Bela Praga
Atenção: Este texto continua a narrar a viagem que fiz em Dezembro, saindo da Índia em direção ao Brasil e de volta à Índia. Já estou de volta à Bangalore mas continuo a narrar a viagem preservando sua cronologia.
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Chegar à Praga de trem não é a melhor das opções. A estação é sombria e parece ter se esquecido que a República Tcheca não está mais trancada atrás da Cortina de Ferro imposta pela União Soviética durante a Guerra Fria.
É uma Europa diferente a Oriental. Ao cruzar a fronteira da Alemanha, a única semelhança que persistia era a natural, serpenteando as margens do rio Elba. Foi como entrar num túnel do tempo rumo ao passado. No começo as diferenças eram sutis: Notava-se nas roupas, no olhar cansado e no jeito curvado de andar da maioria das pessoas. Aos poucos casas e prédios também iam revelando as marcas de um passado tenebroso: De parte do império Austro-Húngaro se tornou Tchecoslováquia após a Primeira Guerra e logo em seguida foi forçada ao regime comunista. Só em 1992 Eslovacos e Tchecos se separaram após várias tensões entre ambos. A história completa passa pela Segunda Guerra, envolve vários conflitos armados e a dizimação de uma das regiões mais industrializadas e ricas da Alemanha oriental.
Mas há algo no ar que torna Praga, em particular, especial. Os mercados de Natal ao ar livre, característica marcante que presenciei em todas as cidades alemãs por onde havia passado, ajudavam mas não era só isto. A cidade preserva mais de 1000 anos de história e exibe orgulhosa todos os principais estilos arquitetônicos que marcaram a Europa desde então.
Vista de Praga
Um passeio pelo Castelo de Praga é maior comprovação do que estou falando. Lá de cima, a vista é magnífica e mostra que a beleza desta capital é também natural, cortada por canais e pelo rio Vltava. E o castelo em si é um dos maiores e mais antigos do mundo; tem suas origens no século IX com a construção da igreja de Nossa Senhora.
Lá dentro, além dos palácios, das casas onde moravam os principais comerciantes e soldados do exército, e de outras igrejas, destaca-se a Catedral de São Vitus. Em estilo Gótico, a catedral foi construída em 1344 sob as ordens do Rei da Bohemia, Charles IV. Linda, linda, linda! Tirei inúmeras fotos de diversos aspectos da catedral: as gárgulas do lado de fora, os inúmeros e gigantescos vitrais (alguns com mais de 100m2), das obras de arte em ouro e prata, e do enorme salão sem pilares, um dos maiores que já vi.
Vista da frente da Catedral de São Vitus
Saí de lá embriagado, sem me tocar que passei o dia e praticamente não havia visto o resto da cidade. Nem ao Museu Nacional, na praça do Santo Wenceslau (considerada o centro Cultural da cidade) eu fui. Na noite anterior, um city tour e um passeio de barco pelo rio foi uma bela introdução mas muito insuficiente. Fui obrigado a deixar a cidade ainda com água na boca, com uma imensa vontade de voltar.
Museu Nacional
Felizmente, a estação de trem de Praga não é representativa da cidade. Nem sei o que faz ali, deslocada de todo o resto. Ao sair do castelo fui forçado a encará-la mais uma vez. O trem rumo a Varsóvia, capital da Polônia, me aguardava. Já era quase meia-noite quando embarquei. A neve ainda não havia dado nem sinal mas o frio era quase abaixo de zero. Na escuridão, adormeci rapidamente, sequer tive tempo de me preparar para o que me aguardava em terras polonesas…



