Tag: Bangalore


Rapidinhas direto de Vitória, ES e um problema no Cinemark

junho 1st, 2008 — 8:08pm

Conforme divulgado, já estou de volta ao Brasil desde a semana passada. Adiantei meu vôo em dois dias para fugir da inauguração do novo aeroporto de Bangalore. Novidades governamentais na Índia são sinônimo de muita confusão e problemas.

Em Vitória, já revi meus familiares e alguns amigos. Ainda não deu tempo de “chegar” por completo. Uma boa notícia foi a excelente temperatura média do inverno daqui da capital, quase o oposto do verão indiano insuportavelmente quente e seco.

***

 

Quarta-feira passada estive na Aracruz Celulose com um grupo de alunos do mestrado e da graduação em Ciências Econômicas da UFES. A visita foi extremamente elucidativa na abordagem dos processos inovativos que ocorrem na empresa. Conto mais detalhes depois.

Agradeço ao Prof. Arlindo Villaschi pelo convite.

***

 

Escrevo este post após chegar de uma sessão inusitada de cinema. Ou melhor, uma pseudo-sessão. Tentei pela segunda vez assistir ao novo Indiana Jones sem sucesso. Na primeira cheguei atrasado, mas desta vez, no Cinemark (faço questão de destacar o nome), estou isento de qualquer responsabilidade pelo fracasso.

A projeção do filme começou atrasada, cheia de falhas e distorções, e sem as legendas, gerando gritarias de protestos nos primeiros 10 minutos. Depois, quando acertaram os problemas, a gerência se recusou a recomeçar o filme, provocando uma debandada geral da sessão.

Após muita reclamação, conseguimos o reembolso dos ingressos, da pipoca e do refrigerante, o mínimo aceitável pois não considera o estacionamento, a gasolina gasta, o tempo despendido, e a frustração e o aborrecimento de não conseguir ver o filme.

Era visível também o despreparo de toda a equipe em lidar com a situação. Não havia nenhum tipo de controle para o reembolso e a funcionária responsável não sabia como lidar com os clientes mais exaltados. Inacreditável também a demora em acertar o filme e a recusa em começá-lo novamente.

Já tive problemas antes no Cinemark com o excesso de iluminação durante a sessão, com falhas no som, com filas demoradas para compra de ingresso e pipoca, e com atrasos no início da projeção. Obviamente, pelo menos em Vitória, a empresa ainda precisa melhorar muito.

2 comments » | Brasil

O BIAL daqui é outro…

maio 19th, 2008 — 1:54pm

…mas está me dando muito mais dor de cabeça que ser forçado a assistir à versão brasileira no BBB. Em Bangalore, BIAL (Bangalore International Airport Ltd.) é a sigla do consórcio responsável pelo novo aeroporto da cidade. A construção, ao contrário do que todos e principalmente o governo Indiano esperavam, ficou pronta no prazo previsto, 31 de março de 2008. O resultado é que a cidade passou a ter um novo aeroporto moderníssimo mas sem meios de chegar até ele. Simplesmente não havia infra-estrutura rodoviária ou ferroviária e sua abertura teve que ser adiada.

Agora, o que eu não esperava é que a danada da inauguração fosse transferida exatamente para o dia do meu embarque ao Brasil, próxima sexta-feira, 23 de maio. Justamente no dia em que tudo é novidade e ninguém possui a mínima experiência em lidar com os eventuais problemas que certamente estarão presentes no primeiro dia. Maldita Lei de Murphy!!!

Como se não bastasse, o novo aeroporto fica no lado oposto da cidade. Para todos no centro, já fica bem distante, pouco mais de 40 km. Para mim, está a 66 (mais um 6 aí e já viu, né?). A distância parece relativamente pequena mas lembrem-se que o tráfego indiano não é exatamente o mesmo do brasileiro (talvez a única exceção seja São Paulo). Não à toa, a duração prevista da “viagem” no trajeto é de praticamente 3 horas.

A novela não acaba aí. A população (com apoio de poderosos empresários) está pressionando o governo a manter o aeroporto atual aberto. O consórcio do novo aeroporto não aceita e alega que estava previsto nos termos do contrato a desativação do atual. E o governo, com eleições se aproximando, fica em cima do muro. Declarou que, por hora, o aeroporto atual fica fechado.

Acho que sexta-feira vou chegar com umas 10 horas de antecedência para o embarque…

PS: Mais detalhes (em inglês) aqui e aqui.

6 comments » | Índia

Lá ao Brasil e de Volta à Índia 2007-08 (2)

março 29th, 2008 — 12:05am

Após 45 dias, cheguei à Índia para encontrar os mesmos problemas de sempre. Caos no trânsito, falta de educação no comportamento dos indianos no dia-a-dia, poluição, pobreza. Tudo isto se manifesta o tempo todo e de diversas formas no imenso contraste que é a Índia. E não é preciso nem sair do aeroporto para acordar para a realidade do país.

Já escrevi especificamente sobre o trânsito daqui no passado. Recentemente, a realidade indiana também foi tema de um texto de um amigo (brasileiro) que conheci aqui em Bangalore. Ele resume os problemas indianos em categorias: sujeira, má qualidade dos serviços prestados, abuso dos motoristas de riquixás, exploração econômica dos estrangeiros, trânsito insuportável, festas sem graça (e que acabam antes da meia-noite), e a falta de respeito com a mulher. Eu ainda incluiria neste bolo a corrupção que permeia todos os níveis da sociedade indiana, a língua inglesa quase indecifrável de muitos indianos, e a pobreza explícita que denuncia a precariedade dos serviços públicos básicos e o descaso tanto das autoridades quanto de parte da população.

No trajeto de volta ao Instituto (o IIIT-B), tentei adiar tanto quanto possível esta realidade revendo mentalmente todos os incríveis destinos que visitei na viagem que terminara. Foi um passeio inesquecível, em vários atos. Começou na Índia, passou pela Europa e pelo Brasil, terminou na Índia. Lá e de Volta, literalmente.

1. Agra (Taj Mahal)
Por mais que falem do clichê que é visitar este mausoléu, considero a visita à Índia incompleta sem conhecer esta que, para mim, é uma das construções humanas mais bonitas ainda de pé.

2. Delhi
Delhi é uma capital com muita história para contar. Rota de muitos povos entre diferentes regiões por milhares de anos, a cidade se tornou um caldeirão de diferentes culturas e religiões. Visita também imperdível a quem visitar a Índia.

3. Munique, Regensburgo, e Chemnitz
Revisitei a Alemanha em dezembro, após ter passado por lá antes de chegar à Índia pela primeira vez. Adorei o país e todas as cidades que visitei. Foi muito bom também ter reencontrado velhos amigos que não via desde 2003.

4. Praga
Apesar da péssima impressão causada pela estação de trem, Praga – capital da República Tcheca – me surpreendeu positivamente. A cidade preserva mais de 1000 anos de história e exibe orgulhosa todos os principais estilos arquitetônicos que marcaram a Europa desde então.

5. Varsóvia
A capital polonesa foi a que teve menos valor turístico para mim. A cidade mais destruída pelos alemães na Segunda Guerra tem pouco a oferecer. Nem por isto, entretanto, foi menos importante: Com um amigo, revisitei a história de uma das maiores atrocidades da humanidade. Sob este ponto de vista, Varsóvia tem muito a mostrar; as cicatrizes ainda não se fecharam.

6. Cracóvia
Em clima bem mais leve, me diverti bastante com as lendas que recheiam a cultura desta cidade, no sul da Polônia. Até dragões fazem parte do mito popular.

7. Helsinque
A Finlândia (e obviamente sua capital) tem valor especial para mim. Foi minha primeira morada no exterior e onde ganhei amigos para toda a vida. E queria muito visitá-los. O reencontro foi memorável e não podia ter sido melhor.

8. Tallinn
A capital da Estônia é o ponto alto deste país que começa a se destacar na Europa, após décadas sob domínio russo. Fiquei encantado com local e seus atrativos, tanto da velha Tallinn medieval quanto da nova e moderna capital.

9. Vitória
Minha terra natal! Local onde estão as pessoas que mais amo neste mundo! Precisa falar mais?

10. Londres
Com apenas um dia disponível na cidade, tive que me contentar apenas com as principais atrações. Foi uma boa primeira impressão da cidade mas certamente não o suficiente.

De Londres, após uma escala no Bahrein (Oriente Médio), voei direto para Bangalore. O dia amanhecia quando finalmente consegui me desvencilhar do controle alfandegário e da fila para conseguir um táxi. Bangalore não é uma cidade bonita mas não era mesmo por isto que estava ali. Apesar dos seus problemas, a cidade e o país têm também muitas qualidades. Talvez “incrível”, como quer descrever o governo (http://www.incredibleindia.org/), seja mesmo o melhor adjetivo para resumir ambos, qualquer que seja a conotação empregada.

Voltemos agora à programação normal, diretamente da Índia…

2 comments » | Índia, Mundo

Estagiários de TI em Bangalore

novembro 14th, 2007 — 11:25am

Este será meu último texto de cunho técnico-científico-econômico-político-social-filosófico-profissional do ano, prometo. Depois deste, semana que vem, começo a contar a minha viagem pelo mundo que começará aqui mesmo em Bangalore, dia 25 próximo. Já estou contando os dias para iniciar a jornada e retornar ao Brasil dia 18 de Dezembro…

O que segue é um resumo do que as empresas de Tecnologia da Informação (TI) estão oferecendo aos alunos finalistas aqui no instituto, durante o período de estágio obrigatório. Na verdade, os alunos do último semestre do curso precisam escolher entre ingressar no estágio ou escrever uma monografia. A grande maioria, claro, opta pelo estágio e as empresas não perdem tempo em conquistar as melhores cabeças pensantes.

Intel, EMC, HP, e GE estiveram aqui até agora ministrando palestras sobre as vantagens de se trabalhar em seus ambientes. As palestras em si, claro, são purpurinadas: Não por coincidência começam com um belo vídeo institucional e em seguida cada palestrante inicia seu discurso mostrando os brilhos de sua empresa.

Todas elas, sendo gigantes mundiais, foram capazes de impressionar os alunos com alguma estatística (sempre na casa dos bilhões de dólares) e com uma variedade incrível de produtos e serviços prestados. A GE, por exemplo, que começou com a genial idéia da lâmpada incandescente aperfeiçoada por Tomas Edison, hoje atua em áreas como aviação, finanças, energia, saúde, e transportes. A propósito, o maior centro de Pesquisa e Desenvolvimento da GE no mundo fica aqui em Bangalore.

Ao final das apresentações, detalhes específicos da rotina de trabalho foram sendo revelados. Em termos técnicos, todas requerem conhecimento das linguagens de programação C/C++, Java, e alguma outra da plataforma .NET. Claro que também são esperados conhecimentos básicos de Ciência da Computação (infra-estrutura de redes, sistemas operacionais, arquitetura de computadores, etc.) mas estes variam em grau de exigência de uma empresa para outra, e até mesmo de uma divisão para outra dentro da mesma empresa.

A Intel, por exemplo, é rigorosa quanto aos conhecimentos de C/C++, sistemas operacionais, e arquitetura de computadores. A HP e a EMC possuem divisões que trabalham desde o desenvolvimento de sistemas de informação (exigindo conhecimentos de mais alto nível), a desenvolvimento de drivers e sistemas embutidos (softwares que operam dentro de uma impressora, por exemplo).

Em termos de rotina de trabalho, todas elas oferecem horários completamente flexíveis (desde que as tarefas sejam cumpridas), fornecem laptops, permitem o trabalho em casa, mantém várias estruturas de lazer no próprio ambiente de trabalho (academias, cinemas, sala de jogos, etc.), e realizam programações culturais. A quantidade de ambientes voltados a atividades de lazer, aliás, dá uma idéia do tamanho dos escritórios. Só aqui em Bangalore há locais onde mais de 3.000 pessoas trabalham.

Elas também normalmente possuem uma hierarquia bem horizontal e com programas de reposicionamento em qualquer escritório do mundo, em qualquer uma de suas divisões. A GE chega a bancar programas de mestrado e doutorado para os empregados contratados após o período de estágio.

Diante de tantas maravilhas, você já deve estar se perguntando: E o salário? Bem, lembre-se que este ainda é um país pobre, mais pobre que o Brasil, e que o custo de vida aqui é bem inferior ao brasileiro. Assim, para o programa de estágio, os salários variam entre R$ 600,00 e R$ 900,00. Depois de contratados, os ex-alunos passam a receber em torno de R$ 1.500,00 mais alguns benefícios como plano de saúde, alimentação, e transporte. Segundo algumas empresas, pode demorar até 6 anos para que um profissional recém-contratado se torne um gerente com um salário em torno de R$ 3.000,00.

A título de comparação, um artigo recente da revista The Economist lista a média salarial mais os bônus dos gerentes de TI em diversos países do mundo. Enquanto a média anual no Brasil é de quase US$ 80.000 (cerca de R$ 150.000 por ano), na Índia esta média é de US$ 25.000.

Para ser selecionado para o estágio, os alunos precisam primeiro fazer uma prova de aptidão (conhecimentos gerais, lógica, etc.) e uma prova técnica. Depois desta triagem, os selecionados passam por uma entrevista com o departamento de recursos humanos, e outra com os gerentes ou diretores de áreas. A Intel é a exceção neste caso: Nela, a triagem é feita apenas através da análise de currículo. Os selecionados, então, vão direto para entrevista técnica.

Uma vez contratados, os estagiários da EMC começam imediatamente a pôr a mão na massa. Não tem esta de ser treinado primeiro. A GE, no outro extremo, aplica treinamentos que podem durar mais de um mês antes do estagiário sequer começar a trabalhar.

Curiosamente, todas as empresas enaltecem com firmeza cada um dos benefícios acima e criticam os concorrentes como se não oferecessem condições similares. Como falta mão-de-obra qualificada, parece que vale tudo para disputar os melhores alunos.

8 comments » | Índia

Continuo tentando evitar falar do tempo…

outubro 14th, 2007 — 1:10pm

Ando meio sem assunto por conta da carga pesada de estudos. Como moro no próprio instituto, minha rotina diária está sendo acordar-comer-estudar-comer-estudar-comer-estudar-dormir. Nem lembro mais da última vez que saí daqui para ir ao centro conhecer um pouco mais da cidade.

Por conta disto, vou adiantar alguns outros assuntos que estava guardando para a posteridade…

***

Bangalore é uma das principais cidades indianas, como vocês já devem saber. É referência em Tecnologia da Informação e, consequentemente, acaba se tornando também um grande centro globalizado com pessoas do mundo todo, restaurantes de todos os tipos e grandes eventos – não necessariamente bons. Nesta terça, por exemplo, haverá aqui um show do Black Eyed Peas e em novembro é a vez dos brasileiros do Sepultura se apresentarem.

Obviamente não vou a nenhum dos dois. Além de não serem exatamente o meu tipo de banda, os shows começam no meio da tarde, durante a semana, e perder uma aula aqui significa uma semana dormindo bem mais tarde para recuperar o assunto perdido.

***

Aliás, falando em horários, não consigo entender os horários de eventos de entretenimento nesta cidade. As boates, por exemplo, ao invés de abrirem às 23 horas, fecham neste horário. Com 6,5 milhões de habitantes, não há nada para fazer na cidade depois da meia-noite, mesmo sendo esta uma das populações mais ricas da Índia. Será que Cinderela mora aqui?

***

Já estamos em meados de outubro. Dentro de um mês em meio inicio uma maratona de viagens pela Índia e, em seguida, pela Europa. Certamente irei conhecer Delhi e Agra (onde fica o Taj Mahal) e talvez ainda arranje tempo (e dinheiro) para esticar a viagem até Varanasi, cidade famosa pelos rituais realizados às margens do Rio Ganges.

De volta à Europa após 4 meses, visitarei novamente a Alemanha de onde partirei para a República Tcheca, Polônia, Estônia e Finlândia, meu destino final. Retorno então ao Brasil para um merecido descanso antes de novamente embarcar para Índia e continuar meus estudos em 2008.

Os detalhes de cada destino serão revelados aqui, claro. Na véspera da viagem mando mais informações com mapas e um pouco das atrações que pretendo visitar. Prometo então rechear este blog de fotos para compensar a atual falta delas.

***

Encontrar uma passagem de retorno à Índia está sendo uma aventura à parte. Até agora, encontrei duas opções dentro do meu orçamento: Uma faz uma escala no Oriente Médio e a outra faz escala em Colombo, capital do Sri Lanka. Será que encontro o Bin Laden em um destes vôos?

4 comments » | Índia

Mentes brilhantes no 8º ano de vida do IIIT-B

setembro 22nd, 2007 — 12:34pm

Uma semana depois do “freak show” de calouros, participei de uma festa pra lá de especial. Todo ano o diretor do IIIT-B, Sowmyanarayanan Sadagopan (olha que nome bunitinho!), faz questão de celebrar o aniversário do instituto.

Além da festa, composta por apresentações formais de danças e músicas, figuras importantes no cenário nacional indiano (e frequentemente também com expressão internacional) são convidadas a falar um pouco de suas experiências e trabalhos. É um momento especial para os estudantes; uma excelente carga de estímulo depois dos primeiros dois meses de muito estudo.

Diretor do IIIT-B no 8o. Foundation Day
O diretor do IIIT-B na abertura do evento (e uma cabeça gigante na frente!). Sentados, da esquerda para direita, estão Hari Dass (quase escondido pela cabeça), Nooraine Fazal, Kiran Mazumdar-Shaw, e Sivaramakrishnan S Iyer.

Segue um compacto de cada um dos convidados.

Professor Hari Dass
O sujeito tem cara de cientista maluco e não é para menos: Professor sênior no Instituto de Ciências Matemáticas, em Chennai (MATSCIENCE), ele é simplesmente o idealizador do computador mais poderoso da Índia, na lista dos Top 500 do mundo.

Antes, foi membro do Niels Bohr Institute (parte da Universidade de Copenhague) e da Universidade da Califórnia. Lá nos EUA, chegou a ser preso depois de participar ativamente de protestos contra a guerra do Golfo.

Laura Parkin
Ela é uma empresária americana típica, se me perguntarem. Daquelas que riem da própria piada boba mas com discursos capazes de conquistar grandes audiências.

Laura se formou em Harvard e se mudou para Índia sozinha com um filho pequeno onde acabou se tornando Diretora Executiva da Fundação Wadhwani e líder da Rede Nacional de Empreendedorismo (NEN), uma das lideranças no estímulo à educação empreendedora no país.

Sivaramakrishnan S Iyer
Agora eu já sei quem culpar por parte do caos nesta cidade. Sivaramakrishnan (para mantermos a parcimônia, vou chamá-lo carinhosamente de Siva) é o responsável pela completa reformulação do Aeroporto Internacional de Bangalore. Quando estiver pronto (previsão para abril de 2008), ele será o aeroporto mais moderno da Índia.

Aliás, o caos do aeroporto e em toda a infra-estrutura de Bangalore foi assunto da BusinessWeek de março deste ano. Mr. Siva é citado lá como responsável por esta obra monumental.

Esta é uma das primeiras tentativas de parceria público-privada na Índia e, segundo alguns, só está sendo bem sucedida por conta da maturidade do Siva em driblar a tenebrosa burocracia daqui.

Nooraine Fazal
Outra empreendedora que escolheu a Índia como lar doce lar. Ela é pós-graduada pela Universidade de Boston e antes de retornar à Índia trabalhou na IBM e na Reuters.

Aqui, fundou a Inventure Academy onde é atualmente CEO. O local é uma escola de negócios com foco no estímulo à inovação.

Dra. Kiran Mazumdar-Shawkiran_mazumdar-shaw_mag.jpg

A mais aclamada entre todos os presentes. Pelo visto a mulher é muito famosa. E não estou brincando! Ela é considerada Senhora Biotecnologia da Índia, mulher mais rica da Índia, empreendedora do país, ganhadora de vários prêmios, e fundadora da Biocon – uma organização de grande sucesso aqui.

E a lista continua… Ela foi também matéria do New York Times onde a consideraram “Mãe Indiana da invenção” e a revista The Economist a corou “Rainha da Biotecnologia Indiana”.

Apesar disto tudo e da enorme carga de trabalho, praticamente todo ano ela comparece ao IIIT-B como uma das grandes apoiadoras. Não é à toa, portanto, que esta mulher é venerada; Principalmente em se tratando de um país onde o preconceito contra as mulheres ainda é bastante evidente.


Este lugar cada dia me impressiona mais. Eu estou simplesmente mergulhado num universo inteiro de atividades plenas na área de tecnologia. Eventos como este, ao que parece, já são rotina e simplesmente reforçam o status desta cidade como Vale do Silício Indiano.

PS1: Para completar, sexta-feira tive uma aula via vídeo conferência com um analista sênior da Sun Microsystems, um dos responsáveis pelo projeto SailFin.

PS2: A Índia disputa hoje a semi-final da Copa do Mundo de Cricket. Isto mesmo, C-R-I-C-K-E-T! Eu nunca tinha ouvido falar neste esporte que mais parece uma mistura de taco com baseball e adoraria continuar sem saber (Para mim, cricket é grilo em inglês).

O esporte é horrível! Tédio maior só assistir a uma partida disto no estádio. E o pior é que o povo aqui só gosta dele. Um dia ainda vou entender como é que mais de 1 bilhão (1 BILHÃO) de pessoas conseguem gostar de apenas um esporte (e logo um que praticamente todo o resto do mundo não está nem aí)…

3 comments » | Índia

Arredores da Cidade Eletrônica

setembro 1st, 2007 — 12:01pm

Ao meu redor, há poucos traços de uma típica cidade grande. Electronics City é um distrito industrial no subúrbio de Bangalore. Não há casas, lojas, shoppings, bares ou qualquer outro atrativo por aqui. O local resume-se ao IIIT-B, instituto de tecnologia no qual me encontro, a um instituto de gestão e a empresas de tecnologia da informação (TI).

E não me entenda mal. São muitas e suntuosas empresas, cada uma tentando mostrar um pouco de organização e luxo que a Índia como um todo ainda não possui. O ambiente externo de cada uma é recheado de jardins e lagos artificiais bem cuidados enquanto os prédios esbanjam granito e mármore. As guaritas de acesso não deixam barato e são equipadas com ar condicionado, computador e Internet sem fio, e detector de metais; tudo na entrada é controlado.

Sede da Infosys vista do IIIT-B
Sede da Infosys vista do IIIT-B

Não é à toa, portanto, que esta cidade eletrônica é considerada o Vale do Silício indiano e abriga mais de 100 empresas de software, dentre elas Hewlett-Packard, Motorola, Infosys, Siemens, ITI, e Wipro.

Como toda regra, esta também possui exceção: existem sim alguns poucos restaurantes aqui e ali e estes são, na verdade, a minha salvação. Com mais variedades que o bandejão daqui do instituto, consigo fugir um pouco da comida apimentada e exclusivamente vegetariana. Uma pizzaria na esquina também me salva sempre que bate aquela saudade de comer porcaria…

Eu e meu amigo Kris num passeio pelos arredores daqui
Eu e meu amigo Kris num passeio pelos arredores da Cidade Eletrônica

Pizza!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pizza!!!!!!!!!!!!

O instituto em si, minha casa e meu local de estudo, contribui para elevar o nível da região. Ele é considerado um dos mais prestigiados institutos de TI da Índia, e se destaca pelas parcerias e trabalhos internacionais e pela colocação de ex-alunos em excelentes postos de trabalho.

Fora de suas equipadas salas de aula, ainda desfruto dos belos jardins, das quadras de vôlei, futebol, e (bleargh!) cricket, e das salas de TV a cabo (Fórmula 1 garantida!!!). Tudo caprichado para que a região não seja só um distrito industrial sem cor e vida…

Meu quarto e um adesivo que já estava na parede quando cheguei
Meu quarto e um adesivo que já estava na parede quando cheguei

PS1: Veja abaixo mais fotos da minha vizinhança

PS2: Meu amigo Kris colocou no YouTube mais vídeos do caos do tráfego daqui.

PS3: Mas nem tudo é maravilhoso aqui. Leia mais a respeito no meu post em inglês sobre o assunto.

9 comments » | Índia

Dia da Independência Indiano

agosto 16th, 2007 — 4:20am

Ontem, 15 de agosto, foi celebrado o 60º ano de independência da Índia. Até 1947 a Índia era uma colônia do Reino Unido que incluía também o Paquistão. Tradicionalmente, a data é comemorada com o hasteamento oficial da bandeira e um discurso do primeiro-ministro indiano. Não vou entrar em detalhes sobre a data aqui pois a Wikipédia já está repleto deles. Ao invés disto, registro nos próximos parágrafos as minhas impressões deste dia no centro da cidade de Bangalore.

É inegável o orgulho que este povo sente pelo país. Antes de mesmo de chegar à Índia já tinha esta impressão conversando com alguns indianos. É preciso inclusive cautela pois é comum seus cidadãos enaltecerem o país bem além da realidade.

Durante o dia da independência, este orgulho é externado principalmente através da bandeira: todos parecem querer exibi-la de alguma maneira, em algum lugar. Nos carros, nos postes, nas camisas, nos broches, nos bares e restaurantes… Para onde eu olhava, lá estava a bandeira ou as cores dela representadas.

E como é feriado nacional, o dia é excelente para um passeio em um dos diversos parques da cidade. É claro que não fui o único a ter esta idéia brilhante. E num país com mais de 1 bilhão de pessoas, a palavra multidão é facilmente percebida na prática: Estimativas apontam que mais de 200 mil pessoas estiveram ontem no Lalbagh, o jardim botânico que eu e um amigo resolvemos conhecer.

Gente! E mais gente nesta vista do Jardim Botânico Lalbagh

Apesar da multidão já esperada e a qual já estamos habituados (gente é o que não falta aqui, independente da data, hora ou local), o parque é extremamente agradável e bem cuidado embora falte educação nos hábitos locais – as pessoas simplesmente e naturalmente jogam o lixo no chão, não importa onde estejam.

Ele foi construído em 1760 por Hyder Ali, um governante real da época e tem uma área de 240 acres (971.245m2) onde estão presentes diversos jardins de plantas exóticas do mundo todo. Palco de eventos variados, o parque é um ponto de encontro típico de Bangalore. Ontem, em particular, era o último dia de uma feira/exposição de flores e uma réplica do Taj Mahal feita com rosas era a atração principal.

É tanta gente que é praticamente impossível aparecer na foto. Ao fundo, a réplica do Taj Mahal feita com rosas.

Já próximo do meio-dia, resolvemos procurar um local para almoçar. Fomos então conhecer a M.G. Road, famosa pelo comércio nos seus arredores. É impressionante o luxo que está nascendo ali. Lojas de grife disputam espaço com shoppings e restaurantes mas também com casas mais simples e com o trânsito sempre caótico.

Não foi difícil, portanto, achar um bom restaurante. Fomos ao 20 ft. High (que pode ser traduzido como 20 pés de altura), um restaurante construído numa plataforma de madeira a, obviamente, 20 pés de altura (6 metros), ao ar livre, em frente à entrada de um pequeno shopping. Nossa agradável surpresa, no entanto, foi descobrir que a carne de boi fazia parte do cardápio!

Após 3 semanas sem comer um pedaço sequer de derivados bovinos, optamos por pratos desta seção sem nem pestanejar. Eu comi um suculento filé chateaubriand e meu amigo, mais contido, optou por um estrogonofe (curiosidade que meu amigo contou e que confirmei na Wikipédia: estrogonofe é um prato de origem russa do século XIX). Como o dia estava claro e quente, a cerveja estupidamente gelada (que também nos faltava desde a chegada na Índia) foi a acompanhante escolhida.

Vai um filé aí?

Saciados, ainda demos mais umas voltas pelas ruas comerciais da região antes de retornamos para o campus do Instituto. É claro que, após tanto esforço, um cochilo foi essencial. Afinal, celebrar a independência de um país é um trabalho muito árduo…

P.S.: Só entre nós, sou muito mais o nosso Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Muito mais bonito e bem cuidado.

4 comments » | Índia

1 semana depois

agosto 7th, 2007 — 3:19pm

Disseram-me alguns indianos que 1 semana é o tempo necessário para se adaptar ao país. Ao que tudo indica, a sabedoria popular deles parece fazer sentido. Após 1 semana de comida apimentada, trânsito caótico, burocracia, poluição e pobreza estou começando a gostar daqui.

É que a Índia é muito mais do que todos estes problemas que à primeira vista parecem ser o seu cartão-postal. É preciso um olhar desarmado de preconceitos para entender o que está acontecendo aqui e perceber outros ângulos, bem menos obtusos do que os mais pragmáticos insistem em divulgar.

A receptividade indiana talvez seja o melhor exemplo. Desconfiado que estava quando cheguei, achava que esta amabilidade não passava de puro interesse em tirar vantagem de um estrangeiro novo no pedaço. Embora devam existir estes tipos, os que encontrei foram atenciosos e generosos; Estavam dispostos a ajudar além de minhas expectivas.

Além disto, confirmo o que já havia dito sobre a região onde me encontro: O local é formidável e o instituto (o IIIT-B) é um exemplo de escola de tecnologia da informação. Excelentes professores, inclusive com experiência profissional como diretores da HP e Adobe, infra-estrutura, organização e limpeza. Um luxo que só vi nas universidades canadenses, americanas e finlandesas quando visitei estes países.

 Frente do prédio do IIIT-B, Instituto onde estou estudando

Divirto-me ainda com as rickshaws: Estes veículos capazes de infernizar qualquer trânsito são um prazer inexplicável para mim no momento. Acho que é porque sendo pequenos e velozes, eles são capazes de proporcionar uma aventura no trânsito, cortando carros, motos, bicicletas, pessoas e vacas…

Ainda vale destacar os contrastes do centro da cidade. Entre grandes condomínios e shoppings luxuosos com letreiros luminosos em inglês, estão casas simples, templos hindus e pequenas lojas com textos escritos à mão em kannada, a língua mais falada em Bangalore.

Ao lado de shoppings luxuosos……templos hindus e lojas modestas.

Do governo, de bom mesmo parecem ser os palácios e prédios administrativos. Com belos parques ao redor, eles realmente se impõem na cidade. O Vidhana Soudha, por exemplo, é a sede da assembléia do estado, foi construído em 1951 e é o maior prédio legislativo da Índia. Interessante notar o que está escrito no topo deste prédio: “Government Work is God’s Work” (O trabalho do governo é o trabalho de Deus).

Vidhana Soudha, sede da assembléia do estado

Fora isto, o que experimentei do governo daqui até agora é pura burocracia. É que precisei me registrar como estrangeiro que mora na Índia e, para tal, precisei ir 3 vezes a um escritório de polícia específico para isto.

Acompanhe comigo: uma vez para saber o que precisava ser feito (não, isto não está no site), outra vez para entregar a documentação (um monte de documentos e várias cópias), e uma última vez para pegar o registro (porque ele não fica pronto no mesmo dia). Tudo à mão e sendo analisado e assinado por um monte de pessoas. Não vi sequer um computador. Nem uma máquina de escrever…

Tudo isto, claro, é parte de um processo que está acontecendo no país. Não se transforma uma nação de mais de 1 bilhão de habitantes da noite para o dia mas pelo que vejo a transformação está ocorrendo, devagar, mas bem diante dos olhos de quem quer ver.

5 comments » | Índia

O caos do trânsito em Bangalore

agosto 4th, 2007 — 1:18pm

Ok, ontem depois de ir ao centro da cidade, acho que o assunto merece um destaque maior. Eu nunca vi, em nenhum lugar que já fui (inclusive São Paulo), um tráfico tão caótico como o de Bangalore. E o pior é a constatação de que muitos o consideram normal ou até mesmo bom se comparado a outras cidades indianas.

Para nós, brasileiros, o primeiro problema refere-se ao sentido do trânsito: ele é como o inglês, onde o sentido é sempre do lado esquerdo e, consequentemente, o banco do motorista fica do lado direito do veículo.

Dos males, no entanto, este é o menor. Talvez o principal entrave ao trânsito daqui sejam as rickshaws. Estas pequenas criaturas de 3 rodas, laterais abertas e motor de fusca velho que pouco faz além de poluir são os veículos que movem as cidades indianas.

Rickshaws na rua

Disponíveis aos milhares, elas param para te oferecer uma corrida mesmo que você não peça. E buzinam! Como buzinam! Aliás, a buzina não é um acessório aqui; faz parte do ato de dirigir de todo motorista, como se precisassem anunciar sua presença. Isto é tão intrínseco ao trânsito daqui que alguns veículos chegam a escrever na traseira o aviso “horn please” (buzine, por favor) ou “sound horn” (use a buzina).

Caminhão em Bangalore com o aviso “sound horn” (use a buzina)

Já falei do sentido oposto ao nosso nas vias, da infinita quantidade de veículos, da poluição e das buzinas. Caótico o suficiente? Pois espere que ainda não acabou. Em meio a este furdunço, ainda é preciso dizer que a maiorias das pistas não possuem faixa alguma de indicação das vias e que além dos veículos, o trânsito é composto de pessoas, bicicletas e… bem, como direi, vacas!

Muitos já deviam saber disto (inclusive eu) mas nada se compara à realidade. Nada! As vacas intocáveis no meio trânsito o transformam em terra sem lei, onde ninguém obedece nem o sentido das vias. É carro na contra-mão, pedestres no meio da pista, bicicletas cortando pela esquerda (lembre-se que o sentido aqui é oposto), rickshaws parando no meio da pista para pegar passageiros… Tudo isto em meio ao agradável som das buzinas e ao agradável cheiro da poluição.

E olha que me falaram que o trânsito daqui é um dos melhores dentre as grandes metrópoles indianas…

PS: Veja abaixo dois vídeos do trânsito na cidade



10 comments » | Índia

Back to top