Lá e de Volta Sobre tecnologia e sociedade

26mar/092

Paris, um dos maiores centros culturais do mundo

Em dezembro último, ao reencontrar um amigo em Les Mureaux, um subúrbio parisiense, tirei um dia para visitar o centro da cidade com ele, claro. Não perderia a oportunidade de conhecer Paris. Passeamos pelos principais pontos turísticos, mas sem tempo de parar para apreciá-los: O passeio foi o suficiente para uma excelente primeira impressão.

Começamos pela Boulevard de Clichy [link em francês], rua onde fica o Moulin Rouge [en], no famoso bairro Montmartre. Ali do lado estava a rue Lepic, por onde subimos a colina Montmartre (que dá nome ao bairro) em direção ao Moulin de la Galette [en]. O local ainda preserva um moinho construído em 1622, depois transformado em “guinguette” [en] (uma mistura de bar, restaurante e espaço para apresentação de danças) em 1822, e que hoje abriga um belo restaurante [en], onde se come muito bem (entrada + prato principal + sobremesa) por EUR 50. Em toda sua história, o local deve ter sido muito bem frequentado já que foi referência para Renoir [en], Henri de Toulouse-Lautrec, van Gogh, Picasso, dentre outros pintores.

Moulin de la Galette

Moulin de la Galette por van GoghMoulin de la Galette por Renoir
Moulin de la Galette ao lado de um prédio recente e as pinturas, da esquerda para direita, de van Gogh e Renoir. Fonte das imagens das obras de arte: Wikipédia [1] [2]

De lá, passamos pela estátua do “Homem que Podia Atravessar Paredes”, uma homenagem ao autor francês Marcel Aymé e seu famoso conto “Le Passe-Muraille”. Não conhecia o trabalho do autor mas adorei o conto, disponível na Internet no original [fr] e traduzido para o inglês [en]. A história se passa em Montmartre, onde morava o personagem principal, numa rua bem próxima onde está localizada a estátua, aliás. Este personagem, um homem de 42 anos, por acaso descobre a habilidade inusitada de simplesmente atravessar paredes. Durante algum tempo a tal habilidade é ignorada até que uma sequência de eventos no seu trabalho força-o a utilizar a descoberta para fins um tanto sinistros... Recomendo a leitura!

A estátua foi uma descoberta acidental no nosso caminho para a Place Du Tertre [en] e para a Basílica do Sagrado Coração, no ponto mais alto da cidade. A Place Du Tertre é uma praça de artistas. Pequena mas vibrante, o local dá uma palhinha ao vivo do que representa aquela região em termos de produção artística. Artistas de todos os tipos, utilizando diferentes técnicas, expõem seus trabalhos e trabalham ali mesmo, num verdadeiro atelier público ao ar livre.

Le Passe-MurailleLe Passe-Muraille - Placa

Basílica do Sagrado Coração

Place Du TertreVista de Paris

Fotos da região de Montmartre

E no ponto mais alto de Paris fica a belíssima e imponente Basílica do Sagrado Coração. Apesar de sua história controversa, marcada por guerras, revoltas, e protestos ocorridos antes, durante, e depois de sua construção, a basílica além de bela, ainda permite uma vista única de toda cidade. Dá para ver quase tudo, basta direcionar o olhar.

Montmartre (veja também o site da associação de artistas da região [en]), pelo visto, foi um dos maiores centros culturais do século XIX e do começo do século XX: Um caldeirão envolto em liberdades (e libertinagens) que a Paris da época não permitia. Uma pena eu não ter tido tempo para visitar o Musée de Montmartre [en] (site oficial em francês), na casa onde em diferentes épocas moraram artistas proeminentes como van Gogh e Renoir, e que conta a história da região.

Com pouco tempo sobrando no dia, restou-nos percorrer ainda mais rapidamente outros pontos da cidade. Entre uma e outra estação de metrô, passamos primeiro pela Galeries Lafayette, uma loja de departamentos famosa em Paris, especialmente lotada e bem decorada poucos dias antes do Natal. Depois, entramos no Centro Georges Pompidou onde fica o Museu Nacional de Arte Moderna. Não deu para visitá-lo, claro, o que foi uma pena. Mas só a sua arquitetura moderna, a entrada e a excelente boutique do museu valeram a curta ida. Já era final de tarde quando saímos de lá e paramos para um café ali perto mesmo, com a vista contrastante daquele prédio em estruturas metálicas arrojadas em meio a uma Paris de construções um bocado mais antigas.

E antes do sol se pôr por completo ainda caminhamos um pouco pela região. Fomos até o Jardin du Forum de Halles onde fica a Igreja Saint-Eustache [en], construída entre 1532 e 1632. No local, um Louis XIV ainda jovem foi batizado no século XVII. Pelo caminho até lá, pequenos parques, jardins, e lojas de todos os tipos e com incrível criatividade na decoração e nos produtos deixavam Paris ainda mais bela e artística. Não há como não se encantar com a cidade.

Terminamos a noite numa Champs-Élysées também toda decorada para o Natal. Não deu para subir no Arco do Triunfo mas o apreciamos de longe, no meio da multidão e do congestionamento naquela hora da noite. Por volta das 20 horas tivemos que partir sem olhar para trás, correndo para pegar o último trem para Les Mureaux. Jantamos na casa do meu amigo uma bela salada acompanhada de fígado de pato.

PompidouPompidou

Igreja Saint-EustacheGaleries Lafayette

Champs-Élysées

Fotos do detalhe da escada externa do Pompidou, de sua vista central, da Igreja Saint-Eustache, da Galeries Lafayette, e da Champs-Élysées à noite com o Arco do Triunfo ao fundo. Fontes das fotos de outros autores nos links.

(Próximo post: Uma visita rápida ao Museu do Louvre)

24fev/084

Helsingissä

Estava em Helsinque em Dezembro. Este era meu penúltimo destino antes de retornar ao Brasil. O último era Tallinn na Estônia, do outro lado do Golfo da Finlândia, a 2 horas de barco. Aliás, o trajeto de barco é altamente recomendado. E quem vai visitar Estocolmo (capital Sueca) com um pouco mais de tempo, também pode pernoitar num cruzeiro até Helsinque ou vice-versa. Recomendo as empresas Viking Line e Silja Line, o passeio vale a pena e a passagem custa uns R$ 90,00 (a mais básica, claro).

Pois bem, em Helsinque, desta vez acabei não aproveitando muito. Apesar do bom tempo, o frio estava de doer os ossos: O termômetro registrava -8 ºC pela manhã. O resultado é que visitei apenas os principais pontos turísticos da cidade para relembrar os velhos tempos.

Dentre as paradas obrigatórias estavam a Estação Central construída em 1860 e a Catedral de Helsinque, um dos cartões postais da cidade. Também não dava para deixar de visitar a Praça do Mercado, especialmente na época de Natal. O local estava repleto de comidas típicas e artesanato natalino. Só faltou mesmo a neve...

Catedral de Helsinque; Frio de doer
Catedral de Helsinque num frio de doer

Com o frio insuportável, me restou mesmo procurar um canto para esquentar o corpo antes de retornar à Espoo, onde estava hospedado. Tentei a Stockmann, loja de departamentos preferida da minha mãe, mas o local estava insuportavelmente cheio. Lembrei então da maior livraria que já visitei até hoje e que estava logo ali ao lado. O local tem cinco andares e livros para todos os gostos e em todas as línguas. Vai aí um livro de poesias em finlandês? Hmmm, talvez você prefira cânticos de ninar em russo? Ou que tal um Paulo Coelho em umas sete diferentes línguas? Tá, o Paulo Coelho não conta, até em camelôs aqui em Bangalore encontro os livros dele à venda.

Lá achei logo um local para tomar um bom chocolate quente enquanto tentava relembrar algumas palavras básicas no Helsingin Sanomat, o Jornal de Helsinque que possui uma versão internacional on-line em inglês. Na saída, contemplei por um instante aquela que talvez seja a avenida mais movimentada da cidade. Sabe-se lá quando voltarei ali novamente.

8jan/085

Adeus 2007…

Ei meu povo!!!

“Eh saudade que bate no meu coração!” Já diria Jammil e uma Noites. Fim de ano foi tempo de refletir bastante sobre 2007 e perceber o quanto aprendi nesse ano. Muitas dificuldades, bons momentos e especialmente aprender a valorizar ainda mais as pequenas coisas.

Natal em Berlin na casa do Fabian, amigo meu aqui do Luna. Cheguei lá dia 21.12 e saí dia 28.12 quando fui pra Londres. Berlim é uma cidade interessante. Uma cidade grande sem dúvida mas bem diferente das cidades brasileiras assim como todas as cidades em que estive aqui na Europa. Os prédios não são tão altos e a cidade de uma forma geral não parece ser tão fechada e escura – se bem que o inverno europeu não é a tradução de dias belos e céu azul.

Sem dúvida a 2ª Guerra transformou a cidade que foi bastante destruída e o fato de a Alemanha ter sido berço do Nazismo deixou marcas profundas. Berlim faz questão de lembrar o fato pelo simples de fato de que “Aconteceu. E portanto pode acontecer denovo” (Primo Levi).

Lá visitei o Museu dos Judeus Assassinados na Europa onde eles mantém a lembrança sobre o horror do holocausto. Salas com histórias e depoimentos de pessoas assinadas nos campos de concentração impressionam e te fazem refletir bastante. Outro lugar que visitei foi o Muro de Berlim que ainda está parcialmente de pé e a cidade faz questão de mostrar onde o resto dele esteve, marcando no chão o seu trajeto. Nas fotos vocês vão ver um pouco disso.

Mas nem só de guerra e lembrança vive Berlim. A cidade restaurou todos os seus monumentos e oferece muitas opções de teatro, shows, museus e, claro, rock. Infelizmente não tive oportunidade de ir pro rock lá pq a garganta num colaborou muito com minha intenção e acho que o Fabian também não estava muito afim. Então essa parte fico devendo para a próxima visita.

Estive no Brandenburg Tor, o Portão de Brandenburgo, que era um dos 12 portões onde era controlada a entrada e a cobrança de impostos em Berlim no passado. O monumento é bonito demais e era um dos lugares na Alemanha que eu queria muito visitar desde que comecei a estudar alemão em 2003. Não me perguntei porquê, mas foi muito bom finalmente estar lá de verdade. E fui premiado com um belo dia de sol azul – e frio até dizer chega!

Dia 26 fomos a Dresden, uma cidade há 2 horas de Berlim que tem um centro histórico belíssimo. Castelos, óperas, áreas públicas construídas pelos saxões que impressionam. Aqui as fotos (e o vídeo abaixo) dizem muito mais do que minhas palavras.

No último dia fomos ao estádio Olímpico de Berlim, onde foi a final da Copa do Mundo de 2006 (cheguei atrasado para a fatídica cena do Zidane se aposentando) e na Fernseher Turm (Torre de Televisão), onde tem um restaurante no topo que roda. Confesso que se eu me concentrasse um poquinho acho que eu ficava tonto. Mas ainda bem que a companhia era boa.

Conto sobre Londres depois. No mais, projeto entregue, só preparar a para a apresentação dia 22.01. Até a próxima!

Beijos, abraços e saudade!

PS: Alguém tem o telefone de Durvalino meu Rei? Ôh saudade de Micareta!!!