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Segunda parada: Cracóvia

agosto 20th, 2008 — 11:22am

Salve, salve pessoas! Estou de volta com a miha segunda parada da minha viagem de Verão. Vou agilizar or posts porque senão eu volto pro Brasil antes de terminar de contar essa viagem!

Pois bem. A Cracóvia, ainda na Polônia, não será apresentada aqui no blog pela primeira vez. Meu irmão passou um dia por lá e vocês podem conferir a impressão dele aqui . Que é um pouco diferente da minha.

Aqui foi minha primeira parada sozinho. Cheguei no início da tarde, e depois de deixar a bagagem no hostel, parti para dar uma volta pela cidade. Fui direto ao centro histórico que é bem bacana. Rodeado por uma área verde, a região é o coração turístico da cidade, onde estão o mercado, museus, igrejas, e por fim o castelo de Wawel. Cheguei no castelo um pouco tarde e já estava fechado portanto pude só conferir a vista da cidade e o exterior do castelo e da igreja anexa. Dois dias depois visitei a área das armas e armaduras (já que tinha que pagar pra ir em cada seção, o orçamento só dava pra uma das seções). Pra mim que nem gosto da era medieval, escolhi a área certa.

De volta ao hostel para descansar e descobrir o que fazer a noite – afinal de contas museu e monumentos não são suficientes – conheci um casal bem gente boa. Tom, um americano e a Kasia, polonesa mas que mora nos Estados Unidos também. Daí pra frente não estive mais sozinho até meu último dia. O que ajudou bastante, afinal na Polônia nem todo mundo fala inglês. Saímos, mas era segunda-feira. Não se pode achar muita coisa numa segunda-feira.

Dia seguinte fomos a Auschwitz, nome alemão da cidade O?wi?cim onde se encontrava o maior campo de concentração dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Triste, assustador, repugnante, horror. Andar pelos corredores que abrigaram milhares de judeus, ciganos, poloneses, homossexuais e todas as outras pessoas categorizadas como animais pelos alemães sem dúvida mexe com as suas emoções e te faz repensar o futuro da humanidade. Quando algo desse tipo é possível, me assustar pensar que pode acontecer denovo, assim como dizia o Museu dos Judeus da Europa Assassinados que visitei em Berlim. Mas por isso mesmo é imperdível. É preciso ver, visitar, lembrar, e marcar esse tipo de atrocidade na memória para que jamais volte a acontecer.

No meu último dia por lá, ainda com o Tom e a Kasia, resolvemos ir visitar uma tal Mina de Sal nos arredores de Cracóvia. O nome da cidade é Wieliczka, e a tal da mina é uma das mais antigas do mundo e pelo que todos diziam muito bonita (vi até algumas fotos num livro que tinha no albergue). Já dizia o ditado, quando a esmola é demais… Mas não desconfiei de nada. O vídeo abaixo é só o começo da barca furada que é o lugar…

Na verdade o lugar é realmente bonito. O problema é que aempresa dona da mina (ainda ativa) tem um péssimo senso rídiculo. Tudo é exagerado, exacerbado, chega a ser até babaca em alguns momentos, como por exemplo a tentativa de representar a presença de um fantasma em uma das cavernas com luzes e sons. Várias estátuas sem muita relação com o lugar estão presentes e o guia vai contando umas histórias mirabolantes pra justificar as estátuas. Pra piorar a situação eles tentam te vender tudo dentro da mina, em determinado momento dizem que tem que pagar até pra tirar foto (descobri mais tarde que na entrada está avisado em letras miúdas). Eu sinceramente fingi que não tinha ninguém traduzindo pra mim o que o guia polonês falava.

O lugar na verdade nem é tão ruim. Fato é que com tanta papagaiada feita, eles conseguiram destruir a experiência de um lugar belíssimo, como vocês podem ver nas fotos.

Voltamos no final da tarde, o Tom e Kasia partiram para Varsóvia e eu fui encontrar outras pessoas que conheci no albergue. Fiquei na rua até as 4:30 da manhã já que eu não tinha lugar pra dormir nesse dia e parti para a estação de trem onde embarquei para Wroclaw, minha terceira parada, e última na Polônia. A essa altura, já estava achando muito bom viajar sozinho.

Até o fim de semana, galera!
Beijos, abraços e saudades!

PS: Me esperem no Natal que eu estou chegando! Vou ao Brasil passar Natal e Reveillon. Prepara a muqueca, o churrasco e as costelas que o abraço vai ser apertado! Lá vem eu!
***
Hey guys!

This post is about Krakow (Cracóvia, in Portuguese) and the places I’ve been while there. I explained a bit about the Old Town and the historical buildings, churches and the Wawel castle.

Also, I explain a bit how awful is Auschwitz, the biggest concentration camp of the Nazi during the Second World War; although it is necessary to go there and make sure everyone knows and remembers what kind of madness mankind is capable of.

On the last day, I went to Wieliczka, where the Salt Mine is and that couldn’t be more of a disappointment. The place is actually beautiful but the administration just ruins it with some crappy attempts of creating an atmosphere that definitively is not there.

The video is the line to get in the Salt Mine so you can see how many people are actually fooled by them. Just like I was…

Anyway, on the weekend I’ll talk about Wroclaw, my 3rd stop and the last one in Poland, where I could meet Gosia again, another great friend of mine (because good is just not enough for her).

See you then!
Cheers!

3 comments » | Polônia

Em Cracóvia, lendas de dragão e trombeteiro

fevereiro 6th, 2008 — 3:40am

“Alô pessoal! Aqui é um brasileiro em Varsóvia rumo à Cracóvia, desejando a todos um belo dia e uma viagem segura!” Foi assim que anunciei minha presença (em inglês) num rádio de baixa freqüência no carro de meu amigo. Cracóvia, claro, foi muito mais divertida que Varsóvia.

No dia anterior, nosso amigo alemão retornou à Chemnitz, sua terra natal, por conta da pressão no trabalho. Tinha um projeto de pesquisa para terminar e atrasos não eram muito tolerados. Restou a mim e ao meu amigo polonês acordar bem cedo rumo ao sul do país. Na saída de Varsóvia um tráfego surpreendente foi classificado como rotineiro: Levamos os típicos 30 minutos numa das principais rodovias de acesso à capital. Em seguida, fomos “presenteados” com uma neblina muito espessa praticamente o tempo todo. Não deu para ver a paisagem ou desconcentrar do trânsito até chegarmos ao nosso destino.

Paramos o carro próximo da estação de trem em Cracóvia e seguimos a pé. No caminho, construções antigas (e preservadas!) caracterizavam uma cidade bem diferente da capital. Cracóvia não foi tão bombardeada nem teve uma revolta local tão intensa e duradoura como em Varsóvia durante a Segunda Guerra. Para explicar um pouco, a cidade tem suas origens lá no século VII e chegou a ser capital da Polônia durante 1038 e 1596. Também fez parte do Império Austríaco entre 1846 e 1918 e atualmente é a capital de uma das províncias polonesas no extremo sul do país. Turisticamente a cidade é atrativa pela incrível quantidade de monumentos históricos que preserva e pelas opções de vôos baratos (que só a Europa tem) principalmente oriundos de Londres. Não à toa, a cidade está entupida de britânicos da mesma forma e pelos dois mesmos motivos que Praga.

Praça Central
Praça Central. Do lado direito a Basílica de Santa Maria, no centro o Hall de Drapers, e do lado esquerdo a torre da prefeitura. Fonte da foto: Wikipédia

Tínhamos só um dia na cidade então tivemos que nos contentar apenas com as principais atrações do lugar. Fomos primeiro à Praça Central, local originalmente concebido para mercantes no século XIII. No entorno, não dá para não notar a Basílica de Santa Maria, e suas duas colunas, uma diferente da outra, em estilo gótico. Diz a lenda que, no século XIII, um trombeteiro foi flechado na garganta do alto de uma das torres enquanto soava um alarme para alertar a população da invasão mongol. Até hoje a mesma melodia é tocada de hora em hora e interrompida pela metade simbolizando a fatídica morte do pobre trombeteiro.

Retábulo de Veit StossDentro da Basílica, destaque para o Retábulo de Veit Stoss, o maior retábulo em estilo gótico da Europa, esculpido por Veit Stoss entre 1477 and 1489. O danado é gigante, tem mais de 12 metros de altura e 11 metros de largura quando os painéis estão abertos. Ou seja, 132m² de área é maior que muito apartamento no Brasil.

Já era pra lá de meio-dia quando saímos da Basílica e meu estômago roncava. Graças ao meu amigo, fomos a um restaurante típico, que nenhum turista vai. O local era simples mas bem cuidado, não tinha nenhuma decoração ou cardápio ou garçom. Aliás, nem banheiro tinha, era só cozinha e uma sala de uns 30m² onde os clientes se espremiam. E eu nem sei o que comi. Na hora ele me falou o nome mas o diacho do polonês é muito complicado e já absorvi a minha parcela de línguas complicadas com o finlandês. Anyway, saí de lá satisfeito e pronto para seguir em frente.
Retábulo de Veit Stoss. Fonte: Wikipédia

A parada seguinte foi o Castelo de Wawel, referência na Europa Oriental e curiosamente considerado um dos sete chakras do mundo pelos Hindus. Esta última informação eu li lá em Cracóvia e confirmei agora na Wikipédia. No local, tesouros guardados por séculos, e o pátio interno do palácio em estilo renascentista são os destaques. Como na Basílica, ali também há espaço para lendas e folclores. A mais difundida é a do Dragão de Wawel: Nela, um dragão vivia numa gruta no pé da colina onde se encontra o Castelo de Wawel. E ele aterroriza as cidades próximas e deixava rastros de destruição por onde passava. Para evitar mais ataques, uma jovem donzela era deixada todo mês na entrada da gruta para que o dragão a devorasse (sempre as pobres das donzelas são as que sofrem).

Vista externa do castelo
Vista externa do castelo

Detalhe do pátio interno do casteloQuando só sobrou a filha do rei, a sua mão foi prometida em casamento a quem matasse o dragão. Após inúmeras tentativas fracassadas, um aprendiz de sapateiro resolveu se arriscar. Mas ao invés do ataque direto, estufou enxofre em um carneiro abatido e ofereceu ao dragão. No dia seguinte, o monstro acordou com uma sede terrível e começou a beber incontrolavelmente a água do rio Vistula. A sede não passava e o dragão bebeu tanta água que explodiu. O aprendiz de sapateiro se tornou o herói da cidade, casou-se com a princesa, e os dois viveram felizes para sempre…

Já anoitecia quando deixamos as Colinas de Wawel. Antes de partimos, porém, ainda fizemos uma parada rápida para um belo chocolate quente. Já no trajeto de volta à Varsóvia, minha cabeça estava no destino seguinte: Finlândia. A possibilidade de rever o país que foi minha casa por um ano entre 2002 e 2003 me deixara ansioso desde quando deixei a Índia. E finalmente o momento chegara.

Detalhe do pátio interno do castelo

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