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Primeira parada: Varsóvia

agosto 9th, 2008 — 6:08pm

Salve salve galera! A partir de hoje começo a recontar a minha viagem de julho. Já disse pra vocês o quanto ela significou pra mim no meu último post e por isso vou focar nos acontecimentos lugares e pessoas.

Saí daqui no dia 4 de julho, com a cidade coberta de bandeirinhas da Dinamarca e dos Estados Unidos uma vez que era a comemoração da independência Americana (sim, eles comemoram devido ao grande número de dinamarqueses que emigraram durante a 2ª Guerra). Não que eu me importe muito com isso, citei mais como curiosidade.

Peguei o trem às 5 da manhã e pra resumir a conversa, cheguei em Varsóvia por volta das 22 horas. A Europa parece pequena mas tem lá suas distâncias. E de trem (especialmente Polônes) elas ficam um pouco maiores. Pois bem, cheguei em Varsóvia onde Krystyna (ou Krysia como a chamamos) e Michal, o namorado dela, já me esperavam na estação. E pra explicar essa minha parada em Varsóvia, tenho que explicar pra vocês quem são Krysia e Michal.

Ela é minha amiga desde o 1º semestre aqui em Aalborg. Uma figura fantástica, encantadora, dona de humor ímpar, e sem dúvida uma pessoa com quem tenho uma “conexão especial” como ela mesma batizou nossa amizade. Michal eu conheci mesmo este ano, durante o carnaval aqui em Aalborg. É um cara extremamente tranquilo, que escuta a toda essa história e fica numa boa. Acredito que os dois fizeram dessa minha estada em Varsóvia mais do que a cidade realmente é. Não que a cidade não seja bacana. Mas reecontrar esses dois, e em especial a Krysia com quem passei todo o tempo por lá, foi tão bom que minha impressão da cidade é completamente distorcida pela minha alegria de revê-los.

Varsóvia, e a Polônia em geral como vocês vão perceber, sofreu bastante durante toda a história. A cidade foi recontruída quase que completamente após a 2ª Guerra, em especial a cidade antiga, onde se encontra o castelo e toda a arquitetura tradicional do século 13 em diante. As ruas estreitas, lojas e restaurantes, museus tudo de muito bom gosto fazem do centro histórico um local vivo, vibrante e lucrativo – e precisei vir a Europa pra enteder a visão de centro histórico que minha mãe tem para Vitória.

A universidade possui parte do seu campus aqui e os prédios são belíssimos. Aqui minha guia (Krysia) me contou que logo no início da ocupação Soviética (após a 2ª Guerra), oficiais comunistas passaram a visitar reuniões de professores, políticos e líderes em geral nas quais estes eram “convidados” a seguirem os oficiais que os levavam para fora da cidade e então assassinados. O objetivo era eliminar a inteligência e liderança do país para evitar qualquer forma de revolta civil.

Visitamos também o museu da Revolta de Varsóvia (ou insurreição ou levantamento – tem os 3 nomes na Wikipedia). Só elogios para o museu. Logo na entrada o som de um coração pulsando dita o clima de tensão que foram os meses da revolta. Foi durante a 2ª Guerra, ocupação alemã, uma tentativa desesperada dos poloneses de libertar a cidade. Ainda que poloneses lutassem até mesmo na África apoiando os Aliados, pouquíssima ajuda foi enviada a Varsóvia. A resistência chegou a desenvolver e fabricar armas para lutar mas no final nada foi possível e as tropas de Hitler devastaram a cidade.

Apesar do caos que é a história recente da cidade, hoje é possível ver o desenvolvimento do país claramente em Varsóvia, especialmente devido a entrada recente na União Européia. A cidade é um grande canteiro de obras, com planos ainda maiores de reurbanização, criando grandes espaços públicos. Interessante notar que, não só na Polônia mas por toda minha viagem, percebi que os primeiros investimentos são na recuperação da memória, preservação da arquitetura e monumentos. Mas enfim, a cidade demonstra ter superado as dificuldades e a atmosfera em geral é bastante agradável – claro que graças a Krysia e Michal.

Passamos também por um mercado de produtos típicos – comi umas coisas muito boas! Um parque belíssimo criado por um rei polonês que era ligadão em artes e não muito chegado a reinar – tanto que ele trocou umas noites com a Catarina (imperadora russa) pela Polônia inteira (história um pouco mais antiga). Mas o parque é belíssimo! E por algum motivo que ninguém soube explicar o nome é Parque Banheiros (claro que traduzido do polonês).

No penúltimo dia fizemos um churrasco na casa do Michal. Clima meio ruim de despedida mas com promessas de nos revermos ainda este ano. E no dia seguinte, 2ª feira de manhã, parti para Cracóvia. Semana que vem, galera!

Beijos, abraços e saudade!

***

Hey guys!

This is just a short version of everything that’s written up there. Just to say that I had a great time in Warsaw with Krysia and Michal and that because of these guys Warsaw was even greater than the city itself. Of course its beautiful and just the contrast between the ancient, modern and communist architecture is a museum at open sky.

Explained a bit about the Uprising Warsaw, the Soviet occupation, the Bathroom Park (still don’t know the name in Polish) and the fact that the king traded Poland for a couple of nights with the Russian emperor. But most of all, said that was great to meet Krysia and Michal again and that I’m looking forward to meet you guys again!

I arrived in Warsaw by the 4th of July and left on the next Monday, the 7th. Next week I’ll talk about Krakow.

Cheers, dudes!
Skål!

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Marcas do passado em Varsóvia

fevereiro 1st, 2008 — 10:14pm

Continuando a narrar a viagem que fiz em Dezembro, cheguei à Varsóvia bem cedo. O céu nublado e o vento forte tornavam o frio insuportável. Pior, entretanto, era ver que as marcas da Segunda Guerra Mundial ainda estavam (e provavelmente sempre permanecerão) bem fortes na cidade.

Varsóvia não é muito bonita ou moderna. Além da guerra, o regime comunista fez muito mal ao país e principalmente à sua capital. Logo ao sair da estação de trem, o Palácio da Cultura e Ciência, um prédio imponente de arquitetura soviética dado de “presente” por Stalin, é uma destas cicatrizes que ficaram. Outras incluem casas e prédios ainda destruídos, o Centro Histórico restaurado (praticamente nada é original), e o museu da Revolta de Varsóvia, espaço que relembra a tentativa polonesa fracassada (embora heróica) de libertar a capital do controle alemão.

A Revolta, aliás, é um dos muitos ápices trágicos da Segunda Guerra para o país: após a derrota, os alemães além de mandarem os civis para prisões e campos de concentrações, terminaram de destruir a cidade, prestando atenção especial aos monumentos históricos. Segundo o Museu que visitei, após 1945 mais de 85% da cidade estava destruída e 6 milhões de poloneses por todo país estavam mortos.

Apesar disto tudo, reconstruir a cidade é um mérito muito grande. Principalmente estando o povo sob regime comunista até 1989. O Centro Histórico é pequeno mas foi incrivelmente bem restaurado. Destaque para o Castelo Real, hoje um museu que abriga parte da história recuperada.

Palácio Real
Fachada central do Castelo Real, Centro Histórico da Polônia hoje reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO

Outro local que merece visitação é o Parque Lazienki. É o maior da cidade e abriga monumentos importantes como uma estátua de Chopin, o Palácio na Água, construído numa ilha artificial no século XVII, um teatro romano, e um jardim de esculturas.

Eu no Teatro Romano
Eu no Teatro Romano

Durante todo o dia percorremos a cidade com um outro amigo que não via desde 2003. O polonês nos recebeu muito bem e à noite nos apresentou a alguns de seus amigos em um bar típico da cidade. O local foi todo construído em madeira e era bem decorado com quadros de paisagens que suponho serem do próprio país. Garçons e garçonetes se vestiam com roupas tradicionais e serviam cerveja em copos de 1 litro!

O povo bebe muito lá. E ficam muito bêbados. Acho que inconscientemente se embriagam para esquecer do passado, dos familiares que nunca tiveram, das casas destruídas e reconstruídas, e da pobreza que só agora começa a dar sinais de fraqueza.

1 litro de cerveja!
1 litro de cerveja!

Apesar do reencontro com um grande amigo, visitar Varsóvia foi muito triste. Ainda bem que a visita à Cracóvia no dia seguinte foi muito mais agradável. No próximo post conto os detalhes.

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Um trem de Praga para Varsóvia

janeiro 26th, 2008 — 12:23am

Da Alemanha fomos e meu amigo para Praga e de lá iríamos para Varsóvia, capital da Polônia. O trem saía do centro de Praga às 22 horas mas estava atrasado. Trens invariavelmente atrasam na República Tcheca. Mais do que isto, na estação de trem mais assustadora e mal cuidada que já vi na Europa, a plataforma do trem só é divulgada quando o trem chega nela.

O resultado é uma correria sem precedentes para chegar ao vagão correto pois os mesmos ficam trancados entre si por questões de segurança. Já disse e volto a repetir, é uma Europa diferente a Oriental. Além da preocupação maior com a segurança, tudo é pelo menos mais simples, quando não é também mais mal cuidado e mais feio.

Dentro do vagão, procurávamos ansiosos por nossa cabine na esperança de encontrar as belas camas onde passaríamos a noite durante a viagem. Ao acharmos as camas, bem, achamos também outras 4 numa cabine de uns 3m²!! O banheiro da minha casa deve ter o mesmo tamanho, se não for um pouco maior. E as camas não eram duas beliches, eram duas “triliches”, ou seja, 3 camas uma em cima da outra em cada lado da cabine.

A cabine mais apertada de todos os tempos
A cabine mais apertada de todos os tempos

Também não tínhamos acesso ao restaurante e dois banheiros deveriam supostamente atender nossas necessidades mais fundamentais. Pelo menos o banheiro havia de seguir o padrão europeu, pensei… A experiência prática, entretanto, se provou bem inferior: Um banheiro não funcionava e outro ficou imundo umas duas horas depois da partida do trem. Gritarias anunciavam pelo corredor o ocorrido: Um sujeito bêbado havia vomitado todo o assoalho próximo ao banheiro e ria incontrolavelmente do funcionário responsável pelo vagão, um velhinho simpático mas que não falava um “a” em inglês. O velhinho, por sua vez, resmungava insultos em polonês e não sabia o que fazer. Acabou largando o sujeito lá.

Felizmente nossos companheiros de cabine pareciam agradáveis. Além de mim e do meu amigo, outros 3 estavam lá: um casal de estudantes (ele da Alemanha, ela da Bulgária) e uma outra alemã. Todos os 3 estavam no programa de intercâmbio que mais movimenta alunos pela Europa, o Erasmus. O programa, mais pelo aprendizado social do que científico que proporciona , é um sucesso tão grande foi até tema do filme Albergue Espanhol. O filme, aliás, se passa em Barcelona, cidade que será o próximo destino do meu irmão.

Pois bem, confinados dentro da cabine batíamos um papo agradável. Aquelas coisas básicas de estrangeiros que se encontram pela primeira vez: “De onde você é? Brasil, nossa!! Quero ir um dia lá!! Onde você mora? Perto do Rio, o Carnaval lá deve ser incrível né??” e bla bla bla…

Em seguida, sem mais assunto, fomos dormir. Eu na cama mais ao alto e meu amigo na cama do outro lado. Em baixo, o casal resolveu dormir junto. Bem, eles deitaram juntos. Aí começaram a fazer uns barulhinhos estranhos juntos. E acho que chegaram até a fazer sexo juntos, com outras 3 pessoas na cabine ouvindo aos gemidos que eles tentavam conter. Eu e meu amigo olhávamos um para o outro rindo daquela situação inesperada. Não havíamos pago por nada daquilo…

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