Tag: Restaurante


Paris, um dos maiores centros culturais do mundo

março 26th, 2009 — 9:45am

Em dezembro último, ao reencontrar um amigo em Les Mureaux, um subúrbio parisiense, tirei um dia para visitar o centro da cidade com ele, claro. Não perderia a oportunidade de conhecer Paris. Passeamos pelos principais pontos turísticos, mas sem tempo de parar para apreciá-los: O passeio foi o suficiente para uma excelente primeira impressão.

Começamos pela Boulevard de Clichy [link em francês], rua onde fica o Moulin Rouge [en], no famoso bairro Montmartre. Ali do lado estava a rue Lepic, por onde subimos a colina Montmartre (que dá nome ao bairro) em direção ao Moulin de la Galette [en]. O local ainda preserva um moinho construído em 1622, depois transformado em “guinguette” [en] (uma mistura de bar, restaurante e espaço para apresentação de danças) em 1822, e que hoje abriga um belo restaurante [en], onde se come muito bem (entrada + prato principal + sobremesa) por EUR 50. Em toda sua história, o local deve ter sido muito bem frequentado já que foi referência para Renoir [en], Henri de Toulouse-Lautrec, van Gogh, Picasso, dentre outros pintores.

Moulin de la Galette

Moulin de la Galette por van GoghMoulin de la Galette por Renoir
Moulin de la Galette ao lado de um prédio recente e as pinturas, da esquerda para direita, de van Gogh e Renoir. Fonte das imagens das obras de arte: Wikipédia [1] [2]

De lá, passamos pela estátua do “Homem que Podia Atravessar Paredes”, uma homenagem ao autor francês Marcel Aymé e seu famoso conto “Le Passe-Muraille”. Não conhecia o trabalho do autor mas adorei o conto, disponível na Internet no original [fr] e traduzido para o inglês [en]. A história se passa em Montmartre, onde morava o personagem principal, numa rua bem próxima onde está localizada a estátua, aliás. Este personagem, um homem de 42 anos, por acaso descobre a habilidade inusitada de simplesmente atravessar paredes. Durante algum tempo a tal habilidade é ignorada até que uma sequência de eventos no seu trabalho força-o a utilizar a descoberta para fins um tanto sinistros… Recomendo a leitura!

A estátua foi uma descoberta acidental no nosso caminho para a Place Du Tertre [en] e para a Basílica do Sagrado Coração, no ponto mais alto da cidade. A Place Du Tertre é uma praça de artistas. Pequena mas vibrante, o local dá uma palhinha ao vivo do que representa aquela região em termos de produção artística. Artistas de todos os tipos, utilizando diferentes técnicas, expõem seus trabalhos e trabalham ali mesmo, num verdadeiro atelier público ao ar livre.

Le Passe-MurailleLe Passe-Muraille - Placa

Basílica do Sagrado Coração

Place Du TertreVista de Paris

Fotos da região de Montmartre

E no ponto mais alto de Paris fica a belíssima e imponente Basílica do Sagrado Coração. Apesar de sua história controversa, marcada por guerras, revoltas, e protestos ocorridos antes, durante, e depois de sua construção, a basílica além de bela, ainda permite uma vista única de toda cidade. Dá para ver quase tudo, basta direcionar o olhar.

Montmartre (veja também o site da associação de artistas da região [en]), pelo visto, foi um dos maiores centros culturais do século XIX e do começo do século XX: Um caldeirão envolto em liberdades (e libertinagens) que a Paris da época não permitia. Uma pena eu não ter tido tempo para visitar o Musée de Montmartre [en] (site oficial em francês), na casa onde em diferentes épocas moraram artistas proeminentes como van Gogh e Renoir, e que conta a história da região.

Com pouco tempo sobrando no dia, restou-nos percorrer ainda mais rapidamente outros pontos da cidade. Entre uma e outra estação de metrô, passamos primeiro pela Galeries Lafayette, uma loja de departamentos famosa em Paris, especialmente lotada e bem decorada poucos dias antes do Natal. Depois, entramos no Centro Georges Pompidou onde fica o Museu Nacional de Arte Moderna. Não deu para visitá-lo, claro, o que foi uma pena. Mas só a sua arquitetura moderna, a entrada e a excelente boutique do museu valeram a curta ida. Já era final de tarde quando saímos de lá e paramos para um café ali perto mesmo, com a vista contrastante daquele prédio em estruturas metálicas arrojadas em meio a uma Paris de construções um bocado mais antigas.

E antes do sol se pôr por completo ainda caminhamos um pouco pela região. Fomos até o Jardin du Forum de Halles onde fica a Igreja Saint-Eustache [en], construída entre 1532 e 1632. No local, um Louis XIV ainda jovem foi batizado no século XVII. Pelo caminho até lá, pequenos parques, jardins, e lojas de todos os tipos e com incrível criatividade na decoração e nos produtos deixavam Paris ainda mais bela e artística. Não há como não se encantar com a cidade.

Terminamos a noite numa Champs-Élysées também toda decorada para o Natal. Não deu para subir no Arco do Triunfo mas o apreciamos de longe, no meio da multidão e do congestionamento naquela hora da noite. Por volta das 20 horas tivemos que partir sem olhar para trás, correndo para pegar o último trem para Les Mureaux. Jantamos na casa do meu amigo uma bela salada acompanhada de fígado de pato.

PompidouPompidou

Igreja Saint-EustacheGaleries Lafayette

Champs-Élysées

Fotos do detalhe da escada externa do Pompidou, de sua vista central, da Igreja Saint-Eustache, da Galeries Lafayette, e da Champs-Élysées à noite com o Arco do Triunfo ao fundo. Fontes das fotos de outros autores nos links.

(Próximo post: Uma visita rápida ao Museu do Louvre)

4 comments » | França

Alguém aí já ouviu falar de Tallinn?

março 2nd, 2008 — 11:19am

Tallinn é a capital da Estônia, localizada no sul do Golfo da Finlândia. De Helsinque, onde eu estava, o trajeto de barco durou apenas 2 horas. Para quem nunca ouviu falar do país e sua capital, eu explico um pouco. Mais detalhes, claro, na sempre prestativa Wikipédia que inclusive tem um artigo em português que está em destaque.

A Estônia faz parte dos países bálticos que incluem também a Letônia e a Lituânia. Os três recebem esta denominação por compartilharem uma geografia similar, banhados pelo Mar Báltico, mas também pelo contexto histórico recente: Todos se tornaram independentes da União Soviética em 1920, foram anexados a ela novamente após a Segunda Guerra Mundial (inclusive com aprovação do Reino Unido e dos Estados Unidos) e só se tornaram independentes novamente em 1991, após a queda do regime comunista. Talvez pelo fato de terem uma economia tão fechada durante décadas, a Estônia só passou a fazer parte da União Européia em 2004 e até Dezembro do ano passado ainda fazia o controle alfandegário em suas fronteiras. Eu devo ter recebido um dos últimos carimbos aplicados em passaportes na entrada e saída do país.

Naquele dia 15 de Dezembro de 2007, chegamos cedo eu e mais dois amigos finlandeses. O local, a primeira vista, parece que está chegando do passado agora com construções modernas de grandes multinacionais brotando aqui e ali em meio a uma cidade que certamente ficou parada no tempo por pelo menos 50 anos. Em conversas com meus amigos, também percebo que existe certo preconceito dos finlandeses com os estonianos apesar das semelhanças entre os povos. Estonianos e Finlandeses compartilham o mesmo grupo lingüístico e o primeiro ainda foi fortemente influenciado pelo segundo durante todo o regime comunista. Tallinn, devido a sua proximidade à Helsinque, recebia até os sinais de TV e rádio do país vizinho (ilegalmente, claro), o que garantia um dos poucos contatos com o ocidente na região. Além disto, o país tem atualmente a Finlândia como principal parceiro econômico. Mesmo assim, os gracejos com o “sotaque” estoniano e com os sinais de pobreza que ainda aparecem aqui e ali são comuns.

A Estônia também está se tornando uma potência no setor de Tecnologia da Informação. O país realiza inclusive eleições pela Internet e é considerado o mais conectado à Internet da Europa. Este resultado faz parte de um projeto político com foco em investimentos em educação que começou logo após a independência do país e não parou mais. Para os interessados, recomendo o site oficial do Projeto Tiigrihüpe.

Logo após nossa chegada, fomos direto ao Centro Histórico, construído entre os séculos XV e XVII. Portões e muros, casas, igrejas, bares, lojas, e praças preservam todo o estilo da época. É como andar numa Ouro Preto medieval e bem mais fria. A influência russa também está lá em condomínios sem graça e colados uns aos outros, e na Catedral Alexander Nevsky.

Em seguida fomos ao KUMU, o Museu Nacional de Arte da Estônia. O prédio, moderno e belíssimo, foi projetado pelo arquiteto finlandês Pekka Vapaavuori (eu estava com amigos finlandeses, o que esperava que eu fosse ouvir?) e inaugurado em 2006. Lá dentro, mais inovação e modernidade no leiaute das galerias, na interação com TVs de plasma, e na impecável manutenção dos espaços. Tudo à altura de obras que me surpreenderam por se tratarem principalmente de artistas estonianos que nunca ouvi falar (tá vendo o preconceito?). As que mais me impressionaram mostravam a dura realidade da guerra e do regime comunista. Sobre isto, uma curiosidade triste é que a grande maioria dos artistas morreu durante ou na pós-Segunda Guerra; Certamente eram mais visados que os demais cidadãos por conta dos protestos contundentes em suas obras.

Para terminar o dia, voltamos ao Centro Histórico para jantarmos num restaurante de tema medieval. O Olde Hansa é fantástico em todos os detalhes. Toda a decoração remete a uma taverna na penumbra da luz de velas, com mesas e cadeiras de madeira, jarros e copos em cerâmica, e garçons vestidos a caráter. E, claro, as comidas e bebidas também eram de outrora: uma cerveja de mel acompanhava nossas carnes de urso e javali (que caçamos poucas horas antes com nossos arcos e flechas), patês diversos, salmão defumado e pães variados. Eu comi tanto que chego a ficar sem fome só de pensar.

Voltei à Helsinque mais do que satisfeito com a visita que queria fazer desde 2002. E finalmente a viagem parecia ter chegado ao fim. Mal eu sabia que o retorno ao Brasil seria uma aventura e tanto no aeroporto de Frankfurt…

Fotos:

2 comments » | Estônia

Dia da Independência Indiano

agosto 16th, 2007 — 4:20am

Ontem, 15 de agosto, foi celebrado o 60º ano de independência da Índia. Até 1947 a Índia era uma colônia do Reino Unido que incluía também o Paquistão. Tradicionalmente, a data é comemorada com o hasteamento oficial da bandeira e um discurso do primeiro-ministro indiano. Não vou entrar em detalhes sobre a data aqui pois a Wikipédia já está repleto deles. Ao invés disto, registro nos próximos parágrafos as minhas impressões deste dia no centro da cidade de Bangalore.

É inegável o orgulho que este povo sente pelo país. Antes de mesmo de chegar à Índia já tinha esta impressão conversando com alguns indianos. É preciso inclusive cautela pois é comum seus cidadãos enaltecerem o país bem além da realidade.

Durante o dia da independência, este orgulho é externado principalmente através da bandeira: todos parecem querer exibi-la de alguma maneira, em algum lugar. Nos carros, nos postes, nas camisas, nos broches, nos bares e restaurantes… Para onde eu olhava, lá estava a bandeira ou as cores dela representadas.

E como é feriado nacional, o dia é excelente para um passeio em um dos diversos parques da cidade. É claro que não fui o único a ter esta idéia brilhante. E num país com mais de 1 bilhão de pessoas, a palavra multidão é facilmente percebida na prática: Estimativas apontam que mais de 200 mil pessoas estiveram ontem no Lalbagh, o jardim botânico que eu e um amigo resolvemos conhecer.

Gente! E mais gente nesta vista do Jardim Botânico Lalbagh

Apesar da multidão já esperada e a qual já estamos habituados (gente é o que não falta aqui, independente da data, hora ou local), o parque é extremamente agradável e bem cuidado embora falte educação nos hábitos locais – as pessoas simplesmente e naturalmente jogam o lixo no chão, não importa onde estejam.

Ele foi construído em 1760 por Hyder Ali, um governante real da época e tem uma área de 240 acres (971.245m2) onde estão presentes diversos jardins de plantas exóticas do mundo todo. Palco de eventos variados, o parque é um ponto de encontro típico de Bangalore. Ontem, em particular, era o último dia de uma feira/exposição de flores e uma réplica do Taj Mahal feita com rosas era a atração principal.

É tanta gente que é praticamente impossível aparecer na foto. Ao fundo, a réplica do Taj Mahal feita com rosas.

Já próximo do meio-dia, resolvemos procurar um local para almoçar. Fomos então conhecer a M.G. Road, famosa pelo comércio nos seus arredores. É impressionante o luxo que está nascendo ali. Lojas de grife disputam espaço com shoppings e restaurantes mas também com casas mais simples e com o trânsito sempre caótico.

Não foi difícil, portanto, achar um bom restaurante. Fomos ao 20 ft. High (que pode ser traduzido como 20 pés de altura), um restaurante construído numa plataforma de madeira a, obviamente, 20 pés de altura (6 metros), ao ar livre, em frente à entrada de um pequeno shopping. Nossa agradável surpresa, no entanto, foi descobrir que a carne de boi fazia parte do cardápio!

Após 3 semanas sem comer um pedaço sequer de derivados bovinos, optamos por pratos desta seção sem nem pestanejar. Eu comi um suculento filé chateaubriand e meu amigo, mais contido, optou por um estrogonofe (curiosidade que meu amigo contou e que confirmei na Wikipédia: estrogonofe é um prato de origem russa do século XIX). Como o dia estava claro e quente, a cerveja estupidamente gelada (que também nos faltava desde a chegada na Índia) foi a acompanhante escolhida.

Vai um filé aí?

Saciados, ainda demos mais umas voltas pelas ruas comerciais da região antes de retornamos para o campus do Instituto. É claro que, após tanto esforço, um cochilo foi essencial. Afinal, celebrar a independência de um país é um trabalho muito árduo…

P.S.: Só entre nós, sou muito mais o nosso Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Muito mais bonito e bem cuidado.

4 comments » | Índia

Back to top