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Links da Índia

outubro 24th, 2009 — 9:42am

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Quem não conhece a Índia só vê seus extremos

outubro 22nd, 2009 — 6:10am

Li um post sobre “curiosidades” da Índia e respondi a um amigo que era contra as afirmações do texto. Disse-lhe que aquele era um “texto típico de quem acabou de chegar na Índia pela primeira vez e não entende nada do país ainda.” Como meu amigo perguntou o porquê de estar tudo errado no texto lido, trago a resposta para o blog para estimular uma discussão:

Não é que esteja tudo errado com o post mas as afirmações jogadas ali soltas ficam fora de contexto.

Quem chega a Índia pela primeira vez  sem saber nada, fala o que vê, e esquece de perceber as entrelinhas. A Índia é um país de muitos contrastes e extremos então não há uma verdade sobre o país. Vamos a alguns exemplos pontuais do texto do sujeito da moça:

Em Bangalore, 3a. maior cidade da India, não tem calçadas! As pessoas andam se amontoando na beira da estrada/rua/avenida mesmo junto com os carros, onibus, caminhões, auto-rickshaws, vacas , cachorros, e outros animais!

É claro que há calçadas! E em muitos lugares elas são melhores que muitas calçadas brasileiras. Em outros elas não existem mesmo. E não há um monte de gente, vaca, etc. em todos os lugares. As vacas, por exemplo, estão em grande parte apenas nas periferias da cidade.

Todos os lagos da cidade servem como cagódromo/ mijódromo, sem exceção, de dia ou de noite! Os muros também tem a mesma serventia, especialmente para os homens, claro!

Não são todos. No Lal Bagh, um jardim botânico, há um lago grande e muito limpo. Ninguém defeca ou urina ali. E muitos muros também são respeitados. Depende do tipo de pessoa que frequenta o lugar e da aparência/conservação do muro.

os bares/restaurantes/discos fecham as 11:30 da noite (desligam a musica e as pessoas são convidadas a se retirarem…)!

A maioria dos bares fecha mesmo às 11:30, alguns burlam a lei (subornam alguém) e conseguem fechar 2, 3 da manhã. Mas, independente disto, as festas/diversões não acabam 11:30 como o texto faz parecer. Sempre há um amigo com uma festa em algum lugar particular para prolongar a noite de quem quiser.

E por aí vai. Não vejo hoje, maniqueísmo na Índia como marinheiros de primeira viagem (inclusive eu, dois anos atrás) vêem. A Índia não é só o luxo da novela da Globo ou a miséria do filme “Quem Quer Ser um Milionário?”. Ao contrário, é um país de muitas dimensões e variações dentro destes extremos.

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Fotos do Tata Nano

abril 16th, 2009 — 12:42pm

Vi ontem um Tata Nano pela primeira vez aqui na Índia. Não, eles ainda não estão circulando pelas ruas, mas aos poucos começam a ser exibidos nas concessionárias e em alguns shoppings como parte de promoções. Este que vi estava numa loja de departamentos do shopping mais luxuoso de Bangalore, o Forum Mall.

O bichinho estava lá, em uma tonalidade meio sem graça de branco, cercado de Indianos curiosos. Olhando assim, de perto, ele não é tão bonito. E parece frágil demais. É um carro bonitinho no melhor estilo feio arrumadinho.

Tata Nano de FrenteInterior do Tata NanoDetalhes da traseiraA minúscula roda

Perguntei a alguns dos Indianos o que eles achavam do carro e eles também não estavam muito convencidos do seu potencial. “Parece de brinquedo”, respondia um. “Eu acho que este carro não dura dois dias nas ruas caóticas daqui”, confirmava o outro.

Ainda assim, com preço tão convidativo, é possível que o carro se torne um sucesso. Como os primeiros só devem chegar às ruas em julho, é esperar para ver se a Índia terá uma invasão Nano ou não.

Confira mais fotos do carrinho no álbum de fotos.

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A produção de software no Brasil e o porquê da Índia ser melhor

abril 13th, 2009 — 5:08am

Ano passado um russo veio à Bangalore visitar o Instituto onde estudo, vindo de Vitória, ES, cidade onde morei praticamente toda minha infância. É isto mesmo. Fiquei tão impressionado com a coincidência que 3 horas em um restaurante próximo não foram suficientes para tanto assunto. O sujeito é pesquisador na Universidade de Berkeley (Califórnia) e conheceu a esposa lá. Ela é carioca, a propósito.

Obviamente a origem da esposa foi mais do que motivo suficiente para ele iniciar um trabalho de pesquisa no Rio. Não me recordo quanto tempo ele ficou na cidade, mas o foco do estudo era no entendimento da metodologia adotada pelos cariocas no processo de desenvolvimento de software. Por que o Rio? Bem, além do fato da esposa ser de lá, outro motivo, segundo ele, é que mais cidades no mundo podem ser comparadas ao Rio, ao contrário da grandiosa São Paulo, o que possibilita um uso mais diverso do resultado. Outro aspecto que ele considera curioso no Rio é a maneira como a cidade se coloca no mercado, à sombra de sua vizinha paulista.

Entre um arroz biryani e outro, ele me apresentou a sua visão do mercado brasileiro de software – bem interessante, por sinal. Por que, por exemplo, os brasileiros produzem software para o mercado interno enquanto a Índia fatura horrores com a exportação? Certamente a língua não é o principal fator. Segundo ele, o fato do software estar em português, o que implicaria em algum custo para tradução (principalmente se o software não foi originalmente projetado para várias línguas) não é (ou não deveria ser), de longe, o principal entrave à exportação. Vencido este primeiro obstáculo, são inúmeras as etapas a serem cumpridas para que o software possa ser comercializado internacionalmente. A língua é, literalmente, o de menos…

Mas então, por que não vendemos software lá fora?

A culpa é do nosso pequeno mercado e da maneira como as empresas brasileiras atuam nele. Ele é, na verdade, ao mesmo tempo uma benção e um calo no pé. É claro que o fato de possuirmos um mercado interno estimula a produção de software local e sem ele nossas atuais empresas provavelmente não existiriam. Entretanto, graças a ele também é que estas mesmas empresas acabam se acomodando: “O meu cliente está logo ali, para que ir mais longe?”.

Outra característica peculiar de nossas empresas de software está na relação com os clientes. Primeiro que elas nascem ou já com um cliente em mente ou pensando em arrumar um cliente. Raramente uma empresa de software no Brasil surge com um plano de negócios focado em um mercado para produzir software numa economia de escala. O foco da empresa no cliente está na natureza de nossas relações. Dificilmente negamos as solicitações dos clientes o que acaba resultando em versões customizadas de um mesmo produto para cada um deles. É mais ou menos como se a relação precisasse ser informal, em tom de amizade [en]. Parece familiar? Pois é, para mim também. Este comportamento acaba fazendo com que as empresas de software do Brasil aceitem praticamente todas as solicitações dos clientes, indo ao extremo de detalhar no software particularidades exclusivas de cada um se preciso.

Além disto, o nosso principal cliente, o governo, tem características muito distintas que exigem grande esforço e investimento na relação comercial. Este mesmo governo também dita o tipo de serviço prestado pelas empresas locais. Nas décadas de 80 e começo de 90, por exemplo, quando o governo impunha severas restrições à entrada de hardware no Brasil, houve uma demanda pela produção interna dele.

Este tipo incentivo tem grandes desvantagens. Primeiro que incentivar a produção de tecnologia em detrimento do uso, acaba favorecendo apenas um setor da indústria quando vários poderiam se beneficiar se o incentivo do governo estivesse no uso da tecnologia. Segundo que, no caso particular da produção de hardware, o mercado internacional é altamente competitivo e dominado por grandes empresas principalmente estabelecidas nos EUA.

Assim, quando se iniciou no Brasil um processo de abertura comercial, muitas das empresas de hardware brasileiras tiveram que encolher consideravelmente ou simplesmente fechar as portas. Com políticas mais recentes do governo, este quadro está se revertendo um pouco. De 2000 para cá é evidente o crescimento de nossa indústria de hardware e software.

No caso do mercado externo, entretanto, são duas razões principais para nossas pífias exportações: 1) lá fora as empresas de software brasileiras não conhecem ninguém, o que dificulta qualquer aproximação mais pessoal da maneira como fazemos no Brasil; e 2) elas muitas vezes não possuem o interesse pois o mercado brasileiro é aparentemente suficiente para elas….

Normalmente uma empresa brasileira inicia alguma operação no mercado internacional apenas quando a oportunidade bate a sua porta. Ou seja, se algum comprador internacional procurar a empresa brasileira, demonstrando bastante interesse, então a ela terá a motivação necessária para tal empreitada.

Como em toda regra, entretanto, esta também possui suas exceções. O melhor exemplo talvez seja a linguagem de programação Lua. Ela foi criada na PUC do Rio em 1993 e desde o seu nascimento foi projetada em inglês, para o mercado externo. Para se ter uma idéia, nem existe manual em português. Aliás, os melhores livros dela só são encontrados fora do Brasil e sem tradução para nossa língua. Segundo o site oficial, Lua é usada em várias aplicações de grande porte (por exemplo, o Adobe Photoshop Lightroom) e é a linguagem de script dominante na criação de jogos. Menos de 10% dos mais de 1300 assinantes da lista de discussão são do Brasil.

Para fechar, o meu amigo russo acha que os brasileiros das empresas de software são megalomaníacos (ele fala um bom português e literalmente usou esta palavra). São todos cheios de grandes planos, sonham em atingir o mercado internacional, mas pouco fazem na prática para tornar os sonhos concretos. É a perfeita justificativa, segundo ele, para que nosso país continue sendo o “país de futuro”, sem planos no presente.

***

O estudo do pesquisador ocorreu essencialmente no Rio de Janeiro. Embora alguma extrapolação seja possível, a generalização oculta outros padrões que se destacam principalmente em algumas regiões do Sul do Brasil, em São Paulo, e em Recife. Ainda assim, estamos muito atrás da Índia na indústria de software. Temos grandes empresas mas a maioria ainda é estrangeira (inclusive as Indianas Wipro e Satyam) e que só agora começam a se organizar para tornar o país competitivo. O resultado deste individualismo e falta de pró-atividade é um mercado menor que a metade do mercado Indiano (cerca de US$ 20 bilhões em comparação aos US$ 50 bi Indianos), com déficit na balança comercial, e  ainda bastante dependente do governo para se sustentar.

Para mais informações:

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Nota Mental

janeiro 12th, 2009 — 3:14am

Nunca, em nenhuma hipótese, realizar uma longa viagem sem levar o laptop. As possibilidades de atrasos entre conexões e paradas em estações de trem/ônibus e aeroportos são muito grandes, proporcionando um estado de tremendo tédio sem um laptop com filmes, jogos, músicas e/ou acesso à Internet.

A propósito, cá estou de volta em Bangalore depois de vários atrasos…

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Agora eu vou! Não vou… Vou!

dezembro 6th, 2008 — 2:11am

Pois é, as últimas três semanas têm sido de extrema indecisão. Antes, tinha certeza que voltaria ao Brasil em Dezembro, depois, até ontem, tinha absoluta certeza que não voltaria, agora, tenho certeza novamente que volto! Ah, as nossas certezas…

Por causa da minha tese, um pouco atrasada, havia resolvido adiar o meu retorno ao Brasil e me concentrar mais nos trabalhos. Só que apenas ontem fui ao escritório da Air France aqui em Bangalore cancelar a passagem. Acontece que cancelar esta passagem em particular (por ser mais barata) custa um absurdo e transferí-la para Julho, data em que valeria a pena retornar ao Brasil novamente, é também mais caro por ser alta temporada (aparentemente, Dezembro não é, vai entender estas cias. aéreas).

Resultado: Volto para o Brasil! Ficarei menos, é verdade, apenas 15 dias, mas volto! Faço antes uma paradinha rápida em Paris para rever amigos (conto aqui depois, claro) e outra no Rio para rever familiares queridos que não vejo desde 2007. Dia 17, portanto, logo depois do almoço, desembarco no Aeroporto Internacional Eurico Salles!

A menos que eu mude de idéia novamente até lá… =D

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Mumbai em Guerra, tudo bem em Bangalore

novembro 28th, 2008 — 1:01am

Foi sem dúvida o pior ataque terrorista recente ocorrido aqui na Índia. Até o momento, a CNN conta mais de 125 mortos e vários feridos. O que contribuiu para o choque foi  a natureza do ataque: desta vez muito mais organizado que os demais, direcionado a estrangeiros em hotéis de luxo, e envolvendo sequestros em massa. Ataques anteriores eram em geral feitos apenas com bombas de pequena escala.

Pedro Dória conta com detalhes o que anda acontecendo e os possíveis desdobramentos em três posts, um na manhã após o início dos ataques na última quarta-feira, um 24 horas depois, e outro agora pela manhã aqui na Índia, depois de mais de 36 horas de violência continuada.Vale a pena a leitura dos comentários de cada um deles também.

Pouco depois de ter chegado aqui ano passado, também escrevi um post no blog do Pedro, contanto como era o cotidiano na Índia mas não falei do terrorismo por desconhecê-lo. Desta vez, na caixa de comentários dele, toquei no assunto e reproduzo-o aqui:

“Os ataques de 2007 foram mínimos em termos de exposição na mídia se comparados com estes de agora, principalmente este de Mumbai.

Ataques terroristas fazem parte da rotina do país desde muito antes do mesmo se tornar país em 1947. Aliás, o próprio movimento de independência foi marcado por muita violência, com a morte de centena de milhares. Em geral, pode-se dizer que a briga é entre extremistas hindus e muçulmanos mas isto explica pouco. Além dos conflitos na Caxemira (por si só um bocado intrincado), há movimentos separatistas dentro da própria Índia (entre povos hindus mesmo), atentados contra católicos, e conflitos no Sri Lanka e na fronteira com Bangladesh e Nepal.

Não é, portanto, o primeiro caso, nem será o último. A Índia sofre de muitos males relacionados a intolerância religiosa e cultural e isto fica evidente até na política. Há, por exemplo, uma fragmentação partidária muito forte no país motivada por interesses de grupos minoritários divergentes. O país está entrando num ciclo vicioso e se engessa cada vez mais.

Entretanto, ainda há problemas sociais muito maiores. A violência por atentados já foi muito maior em anos recentes anteriores. Só a morte causada pelos Maoístas Extremistas chega a 1500 entre 2006 e 2007. Em 2007 foram mais de 2.500 mortes por ataques terroristas e este ano até agora pouco mais de 600. A violência em geral também é baixa se considerarmos o total de habitantes do país.

46.660 foi o número de assassinatos no Brasil em 2006 e 32.719 foi o número Indiano. Se dividirmos isto pelo total da população, temos aprox. 0,23 assassinatos para cada 1000 habitantes no Brasil e ínfimos 0,02 assassinatos para cada 1000 habitantes na Índia. Mesmo se duplicarmos o número Indiano (reconhecidamente subestimado dada a corrupção da polícia), o número por 1000 habitantes continua muito menor.

É claro que o efeito moral destes ataques aqui na Índia são devastadores e é de fato uma atrocidade que espero nunca experimentar. Só que a repercussão praticamente nunca o é e as preucações só são tomadas nos meses imediatamente após o atentado. Este agora ganha tanta exposição por conta dos alvos visados – turistas americanos e ingleses.

Um outro número, entretanto, serve de exemplo para problemas que são muito maiores aqui: Mais de 100.000 pessoas morreram e cerca de 2 milhões ficaram seriamente feridas em 2006 por conta de acidentes de trânsito. A Índia encabeça a lista de mortes no trânsito, a frente até da China.”

 

Enquanto Mumbai sofre, aqui em Bangalore, tudo bem. Nenhum dos meus amigos que moram por lá se feriram também – nem estavam perto. Como de praxe, entretanto, a segurança foi reforçada em todos os locais. Sempre ocorre da mesma forma após um ataque. E uma semana depois tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido. Ontem fui praticamente impedido de sair do Instituto e os mesmos seguranças que me conhecem desde 2007 me pararam para revistar minha bolsa. Tive que fazer graça da coisa toda e eles, que bom, também caíram na gargalhada.

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Conversa no Táxi

outubro 23rd, 2008 — 4:39am

Se num táxi/riquixá o motorista possuir um mínimo de conhecimento de Inglês, uma típica conversa durante o trajeto acontece assim quando você é ou aparenta ser um turista estrangeiro:

- Olá senhor, tudo bem? Vai para onde?
- Tudo! Vou para XYZ, por favor.

(Alguns minutos de silêncio depois)

- Senhor, você é de que país?
- Brasil.
- “Brésiu”? Onde fica este “Brésiu”?
- Fica na América do Sul. Brasil! Futebol, Ronaldinho, Samba…
- América! Ah! Já tive muitos passageiros dos EUA. De que estad…
- Não, Brasil é o país, fica na América do Sul!
- Ah! Muito bom! Muito bom! – Responde fingindo entender. Em geral, você pode falar que é de praticamente qualquer país que eles vão pretender conhecê-lo sorrindo, tentando serem simpáticos. Certa vez respondi que era da África do Sul e que o país ficava ao sul da Alemanha. O sujeito achou que eu era europeu, claro. – E o que você faz aqui na Índia?
- Faço um mestrado aqui.
- O que? – Ele não entende a palavra mestrado. Não dá para ser nem um pouco específico nestas conversas e as frases precisam ser lacônicas:
- Estudo! Estudo!
- Ah! Entendi. Estudo. Aonde?
- No IIIT-B. Electronic City.
- E você ganha alguma coisa? – É incrível a necessidade deles de saber quanto você ganha. Esta é sempre uma das primeiras perguntas num encontro como este. Normalmente eu desvio do assunto e pergunto a ele algo:
- E você é de onde?
- Sou de Umlugaraípuram (ou Seilápur). – Responde fazendo questão de ser bem específico quanto a sua cidade de origem.
- Bacana! – Finjo saber de onde ele é.

(Mais alguns minutos de silêncio, agora quase chegando ao destino)

- Senhor, seu nome é? – Curiosamente, o nome só costuma ser perguntado depois.
- Ri-car-do. – Digo pausadamente.
- “Richardo”?
- Isso, “Richardo” (outra variação comum é “Ricado” sem o erre).
- “Richardo”, aqui o meu cartão – Recebo seu cartão de visitas com um sorriso largo, como se nos conhecêssemos há vários dias. – Me liga da próxima vez que for sair, ok?
- Pode deixar! – Respondo colocando o cartão no bolso, ao lado de vários outros colecionados ao longo do tempo aqui. – Até logo.
- Obrigado senhor

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“Causos” pelo mundo (2)

outubro 16th, 2008 — 10:30am

Em Dubai, dois meses atrás, esperando organização por toda cidade, tive uma desagradável surpresa logo ao desembarcar. Os policiais de trânsito resolveram “organizar” o acesso aos taxis, criando uma fila interminável de espera. Resultado: fiquei uma hora e meia esperando, em plena madrugada, num calor de 37 graus, até chegar a minha vez.

***

Horas antes, no mesmo aeroporto, sabia que precisaria pagar pouco mais de US$ 100 pelo visto de trânsito no país. Em espécie, tinha comigo exatos US$ 100. Fui então a um caixa rápido sacar o restante do valor. Nada! O maldito não funcionava mesmo sendo do mesmo banco que minha conta corrente. Atravessei então praticamente todo aeroporto até chegar ao saguão de conexões. Tentei todos os caixas e nada…

Já me imaginava passando dois dias no próprio aeroporto, tal qual Tom Hanks no filme O Terminal, quando decidi apelar: Abordei o primeiro sujeito que aparentasse ser amigável o suficiente para simpatizar com minha história. Batata! Consegui o dinheiro restante de primeira, apesar do constrangimento.

Depois, pedi ao taxista que parasse num caixa rápido no caminho para o hotel. Consegui sacar dinheiro na primeira tentativa. Maldita Lei de Murphy.

***

Antes, já havia sido pedinte em situação similar. Meu cartão se recusou a funcionar no antigo e agora aposentado aeroporto de Bangalore. Naquela vez, entretanto, foi mais fácil: Como passei uma boa parte da viagem conversando com um britânico que veio sentado ao meu lado, consegui com ele o dinheiro necessário para o táxi.

***

Mas não foram estas as duas únicas vezes que fiquei sem dinheiro no exterior por problemas no cartão. Em Toronto, no Canadá, em 2006, meu cartão também parou de funcionar. Lá, entretanto, fui socorrido por meu primo que, coincidentemente, estava na cidade a trabalho.

Horas mais tarde, rimos um bocado do fato num bom restaurante no centro. Ele, claro, pagou a conta. Aliás, relembrando o fato, acho que ainda devo este dinheiro a ele. Pode deixar que um dia te pago, primo! Quem sabe na próxima vez que nos encontrarmos em algum canto do mundo?

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De volta à Índia… Outra vez.

agosto 27th, 2008 — 10:09am

Estou de volta à Bangalore. Cheguei na segunda-feira muito bem recebido pelo trânsito insuportável da hora do rush. Acho que esta cidade e a Índia de maneira geral devem ter uma das piores infraestruturas de transporte do mundo. No total, levei 4 horas do novo aeroporto ao Instituto, ambos separados por meros 66 km de rodovia– Isto mesmo, 16,5 Km/h de média de velocidade!

De bicicleta eu chegaria mais rápido.

***

A propósito, o novo aeroporto pelo menos agora é uma porta de entrada decente para a cidade. 3 meses após sua inauguração não tive nenhum problema no desembarque. O serviço foi eficiente e a equipe bem prestativa.

***

No vôo para cá, assisti a um filme inusitadamente atraente sobre a Índia, mais especificamente sobre aquela Índia um pouco misteriosa, sendo descoberta por um estrangeiro: Seu título em inglês é Outsourced, ainda sem tradução para o português. A história é de um gerente americano que, ameaçado a perder o emprego, foi obrigado a ir à Índia treinar seu substituto no departamento de suporte aos clientes (os famosos Call Centers).

Todos nós sabemos alguma coisa sobre outros países mas frequentemente isto resume-se a estereótipos construídos pela mídia (dois exemplos apenas para ilustrar, aqui e aqui). Percebo isto mais claramente ao ser indagado no Brasil sobre minha experiência vivida na Índia. As perguntas, em geral, resumem-se às pequenas curiosidades sobre vacas, pobreza, e as aparentes aberrações praticadas pelos indianos. Poucos se importam (sem que isto seja necessariamente bom ou ruim) em tentar entender a congruência do país.

Não que o filme faça isto com maestria mas pelo menos vai além dos clichês e dos estereótipos.  Faz isto só um pouco, é verdade, e no final das contas não deixa de se resumir a um romance de novela, mas pelo menos não é ultrajante. Ao contrário, recomendo o filme justamente por proporcionar um pouco mais de explicação sobre a Índia de maneira bem divertida e ao mesmo tempo respeitosa.

***

Enquanto estive no Brasil, este blog completava um ano de vida. O primeiro post foi do meu irmão no dia 2 de julho do ano passado. O meu primeiro veio no dia seguinte.

Para mim, tem sido uma boa experiência relatar as minhas viagens. Além de contribuir para os meus conhecimentos sobre os destinos que visito, o blog tem funcionado como um bom canal de comunicação tanto com velhos conhecidos quanto com novos amigos.

Por isto, o mínimo que posso fazer é agradecer a todos pelas visitas e pelos comentários ao longo de todo este tempo! E que venham novos destinos e novas histórias para serem compartilhadas aqui.

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