Tag: Internet


O poder das mídias sociais

maio 13th, 2010 — 4:50pm

Esta semana escrevi como autor convidado no portal ReadWriteWeb Brasil. Confira abaixo um trecho do meu artigo “Atenção, Pessoas Instáveis Emocionalmente Tendem a Participar mais Ativamente na Internet“, que trata do poder cada vez maior das mídias sociais:

Ao mesmo tempo em que a Internet vai ficando mais social, nossa vida, tanto em seus aspectos positivos quanto negativos, passa a acontecer mais nela também. Principalmente nos sites e serviços que favorecem a interação social e, assim, conquistam mais a nossa atenção. Conquista-a porque nossos amigos e família estão lá, e queremos fazer parte do mesmo grupo que eles. Ou porque pessoas que respeitamos estão lá e queremos nos aproximar delas.

O co-fundador do Facebook disse ano passado em entrevista que uma mensagem que você recebe é menos importante do que quem a envia. Reputação conta. Não nos interessa a opinião de todo mundo. Nossa racionalidade é limitada porque não temos a capacidade de processar toda a informação disponível. Por isto, a informação dada por pessoas em quem confiamos e/ou respeitamos tende a ser muito mais valorizada.

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Software livre não é solução

abril 28th, 2010 — 10:38am

Num post anterior falei de quatro problemas do software livre. Inerentes a eles está o aspecto social do desenvolvimento de qualquer software, e principalmente de sistemas de informação. Muitas pessoas ainda não se dão conta que todas as etapas de desenvolvimento, da sua concepção enquanto idéia, até o seu uso se dá de forma social e, mais importante, com a participação do usuário. Pelo menos deveria ser assim para todo sistema de informação, já que este tipo de software é uma construção inerentemente social e tem por objetivo atender a uma demanda social (Brooks 1995). Pense em um sistema de controle de estoque, educacional, de controle bancário, de uma loja,  etc. e fica fácil perceber que estes ficam sempre no meio de alguma interação social. Por isto, o desenvolvimento de um sistema para uma empresa sem a contribuição de seus potenciais usuários é um sistema fadado ao fracasso já na sua concepção.

No caso do software livre este aspecto social é ainda mais importante pelas características da equipe de desenvolvimento (Weber 2004). Elas são, em geral, dispersas geograficamente e possuem programadores trabalhando por uma motivação pessoal, às vezes sem nenhum tipo de compensação financeira. Por este motivo, os programadores precisam ser e estar motivados para trabalhar num projeto de software livre. Motivação esta que está diretamente atrelada a dois componentes do software: 1) o desafio técnico que ele oferece e 2) a grande base de usuários que terá acesso a seu código e usará o sistema, formando uma comunidade ativa de pessoas discutindo o mesmo. Pense em todos os softwares livre de sucesso: WordPress, Linux, Firefox, Apache, etc. São todos aplicativos de complexidade mais alta e de aplicação mais genérica, multi-uso, com uma comunidade ativa de usuários e desenvolvedores.

Este tipo de software motiva os melhores programadores do mundo inteiro. É exatamente o oposto de trabalhar num software para, digamos, uma loja no Brasil. Construir um software destes é relativamente simples e está restrito apenas aos usuários brasileiros; porque o conjunto de regras aqui é diferente das de outros países para este tipo de software. Assim,  como os melhores programadores brasileiros dedicam seus tempos livres a projetos como o Linux, sobram para estes projetos específicos os programadores pagos pelo governo ou empresas, ou aqueles despreparados e que não conseguem contribuir em projetos mais desafiadores.

Não estou dizendo com tudo isto que sou contra o software livre. Também não o acho uma alternativa melhor ou pior que outras formas de desenvolvimento (e.g., software customizado ou produto) sem levar em conta o contexto. Ele é, para mim, apenas mais uma opção a ser considerada, com seus prós e contras. Não acho, por exemplo, que o governo brasileiro está errado em adquirir software livre. Acho que ele está errado em fazer este tipo de aquisição quando o faz porque o software é livre. É preciso sempre ponderar qual é a melhor solução para as necessidades de uso, sendo o tipo de licença do software e a forma de produzi-lo variáveis no processo.

A diretriz arbitrária do governo brasileiro de sempre optar por software livre é ruim para ele, para a população e para a indústria. De maneira análoga, o governo poderia também arbitrariamente decidir por comprar software brasileiro em detrimento de software de outros países. Fazendo isto, ele deixa de fazer a aquisição considerando o mais importante, a compra do software com o melhor potencial de atendê-lo em suas necessidades. A analogia é importante porque a indústria de tecnologia no Brasil era exatamente protegida desta forma até o começo da década de 90. O resultado foi um atraso tecnológico pelo qual até hoje pagamos o preço.

Note que adotar software proprietário não significa adotar padrões fechados ou bloquear o acesso à informação. É perfeitamente possível, comum até, utilizar um software proprietário com padrões abertos e que torne a informação mais acessível e disponível para todos. Basta lembrar que a base da Internet, o conjunto de protocolos TCP/IP, não nasceu aberto, muito pelo contrário, foi desenvolvido pelos militares americanos e com o objetivo de uso exclusivo. Mesmo hoje, o principal conjunto de protocolos e padrões da Internet são mantidos por uma organização americana patrocinada pela gigante VeriSign e pela Agência Nacional de Segurança dos EUA. É uma questão política complexa mas, simplificando, a Internet só é livre hoje porque os EUA deixa. (Sobre este assunto, recomendo o excelente conjunto de visualizações mostrando a geopolítica da Internet – em francês)

Concluindo, software livre não é solução de problemas por ser livre. Aliás, software livre, em si, não é solução de nada. Do ponto de vista do desenvolvimento, ele pode ser visto como uma modalidade de criação do software. Uma muito mais apropriada para alguns tipos de projeto, aqueles com potencial de atrair uma comunidade de desenvolvedores abrangente. Do ponto de vista do usuário final, é apenas mais uma variável a ser considerada no processo de aquisição. E uma que não deveria se sobrepor às suas necessidades de uso.

Num post anterior falei de quatro problemas do software livre. Inerentes a eles está o aspecto social do desenvolvimento de qualquer software, e principalmente de sistemas de informação. Muitas pessoas ainda não se dão conta que todas as etapas de desenvolvimento, da sua concepção enquanto idéia, até o seu uso se dá de forma social e, mais importante, com a participação do usuário. Pelo menos deveria ser assim para todo sistema de informação, já que este tipo de software é uma construção inerentemente social e tem por objetivo atender a uma demanda social (Brooks 1995). Pense em um sistema de controle de estoque, educacional, de controle bancário, de uma loja, etc. e fica fácil perceber que estes ficam sempre no meio de alguma interação social. Por isto, o desenvolvimento de um sistema para uma empresa sem a contribuição de seus potenciais usuários é um sistema fadado ao fracasso já na sua concepção.

No caso do software livre este aspecto social é ainda mais importante pelas características da equipe de desenvolvimento (Weber 2004). Elas são, em geral, dispersas geograficamente e possuem programadores trabalhando por uma motivação pessoal, às vezes sem nenhum tipo de compensação financeira. Por este motivo, os programadores precisam ser e estar motivados para trabalhar num projeto de software livre. Motivação esta que está diretamente atrelada a dois componentes do software: 1) o desafio técnico que ele oferece e 2) a grande base de usuários que terá acesso ao seu código e usará o sistema, formando uma comunidade ativa de pessoas discutindo o mesmo. Pense em todos os softwares livre de sucesso: WordPress, Linux, Firefox, Apache, etc. São todos aplicativos de complexidade mais alta e de aplicação mais genérica, multi-uso, com uma comunidade ativa de usuários e desenvolvedores.

Este tipo de software motiva os melhores programadores do mundo inteiro. É exatamente o oposto de trabalhar num software para, digamos, uma loja no Brasil. Construir um software destes é relativamente simples e está restrito apenas aos usuários brasileiros; porque o conjunto de regras aqui é diferente das de outros países para este tipo de software. Assim, como os melhores programadores brasileiros dedicam seus tempos livres a projetos como o Linux, sobram para estes projetos específicos os programadores pagos pelo governo ou empresas, ou aqueles despreparados e que não conseguem contribuir em projetos mais desafiadores.

Não estou dizendo com tudo isto que sou contra o software livre. Também não o acho uma alternativa melhor ou pior a outras formas de desenvolvimento (e.g., software customizado ou produto) sem levar em conta o contexto. Ele é, para mim, apenas mais uma opção a ser considerada, com seus prós (que quase todo mundo conhece) e contras (dos quais falei aqui). Não acho, por exemplo, que o governo brasileiro está errado em adquirir software livre. Acho que ele está errado em fazer este tipo de aquisição quando o faz porque o software é livre, sem considerar exatamente seus prós e contras e os de outras opções. É preciso sempre ponderar qual é a melhor solução para as necessidades de uso, sendo o tipo de licença do software e a forma de produzi-lo variáveis no processo.

A diretriz arbitrária do governo brasileiro de sempre optar por software livre é ruim para ele, para a população e para a indústria. De maneira análoga, o governo poderia também arbitrariamente decidir por comprar software brasileiro em detrimento de software de outros países quando houver a opção. Fazendo isto, ele deixa de fazer a aquisição considerando o mais importante, a compra do software com o melhor potencial de atendê-lo em suas necessidades. A analogia é importante porque a indústria de tecnologia no Brasil era exatamente protegida desta forma até o começo da década de 90. O resultado foi um atraso tecnológico pelo qual até hoje pagamos o preço.

Note que adotar software proprietário não significa adotar padrões fechados ou bloquear o acesso à informação. É perfeitamente possível, comum até, utilizar um software proprietário com padrões abertos e que torne a informação mais acessível e disponível para todos. Basta lembrar que a base da Internet, o conjunto de protocolos TCP/IP, não nasceu aberto, muito pelo contrário, foi desenvolvido pelos militares americanos e com o objetivo de uso exclusivo. Mesmo hoje, o principal conjunto de protocolos e padrões da Internet são mantidos por uma organização americana patrocinada pela gigante VeriSign e pela Agência Nacional de Segurança dos EUA. É uma questão política complexa mas, simplificando, a Internet só é livre hoje porque os EUA deixa.

(Sobre este assunto, recomendo o excelente conjunto de visualizações mostrando a geopolítica da Internet: http://www.arte.tv/fr/Comprendre-le-monde/le-dessous-des-cartes/392,CmC=396,view=maps.html – em francês)

Concluindo, software livre não é solução de problemas por ser livre. Aliás, software livre, em si, não é solução de nada. Do ponto de vista do desenvolvimento, ele pode ser visto como uma modalidade de criação do software. Uma muito mais apropriada para alguns tipos de projeto, aqueles com potencial de atrair uma comunidade de desenvolvedores abrangente. Do ponto de vista do usuário final, é apenas mais uma variável a ser considerada no processo de aquisição. E uma que não deveria se sobrepor às suas necessidades de uso.

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Devaneios Distantes

outubro 21st, 2007 — 10:01am

Estava na minha pré-adolescência quando fui apresentado à Web pela primeira vez. 12 anos atrás as páginas demoravam minutos para carregar e continham basicamente letras piscantes e difíceis de ler com imagens borradas pelos cantos. De lá pra cá, a velocidade com que a informação passou a trafegar se reduziu ao instante. A barreira das mídias físicas havia caído.

Consequentemente, passei a acreditar durante algum tempo que a aviação moderna também acabaria com a distância entre as pessoas. Afinal, já tínhamos o Concorde como indicação do que poderia estar por vir.

Ledo engano. O Concorde foi descontinuado em 2003 e a logística do transporte aéreo, claro, continua seguindo a lógica do mercado financeiro mundial. Resultado: Da Índia até o Brasil, são necessárias mais de 40 horas em trânsito, entre escalas e diferentes vôos do mais puro desconforto da classe econômica.

No campo terrestre, a evolução dos transportes também parece regredir: Aqui em Bangalore, por exemplo, é preciso reservar cerca de 1 hora para percorrer um trajeto de míseros 15 km. Um cavalo, em tempos medievais, faria o trajeto mais rápido.

Mas tergiverso. Mesmo que os aviões fossem capazes de nos transportar a qualquer parte do mundo em questão de uma ou duas horas, a um preço ínfimo, ainda assim estaríamos “condenados” a nos mudar sempre que optássemos ou necessitássemos buscar algo além do nosso atual horizonte.

Não somos onipresentes como a informação e, mais do que isto, não somos independentes do meio em que vivemos. Necessitamos de nos relacionarmos com as pessoas a nossa volta e de interagirmos com elas. Isto obviamente é essencial a qualquer processo de aprendizagem e crescimento pessoal.

Eu não vim fazer o meu mestrado na Índia apenas para assistir às aulas. Isto poderia simplesmente ser feito via videoconferência. Aliás, Bangalore não teria se tornado uma referência em Tecnologia da Informação no mundo se a presença das pessoas num único local não fosse importante. Neste caso, bastaria que cada indivíduo trabalhasse em sua própria casa.

Além do relacionamento interpessoal, o que motiva pessoas a se deslocarem entre regiões pode incluir políticas públicas, diferenças culturais, decisões de empresas, e até mesmo xenofobia.

Seja por necessidade ou desejo, no entanto, não dá para ignorar os benefícios da tecnologia. Ela permitiu que o mundo se tornasse mais conectado e transforma a maneira como nos deslocamos e comunicamos. Graças a ela estou aqui hoje e graças a ela transmito esta mensagem num instante, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.

Para finalizar, abro um parêntese: Se o custo da passagem aérea fosse ínfimo e a viagem demorasse poucas horas, certamente retornaria a minha terra natal nos finais de semana…

***

PS1: Para os interessados em se aprofundar nas relações da informação e do capital humano com a tecnologia e a sociedade, recomendo a leitura dos livros de Manuel Castells. Na Biblioteca Nacional há 8 diferentes livros do autor traduzidos para o português que certamente elucidarão a atual era da informação para o leitor.

PS2: Ontem almocei na casa de um casal muito simpático. Ela faz doutorado aqui no IIIT-B e ele é um arquiteto e urbanista. Os assuntos percorreram o mundo, inclusive o religioso, e finalmente pude entender um pouco melhor o hinduísmo. Prometo detalhes no próximo post.

PS3: A casa deles fica num típico bairro de classe média indiana: A rua não é asfaltada, a água não é encanada, não há coleta de lixo, e falta luz o tempo todo. Isto acontece porque a cidade não consegue acompanhar o crescimento urbano acelerado do país. Como os moradores resolvem o problema? Bem, a energia é solar, a água é captada da chuva e o lixo, quando possível, é separado na própria casa e decomposto ou reciclado por lá mesmo.

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