Lá e de Volta Conteúdo desconexo e aleatório…

1fev/10Off

O Sudoeste da França, começando por Toulouse

Toulouse fica no sudoeste da França. É sede da Airbus e portão de entrada para visitar os Pireneus. Está também à meia distância entre o Mediterrâneo e o Oceano Atlântico. Por seu tamanho, atrativos e localização, Toulouse é uma base excelente para quem planeja conhecer diferentes regiões do sudoeste da França. De lá, chega-se em aproximadamente 2 horas à Bordeaux, do lado atlântico, à Narbonne, do lado mediterrâneo, ou em diferentes cidades nas cordilheiras dos Pireneus ao sul ou do vale do Lot ao Norte. Sem contar que a cidade rosa de Toulouse, em si, é charmosa, diversa e com muita história para contar.

Mapa do Sudoeste da FrançaAlgumas das regiões de destaque no sudoeste da França. Toulouse está marcada com a letra M, ao centro.

Com traços de presença humana desde o século VIII a.C., a cidade viveu intensamente o período romano, e passou por diferentes reinados até o século XI d.C., pela influência Católica na idade média, pela monarquia francesa, até chegar à república. Após a revolução francesa, entretanto, a cidade perdeu sua força de influência na região, sendo “rebaixada” a capital do departamento de Haute-Garrone. Só no século XX ela começou a recuperar seu prestígio e riqueza, primeiro se tornando a capital da região de Midi-Pyrénées (da qual o departamento de Haute-Garrone é hoje uma das subdivisões) e, mais tarde, vencendo a disputa com Bordeaux para receber a sede da Airbus.

Após os massivos investimentos da indústria aeroespacial, a cidade enriqueceu. E suas universidades cresceram junto, fazendo de Toulouse uma das cidades mais jovens da França. A tradução da riqueza e juventude se vê no centro histórico impecavelmente bem conservado, na variedade de entretenimento disponível, e em sua infra-estrutura, um exemplo para outras cidades na França. Exemplos como o sistema de bicicletas públicas Vélo Toulouse são de dar inveja (mas podemos adotar a bicicleta no Brasil também). São 242 estações e milhares de bicicletas espalhadas pela cidade disponíveis para utilização gratuita por 30 min. É tempo mais do que suficiente para ir de uma estação a praticamente qualquer outra na cidade, utilizando bicicletas muito bem equipadas.

Um dos pontos para aluguel de bicicletaO Capitole

À esquerda, um dos pontos para retirada de bicicletas. Basta colocar seu cartão de crédito e escolher o número da magrela desejada. À direita, a fachada frontal do Capitole.

Passear por Toulouse de bicicleta é ótimo. Vale a pena conhecer a cidade assim se estiver com pouco tempo. Em apenas um dia dá para visitar os principais pontos e ainda curtir a noite em agitados bares. A primeira parada na cidade deve ser na praça do Capitole. O Capitole é a sede do governo municipal desde o século XVI e destaca na fachada o rosado característico de toda cidade. O prédio hoje ainda abriga uma Cia. de Ópera e a Orquestra Sinfônica de Toulouse.

De lá, qualquer ruela escolhida será um agradável passeio pela história da cidade. No caminho, placas descrevem o significado e contam a história de casas, fontes, estátuas e igrejas. Recomendo o trajeto do Capitole até a bela Basílica de St. Sernin. Em épocas mais quentes também vale o passeio pelas margens do rio Garonne. No inverno, opte por um dos bons museus da cidade. Eu gostei muito do museu da Fundação Bemberg, na mansão de Assézat. Já vale pela visita à mansão em si, mas ainda fui surpreendido pelo acervo renascentista em exibição.

No próximo post falo dos arredores da cidade e de algumas dicas para conhecer o restante da região. Enquanto isto, veja mais fotos de Toulouse no Álbum de Fotos:

Toulouse
Capitole
Capitole
Capitole
View of the Garonne River - Source: http://www.isae.fr/
View of the Garonne River - Source: http://www.isae.fr/
View of the Garonne River - Source: http://www.isae.fr/
Tram in the new line of Toulouse - Source: http://www.trams-in-france.net/
Tram in the new line of Toulouse - Source: http://www.trams-in-france.net/
Tram in the new line of Toulouse - Source: http://www.trams-in-france.net/
 


3abr/09Off

Álbum de Fotos de Paris

Acabei de criar um álbum de fotos de Paris. Os meus relatos sobre a cidade estão divididos em 3 partes: Les Mureaux, Paris, e Museu do Louvre.

31mar/09Off

Uma visita rápida ao Museu do Louvre

No dia seguinte, após ter percorrido diferentes partes de Paris, e antes de partir no fim da tarde, decidi visitar o Museu do Louvre (site oficial [en]), nem que fosse por poucas horas. É possível, inclusive, deixar suas malas no museu sem pagar nada por isto, o que facilita muito a visita antes de um vôo. O Louvre acabou sendo para mim um dos mais impressionantes museus que já visitei; Comparado apenas ao Museu Hermitage em São Petesburgo, Rússia, e ao National Mall (em Português, "Passeio Nacional") em Washington DC, um parque nacional com vários museus de acesso gratuito ao redor. Obviamente, com o pouco tempo que tive, apenas percorri os imensos corredores e salões (eles próprios verdadeiras obras de arte), parando aqui e ali entre um item interessante e outro.

Vista lateral do LouvreA pirâmide metálica da entrada do museu

Dentre os grandes destaques do museu (Mona Lisa, Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, etc.) o que mais me impressionou naquele dia foi a estátua grega Vênus de Milo. Não sei exatamente o quê me atraiu nela. Há um certo misticismo em torno dos braços perdidos e do autor desconhecido. E chama a atenção também o sorriso apenas esboçado e o erotismo que alguns especialistas atribuem à representação de Afrodite, a deusa grega do amor e da beleza. Poucos ali no Louvre parecem se importar com tudo isto e apenas tiram inúmeras fotos para dizer que lá estiveram, correndo para encontrar o próximo o item no guia.

Vênus de MiloEsboço de sorriso?

Fotografando a Vênus de MiloFotografando a Vênus de Milo

Sobre a Mona Lisa, acho que a obra é muito sobrevalorizada. Ouvi uma história (que não pude comprovar) dizendo que Leonardo da Vinci, ao terminá-la, saiu às ruas dizendo que aquele era o seu melhor trabalho. Aquilo, supostamente, acabou por contribuir para que outros argumentos e o boca-a-boca a tornassem uma das obras mais conhecidas e referenciadas em todo mundo. Em todo caso, nem é possível admirá-la tanto devido à enorme quantidade de pessoas e à proteção que a coloca muito distante dos olhares curiosos. Gosto muito mais da pintura Ginevra de' Benci [en], único trabalho de da Vinci atualmente nas Américas.

Naquele enorme salão foi muito mais significante para mim a gigantesca pintura oposta à Mona Lisa: O Casamento em Caná [en], de Veronese, 1563.  A pintura mostra a cerimônia de casamento onde Jesus, segundo o Novo Testamento, realizou o milagre de transformar água em vinho. Muitas pessoas estão pintadas ali e aparecem por todos os lados bebendo e festejando; Jesus está no meio, sentado à mesa. O curioso é que dado o tamanho da pintura, as pessoas possuem quase tamanho real. A multidão no salão onde a pintura se encontra então parece ser saída do quadro, representando uma continuação em três dimensões do mesmo.

Pintura oposta à Mona Lisa no Louvre

Saí do Louvre e deixei Paris muito satisfeito e com o desejo enorme de voltar inúmeras outras vezes. Ainda na França, no dia anterior, havia visitado a bela Versalhes e, obviamente, seu palácio. Mas esta história fica para o próximo post.

26mar/09Off

Paris, um dos maiores centros culturais do mundo

Em dezembro último, ao reencontrar um amigo em Les Mureaux, um subúrbio parisiense, tirei um dia para visitar o centro da cidade com ele, claro. Não perderia a oportunidade de conhecer Paris. Passeamos pelos principais pontos turísticos, mas sem tempo de parar para apreciá-los: O passeio foi o suficiente para uma excelente primeira impressão.

Começamos pela Boulevard de Clichy [link em francês], rua onde fica o Moulin Rouge [en], no famoso bairro Montmartre. Ali do lado estava a rue Lepic, por onde subimos a colina Montmartre (que dá nome ao bairro) em direção ao Moulin de la Galette [en]. O local ainda preserva um moinho construído em 1622, depois transformado em “guinguette” [en] (uma mistura de bar, restaurante e espaço para apresentação de danças) em 1822, e que hoje abriga um belo restaurante [en], onde se come muito bem (entrada + prato principal + sobremesa) por EUR 50. Em toda sua história, o local deve ter sido muito bem frequentado já que foi referência para Renoir [en], Henri de Toulouse-Lautrec, van Gogh, Picasso, dentre outros pintores.

Moulin de la Galette

Moulin de la Galette por van GoghMoulin de la Galette por Renoir
Moulin de la Galette ao lado de um prédio recente e as pinturas, da esquerda para direita, de van Gogh e Renoir. Fonte das imagens das obras de arte: Wikipédia [1] [2]

De lá, passamos pela estátua do “Homem que Podia Atravessar Paredes”, uma homenagem ao autor francês Marcel Aymé e seu famoso conto “Le Passe-Muraille”. Não conhecia o trabalho do autor mas adorei o conto, disponível na Internet no original [fr] e traduzido para o inglês [en]. A história se passa em Montmartre, onde morava o personagem principal, numa rua bem próxima onde está localizada a estátua, aliás. Este personagem, um homem de 42 anos, por acaso descobre a habilidade inusitada de simplesmente atravessar paredes. Durante algum tempo a tal habilidade é ignorada até que uma sequência de eventos no seu trabalho força-o a utilizar a descoberta para fins um tanto sinistros... Recomendo a leitura!

A estátua foi uma descoberta acidental no nosso caminho para a Place Du Tertre [en] e para a Basílica do Sagrado Coração, no ponto mais alto da cidade. A Place Du Tertre é uma praça de artistas. Pequena mas vibrante, o local dá uma palhinha ao vivo do que representa aquela região em termos de produção artística. Artistas de todos os tipos, utilizando diferentes técnicas, expõem seus trabalhos e trabalham ali mesmo, num verdadeiro atelier público ao ar livre.

Le Passe-MurailleLe Passe-Muraille - Placa

Basílica do Sagrado Coração

Place Du TertreVista de Paris

Fotos da região de Montmartre

E no ponto mais alto de Paris fica a belíssima e imponente Basílica do Sagrado Coração. Apesar de sua história controversa, marcada por guerras, revoltas, e protestos ocorridos antes, durante, e depois de sua construção, a basílica além de bela, ainda permite uma vista única de toda cidade. Dá para ver quase tudo, basta direcionar o olhar.

Montmartre (veja também o site da associação de artistas da região [en]), pelo visto, foi um dos maiores centros culturais do século XIX e do começo do século XX: Um caldeirão envolto em liberdades (e libertinagens) que a Paris da época não permitia. Uma pena eu não ter tido tempo para visitar o Musée de Montmartre [en] (site oficial em francês), na casa onde em diferentes épocas moraram artistas proeminentes como van Gogh e Renoir, e que conta a história da região.

Com pouco tempo sobrando no dia, restou-nos percorrer ainda mais rapidamente outros pontos da cidade. Entre uma e outra estação de metrô, passamos primeiro pela Galeries Lafayette, uma loja de departamentos famosa em Paris, especialmente lotada e bem decorada poucos dias antes do Natal. Depois, entramos no Centro Georges Pompidou onde fica o Museu Nacional de Arte Moderna. Não deu para visitá-lo, claro, o que foi uma pena. Mas só a sua arquitetura moderna, a entrada e a excelente boutique do museu valeram a curta ida. Já era final de tarde quando saímos de lá e paramos para um café ali perto mesmo, com a vista contrastante daquele prédio em estruturas metálicas arrojadas em meio a uma Paris de construções um bocado mais antigas.

E antes do sol se pôr por completo ainda caminhamos um pouco pela região. Fomos até o Jardin du Forum de Halles onde fica a Igreja Saint-Eustache [en], construída entre 1532 e 1632. No local, um Louis XIV ainda jovem foi batizado no século XVII. Pelo caminho até lá, pequenos parques, jardins, e lojas de todos os tipos e com incrível criatividade na decoração e nos produtos deixavam Paris ainda mais bela e artística. Não há como não se encantar com a cidade.

Terminamos a noite numa Champs-Élysées também toda decorada para o Natal. Não deu para subir no Arco do Triunfo mas o apreciamos de longe, no meio da multidão e do congestionamento naquela hora da noite. Por volta das 20 horas tivemos que partir sem olhar para trás, correndo para pegar o último trem para Les Mureaux. Jantamos na casa do meu amigo uma bela salada acompanhada de fígado de pato.

PompidouPompidou

Igreja Saint-EustacheGaleries Lafayette

Champs-Élysées

Fotos do detalhe da escada externa do Pompidou, de sua vista central, da Igreja Saint-Eustache, da Galeries Lafayette, e da Champs-Élysées à noite com o Arco do Triunfo ao fundo. Fontes das fotos de outros autores nos links.

(Próximo post: Uma visita rápida ao Museu do Louvre)

15mar/08Off

Quando voltei da Europa em dezembro

Quando voltei da Europa em dezembro, fiquei 30 dias no Brasil antes de retornar à Índia e não saí da região frequentemente intitulada “Grande Vitória e Guarapari”. Vitória, a capital do Espírito Santo, é minha terra natal. Nasci na vizinha Vila Velha mas lá praticamente só vi a maternidade. Meus primeiros 13 anos de vida aconteceram em Vitória, com exceções apenas em viagens esporádicas aqui e ali, durante as férias escolares.

Para uma introdução rápida desta ilha fundada em 1551, recomendo a Wikipédia e o site de turismo da Prefeitura. Para se aprofundar, o acervo da Biblioteca da Universidade Federal do Espírito Santo é um prato cheio e permite pesquisa online. Recomendo temas relacionados aos diversos colégios centenários estabelecidos por lá e, vinculado a isto, à formação do Centro da cidade e sua classe alta; às histórias por trás da estrada de ferro Vitória-Minas; à tradição das paneleiras; à culinária famosa pela moqueca e pela torta capixaba; e à economia da região, fortalecida pelo setor metal-mecânico e recentemente pela descoberta de petróleo em sua costa.

Como não só de livros vive o ser humano, há diversas opções de lazer e conhecimento acontecendo na cidade. Novamente, o site da Prefeitura é um bom ponto partida. Imperdível também são os eventos realizados pelo Centro Cultural Majestic. O local atualmente recebe o Café Literário, evento nacional do SESC com o objetivo de “oferecer um ambiente de diálogo entre o público e aqueles que produzem literatura, ou que possuam atividades diretamente ligadas a ela, como estudantes, professores, jornalistas, críticos ou editores”.

Antes, o Majestic organizou a série “História Viva” com a proposta de resgatar a história do Centro de Vitória sob diversas óticas. O projeto foi composto por mesas redondas formadas por especialistas no tema em pauta, incluindo economia e cultura; música e poesia; manifestações políticas; e educação. Todas as quatro mesas redondas foram gravadas e chegaram a ser transmitidas pela TV Educativa do Espírito Santo. Torço agora para que virem DVD e sejam colocadas à venda para o público em geral.

Há ainda que mencionar o passeio de caravela pela Baía de Vitória. Uma réplica de uma típica embarcação portuguesa do período colonial revisita a história da colonização na região enquanto percorre importantes pontos turísticos da cidade.

Outro aspecto positivo da cidade são as mais variadas opções de restaurantes de qualidade espalhados por quase todos os bairros, para todos os gostos e bolsos. O estado (e consequentemente Vitória) também faz parte do evento Brasil Sabor que este ano acontece entre 9 de abril e 11 de maio. E há ainda o evento Sabor ES que ano passado ocorreu no final de novembro e reuniu os principais chefs do estado sem contar convidados de todo país.

Finalmente, os turistas (moradores ou não) não podem deixar de visitar as principais atrações da cidade, dentre as quais recomendo: A Catedral Metropolitana e demais prédios históricos do Centro (afinal, Vitória é a terceira capital mais antiga do país), a Ilha das Caieiras, o recém-inaugurado Hortomercado, o Parque da Fonte Grande, o Museu Solar Monjardim e o Museu de Artes do Espírito Santo.

Não vou falar dos municípios vizinhos que compõem a região metropolitana e do famoso balneário de Guarapari. Estas regiões sozinhas mereceriam posts como este exclusivo para elas. Limito-me a destacar, em Vila Velha, o Convento da Penha (construído sobre um rochedo a 154 metros de altitude em 1558), o Museu Ferroviário, a Igreja Nossa Senhora do Rosário (quarta mais antiga do país), e o Museu Homero Massena; a bucólica região de Manguinhos na Serra; e todas as belas praias de Guarapari e de seu município vizinho, Anchieta.

Falar de terras capixabas dois meses depois de deixá-la faz aumentar bastante a saudade. Foi muito bom ter descansado por lá ao lado das pessoas mais queridas para mim e que amo tanto, e ter também revisitado muitos destes lugares que fazem parte da minha história.

2mar/08Off

Alguém aí já ouviu falar de Tallinn?

Tallinn é a capital da Estônia, localizada no sul do Golfo da Finlândia. De Helsinque, onde eu estava, o trajeto de barco durou apenas 2 horas. Para quem nunca ouviu falar do país e sua capital, eu explico um pouco. Mais detalhes, claro, na sempre prestativa Wikipédia que inclusive tem um artigo em português que está em destaque.

A Estônia faz parte dos países bálticos que incluem também a Letônia e a Lituânia. Os três recebem esta denominação por compartilharem uma geografia similar, banhados pelo Mar Báltico, mas também pelo contexto histórico recente: Todos se tornaram independentes da União Soviética em 1920, foram anexados a ela novamente após a Segunda Guerra Mundial (inclusive com aprovação do Reino Unido e dos Estados Unidos) e só se tornaram independentes novamente em 1991, após a queda do regime comunista. Talvez pelo fato de terem uma economia tão fechada durante décadas, a Estônia só passou a fazer parte da União Européia em 2004 e até Dezembro do ano passado ainda fazia o controle alfandegário em suas fronteiras. Eu devo ter recebido um dos últimos carimbos aplicados em passaportes na entrada e saída do país.

Naquele dia 15 de Dezembro de 2007, chegamos cedo eu e mais dois amigos finlandeses. O local, a primeira vista, parece que está chegando do passado agora com construções modernas de grandes multinacionais brotando aqui e ali em meio a uma cidade que certamente ficou parada no tempo por pelo menos 50 anos. Em conversas com meus amigos, também percebo que existe certo preconceito dos finlandeses com os estonianos apesar das semelhanças entre os povos. Estonianos e Finlandeses compartilham o mesmo grupo lingüístico e o primeiro ainda foi fortemente influenciado pelo segundo durante todo o regime comunista. Tallinn, devido a sua proximidade à Helsinque, recebia até os sinais de TV e rádio do país vizinho (ilegalmente, claro), o que garantia um dos poucos contatos com o ocidente na região. Além disto, o país tem atualmente a Finlândia como principal parceiro econômico. Mesmo assim, os gracejos com o “sotaque” estoniano e com os sinais de pobreza que ainda aparecem aqui e ali são comuns.

A Estônia também está se tornando uma potência no setor de Tecnologia da Informação. O país realiza inclusive eleições pela Internet e é considerado o mais conectado à Internet da Europa. Este resultado faz parte de um projeto político com foco em investimentos em educação que começou logo após a independência do país e não parou mais. Para os interessados, recomendo o site oficial do Projeto Tiigrihüpe.

Logo após nossa chegada, fomos direto ao Centro Histórico, construído entre os séculos XV e XVII. Portões e muros, casas, igrejas, bares, lojas, e praças preservam todo o estilo da época. É como andar numa Ouro Preto medieval e bem mais fria. A influência russa também está lá em condomínios sem graça e colados uns aos outros, e na Catedral Alexander Nevsky.

Em seguida fomos ao KUMU, o Museu Nacional de Arte da Estônia. O prédio, moderno e belíssimo, foi projetado pelo arquiteto finlandês Pekka Vapaavuori (eu estava com amigos finlandeses, o que esperava que eu fosse ouvir?) e inaugurado em 2006. Lá dentro, mais inovação e modernidade no leiaute das galerias, na interação com TVs de plasma, e na impecável manutenção dos espaços. Tudo à altura de obras que me surpreenderam por se tratarem principalmente de artistas estonianos que nunca ouvi falar (tá vendo o preconceito?). As que mais me impressionaram mostravam a dura realidade da guerra e do regime comunista. Sobre isto, uma curiosidade triste é que a grande maioria dos artistas morreu durante ou na pós-Segunda Guerra; Certamente eram mais visados que os demais cidadãos por conta dos protestos contundentes em suas obras.

Para terminar o dia, voltamos ao Centro Histórico para jantarmos num restaurante de tema medieval. O Olde Hansa é fantástico em todos os detalhes. Toda a decoração remete a uma taverna na penumbra da luz de velas, com mesas e cadeiras de madeira, jarros e copos em cerâmica, e garçons vestidos a caráter. E, claro, as comidas e bebidas também eram de outrora: uma cerveja de mel acompanhava nossas carnes de urso e javali (que caçamos poucas horas antes com nossos arcos e flechas), patês diversos, salmão defumado e pães variados. Eu comi tanto que chego a ficar sem fome só de pensar.

Voltei à Helsinque mais do que satisfeito com a visita que queria fazer desde 2002. E finalmente a viagem parecia ter chegado ao fim. Mal eu sabia que o retorno ao Brasil seria uma aventura e tanto no aeroporto de Frankfurt...

Fotos: