Lá e de Volta Sobre tecnologia e sociedade

19out/081

Um pôr-do-sol aos domingos

Agora, todos os domingos, um diferente pôr-do-sol em algum lugar do mundo...

Ruka

Kuusamo, Finlândia. Um dos principais centros para prática de esportes de inverno no país. Na foto, chalés que abrigam os turistas.

16fev/081

A Chegada em Helsinque

Precisei recontar minha experiência na Finlândia em 2002 para que vocês pudessem entender o contexto do meu retorno àquele país em Dezembro de 2007:

- “Tervetuloa!” – Escutei ao entrar no avião. Como era bom ouvir a língua finlandesa novamente!

A viagem de Varsóvia à Helsinque ocorreu sem contratempos. Cheguei por volta das 3 da tarde e já anoitecia; A temperatura cravava 0 grau no visor do carro. Finalmente esfriara o suficiente para que eu pudesse acreditar que veria neve novamente, nem que fosse pelo menos algum sinal.

Do aeroporto, em Vantaa, região metropolitana de Helsinque, parti direto para Espoo, na casa de meus amigos onde me hospedei. É claro que fui recebido de braços abertos e me senti em casa. Como era bom rever aquele povo tão querido e pelo qual guardo profunda admiração, respeito, e carinho.

Neste mesmo dia, caminhamos pelos arredores de onde estava hospedado enquanto botávamos os assuntos em dia. 5 anos foram suficientes para acumular bastante coisa. Na região pouca coisa mudou: Espoo continuava bela, mesmo no inverno de árvores desfolhadas e dias mais curtos. Entre meus amigos, algumas novidades que vêm com o amadurecimento: Casamento, filhos, melhores empregos, casa própria, essas coisas... Mas não necessariamente nesta ordem.

Acabou que não rolou turismo neste dia. E nem fiz questão mesmo. Estava ali muito mais pelo reencontro do que qualquer outra coisa. Após um saboroso jantar num restaurante local (carne de rena, minha favorita!), nos direcionamos para uma apresentação da Orquestra Senegalesa Baobad, música africana de primeira (com ligeira semelhança aos cubanos do Buena Vista Social Club), num ritmo multicultural que fez até os finlandeses dançarem. Terminamos a noite aos papos num pub. Noite inesquecível!

No próximo post conto os detalhes do passeio pelo Centro de Helsinque e se a neve veio ou não afinal.

Nähdän!

8fev/085

Nove meses na Finlândia em 2002

A Finlândia foi o primeiro país que visitei na Europa. Foi também o primeiro lugar onde morei no exterior. Antes, aliás, eu mal conhecia o sudeste do Brasil. Foi só no dia 1 de setembro de 2002, quando pisei em Helsinque, que isto começou a mudar. Graças àquela experiência compreendi o inestimável valor de explorar novos destinos, tudo o que ele oferece, e tudo o que é conseqüência da aventura.

Também naquela época comecei a registrar minhas peripécias. Relatos pessoais do que vinha à cabeça e de como eu lidava com tanta novidade. Naquele final de verão, fiquei apenas um dia na capital finlandesa antes de embarcar para Oulu, no extremo norte, quase acima do Círculo Polar Ártico. Foi quando escrevi, em tom quase infantil, estapafúrdio:

“A cidade [Helsinque] é linda, muito bem estruturada e cheia de árvores. Nas partes em que andei, no centro, pude perceber que as construções são parecidas e o povo é bem prestativo. Conheci os amigos de minha mãe e seu companheiro e eles foram super atenciosos. Foram no aeroporto me buscar, me convidaram para almoçar, fizeram um tour pela cidade comigo e me mostraram os monumentos históricos, os navios, o mercado, a prefeitura e o palácio da presidente (sim, uma mulher é a presidenta da Finlândia).

Como fiquei só 1 dia em Helsinki não posso falar muito mais, mas a primeira impressão foi muito boa.”

Dois dias depois, já estabelecido em Oulu, o tom do relato foi similar:

“A cidade é um pouco parecida com a de Helsinki mas o bem menor (115.000 habitantes enquanto Helsinki tem mais 500.000). A universidade fica a 5 km do centro e é bem grande.

Meu apartamento fica de frente para ela, a uma distância de uns 300m. Atrás, a uma distância também de uns 300m, existem lojas, uma vídeo locadora e um supermercado.

Tenho uma cama, um armário, uma mesa grande, um criado-mudo e duas cadeiras. O quarto deve ter uns 9m² e o apartamento todo uns 22m². Este tamanho todo porque tem outro quarto do lado do meu onde outro estudante está hospedado. A cozinha e o banheiro são comuns a nós dois.

Já estou aqui há 2 dias e as coisas estão caminhando bem apesar da dificuldade da língua. Apesar do curso ser em inglês (ainda não assisti nenhuma aula para comentar o curso) poucas pessoas o falam por aqui. Até na universidade tudo está escrito em Finlandês. Isto está sendo a grande dificuldade mas já estou conseguindo me virar. Acho que a medida que o tempo vai pansando vou melhorando minha fluência no inglês e também vou aprendendo algumas palavras em Finlandês.

Outro fator de dificuldade é o frio mas este vai ser mais fácil. É impressionante (pelo menos para mim está sendo) mas lá fora a temperatura fica em torno de 15ºC (parece não estar frio mas venta muito por aqui) enquanto dentro do meu quarto é de 25ºC, sem ligar o aquecedor. Ou seja, o frio só existe do lado de fora e como só vou sair para comprar coisas e ir a Universidade, vai ser mole!!”

Notem que preservo os textos originais da época, inclusive os erros de português. Os erros, de fato, não importavam muito desde que eu extravasasse as emoções que sentia. Incrível como a mais singela e pueril experiência faz toda a diferença quando vivenciada pela primeira vez, não? Parece que voltamos a ser crianças e que nada mais importa...

Só quatro meses depois, em pleno inverno, é que retornei à Helsinque. O frio era negativo, a paisagem branca, e a luz do dia durava três ou quatro horas. Somado a isto, a distância da família e dos amigos em pleno Natal tornava aquele momento um tanto depressivo. Depois de tanto tempo, afinal me dava conta que morar tão distante do Brasil não era tão mole assim como pensei nos primeiros dias.

“Dezembro e janeiro foram frio, escuro e entediante. Não por vontade própria mas pela falta de opções. É impressionante como o pessoal se desanima por aqui quando lá fora a temperatura fica abaixo dos –20 graus. Dá para ver na face o desânimo, a vontade de ficar em casa, de esperar o frio passar.”

O norte da Finlândia no inverno é pra lá de muito frio
O norte da Finlândia no inverno é pra lá de muito frio

Mais cinco meses e lá estava eu retornando pela terceira e última vez à capital pela qual me apaixonei. E Helsinque na primavera era radiante, principalmente tendo como vizinha a cidade de Espoo e suas imensas áreas arborizadas onde moravam grandes amigos que conheci nove meses antes.

Um parque em Helsinque, em pleno sol primaveril
Um parque em Helsinque em pleno dia primaveril

Foi difícil deixar a Finlândia e foi muito bom retornar ao Brasil. Não encontrava lógica para explicar aquele paradoxo, mas lembro-me como se fosse hoje do desembarque em Vitória: O dia estava ensolarado e ventava bastante. Propositalmente, eu fui o último a sair do avião. Lágrimas escorriam de felicidade num olho e de tristeza no outro. Caminhei lentamente enquanto tentava colocar aquele turbilhão de emoções em ordem. Naquele momento, não podia imaginar que cinco anos depois retornaria àquele país que um dia chamei de lar.

Mais algumas fotos de 2002 e 2003: