Entrevistando Candidatos ao Mestrado do IIIT-B
Na semana que passou, entrevistei quase 30 candidatos ao mestrado do IIIT-B. As entrevistas fazem parte do processo de coleta de dados da minha tese. O objetivo é entender como a tecnologia da informação (TI) faz parte da educação destes candidatos e de que maneira ela contribui (ou atrapalha).
Sem entrar em detalhes do que trata minha pesquisa, foi interessante entrevistar estes jovens com idade entre 18 e 22 anos. Eles estiveram no IIIT-B para as entrevistas de admissão (de 600, apenas 150 serão selecionados) e aproveitei para abordá-los logo que saíam das mesmas. Praticamente todos tinham o olhar assustado e perdido num futuro ainda incerto que tentavam projetar. Estavam bem arrumados dentro do que permitia a concepção de cada um e foram bem receptivos quando eu pedia 10 minutos para mais algumas perguntas de minha parte.
Praticamente todos buscavam o programa de mestrado para conseguir uma melhor colocação no mercado de trabalho. Os que tinham alguma experiência profissional, ganhavam em torno de R$ 1.000/mês. E todos esperavam ganhar pelo menos o dobro depois que concluíssem o mestrado. Sobre este assunto, aliás, alguns me entrevistavam mais do que eu a eles. Queriam saber como era o programa de colocação em empresas (assunto que já foi tema aqui no blog), quais eram as empresas participantes, o percentual de alunos que entrava, e como estava o processo diante da crise.
A crise é assunto recorrente aqui também. A preocupação é que efeitos de crises passadas se repitam nesta, contribuindo para salários reduzidos por décadas. Segundo alguns estudos, alunos que entram no mercado de trabalho em tempos de crise tendem a ganhar 8% menos no primeiro ano em comparação a alunos formados em anos de fartura. Os efeitos permanecem por décadas e podem chegar a uma diferença de até US$ 100.000 em um período de 18 anos.
Isto explica em parte a tensão no semblante dos candidatos. A outra parte é que muitos têm em mãos não só a possibilidade de estudar no IIIT-B mas também em outros institutos ou de optar por uma oferta de emprego. Pesa muito na decisão de cada um a opinião do pai (a mãe conta pouco nesta sociedade ainda muito machista), e a possibilidade de ganhos no curto prazo. Poucos realmente se importam em fazer o que gostam e estudar por desejar. E não é necessariamente por uma visão míope deles próprios que fazem isto. É porque não há outra opção mesmo.
Tornar-se um profissional de TI reconhecido é provavelmente uma das poucas chances que estes jovens tem de melhorar de vida. E o mestrado em um instituto de prestígio é considerado o único caminho para a maioria deles.
Mais um pouco sobre o Tata Nano
Como fiquei bem curioso com este lançamento, procurei saber um pouco mais sobre o Nano e sua fabricante, a Tata Motors. Primeiro que o lançamento é apenas institucional. Os pedidos só poderão ser feitos a partir da segunda semana de abril e as entregas não serão imediatas. Pode ser que os carros só comecem a ser entregues mesmo em Julho [en].
Além disto, com a crise afetando toda a indústria automobilística, a Tata não se encontra exatamente em boas condições financeiras. Somado à crise, a compra de outras empresas ano passado como a Jaguar/Land Rover e a Daewoo, piora ainda mais a situação. Só da Jaguar, a montadora precisa pagar US$ 2 bilhões até Junho [en]. E como a margem de lucro do Nano é bem pequena, muitos analistas acreditam que as vendas não serão suficientes para tirar a empresa do prejuízo.
Desde o lançamento, a Tata percorreu um longo caminho. Lá se vão 15 meses de atraso por causa de problemas com a fábrica original [en], registros no governo, e crise financeira. E agora se vão mais alguns meses porque a empresa não será capaz de suprir a demanda. Este ano, devem ser produzidas apenas 50.000 unidades do modelo [en]. Pelo visto esta novela ainda não acabou.
Eu só torço para que tenha um final feliz e que num futuro bem próximo passemos a ter carros bem mais baratos e econômicos para todos.
Um mundo para esquecer
Esqueçam a TV e a revista fajutas, parciais e maniqueístas. Esqueçam a corrupção do governo e o suposto ex-governo espião (para não dizer mais). Se todos neste mundo menos o povo se beneficiam, está instituído um estado novo, que de novo nem o nome tem mais. Alegria! Alegria!
Aliás, esqueçam logo todo o Brasil e suas milícias que se espalham e seus desmatamentos e suas violações dos direitos humanos. Esqueçam a pobre coitada da África e todas as suas formas de miséria na Nigéria que mata, no Egito que prende e tortura, no genocídio de Uganda, na Guinéa Equatorial corrupta e patrocinada pelos EUA, no Zimbabwe de inflação superior a 100.000% ao ano e taxa de desemprego de 80%, na PQP. Aproveitem o ensejo e esqueçam a China, que também ajuda a patrocinar tudo isto enquanto ouve hipocrisia do ocidente que fez o mesmo no século passado.
Na Ásia, além da China, esqueçam também da Índia que estupra, rouba órgãos, e esquece do seu povo. Esqueçam de Myanmar e o massacre que lá ocorreu e provavelmente ainda ocorre, da Indonésia do recém falecido ditador honrado como herói, e da Coréia do Norte tirana.
Na Europa, esqueçam da guerra que acabou 63 anos atrás e ainda gera polêmicas e rancor. Esqueçam da pseudo-independência de Kosovo, dos cartuns do profeta Maomé e dos protestos na Dinamarca, e da possível e controversa entrada da Turquia na União Européia. Ah! Quase me esqueço da Rússia que cerceia a liberdade de expressão e é inclusive capa da The Economist desta semana, por conta de sua economia indigesta.
Esqueçam o Oriente Médio e a guerra no Iraque. Esqueçam Israel e Palestina num imbróglio literalmente bíblico. Esqueçam todos os países que ali vivem do Petróleo e que morrerão dele. Esqueçam novamente da Líbia.
Nos EUA, bem, é melhor nem começar. Esqueçam logo tudo o que acontece e aconteceu ali e estendam o esquecimento aos vizinhos, inclusive o Caribe dos paraísos fiscais coniventes, inclusive Cuba com novo governo e a incrível promessa de (advinha?) manter o mesmo regime. Mais ao sul, esqueçam obviamente a Venezuela mas também todo o resto. Há muito que esquecer ali entre seqüestros e outros atos de terrorismo, corrupção, e descaso.
Esqueçam a Antártida e a Antártica que de tanto abuso e exploração do mundo, derretem de tanto chorar e ameaçam desaparecer: Não querem mais morar neste planeta.
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Diz a revista The Economist que o mundo está melhorando (acesso restrito), que os pobres já não são mais tão pobres assim e que os estados totalitários estão acabando. Se for mesmo o caso, tentem esquecer tudo o que falei aqui.
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PS1: A maioria dos links é de notícias ou opiniões publicadas em fevereiro em blogs ou sites de revistas e jornais brasileiros e internacionais que acompanho com mais frequência. Não há, claro, verdades absolutas, mas são todos assuntos recorrentes e atuais.
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PS2: Desculpem o texto um tanto fora de contexto aqui no Lá e de Volta. No próximo post falo de Tallinn, meu último destino na viagem que fiz à Europa em dezembro.