Viajando com o Twitter
Eu ia escrever um texto longo aqui analisando o papel do Twitter [en], uma ferramenta classificada de micro-blogging [en] para envio imediato de pequenas atualizações de texto. No caso do Twitter, cada atualização é limitada por 140 caracteres e deve supostamente responder a uma simples pergunta: "O que você está fazendo?".
Mas como este blog é dedicado a viagens e como até o Fantástico já falou da ferramenta, me limito a dizer que também a uso a algum tempo. Na minha conta pessoal, escrevo em inglês praticamente o tempo todo. Na maioria das vezes trato de assuntos ligado a minha área de interesse profissional - Tecnologia da Informação. Por isto, criei uma conta para este blog. Nela as atualizações são em português e voltadas para temas ligados ao turismo e às viagens que faço. Você, claro, é muito bem vindo a me acompanhar nas duas se assim desejar!
Se você ainda não criou a sua, recomendo que faça [en]. Tem muita coisa acontecendo no Twitter e muita gente bacana escrevendo por lá. O Ricardo Freire, um dos maiores especialistas em turismo no Brasil, escreveu especificamente sobre as vantagens da ferramenta para os interessados no prazer de viajar. A Paula Bicudo já havia feito o mesmo antes. E, se você tiver dúvidas sobre como usá-lo, o Interney explica. O Interney, aliás, é provavelmente o usuário mais popular do Twitter no Brasil. Tratando de assuntos diversos, seguí-lo é uma diversão.
Faça bom proveito mas cuidado que o passarinho vicia! Nos vemos também no Twitter.
PS: O meu irmão, coautor deste blog (mas que anda meio sumido por estas bandas), também criou a conta dele ontem.
Lá ao Brasil e de Volta à Índia 2007-08 (2)
Após 45 dias, cheguei à Índia para encontrar os mesmos problemas de sempre. Caos no trânsito, falta de educação no comportamento dos indianos no dia-a-dia, poluição, pobreza. Tudo isto se manifesta o tempo todo e de diversas formas no imenso contraste que é a Índia. E não é preciso nem sair do aeroporto para acordar para a realidade do país.
Já escrevi especificamente sobre o trânsito daqui no passado. Recentemente, a realidade indiana também foi tema de um texto de um amigo (brasileiro) que conheci aqui em Bangalore. Ele resume os problemas indianos em categorias: sujeira, má qualidade dos serviços prestados, abuso dos motoristas de riquixás, exploração econômica dos estrangeiros, trânsito insuportável, festas sem graça (e que acabam antes da meia-noite), e a falta de respeito com a mulher. Eu ainda incluiria neste bolo a corrupção que permeia todos os níveis da sociedade indiana, a língua inglesa quase indecifrável de muitos indianos, e a pobreza explícita que denuncia a precariedade dos serviços públicos básicos e o descaso tanto das autoridades quanto de parte da população.
No trajeto de volta ao Instituto (o IIIT-B), tentei adiar tanto quanto possível esta realidade revendo mentalmente todos os incríveis destinos que visitei na viagem que terminara. Foi um passeio inesquecível, em vários atos. Começou na Índia, passou pela Europa e pelo Brasil, terminou na Índia. Lá e de Volta, literalmente.
1. Agra (Taj Mahal)
Por mais que falem do clichê que é visitar este mausoléu, considero a visita à Índia incompleta sem conhecer esta que, para mim, é uma das construções humanas mais bonitas ainda de pé.
2. Delhi
Delhi é uma capital com muita história para contar. Rota de muitos povos entre diferentes regiões por milhares de anos, a cidade se tornou um caldeirão de diferentes culturas e religiões. Visita também imperdível a quem visitar a Índia.
3. Munique, Regensburgo, e Chemnitz
Revisitei a Alemanha em dezembro, após ter passado por lá antes de chegar à Índia pela primeira vez. Adorei o país e todas as cidades que visitei. Foi muito bom também ter reencontrado velhos amigos que não via desde 2003.
4. Praga
Apesar da péssima impressão causada pela estação de trem, Praga – capital da República Tcheca – me surpreendeu positivamente. A cidade preserva mais de 1000 anos de história e exibe orgulhosa todos os principais estilos arquitetônicos que marcaram a Europa desde então.
5. Varsóvia
A capital polonesa foi a que teve menos valor turístico para mim. A cidade mais destruída pelos alemães na Segunda Guerra tem pouco a oferecer. Nem por isto, entretanto, foi menos importante: Com um amigo, revisitei a história de uma das maiores atrocidades da humanidade. Sob este ponto de vista, Varsóvia tem muito a mostrar; as cicatrizes ainda não se fecharam.
6. Cracóvia
Em clima bem mais leve, me diverti bastante com as lendas que recheiam a cultura desta cidade, no sul da Polônia. Até dragões fazem parte do mito popular.
7. Helsinque
A Finlândia (e obviamente sua capital) tem valor especial para mim. Foi minha primeira morada no exterior e onde ganhei amigos para toda a vida. E queria muito visitá-los. O reencontro foi memorável e não podia ter sido melhor.
8. Tallinn
A capital da Estônia é o ponto alto deste país que começa a se destacar na Europa, após décadas sob domínio russo. Fiquei encantado com local e seus atrativos, tanto da velha Tallinn medieval quanto da nova e moderna capital.
9. Vitória
Minha terra natal! Local onde estão as pessoas que mais amo neste mundo! Precisa falar mais?
10. Londres
Com apenas um dia disponível na cidade, tive que me contentar apenas com as principais atrações. Foi uma boa primeira impressão da cidade mas certamente não o suficiente.
De Londres, após uma escala no Bahrein (Oriente Médio), voei direto para Bangalore. O dia amanhecia quando finalmente consegui me desvencilhar do controle alfandegário e da fila para conseguir um táxi. Bangalore não é uma cidade bonita mas não era mesmo por isto que estava ali. Apesar dos seus problemas, a cidade e o país têm também muitas qualidades. Talvez “incrível”, como quer descrever o governo (http://www.incredibleindia.org/), seja mesmo o melhor adjetivo para resumir ambos, qualquer que seja a conotação empregada.
Voltemos agora à programação normal, diretamente da Índia...
Nove meses na Finlândia em 2002
A Finlândia foi o primeiro país que visitei na Europa. Foi também o primeiro lugar onde morei no exterior. Antes, aliás, eu mal conhecia o sudeste do Brasil. Foi só no dia 1 de setembro de 2002, quando pisei em Helsinque, que isto começou a mudar. Graças àquela experiência compreendi o inestimável valor de explorar novos destinos, tudo o que ele oferece, e tudo o que é conseqüência da aventura.
Também naquela época comecei a registrar minhas peripécias. Relatos pessoais do que vinha à cabeça e de como eu lidava com tanta novidade. Naquele final de verão, fiquei apenas um dia na capital finlandesa antes de embarcar para Oulu, no extremo norte, quase acima do Círculo Polar Ártico. Foi quando escrevi, em tom quase infantil, estapafúrdio:
“A cidade [Helsinque] é linda, muito bem estruturada e cheia de árvores. Nas partes em que andei, no centro, pude perceber que as construções são parecidas e o povo é bem prestativo. Conheci os amigos de minha mãe e seu companheiro e eles foram super atenciosos. Foram no aeroporto me buscar, me convidaram para almoçar, fizeram um tour pela cidade comigo e me mostraram os monumentos históricos, os navios, o mercado, a prefeitura e o palácio da presidente (sim, uma mulher é a presidenta da Finlândia).
Como fiquei só 1 dia em Helsinki não posso falar muito mais, mas a primeira impressão foi muito boa.”
Dois dias depois, já estabelecido em Oulu, o tom do relato foi similar:
“A cidade é um pouco parecida com a de Helsinki mas o bem menor (115.000 habitantes enquanto Helsinki tem mais 500.000). A universidade fica a 5 km do centro e é bem grande.
Meu apartamento fica de frente para ela, a uma distância de uns 300m. Atrás, a uma distância também de uns 300m, existem lojas, uma vídeo locadora e um supermercado.
Tenho uma cama, um armário, uma mesa grande, um criado-mudo e duas cadeiras. O quarto deve ter uns 9m² e o apartamento todo uns 22m². Este tamanho todo porque tem outro quarto do lado do meu onde outro estudante está hospedado. A cozinha e o banheiro são comuns a nós dois.
Já estou aqui há 2 dias e as coisas estão caminhando bem apesar da dificuldade da língua. Apesar do curso ser em inglês (ainda não assisti nenhuma aula para comentar o curso) poucas pessoas o falam por aqui. Até na universidade tudo está escrito em Finlandês. Isto está sendo a grande dificuldade mas já estou conseguindo me virar. Acho que a medida que o tempo vai pansando vou melhorando minha fluência no inglês e também vou aprendendo algumas palavras em Finlandês.
Outro fator de dificuldade é o frio mas este vai ser mais fácil. É impressionante (pelo menos para mim está sendo) mas lá fora a temperatura fica em torno de 15ºC (parece não estar frio mas venta muito por aqui) enquanto dentro do meu quarto é de 25ºC, sem ligar o aquecedor. Ou seja, o frio só existe do lado de fora e como só vou sair para comprar coisas e ir a Universidade, vai ser mole!!”
Notem que preservo os textos originais da época, inclusive os erros de português. Os erros, de fato, não importavam muito desde que eu extravasasse as emoções que sentia. Incrível como a mais singela e pueril experiência faz toda a diferença quando vivenciada pela primeira vez, não? Parece que voltamos a ser crianças e que nada mais importa...
Só quatro meses depois, em pleno inverno, é que retornei à Helsinque. O frio era negativo, a paisagem branca, e a luz do dia durava três ou quatro horas. Somado a isto, a distância da família e dos amigos em pleno Natal tornava aquele momento um tanto depressivo. Depois de tanto tempo, afinal me dava conta que morar tão distante do Brasil não era tão mole assim como pensei nos primeiros dias.
“Dezembro e janeiro foram frio, escuro e entediante. Não por vontade própria mas pela falta de opções. É impressionante como o pessoal se desanima por aqui quando lá fora a temperatura fica abaixo dos –20 graus. Dá para ver na face o desânimo, a vontade de ficar em casa, de esperar o frio passar.”
O norte da Finlândia no inverno é pra lá de muito frio
Mais cinco meses e lá estava eu retornando pela terceira e última vez à capital pela qual me apaixonei. E Helsinque na primavera era radiante, principalmente tendo como vizinha a cidade de Espoo e suas imensas áreas arborizadas onde moravam grandes amigos que conheci nove meses antes.
Um parque em Helsinque em pleno dia primaveril
Foi difícil deixar a Finlândia e foi muito bom retornar ao Brasil. Não encontrava lógica para explicar aquele paradoxo, mas lembro-me como se fosse hoje do desembarque em Vitória: O dia estava ensolarado e ventava bastante. Propositalmente, eu fui o último a sair do avião. Lágrimas escorriam de felicidade num olho e de tristeza no outro. Caminhei lentamente enquanto tentava colocar aquele turbilhão de emoções em ordem. Naquele momento, não podia imaginar que cinco anos depois retornaria àquele país que um dia chamei de lar.
Mais algumas fotos de 2002 e 2003:
Do Brasil para o mundo
Estou em Sampa. Praticamente só venho aqui de passagem, quando há alguma conexão entre vôos para outros destinos. Desta vez, retorno à Índia, parando antes em Londres para uma visita rápida. Quando o destino final é São Paulo, entretanto, aproveito demais a cidade. Adoro este lugar e tenho bastantes histórias para contar aqui. Sei que um dia ainda acabo morando nela.
Voltando à visita aos ingleses, ela faz parte de um planejamento que começou a ser contado aqui no final de Novembro. Dos 9 destinos previstos, faltam agora só 2 a serem visitados: Londres e Bahrain. Entretanto, ainda preciso contar como foi a minha jornada por outros 4 por onde passei ano passado: República Tcheca, Polônia, Finlândia, e Estônia. Isto sem contar o Brasil que certamente merecerá um post a parte.
Tudo isto, claro, acontecerá com o tempo. Primeiro, já que o blog completou 6 meses no último dia 1 de janeiro, vou me concentrar numa retrospectiva. Até para pôr a casa em ordem depois de uns 20 dias sem dar as caras.
O blog começou por conta de programas de mestrados meu e de meu irmão no exterior. Eu fui para Índia e meu irmão para Dinamarca. De lá para cá, obviamente tivemos muitas histórias para contar. Do meu lado, lá da Índia, as histórias mais lidas foram uma sobre o hinduísmo, e outra onde resumo alguns episódios que aconteciam comigo à época, entre eles minhas fatídica ida a um hospital.
Do lado do meu irmão, a visita dele à Legoland foi disparada a história mais visitada não só dele mas de todo o blog. O parque de diversões que fica em Billund foi motivo de muitos comentários de pessoas querendo fazer a mesma visita. Quem sabe um dia? Além disto, vale destacar também o texto mais recente dele sobre a sua estada na Alemanha durante o Natal. Falta agora só um com a extensão que ele fez à Londres.
Da viagem que comecei em dezembro, já falei aqui da experiência incrível que foi visitar Delhi e o Taj Mahal em Agra. Daquele período na Índia, ainda preciso dar mais detalhes de como foi meu comparecimento a um casamento típico. Em seguida, também já contei como foi meu retorno à Alemanha depois de 4 meses.
A segunda metade de 2007 foi assim: Um período repleto de novas experiências tanto pra mim quanto para meu irmão, tenho certeza. 2008 também já começou no mesmo ritmo e ao que tudo indica permanecerá assim até o final... Haja história para registrar.
Tchau Bangalore
Após 4 meses, hoje ficam para trás os vidros espelhados, o mármore e o granito, e os belos jardins dos prédios suntuosos das grandes empresas de Tecnologia da Informação (TI) de Bangalore. A cidade me recebeu bem mas não tive muito tempo para retribuir. Terei que esperar o ano que vem para realmente conhecê-la.
Na última semana aqui, tive algum tempo para retornar ao centro. No sábado passado, fomos eu e meu amigo Kris a uma apresentação de Qawwali, um estilo de música de devoção da religião chamada Sufismo, derivada de uma mistura do islã e do hinduísmo.
A apresentação é incrivelmente bela e uma noite clara de lua cheia deram um toque especial ao evento. O único porém é que Bangalore a noite nesta época do ano já é bastante fria. A temperatura lá, a céu aberto, devia estar beirando os 10 graus positivos.
Sobre a música em si, deixo vocês com um trecho para ser apreciado. Para tentar explicar um pouco, notem que cada música é repleta de improvisações e há troca de poesias entre os vocalistas principais (a mulher e o homem centrais) numa espécie de competição. O objetivo é compartilhar o amor e a devoção a Alá (ou Brahma, ou Deus de acordo com a religião de cada um) e alguns presentes chegam a entrar em transe.
Dias depois, nesta última quarta-feira, retornamos ao centro para fazermos algumas comprinhas. Claro que não sem antes almoçarmos num belo restaurante que contenha qualquer comida “não-indiana”. Não agüentava mais tanto molho e caldo apimentado.
Passamos o dia em lojinhas de roupas e artesanato procurando produtos no melhor estilo bom e barato. Os lojistas, claro, nos atendem com brilho nos olhos. Para eles, qualquer turista estrangeiro é uma chance de realizar uma boa venda.

Eu acho que esta é Parvati. Atrás de mim, meio escondido, está Ganesha. Estas estátuas custam pelo menos R$ 7.000,00
Já ao anoitecer retornamos cansados. Nestes últimos dois dias que se seguiram, apenas finalizamos preparativos para a verdadeira viagem que começa agora! Próxima parada, Delhi!
“Causos” pelo mundo
Mais ou menos aos 11 anos fui assaltado pela primeira vez. Gananciosos, os dois ladrões estavam ávidos por levar tudo o que eu tinha de valioso: meu chinelo.
11 anos depois, em 2003, e na Rússia fui assaltado novamente. Passeava por um parque quando fui abordado por empurrões de dois truculentos vendedores de bugigangas. Os dois também levaram tudo o que eu tinha de valor: alguns trocados e um folheto da agência de viagens contendo precauções para turistas evitarem assaltos no país.
***
Em maio do ano passado eu estava perdido no Centro de Montreal e precisei pedir ajuda. Ciente de que a cidade tinha origem francesa, decidi arriscar uma abordagem na língua daquele país:
- Com licença senhor, você fala Inglês?
A resposta foi curta e grossa: - Muito melhor do que o seu francês!
Não precisei perguntar duas vezes...
***
Em abril deste ano decidi alugar um carro para desbravar terras uruguaias sozinho. Lá pela altura do povoado de Treinta y Tres (terra onde, diz a lenda, trinta e três valorosos combatentes uruguaios foram derrotados pelo covarde exército brasileiro enquanto dormiam) precisei abastecer.
No posto, li a palavra "gasoil" numa bomba e imediatamente, do alto de minha presunção, associei à gasolina. Acabei enchendo o tanque de um Fiat Uno com óleo diesel.
***
Ontem de madrugada eu dormia feliz. Sonhava com a culinária capixaba quando fui acordado por um grito de terror aqui no alojamento. O sujeito gritou tão alto que deve ter acordado o bairro inteiro.
Já estava acostumado a gritarias e maluquices do gênero entre os indianos e a princípio ignorei o evento. Minutos depois fui acordado novamente com gargalhadas coletivas: O sujeito escandaloso teve um pesadelo com cobras e acordou assustado acreditando que elas estavam no seu quarto.
Devaneios Distantes
Estava na minha pré-adolescência quando fui apresentado à Web pela primeira vez. 12 anos atrás as páginas demoravam minutos para carregar e continham basicamente letras piscantes e difíceis de ler com imagens borradas pelos cantos. De lá pra cá, a velocidade com que a informação passou a trafegar se reduziu ao instante. A barreira das mídias físicas havia caído.
Consequentemente, passei a acreditar durante algum tempo que a aviação moderna também acabaria com a distância entre as pessoas. Afinal, já tínhamos o Concorde como indicação do que poderia estar por vir.
Ledo engano. O Concorde foi descontinuado em 2003 e a logística do transporte aéreo, claro, continua seguindo a lógica do mercado financeiro mundial. Resultado: Da Índia até o Brasil, são necessárias mais de 40 horas em trânsito, entre escalas e diferentes vôos do mais puro desconforto da classe econômica.
No campo terrestre, a evolução dos transportes também parece regredir: Aqui em Bangalore, por exemplo, é preciso reservar cerca de 1 hora para percorrer um trajeto de míseros 15 km. Um cavalo, em tempos medievais, faria o trajeto mais rápido.
Mas tergiverso. Mesmo que os aviões fossem capazes de nos transportar a qualquer parte do mundo em questão de uma ou duas horas, a um preço ínfimo, ainda assim estaríamos “condenados” a nos mudar sempre que optássemos ou necessitássemos buscar algo além do nosso atual horizonte.
Não somos onipresentes como a informação e, mais do que isto, não somos independentes do meio em que vivemos. Necessitamos de nos relacionarmos com as pessoas a nossa volta e de interagirmos com elas. Isto obviamente é essencial a qualquer processo de aprendizagem e crescimento pessoal.
Eu não vim fazer o meu mestrado na Índia apenas para assistir às aulas. Isto poderia simplesmente ser feito via videoconferência. Aliás, Bangalore não teria se tornado uma referência em Tecnologia da Informação no mundo se a presença das pessoas num único local não fosse importante. Neste caso, bastaria que cada indivíduo trabalhasse em sua própria casa.
Além do relacionamento interpessoal, o que motiva pessoas a se deslocarem entre regiões pode incluir políticas públicas, diferenças culturais, decisões de empresas, e até mesmo xenofobia.
Seja por necessidade ou desejo, no entanto, não dá para ignorar os benefícios da tecnologia. Ela permitiu que o mundo se tornasse mais conectado e transforma a maneira como nos deslocamos e comunicamos. Graças a ela estou aqui hoje e graças a ela transmito esta mensagem num instante, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.
Para finalizar, abro um parêntese: Se o custo da passagem aérea fosse ínfimo e a viagem demorasse poucas horas, certamente retornaria a minha terra natal nos finais de semana...
***
PS1: Para os interessados em se aprofundar nas relações da informação e do capital humano com a tecnologia e a sociedade, recomendo a leitura dos livros de Manuel Castells. Na Biblioteca Nacional há 8 diferentes livros do autor traduzidos para o português que certamente elucidarão a atual era da informação para o leitor.
PS2: Ontem almocei na casa de um casal muito simpático. Ela faz doutorado aqui no IIIT-B e ele é um arquiteto e urbanista. Os assuntos percorreram o mundo, inclusive o religioso, e finalmente pude entender um pouco melhor o hinduísmo. Prometo detalhes no próximo post.
PS3: A casa deles fica num típico bairro de classe média indiana: A rua não é asfaltada, a água não é encanada, não há coleta de lixo, e falta luz o tempo todo. Isto acontece porque a cidade não consegue acompanhar o crescimento urbano acelerado do país. Como os moradores resolvem o problema? Bem, a energia é solar, a água é captada da chuva e o lixo, quando possível, é separado na própria casa e decomposto ou reciclado por lá mesmo.
Continuo tentando evitar falar do tempo…
Ando meio sem assunto por conta da carga pesada de estudos. Como moro no próprio instituto, minha rotina diária está sendo acordar-comer-estudar-comer-estudar-comer-estudar-dormir. Nem lembro mais da última vez que saí daqui para ir ao centro conhecer um pouco mais da cidade.
Por conta disto, vou adiantar alguns outros assuntos que estava guardando para a posteridade...
***
Bangalore é uma das principais cidades indianas, como vocês já devem saber. É referência em Tecnologia da Informação e, consequentemente, acaba se tornando também um grande centro globalizado com pessoas do mundo todo, restaurantes de todos os tipos e grandes eventos – não necessariamente bons. Nesta terça, por exemplo, haverá aqui um show do Black Eyed Peas e em novembro é a vez dos brasileiros do Sepultura se apresentarem.
Obviamente não vou a nenhum dos dois. Além de não serem exatamente o meu tipo de banda, os shows começam no meio da tarde, durante a semana, e perder uma aula aqui significa uma semana dormindo bem mais tarde para recuperar o assunto perdido.
***
Aliás, falando em horários, não consigo entender os horários de eventos de entretenimento nesta cidade. As boates, por exemplo, ao invés de abrirem às 23 horas, fecham neste horário. Com 6,5 milhões de habitantes, não há nada para fazer na cidade depois da meia-noite, mesmo sendo esta uma das populações mais ricas da Índia. Será que Cinderela mora aqui?
***
Já estamos em meados de outubro. Dentro de um mês em meio inicio uma maratona de viagens pela Índia e, em seguida, pela Europa. Certamente irei conhecer Delhi e Agra (onde fica o Taj Mahal) e talvez ainda arranje tempo (e dinheiro) para esticar a viagem até Varanasi, cidade famosa pelos rituais realizados às margens do Rio Ganges.
De volta à Europa após 4 meses, visitarei novamente a Alemanha de onde partirei para a República Tcheca, Polônia, Estônia e Finlândia, meu destino final. Retorno então ao Brasil para um merecido descanso antes de novamente embarcar para Índia e continuar meus estudos em 2008.
Os detalhes de cada destino serão revelados aqui, claro. Na véspera da viagem mando mais informações com mapas e um pouco das atrações que pretendo visitar. Prometo então rechear este blog de fotos para compensar a atual falta delas.
***
Encontrar uma passagem de retorno à Índia está sendo uma aventura à parte. Até agora, encontrei duas opções dentro do meu orçamento: Uma faz uma escala no Oriente Médio e a outra faz escala em Colombo, capital do Sri Lanka. Será que encontro o Bin Laden em um destes vôos?