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E Slumdog Millionaire levou o Oscar

fevereiro 23rd, 2009 — 9:42am

Então Slumdog Millionaire ganhou 8 das 10 estatuetas do Oscar para as quais foi indicado. Nenhuma surpresa até aqui. O filme de fato é bom, possuindo principalmente boa edição e direção. Se você ainda não assistiu, recomendo que o faça. Só tenha em mente que o filme é uma ficção!

Exarcebando a pobreza, o filme faz parecer que esta é a realidade de toda a Índia. Não é o caso.  Cerca de 26% da população vive abaixo da linha da pobreza. É um número muito alto, é verdade. Mas há outros 74% que contribuem para a formação de um país com bastante força econômica.  Em outro exemplo mais pontual: A população de Delhi está estimada em 12 milhões. Estima-se que 2 milhões vivem em favelas. Ou seja, pouco mais de 16%. Os outros 10 milhões fazem de Delhi uma cidade rica, com muitas regiões bem cuidadas, e opções de trabalho e lazer para todos os gostos. O mesmo vale para Mumbai, longe de ser uma favela gigante que só agora começa a se modernizar como o filme faz parecer.

Um vídeo muito bem feito mostra uma outra realidade da Índia. Seu poderio em diversas indústrias chama a atenção do mundo e coloca o país em posição muito privilegiada política e economicamente. Isto sem contar as imensas variações sociais e econômicas de um estado para outro. Assim, recomendo o filme apesar de achar o final clichê e óbvio demais. Mas sugiro não fazer uso dele para formar opinião sobre o país

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Finalmente: Nada de buzinas pelo menos em Mumbai…

fevereiro 6th, 2009 — 3:20am

E por apenas 10 dias. Mas já é um começo. O inferno da cacofonia no trânsito Indiano é um dos maiores problemas das grandes cidades Indianas. A poluição sonora é insuportável.

Mas em Mumbai pelo menos isto começa a mudar. A polícia de lá começou a promover ontem a campanha “No Honking Drive” (Direção Sem Buzina) e vai realizar campanhas nas principais avenidas e também nas escolas. Se necessário, os motoristas serão multados.

Falta agora só tornar esta campanha algo permanente e ampliá-la para o resto do país. Os ouvidos de todo mundo agradecem!

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Mumbai em Guerra, tudo bem em Bangalore

novembro 28th, 2008 — 1:01am

Foi sem dúvida o pior ataque terrorista recente ocorrido aqui na Índia. Até o momento, a CNN conta mais de 125 mortos e vários feridos. O que contribuiu para o choque foi  a natureza do ataque: desta vez muito mais organizado que os demais, direcionado a estrangeiros em hotéis de luxo, e envolvendo sequestros em massa. Ataques anteriores eram em geral feitos apenas com bombas de pequena escala.

Pedro Dória conta com detalhes o que anda acontecendo e os possíveis desdobramentos em três posts, um na manhã após o início dos ataques na última quarta-feira, um 24 horas depois, e outro agora pela manhã aqui na Índia, depois de mais de 36 horas de violência continuada.Vale a pena a leitura dos comentários de cada um deles também.

Pouco depois de ter chegado aqui ano passado, também escrevi um post no blog do Pedro, contanto como era o cotidiano na Índia mas não falei do terrorismo por desconhecê-lo. Desta vez, na caixa de comentários dele, toquei no assunto e reproduzo-o aqui:

“Os ataques de 2007 foram mínimos em termos de exposição na mídia se comparados com estes de agora, principalmente este de Mumbai.

Ataques terroristas fazem parte da rotina do país desde muito antes do mesmo se tornar país em 1947. Aliás, o próprio movimento de independência foi marcado por muita violência, com a morte de centena de milhares. Em geral, pode-se dizer que a briga é entre extremistas hindus e muçulmanos mas isto explica pouco. Além dos conflitos na Caxemira (por si só um bocado intrincado), há movimentos separatistas dentro da própria Índia (entre povos hindus mesmo), atentados contra católicos, e conflitos no Sri Lanka e na fronteira com Bangladesh e Nepal.

Não é, portanto, o primeiro caso, nem será o último. A Índia sofre de muitos males relacionados a intolerância religiosa e cultural e isto fica evidente até na política. Há, por exemplo, uma fragmentação partidária muito forte no país motivada por interesses de grupos minoritários divergentes. O país está entrando num ciclo vicioso e se engessa cada vez mais.

Entretanto, ainda há problemas sociais muito maiores. A violência por atentados já foi muito maior em anos recentes anteriores. Só a morte causada pelos Maoístas Extremistas chega a 1500 entre 2006 e 2007. Em 2007 foram mais de 2.500 mortes por ataques terroristas e este ano até agora pouco mais de 600. A violência em geral também é baixa se considerarmos o total de habitantes do país.

46.660 foi o número de assassinatos no Brasil em 2006 e 32.719 foi o número Indiano. Se dividirmos isto pelo total da população, temos aprox. 0,23 assassinatos para cada 1000 habitantes no Brasil e ínfimos 0,02 assassinatos para cada 1000 habitantes na Índia. Mesmo se duplicarmos o número Indiano (reconhecidamente subestimado dada a corrupção da polícia), o número por 1000 habitantes continua muito menor.

É claro que o efeito moral destes ataques aqui na Índia são devastadores e é de fato uma atrocidade que espero nunca experimentar. Só que a repercussão praticamente nunca o é e as preucações só são tomadas nos meses imediatamente após o atentado. Este agora ganha tanta exposição por conta dos alvos visados – turistas americanos e ingleses.

Um outro número, entretanto, serve de exemplo para problemas que são muito maiores aqui: Mais de 100.000 pessoas morreram e cerca de 2 milhões ficaram seriamente feridas em 2006 por conta de acidentes de trânsito. A Índia encabeça a lista de mortes no trânsito, a frente até da China.”

 

Enquanto Mumbai sofre, aqui em Bangalore, tudo bem. Nenhum dos meus amigos que moram por lá se feriram também – nem estavam perto. Como de praxe, entretanto, a segurança foi reforçada em todos os locais. Sempre ocorre da mesma forma após um ataque. E uma semana depois tudo volta ao normal, como se nada tivesse acontecido. Ontem fui praticamente impedido de sair do Instituto e os mesmos seguranças que me conhecem desde 2007 me pararam para revistar minha bolsa. Tive que fazer graça da coisa toda e eles, que bom, também caíram na gargalhada.

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Índia: Choque cultural

julho 31st, 2007 — 2:39pm

Chegar à Índia pela primeira vez sozinho e de madrugada pode não ser a melhor das experiências. Primeiro que o acesso aos aeroportos aqui é restrito às pessoas que possuem passagem aérea, assim, quem desembarca é obrigado primeiro a sair do aeroporto se quiser ou precisar entrar novamente.

Foi este o meu caso. Em Mumbai o aeroporto doméstico é separado do Internacional. Já sabia que teria que encarar um táxi na madrugada para trocar de aeroporto. O que eu não sabia é que seria abordado por um funcionário (pelo menos estava vestido como tal) com a informação de que havia uma ameaça de bomba no aeroporto doméstico e que o mesmo estava fechado.

É claro que desconfiei e perguntei a outras pessoas que também confirmaram a informação. Fui então para o hotel indicado pelo funcionário, paguei US$ 100 mas pude pelo menos tomar um bom banho e descansar um pouco. Não sei se fui vítima de um golpe pois li na internet que ele existe no aeroporto de Mumbai; se foi o caso, o golpe é muito bem aplicado.

3 horas depois já estava novamente no microônibus do hotel rumo ao aeroporto doméstico. No caminho, agora durante o dia, pude perceber a pobreza que já é nossa conhecida nas periferias das grandes cidades brasileiras. Nada a reclamar ou elogiar por enquanto, estou apenas registrando constatações.

Sem mais problemas, embarquei para Bangalore, minha cidade destino. Lá, a primeira surpresa foi agradável. A temperatura aqui é muito boa, fica sempre entre 20 e 30 graus, ao contrário de Mumbai onde o calor e a umidade na madrugada já eram insuportáveis (quem foi a Manaus conhece bem a sensação).

Fui bem recebido por um funcionário do Instituto que me transportou direto para meu apartamento. O local é distante do centro da cidade e do aeroporto. O trajeto, portanto, me permitiu conhecer um pouco da cidade. É visível que a mesma está vivendo um processo de modernização. O contraste da sujeira e do caos no trânsito com as avenidas largas em construção e prédios suntuosos é nítido e um pouco assustador. Parecem que aos poucos modernidade começa a brotar aqui e ali, diante de tamanha desorganização.

A outra agradável surpresa veio quando entrei no distrito onde fica o Instituto. Ele é chamado de Electronics City (Cidade Eletrônica) e é basicamente uma região de indústrias de software. Todo o local é arborizado, limpo e repleto de grandes empresas (no caminho vi prédios da HP, Siemes, Wipro e Infosys). O Instituto, claro, não podia ser diferente: excelente infra-estrutura e excelentes professores.

Passados dois dias aqui, o que ainda realmente me incomoda são a comida e o inglês de alguns indianos. A primeira, para mim, é muito (mas muito mesmo) apimentada e desprovida de qualquer outro sabor. É sempre uma variação de um caldo vegetariano com o mesmo tempero e alguns acompanhamentos, principalmente arroz e uma espécie de panqueca sem recheio.

Já o idioma muitas vezes é uma mistura de alguma das outras 16 línguas faladas na Índia (ou seus inúmeros dialetos) com um inglês quase impronunciável. É o caso, claro, principalmente daqueles que tiveram menos acesso a educação de qualidade como os seguranças e alguns funcionários.

Tirando estas primeiras impressões, ainda posso falar pouco. Tive apenas uma aula ontem e ainda estou conhecendo as pessoas. Já conheci um outro estudante estrangeiro (um sueco) que é bacana mas que também está se adaptando a todo este choque cultural que a Índia proporciona.

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