Lá e de Volta Conteúdo desconexo e aleatório…

29fev/084

Um mundo para esquecer

Esqueçam a TV e a revista fajutas, parciais e maniqueístas. Esqueçam a corrupção do governo e o suposto ex-governo espião (para não dizer mais). Se todos neste mundo menos o povo se beneficiam, está instituído um estado novo, que de novo nem o nome tem mais. Alegria! Alegria!

Aliás, esqueçam logo todo o Brasil e suas milícias que se espalham e seus desmatamentos e suas violações dos direitos humanos. Esqueçam a pobre coitada da África e todas as suas formas de miséria na Nigéria que mata, no Egito que prende e tortura, no genocídio de Uganda, na Guinéa Equatorial corrupta e patrocinada pelos EUA, no Zimbabwe de inflação superior a 100.000% ao ano e taxa de desemprego de 80%, na PQP. Aproveitem o ensejo e esqueçam a China, que também ajuda a patrocinar tudo isto enquanto ouve hipocrisia do ocidente que fez o mesmo no século passado.

Na Ásia, além da China, esqueçam também da Índia que estupra, rouba órgãos, e esquece do seu povo. Esqueçam de Myanmar e o massacre que lá ocorreu e provavelmente ainda ocorre, da Indonésia do recém falecido ditador honrado como herói, e da Coréia do Norte tirana.

Na Europa, esqueçam da guerra que acabou 63 anos atrás e ainda gera polêmicas e rancor. Esqueçam da pseudo-independência de Kosovo, dos cartuns do profeta Maomé e dos protestos na Dinamarca, e da possível e controversa entrada da Turquia na União Européia. Ah! Quase me esqueço da Rússia que cerceia a liberdade de expressão e é inclusive capa da The Economist desta semana, por conta de sua economia indigesta.

Esqueçam o Oriente Médio e a guerra no Iraque. Esqueçam Israel e Palestina num imbróglio literalmente bíblico. Esqueçam todos os países que ali vivem do Petróleo e que morrerão dele. Esqueçam novamente da Líbia.

Nos EUA, bem, é melhor nem começar. Esqueçam logo tudo o que acontece e aconteceu ali e estendam o esquecimento aos vizinhos, inclusive o Caribe dos paraísos fiscais coniventes, inclusive Cuba com novo governo e a incrível promessa de (advinha?) manter o mesmo regime. Mais ao sul, esqueçam obviamente a Venezuela mas também todo o resto. Há muito que esquecer ali entre seqüestros e outros atos de terrorismo, corrupção, e descaso.

Esqueçam a Antártida e a Antártica que de tanto abuso e exploração do mundo, derretem de tanto chorar e ameaçam desaparecer: Não querem mais morar neste planeta.

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Diz a revista The Economist que o mundo está melhorando (acesso restrito), que os pobres já não são mais tão pobres assim e que os estados totalitários estão acabando. Se for mesmo o caso, tentem esquecer tudo o que falei aqui.

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PS1: A maioria dos links é de notícias ou opiniões publicadas em fevereiro em blogs ou sites de revistas e jornais brasileiros e internacionais que acompanho com mais frequência. Não há, claro, verdades absolutas, mas são todos assuntos recorrentes e atuais.

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PS2: Desculpem o texto um tanto fora de contexto aqui no Lá e de Volta. No próximo post falo de Tallinn, meu último destino na viagem que fiz à Europa em dezembro.

15jan/082

Do Brasil para o mundo

Estou em Sampa. Praticamente só venho aqui de passagem, quando há alguma conexão entre vôos para outros destinos. Desta vez, retorno à Índia, parando antes em Londres para uma visita rápida. Quando o destino final é São Paulo, entretanto, aproveito demais a cidade. Adoro este lugar e tenho bastantes histórias para contar aqui. Sei que um dia ainda acabo morando nela.

Voltando à visita aos ingleses, ela faz parte de um planejamento que começou a ser contado aqui no final de Novembro. Dos 9 destinos previstos, faltam agora só 2 a serem visitados: Londres e Bahrain. Entretanto, ainda preciso contar como foi a minha jornada por outros 4 por onde passei ano passado: República Tcheca, Polônia, Finlândia, e Estônia. Isto sem contar o Brasil que certamente merecerá um post a parte.

Tudo isto, claro, acontecerá com o tempo. Primeiro, já que o blog completou 6 meses no último dia 1 de janeiro, vou me concentrar numa retrospectiva. Até para pôr a casa em ordem depois de uns 20 dias sem dar as caras.

O blog começou por conta de programas de mestrados meu e de meu irmão no exterior. Eu fui para Índia e meu irmão para Dinamarca. De lá para cá, obviamente tivemos muitas histórias para contar. Do meu lado, lá da Índia, as histórias mais lidas foram uma sobre o hinduísmo, e outra onde resumo alguns episódios que aconteciam comigo à época, entre eles minhas fatídica ida a um hospital.

Do lado do meu irmão, a visita dele à Legoland foi disparada a história mais visitada não só dele mas de todo o blog. O parque de diversões que fica em Billund foi motivo de muitos comentários de pessoas querendo fazer a mesma visita. Quem sabe um dia? Além disto, vale destacar também o texto mais recente dele sobre a sua estada na Alemanha durante o Natal. Falta agora só um com a extensão que ele fez à Londres.

Da viagem que comecei em dezembro, já falei aqui da experiência incrível que foi visitar Delhi e o Taj Mahal em Agra. Daquele período na Índia, ainda preciso dar mais detalhes de como foi meu comparecimento a um casamento típico. Em seguida, também já contei como foi meu retorno à Alemanha depois de 4 meses.

A segunda metade de 2007 foi assim: Um período repleto de novas experiências tanto pra mim quanto para meu irmão, tenho certeza. 2008 também já começou no mesmo ritmo e ao que tudo indica permanecerá assim até o final... Haja história para registrar.

28out/076

“Causos” pelo mundo

Mais ou menos aos 11 anos fui assaltado pela primeira vez. Gananciosos, os dois ladrões estavam ávidos por levar tudo o que eu tinha de valioso: meu chinelo.

11 anos depois, em 2003, e na Rússia fui assaltado novamente. Passeava por um parque quando fui abordado por empurrões de dois truculentos vendedores de bugigangas. Os dois também levaram tudo o que eu tinha de valor: alguns trocados e um folheto da agência de viagens contendo precauções para turistas evitarem assaltos no país.

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Em maio do ano passado eu estava perdido no Centro de Montreal e precisei pedir ajuda. Ciente de que a cidade tinha origem francesa, decidi arriscar uma abordagem na língua daquele país:

- Com licença senhor, você fala Inglês?

A resposta foi curta e grossa: - Muito melhor do que o seu francês!

Não precisei perguntar duas vezes...

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Em abril deste ano decidi alugar um carro para desbravar terras uruguaias sozinho. Lá pela altura do povoado de Treinta y Tres (terra onde, diz a lenda, trinta e três valorosos combatentes uruguaios foram derrotados pelo covarde exército brasileiro enquanto dormiam) precisei abastecer.

No posto, li a palavra "gasoil" numa bomba e imediatamente, do alto de minha presunção, associei à gasolina. Acabei enchendo o tanque de um Fiat Uno com óleo diesel.

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Ontem de madrugada eu dormia feliz. Sonhava com a culinária capixaba quando fui acordado por um grito de terror aqui no alojamento. O sujeito gritou tão alto que deve ter acordado o bairro inteiro.

Já estava acostumado a gritarias e maluquices do gênero entre os indianos e a princípio ignorei o evento. Minutos depois fui acordado novamente com gargalhadas coletivas: O sujeito escandaloso teve um pesadelo com cobras e acordou assustado acreditando que elas estavam no seu quarto.