Dia da Independência Indiano
Ontem, 15 de agosto, foi celebrado o 60º ano de independência da Índia. Até 1947 a Índia era uma colônia do Reino Unido que incluía também o Paquistão. Tradicionalmente, a data é comemorada com o hasteamento oficial da bandeira e um discurso do primeiro-ministro indiano. Não vou entrar em detalhes sobre a data aqui pois a Wikipédia já está repleto deles. Ao invés disto, registro nos próximos parágrafos as minhas impressões deste dia no centro da cidade de Bangalore.
É inegável o orgulho que este povo sente pelo país. Antes de mesmo de chegar à Índia já tinha esta impressão conversando com alguns indianos. É preciso inclusive cautela pois é comum seus cidadãos enaltecerem o país bem além da realidade.
Durante o dia da independência, este orgulho é externado principalmente através da bandeira: todos parecem querer exibi-la de alguma maneira, em algum lugar. Nos carros, nos postes, nas camisas, nos broches, nos bares e restaurantes… Para onde eu olhava, lá estava a bandeira ou as cores dela representadas.
E como é feriado nacional, o dia é excelente para um passeio em um dos diversos parques da cidade. É claro que não fui o único a ter esta idéia brilhante. E num país com mais de 1 bilhão de pessoas, a palavra multidão é facilmente percebida na prática: Estimativas apontam que mais de 200 mil pessoas estiveram ontem no Lalbagh, o jardim botânico que eu e um amigo resolvemos conhecer.
Apesar da multidão já esperada e a qual já estamos habituados (gente é o que não falta aqui, independente da data, hora ou local), o parque é extremamente agradável e bem cuidado embora falte educação nos hábitos locais – as pessoas simplesmente e naturalmente jogam o lixo no chão, não importa onde estejam.
Ele foi construído em 1760 por Hyder Ali, um governante real da época e tem uma área de 240 acres (971.245m2) onde estão presentes diversos jardins de plantas exóticas do mundo todo. Palco de eventos variados, o parque é um ponto de encontro típico de Bangalore. Ontem, em particular, era o último dia de uma feira/exposição de flores e uma réplica do Taj Mahal feita com rosas era a atração principal.
Já próximo do meio-dia, resolvemos procurar um local para almoçar. Fomos então conhecer a M.G. Road, famosa pelo comércio nos seus arredores. É impressionante o luxo que está nascendo ali. Lojas de grife disputam espaço com shoppings e restaurantes mas também com casas mais simples e com o trânsito sempre caótico.
Não foi difícil, portanto, achar um bom restaurante. Fomos ao 20 ft. High (que pode ser traduzido como 20 pés de altura), um restaurante construído numa plataforma de madeira a, obviamente, 20 pés de altura (6 metros), ao ar livre, em frente à entrada de um pequeno shopping. Nossa agradável surpresa, no entanto, foi descobrir que a carne de boi fazia parte do cardápio!
Após 3 semanas sem comer um pedaço sequer de derivados bovinos, optamos por pratos desta seção sem nem pestanejar. Eu comi um suculento filé chateaubriand e meu amigo, mais contido, optou por um estrogonofe (curiosidade que meu amigo contou e que confirmei na Wikipédia: estrogonofe é um prato de origem russa do século XIX). Como o dia estava claro e quente, a cerveja estupidamente gelada (que também nos faltava desde a chegada na Índia) foi a acompanhante escolhida.
Saciados, ainda demos mais umas voltas pelas ruas comerciais da região antes de retornamos para o campus do Instituto. É claro que, após tanto esforço, um cochilo foi essencial. Afinal, celebrar a independência de um país é um trabalho muito árduo…
P.S.: Só entre nós, sou muito mais o nosso Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Muito mais bonito e bem cuidado.