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Na Índia, tudo é (supostamente) melhor

abril 1st, 2009 — 9:16am
Vendedor Indiano

Sujeito tentando vender os melhores colares Indianos, num mercado em Mysore

- Senhor, que tal comprar este excelente frasco de fragrância de tâmaras? É o melhor da Índia.

(Perplexo com a ridícula oferta, respondo com meu silêncio. Na Índia, mesmo que esteja interessado em comprar algo, dissimule. Mostre-se desinteressado. Blasé, até.)

- Senhor, que tal comprar este excelente frasco de fragrância de tâmaras? É o melhor da Índia.

(O sujeito solícito repete a oferta fingindo achar que não a ouvi da primeira vez.)

- Senhor? Custa só 1000 rúpias o frasco. Esta é a melhor oferta que você irá encontrar.

(Qualquer oferta inicial será absurda e, claro, a melhor. Continuo ignorando o sujeito, até aqui sequer olhei para ele na esperança que me deixe em paz.)

- Senhor, apenas dê uma olhada. Sinta o aroma. Estas fragrâncias são as mesmas usadas pelas grandes marcas francesas… L’Oreal, Dior, Armani, Ralph Lauren… Senhor?

(Ralph Lauren não é uma marca americana? O discurso, claro, é decorado. E ô sujeitinho chato. E este é só um dos inconvenientes dos mercados Indianos.)

- Senhor, está bem, especialmente para você, faço um preço especial. 600 rúpias!

(Sem que eu dissesse uma única palavra, o indivíduo decide me dar 40% de desconto! Claro, este é o melhor perfume, todo mundo quer pagar menos por ele…)

- Senhor, pessoas do mundo todo compram comigo.
- Não, obrigado. (Decido apelar, começando a falar curto e a andar rápido.)
- Senhor, apenas sinta o aroma, sem compromisso.
- Não.
- 500 rúpias então.
- Não.
- Senhor, eu tenho outras fragrâncias também.
- Não.
- E o seu amigo, não estaria interessado?
- Não.
- Você é francês, certo? Tenho certeza que sua mãe, irmã, tia, etc. vão adorar este presente…

(Esta também é clássica. Os Indianos adoram tentar adivinhar o seu país e então utilizar alguma estratégia mais específica. Alguns decoram poucas palavras no idioma, outros guardam cadernos com fotos e textos de pessoas daquele país. Eu, claro, continuo tentando sair dali o mais rápido possível.)

- Não, obrigado.
- Espanhol? Italiano? Americano? Alemão?
- Não, não, não, e não! Meu caro, eu realmente não quero comprar nada de você!
- Mas senhor, este é o melhor perfume da Índia e estou fazendo um preço especial para você. Só 300 rúpias

(Agora já tenho 70% de desconto. Se eu quisesse realmente comprar o produto, certamente de qualidade duvidosa, este seria o momento de fazer uma oferta ainda um pouco mais barata e comprá-lo. Ainda assim provavelmente estaria pagando caro. Mas como não é este o caso…)

- Não, obrigado. Eu realmente não quero nada…

E enfim ele desiste. Ou mais ou menos. O vendedor ainda fica por perto alguns minutos na esperança que eu mude de idéia de uma hora para outra, depois de tanta insistência da parte dele. Parece abutre e sua ronda em torno de um animal prestes a sucumbir. Claro que eu deveria mudar de idéia, afinal aquele era o melhor perfume, vendido pelo melhor preço!

***

Vender/ser/ter/etc. supostamente o melhor não é privilégio Indiano (embora acredito que o infortúnio na Índia seja maior). Por todo mundo, pessoas insistem neste artifício barato de marketing e tratam logo de anunciarem-se pavões. Na Internet a história também é a mesma: Impressionante como existem pessoas que escrevem os melhores textos

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Pra não falar do tempo…

outubro 5th, 2007 — 3:18am

Burma (ou oficialmente Myanmar) é um país de área territorial relativamente grande (maior que a França), localizado ao leste da Índia, fazendo fronteira com este a noroeste.

Estou portanto perto deste país que está tomado por um regime militar desde 1962 e vem recebendo atenção internacional ultimamente devido a um série de protestos pacíficos de monges e cidadãos que estão sendo violentamente reprimidos pelo governo. Apesar da proximidade, entretanto, aqui pouco se sabe sobre o assunto além da cobertura internacional.

Estou acompanhando o caso através do Google News. Jornais no mundo inteiro estavam recebendo fotos e textos dos locais de massacres no país via celular e computadores em cibercafés até que o governo bloqueou toda a rede de telecomunicações (Internet e telefone) para os cidadãos.

Era para eu ter falado sobre isto ontem devido a um pedido do Movimento “Free Burma” que fiquei sabendo aqui. Entretanto, estava doente (veja abaixo) e impossibilitado de escrever qualquer coisa que fizesse algum sentido.

***

Estive com a garganta inflamada, febre, congestão nasal et al. a semana toda. Ontem decidi dar um basta e fui a um hospital próximo. O local é recomendado, limpo, organizado e parece ser bem equipado. Esperei apenas 20 minutos para ser atendido mas a consulta durou só outros 5. O médico ouviu o que eu disse sentir, usou o estetoscópio por 5 segundos e iluminou a minha garganta por um instante.

Neste ínterim, concluiu que minha garganta continuava bem inflamada (apesar de ser algo localizado) e que eu deveria tomar um antibiótico ultra-matador-de-bactérias-malignas-indianas para uma simples infecção (agradeço à minha médica preferida pelas informações!). Obviamente o medicamento agora enfeita minha prateleira aqui no quarto e eu continuo me tratando a base de paracetamol, Benegrip, água e gargarejos.

Curiosidades:

  • A consulta custou R$ 7,50 (E acreditem, poucos podem pagar este valor);
  • Os remédios não têm bula, e são vendidos no próprio hospital;
  • Para entrar no hospital, esteja preparado para ficar descalço.

***

Descobri outro esporte, além do cricket, que os indianos são bons: Xadrez (Quer dizer, eu acho que xadrez é um esporte; não seria apenas um jogo?)! Um Indiano (Viswanathan Anand) é o atual campeão mundial de xadrez, conquistando o título unificado no final do mês passado.

***

Acho que nunca vou me acostumar a este país e a certas bizarrices dele: Outro dia vi na televisão uma propaganda de conscientização pedindo à população para não beber sangue de cachorro!

***

Falando em bizarrices, Torre de Babel está longe de estar na Dinamarca conforme meu querido irmão relatou impressionado com a quantidade de idiomas que encontrou por lá.

É bem verdade que por toda Europa é comum encontrarmos pessoas falando Inglês, Alemão, Francês, e Espanhol além da língua do país em questão e de seus vizinhos mas a lista não se alonga muito além disto.

Não que a torre esteja aqui também mas o número de diferentes línguas que podem ser ouvidas diariamente é bem superior: Hindi (principal e mais falada), Tamil, Kannada, Bengali e Telugu estão entre as mais comuns, além, claro, das ocidentais (espanhol, alemão, francês e inglês para ficarmos só nas que escuto quase todos os dias).

No total, 24 línguas são faladas por mais de 1 milhão de indianos e 114 por mais de 10 mil. O Google Indiano, aliás, ostenta em sua página inicial opções de busca em 5 diferentes línguas além do inglês. Aprecie os diferentes caracteres de cada uma delas aqui.

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Torre de Babel

outubro 1st, 2007 — 11:29am

Ei pessoal!

Rapidinha porque entrar no ritmo aqui não é nada fácil. Muita coisa pra ler: mais de 100 páginas em menos de 48 horas com aulas (que requerem outras leituras) e trabalhos e comida e lavar roupa e dormir (!!!) no meio delas .

Só pra contar pra vocês que por aqui as vezes me lembro da Torre de Babel. Andar pela rua aqui é ouvir pelo menos 3 ou 4 idiomas! Inglês e dinamarquês é padrão mas sempre escuto algo em pelo menos mais uma língua (e nem sempre eu sei qual é ou se não simplesmente dinamarquês também). Polonês, espanhol, português (só conheci brasileiros aqui, mas ouvi dizer que temos uns lusitanos na cidade), chinês e seja lá mais o que for que eu escuto por aqui.

Em 2 semanas devem começar minhas aulas de dinamarquês. Por enquanto só sei falar obrigado (Tak), oi (hej), tchau (hej hej -fácil, né?!) e brindar (SkAl – o A tem um círculo em cima que ainda não aprendi a fazer aqui no comp. Mas o som é que nem Skol, só que com o “o” fechado, tipo Skôl). O mais difícil é que eles tem vogais a mais! E te umas 3 que são quase iguais e uma delas que, por mais que eu tente e tenho tentado há 2 semanas (!!!), simplesmente não consigo pronuncia-la. Acho que quando conseguir, o resto do dinamarquês vai ser bem fácil!

No mais, continuo devendo as fotos – estou recolhendo do pessoal aqui pq tenho deixado a máquina em casa (não, ninguém esquece nada aqui não!) – mas quando vierem vocês vão reclamar que são muitas! Será?

Beijos, abraços e saudades!

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