling,
And there will be growing dangers on the journey.
O Man, bear all these burdens, do not rest.
Leap over your troubles though they are high as mountains,
And though there are only dry and harren fields beyond.
O Man, till those fields, do not rest.
The world will be dark and you shall shed light on it,
And you shall dispel all the darkness around.
O Man, though life deserts you, do not rest.
O Man, take no rest for thyself,
O Man, give rest unto others.
De volta à Índia… Outra vez.
Estou de volta à Bangalore. Cheguei na segunda-feira muito bem recebido pelo trânsito insuportável da hora do rush. Acho que esta cidade e a Índia de maneira geral devem ter uma das piores infraestruturas de transporte do mundo. No total, levei 4 horas do novo aeroporto ao Instituto, ambos separados por meros 66 km de rodovia– Isto mesmo, 16,5 Km/h de média de velocidade!
De bicicleta eu chegaria mais rápido.
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A propósito, o novo aeroporto pelo menos agora é uma porta de entrada decente para a cidade. 3 meses após sua inauguração não tive nenhum problema no desembarque. O serviço foi eficiente e a equipe bem prestativa.
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No vôo para cá, assisti a um filme inusitadamente atraente sobre a Índia, mais especificamente sobre aquela Índia um pouco misteriosa, sendo descoberta por um estrangeiro: Seu título em inglês é Outsourced, ainda sem tradução para o português. A história é de um gerente americano que, ameaçado a perder o emprego, foi obrigado a ir à Índia treinar seu substituto no departamento de suporte aos clientes (os famosos Call Centers).
Todos nós sabemos alguma coisa sobre outros países mas frequentemente isto resume-se a estereótipos construídos pela mídia (dois exemplos apenas para ilustrar, aqui e aqui). Percebo isto mais claramente ao ser indagado no Brasil sobre minha experiência vivida na Índia. As perguntas, em geral, resumem-se às pequenas curiosidades sobre vacas, pobreza, e as aparentes aberrações praticadas pelos indianos. Poucos se importam (sem que isto seja necessariamente bom ou ruim) em tentar entender a congruência do país.
Não que o filme faça isto com maestria mas pelo menos vai além dos clichês e dos estereótipos. Faz isto só um pouco, é verdade, e no final das contas não deixa de se resumir a um romance de novela, mas pelo menos não é ultrajante. Ao contrário, recomendo o filme justamente por proporcionar um pouco mais de explicação sobre a Índia de maneira bem divertida e ao mesmo tempo respeitosa.
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Enquanto estive no Brasil, este blog completava um ano de vida. O primeiro post foi do meu irmão no dia 2 de julho do ano passado. O meu primeiro veio no dia seguinte.
Para mim, tem sido uma boa experiência relatar as minhas viagens. Além de contribuir para os meus conhecimentos sobre os destinos que visito, o blog tem funcionado como um bom canal de comunicação tanto com velhos conhecidos quanto com novos amigos.
Por isto, o mínimo que posso fazer é agradecer a todos pelas visitas e pelos comentários ao longo de todo este tempo! E que venham novos destinos e novas histórias para serem compartilhadas aqui.