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Rio 2016, uma reflexão sobre os jogos olímpicos no Brasil

outubro 3rd, 2009 — 7:04am

Eu fui contra a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, fiz questão de falar no Twitter antes do anúncio do resultado. Os argumentos, ou melhor, a retórica é velha: falta de infraestrutura, violência e corrupção, para ficarmos no básico. Mas não foi por apresentar uma proposta capaz de resolver bem estes problemas que o Brasil ganhou. Tampouco porque os investimentos deixarão um legado para o povo.

Pode ser que isto ocorra, e quero acreditar que sim, mas o Brasil ganhou porque quer uma olimpíada por paixão ao esporte. Não é pela questão turística como pensam os europeus, nem pela arrogância de ganhar medalhas como americanos, chineses e russos. Ganhar medalhas é bom e melhorar a tão carente infraestrutura do Rio também. Mas fosse por isto, as Olimpíadas deveriam ser então numa ditatura comunista ou num país muito mais carente, talvez na África subsaariana.

Lula se emociona
(fonte: cidadeverde.com)

Também não é por ter uma melhor proposta que se ganha o direito de sediar uma olimpíada, senhor José Maria Odriozola. “Mesmo com 80% da estrutura prontos para receber uma Olimpíada.” Por estes parâmetros, continuo contra a candidatura carioca. Acho que o dinheiro gasto num evento deste porte pode ser muito melhor aplicado de outras formas. Por outro lado, também acho que não se deve menosprezar nosso país, como fez Daniel Piza, do Estadão, e atribuir a vitória ao ineditismo de uma olimpíada na América do Sul e às belezas naturais da cidade.

Mas o próprio Daniel, no mesmo artigo, dá uma pista do motivo da vitória. Fala do carisma de Lula. Demorei a perceber isto mas este foi um carisma que, para mim, representou uma emoção muito forte de paixão pelo esporte. Paixão que foi sentida pelo COI e que transbordou em choros, sorrisos e samba entre os brasileiros lá presentes após o anúncio da cidade vencedora. Paixão vista no belo filme de Fernando Meirelles. Paixão daqueles que acreditam e lutam para que através do esporte também mudemos para melhor nosso país.

O site oficial das Olimpíadas destaca três valores olímpicos: excelência, respeito e amizade [en]. A proposta brasileira ganhou de goleada em dois deles. Falta agora apenas construirmos a excelência. É um trabalho de todos nós. Se manifesta no voto destas eleições e das próximas, na cobrança de ações de nossos governantes, e na fiscalização dos trabalhos. A Organização Transparência Brasil é uma das que partem na frente neste sentido.

Festa da comitiva brasileira
(fonte: cidadeverde.com)

E com estes valores em mente, temos tudo para realizar um grande evento. Com o perdão do trocadilho, o Brasil vive mesmo um momento de ouro. Resta agora sabermos aproveitá-lo.

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Cricket pra mim é grilo em Inglês

setembro 27th, 2007 — 2:47am

Agora que a Índia é campeã mundial de… de… Peraí, como é mesmo o nome? Ah, sim! Cricket! Pois bem, depois que a Índia foi campeã mundial de cricket ao derrotar o (EUA? Canadá? Cuba, talvez? Dinamarca? China?) Paquistão (!!!) na final, acho que o assunto merece maior destaque uma vez que foi sinônimo de gritarias estridentes durante longas duas semanas.

Para não entediá-los muito com especificidades do esporte, vamos a uma breve explicação das regras, segundo meu pífio entendimento: a disposição dos jogadores se assemelha a de um jogo de taco. Um jogador (o rebatedor) guarda um pino com um taco enquanto o oponente tenta acerta-lo com uma bola tipo de baseball. Se o rebatedor acertar a bola e ninguém pegá-la antes de cair no chão, o mesmo pode correr para lá e pra cá entre os pinos (são dois), marcando um ponto de cada vez. Se o arremessador acertar o pino, ponto para o time dele.

O jogo continua assim eternamente (as partidas oficiais duram mais de 3 horas mas antigamente o jogo podia durar dias) e sinceramente não fiz questão de entender mais detalhes. Os times gastam mais tempo parados esperando o rebatedor acertar a bola do que qualquer outra coisa.

Agora imagina você sendo convidado(a) para assistir a uma partida disto. Mais de três horas sentado(a) num estádio, vendo apenas um sujeito tentando arremessar a bola para o oponente rebater enquanto todo o resto do time fica parado coçando o, ãh, cabelo.

Adicione também o fato dos times serem Índia e Paquistão e de que toda vez que a bola chega perto de ser rebatida, a gritaria é geral! Finalmente, só para o sofrimento ser completo que nem naquele banco da propaganda, faça questão de se imaginar ouvindo a narração do jogo num radinho a pilhas! Pronto, seu programa para o próximo final de semana está garantido.

O que sinceramente não consigo entender é como que mais de 1 bilhão de pessoas aqui na Índia conseguem gostar exclusivamente de cricket. Este simples fato é capaz de torná-lo um dos esportes mais populares do mundo em números absolutos, mas francamente! Com tanto esporte para herdar da Terra da Rainha, eles foram escolher logo este?!

PS1: A propósito, eu sei um motivo para esta dominância do cricket na Índia mas a explicação sócio-político-filosófica não cabe neste texto tão debochado.

PS2: Terça-feira, um dia depois de a Índia vencer o campeonato, um dos jornais aqui estampava na capa: “Índia no topo do mundo!

PS3: Durante a final, a vibração era intensa no campus. Depois que o jogo acabou, no entanto, o silêncio passou a reinar absoluto. Como não estava assistindo, cheguei a pensar que o time tinha perdido a partida. Como assim eles não comemoram o campeonato? Vai entender…

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