Les Mureaux, uma cidade no subúrbio de Paris
Quando li o texto do meu irmão sobre Paris e o comentário do Fernando criticando a cidade, confesso que fiquei um pouco dividido quanto ao meu planejamento de visitá-la antes do meu retorno ao Brasil em dezembro de 2008. Acabei indo assim mesmo pois, mais do que Paris, estava indo reencontrar amigos. Além do mais, não iria ficar exatamente em Paris mas em uma cidade em seu subúrbio. E no fim das contas, a ida não podia ter sido mais acertada. O pouco que vi de Paris foi espetacular e a cidade de Les Mureaux, embora não tenha nada de turístico a oferecer, é bem cuidada e charmosa.
De fato, como praticamente toda grande cidade, Paris tem seus problemas: Alguma sujeira em excesso em alguns bairros, pedintes nos principais pontos turísticos, greves frequentes nos sistemas de transporte público, congestionamentos, certa escalada na violência, e por aí vai [en]. Mas a Paris de tantos versos está por todos os lados. O olhar precisa ser “generoso e cheio de curiosidade” e não há nada mais precioso que passear por uma cidade num estado de espírito deste. Adorei Paris e repito os adjetivos de meu irmão ao descrevê-la: “bela, envolvente, charmosa, encantadora, sedutora e saborosa”.
Ao desembarcar, fui recebido com um belo sorriso da atendente da imigração. Na saída, meu amigo já me esperava de braços abertos. Por onde passava, era cumprimentado com cortesia e atenção. Do alto do meu francês extremamente limitado, recebia do outro lado atenção e consideração pelo esforço de falar uma língua que está longe de estar “quase extinta” como afirmou Fernando nos comentários do texto do meu irmão. Onde estavam os tão mal falados parisienses naqueles dias em que estive na cidade eu não sei. Talvez sejam só um mito.
Sobre a língua, abro um parêntese: O francês é uma das línguas oficiais das Nações Unidas, está entre as 12 mais faladas do mundo e, se normalizarmos o número estimado de falantes pelo GDP dos países que a declaram como oficial, certamente ela estaria entre as cinco mais importantes. Das línguas mais faladas do mundo, estaria provavelmente atrás apenas do inglês, japonês, e alemão. Quase extinta uma pinóia! Fecha parêntese.
No trajeto do aeroporto a Les Mureaux fui brindado com um excelente sistema de metrô. Um dos melhores que já frequentei em todo mundo (embora não seja o mais limpo). É extremamente abrangente, rápido e interconectado. Através dele, facilmente se chega aos dois aeroportos da cidade, às seis estações de trem, e a todos os pontos turísticos. Todas as estações são extremamente bem sinalizadas e um web site informa todos os horários e rotas do sistema. Chegamos a Les Mureaux mais rápido e gastando menos do que se tivéssemos ido de carro.

Uma estação do metro de Paris. Esta, aliás, bem longe de estar suja. Fonte: Wikipédia
Les Mureaux [link em francês] é uma região administrativa situada 39 km a oeste de Paris. Da estação Saint-Lazare [en] (que estava em reforma e não pôde ser devidamente apreciada por mim) são aproximadamente 40 minutos de trem. Boa parte do trajeto vai margeando o Rio Sena e diferentes zonas industriais. Les Mureaux é hoje essencialmente uma cidade industrial. Mas sua origem medieval à torna uma agradável cidade para se passear durante o dia. Casas antigas, ruas pequenas e alguns parques aqui e ali ditam o tom. Em várias esquinas, lojas de artesanato e produtos de decoração enfeitavam ainda mais o passeio. E as padarias faziam questão de nos deixar com fome o tempo todo. Tirando isto, entretanto, a cidade tem só uma velha igreja (a Saint-Pierre-Saint-Paul) construída em 1896. Claro, só acabei indo lá mesmo por conta do meu amigo. Sua casa fica bem próxima da estação de Les Mureaux e é um aconchegante e bem decorado quarto-e-sala.
A chegada à Les Mureaux com a igreja Saint-Pierre-Saint-Paul ao fundo
E como comem bem os franceses! A casa dele também é repleta de temperos e ingredientes. Pães e queijos estavam disponíveis lá para todos os gostos. Sem falar em mostardas, geléias, patês, outros frios, carnes, dentre outros quitutes, um mais saboroso que o outro. Quando acordei no dia seguinte à minha chegada, me deparei com uma mesa de café da manhã onde mal cabiam os pratos e talheres, tamanha era a variedade. E além de farta e variada, a comida é apreciada. Não só pelos sabores mas pela presença das pessoas. O café da manhã naquele dia foi tão especial quanto qualquer dos outros eventos seguintes. Despreocupados do tempo, conversamos durante umas duas horas antes de sairmos para conhecer pelo menos um pouco do Centro.
Em tempo: Para saborear Paris nos mínimos detalhes, recomendo o excelente blog Conexão Paris.
(Próximo post: Minha visita à Paris)
Paris merece 2
Pois é pessoal, minha passagem por Paris foi fantástica. Tanto que precisei primeiro contar pra vocês o que é aquele lugar pra agora poder falar um pouco mais do que eu fiz por lá.
Primeiramente devo dizer que além de Paris ser Paris, existe por lá uma pessoa simplesmente incrível que é o Richard. Vocês já ouviram falar dele na minha viagem que fiz a Barcelona no início deste ano. Ele é francês, de mãe polonesa e pai congolês. Eu o conheci aqui mesmo no Luna onde ele ficou também durante um ano. Encontrei-o na 2ª feira, 21 de julho, a noite depois de descansar um pouco no albergue da viagem de Stetten até Paris.
Sempre ouvia falar da namorada dele e foi um prazer finalmente poder conhecê-la. A Laurie é um anjo! Simpática, amigável, descendente de espanhóis (é, eu sei, viva a União Européia!) e além de tudo uma cozinheira de mão cheia! Por 2 dias jantei na casa deles, outras vezes jantamos juntos em algum restaurante.
No primeiro dia fomos ao bendito restaurante japonês que adicionou um toque parisiense em alguns pratos. Fantástico! E o chef, um japonês que não consegui parar de rir, cozinhava em uma chapa rodeada por bancos onde sentamos para sermos torturados por perfumes inusitados enquanto ele preparava os pratos.
Museus fui ao Louvre, ao D’Orsay e Pompidou e ainda assim ouvi gente me dizendo que eu perdi coisas incríveis por lá. Vi obras de grandes artistas como Rafael, Da Vinci, Picasso, Pissarro, Rodin, Basquiat, Van Gogh, Monet, dentre outros. Confesso que o Louvre é grande até demais. Foi difícil achar uma mera pilha pra comprar lá dentro. O D’Orsay é simplesmente fenomenal. E o Pompidou... O Pompidou é um museu de arte moderna e contemporânea e foi o que eu mais estranhei. Por mais que existam coisas geniais, um acervo de fotografias, pinturas, composições, estruturas, esculturas e filmes, algumas dessas coisas são extremament bizarras e em alguns casos dificil até considerar arte. Pelo simples fato de você não querer párar.
Dificil dizer alguma coisa dos Parisienses. Conheci apenas dois dos amigos do Richard que foram bem gente boas. Mas os que conheci aqui em Aalborg, bem... Melhor não falar nada.
Não preciso dizer que sai de Paris feliz por finalmente estar em Paris, por rever um grande amigo, e por ter vivido tanta coisa boa por lá. Parti em direção a Amsterdã, que seria minha última parada, na 6ª feira a tarde.
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You guys!
Here I am to finally tell you about my week in Paris with Richou and Laurie. Actually I had to post twice about Paris. The first one was with no pictures and mainly saying great things about the city. How great, beautiful, and tasty it is. I actually suggested that the word “Paris” should be used as an adjective for great things.
This time I’m just saying a bit about what I did and my impressions of everything I saw there. How happy I was to finally be able to see Paris and especially to visit the museums and find out that I actually like art.
And of course I wrote about how wonderful was to see Richard again and to finally meet Laurie. Thanks again guys, for everything! The guides, the tours, the dinners, the great wine, the laughs, everything was great! I’m really looking forward to meet you again at Asbjorn’s birthday in December. I wish you all the best!
From Paris I went finally to Amsterdam to meet the great Mr. Floor Van der Wind. This was supposed to be the last stop but…
Ah, Paris!
Paris é Paris. É impossível definir a cidade de uma forma diferente. Depois de finalmente visitar Paris você vai perceber que o nome da cidade é na verdade um adjetivo. Adjetivo para o que é belo, envolvente, charmoso, encantador, sedutor e saboroso.
Você vai entender porque sinônimo de belo ao caminhar por parques verdes, bem cuidados, decorados com esculturas, árvores, juventude, esportes e alegria. Ao caminhar ao longo do Sena e se admirar com a arquitetura riquíssima e preservada impecavelmente, e integrada com o moderno, com o ousado. E esses contrastes vão te envolvendo a cada esquina em que você vira e percebe mais um charme, mais um encanto, mais um mimo que a cidade te oferece.

Sentar nos jardins sob a Torre Eifell para tomar um sorvete, papear, observar as crianças correndo, casais de mãos dadas, cães correndo alegres, amigos tomando sol, tomando vinho ou cerveja, sob um sol agradável de verão, céu azul, e levantar-se preguiçosamente para um almoço regado a um bom vinho.
Paris não é só Paris pelas ruas e monumentos. Paris é também Paris por seus museus. Sair de Paris sem visitar seus museus é covardia. Medo de perceber que realmente admira aquela baboseira toda de “arte” que a gente escuta tanto falar no Brasil. Medo de perceber que gosta dessa coisa careta, enfadonha que é arte. Passar horas dentro de um museu, olhando por minutos em alguns casos para o mesmo quadro e se interessar no que o artista sentia no momento pois de alguma forma a obra também mexe com você. Medo de finalmente entender que, como ouvi bem depois, arte precisa ser considerada, mais do que bela.
Perceber que Paris corresponde à fama da sua culinária e saborear uma mistura de cozinha oriental com francesa e se surpreender com seu próprio paladar. Inusitadas misturas seduzem sua boca e te fazem querer mais da experiência fantástica que é Paris.
Depois de visitar Paris você vai entender porque pais colocam o nome das filhas de Paris, porque a cidade é tão, famosa, tão requisitada, tão... tão...
...tão Paris!